Rune's Quest

18 Zestó Warmsmile, O Vigor de Butera


Notas iniciais
Alli descobre sobre o maior herói de todos, Zestó Warmsmile.

–Podem procurar, vocês têm que ter alguma cultura para prosseguir na jornada árdua que é a vida. — Rune disse quando eles entraram na biblioteca.

Claoru pegou uma cópia de um dos livros que ela havia lido quando estava em treinamento para ser mensageira. "Por que você não deve amarrar Papiros com mais de dois nós". Ela sabia toda a obra de trás para frente de cor e salteado, com muito orgulho.

Além de outros volumes como este, Claoru era uma conhecedora de literatura. Tinha sempre uma recomendação para devoradores de livros e não se incomodava em recitar alguns capítulos da Enciclopédia Buterana escrita por seus pais há cerca de vinte anos.

Ernest tinha parado sua busca para pedir informação à bibliotecária. Ele queria saber aonde os volumes de História se encontravam.

–Corredor 4. — a resposta curta e grossa da senhora foi o bastante.

Enquanto isso, Alli procurava seu irmão para lhe mostrar uma coleção de, aparentemente, infinitos volumes. A tal coleção era uma coletânea das aventuras de Zestó Warmsmile, O Vigor de Butera.

–Olha isso que eu achei Ernest. — ela disse apontando para o volume 1 da coleção.

–O que é isso? — ele perguntou.

–Um vaso sanitário. — Alli respondeu — O que você acha? É um livro, bobão.

Rune, que ia se aproximando, deu uma gargalhada ao ver o livro. Se lembrava bem de Zestó. Um sujeito gente-fina, da melhor qualidade.

–E olhem que não digo isso de qualquer um. — todos sabiam bem disso.

Rune os contou de majestosos atos de bravura e valentia que Zestó havia feito. Defender a cidade de bestas-morcego, resgatar dezenas de pedreiros presos numa montanha, encontrar um civilização perdida e esquecida, que continha planos para transformar a tecnologia e assim, de certo modo, reinventou a vida em Butera, entre muitos outros feitos gloriosos no seu tempo de glória. E com um detalhe:

Ele nunca se deixava ser pego. Uma única vez, deixou seu nome assinado no local de seu ato, e atribuíram os fatos (que já eram dele) a ele.

Alli se interessou pelas lendas que envolviam o amigo de Rune e mergulhou avidamente na leitura.

A primeira história que encontrou foi quando Zestó salvou dez crianças deficientes de um orfanato.

"Até os dias de hoje não há quem diga com toda a certeza o quê (ou quem) começou o incêndio. Não importa, na verdade, pois não é disso que se fala.

Era uma noite fria. As corujas piavam em uníssono e um valente lenhador cumpria seu trabalho derrubando árvores e plantando sementes equivalentes ao lado das cortadas.

Seu machado era seu único companheiro no breu da noite, breu este, que fora interrompido por um clarão violento vindo de um terreno mais baixo que ele estava.

Era um orfanato para crianças deficientes. Determinado a salvar os que estivessem ali, desceu de sua elevação como um guepardo. Tinha afinco por aquele lugar, era de onde seu filho adotivo tinha vindo, alguns anos atrás. Seu rebento tinha aprendido muitas coisas com ele, e, àquela época estava fora pelo mundo, praticando a única justiça real: a cega.

Chegando ao orfanato, a porta parecia trancada por dentro. Pensando por apenas alguns segundos, decidiu derrubá-la. Seu machado nem foi necessário. Apenas um pouco de força bruta e seus braços musculosos de lenhador fizeram o resto.

Se esquivando das chamas e vigas que caíam, Zestó procurou sobreviventes, mas não achou nenhum.

Os gritos se sobressaíram ao som das labaredas que consumiam o local.

Algumas portas para se derrubar depois, Zestó encontrou um grupo de dez crianças deficientes e um cachorrinho com elas. Pegou todos nos braços e correu com cautela até a saída criada por ele mesmo.

As autoridades chegaram minutos depois, mas Zestó já havia saído.

Os relatos dados a polícia foram de um "super-herói grandão que salvou a gente". Vagaram muito, mas não encontraram o tal super herói."

–Que legal! — Alli exclamou ao terminar a história.

Levou o livro de volta à estante e foi encontrar-se com os outros. Proclamando que tinha agora um verdadeiro modelo para seguir e superar, ela saiu da biblioteca marchando com um sorriso quente no rosto.

–Ele é tão maneiro, Ernest! — Alli repetia freneticamente para que todos soubessem.

–Aprendi muito sobre ele. — Claoru informou — Depois de ter ficado conhecido, ele passou um tempo por Ftera... Ele era muito querido por todos nós. — ela sorriu enquanto contou outro feito seu.

Zestó buscava incessantemente um modo de retribuir tudo o que os fterões tinham feito por ele. Todo o carinho que eles demonstravam por ele, o deixava um pouco envergonhado por nunca ter feito nada a eles para merecer aquilo.

Certo dia, quando caminhava pelo centro de treinamento dos soldados fterões, ele se deu conta de uma coisa.

Os soldados se arriscavam muito em batalhas. Seus rasantes violentos precisavam ser combinados com difíceis e ágeis manobras marciais para se tornarem perigosos. E suas asas eram frágeis demais para um combate feroz que poderia vir a ocorrer.

Zestó subiu na coluna mais alta e permaneceu sentado no seu capitel sem comer, beber ou dormir por dois dias. Pensando num jeito de ajudar os fterões em sua deficiência combatente.

Até que recebeu uma luz.

Partiu na calada da noite para a civilização ýdoriana.

Foi direto para seus lixões. Ele sabia muito bem que aquele povo gastava muito aço e muito rápido. Os adereços dos civis eram construídos com a liga metálica, mas a moda mudava muito rápido e vários acabavam indo para o lixo em perfeito estado.

Coletou quase duzentos acessórios de aço e voltou num silêncio mortífero para Ftera.

No dia seguinte, todos os soldados possuíam uma espécie de camada de aço para tornar suas asas mais resistentes para um combate mortal. A notícia se espalhou como gripe pela cidade e o rei fterão proclamou festa por três semanas em homenagem ao homem que contribuíra bravamente com a segurança da nação.

–Que. Demais. — Alli estava boquiaberta e seus olhos pulavam de alegria.

Tudo que ela queria era ser como ele.

E receber uma festa de três semanas.