Rune's Quest
13 Robô Fêmea
Notas iniciais
–Consegui fazer essa esfera perfeita de gelo! — Ernest mostrou sua conquista para sua irmã.
–Posso tocar? — ela olhou com admiração — Parece incrível.
–Obrigado por se interessar, mas não. — Ernest disse fazendo a esfera evaporar — Apesar de ser completamente inútil, aquela esfera não pode receber um toque que seja. A poeira grudaria nela e ela deixaria de ser perfeita.
Alli não estava mais ouvindo porque sua atenção tinha sido chamada por alguém jogado na ruela onde passavam. Os instintos protetores de Alli a fizeram ignorar Ernest falando sozinho e ir até o corpo. Ela não entendeu quando viu os olhos sem pálpebras e o cabelo que não se movia com o vento forte daquela manhã.
–Ernest, vem ver isso aqui! — Alli chamou sem tirar os olhos daquela coisa.
–Ei! Não mexa nisso, pode ser perigoso. — Ernest afastou Alli dali e concluiu — É um robô. Ou melhor, uma robô. — Ernest deu um peteleco na testa da máquina.
Os olhos se acenderam. LED. Ernest deu um passo para trás e Alli se preparou para conjurar um escudo para se protegerem de um possível combate. Mas a máquina nada fez além de se levantar rangendo.
–Aguardando Atualização. — a robô informou em uma voz feminina mecanizada.
–Vamos levá-la ao Rune, ele vai saber o que fazer.
E assim foi feito, Ernest ajudou a mulher robótica a caminhar até um campo aberto onde Rune estava os esperando. Quando entrou em contato com a grama, o autômato se ergueu só e ficou de pé perfeitamente.
–Quem é a amiga de vocês? — Rune perguntou — Ela parece caladona.
–Achamos no meio da rua. — Alli contou — Ela parece incrível. A gente pode ficar com ela? Diz que sim!
–Qual o seu nome? — Ernest perguntou dirigindo-se à máquina — Você pode me ouvir?
–Ametista. — Ela respondeu — Alto e claro, mestre.
Ernest estranhou mas não apresentou reação brusca. Rune comentou que ela, por ser uma máquina, deveria aprender rápido. Alli sorriu quando Rune disse que manteria Ametista por certo tempo até que ela cansasse ou pudesse prosseguir sozinha. Ao ouvir estas palavras a robô se defendeu.
–Não preciso disto. Iniciar Protocolo de Autodefesa. — meio segundo após dizer isto,Ametista se transformou numa imensa esfera de onde saíam lâminas, luzes, além de seus membros e cabeça — Iniciar Protocolo de Aniquilação.
–Cancelar Protocolo! — uma voz desconhecida bastou para que Ametista convertesse-se à forma humanoide — Por onde você andou? — um homem de jaleco e óculos escuros era o responsável pelo salvamento de Ernest e Alli.
–Procurando por você, mestre. -Ametista respondeu ainda mecanizada.
–Ela tava desligada e caída numa ruela. — Alli completou — Deve ter se perdido.
–Oh, filha, que bom que você está bem. — o criador de Ametista a abraçou e foi correspondido com um abraço vindo dela — Obrigado por cuidar da minha filha.
–Chamou-a de "filha"? — Ernest interrogou — Não é muita paixão pelo trabalho?
–Ora, garoto, esta é minha filha de verdade. — o mecânico respondeu — Quando ela tinha dez anos foi morta num assalto. Eu convenci um necromante a me vender a alma dela e a pus nesta máquina. Eu não sei até onde é minha filha. — ele disse e suspirou — Mas ela está aqui dentro. — continuou; apontando para a androide.
Como um foguete, Ametista e seu pai voaram para longe dali enquanto ele agradecia. Alli sentou-se na grama.
–Qual a ligação de ela não querer ser dominada? — Ernest indagou — O pai dela não é seu mestre?
–Você nunca foi dominado de verdade, criança. — Rune respondeu — Não sabe o quanto é ruim.
–Acho que aprendemos algo hoje. — Alli disse — Da próxima vez, vamos deixar os robôs na rua.
Todos concordaram.
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