Notas iniciais
Alli se torna amiga de uma garota rica e com as amigas dela, Ernest está apaixonado pela nova amiga de Alli, mas tudo acaba em maus lençóis quando eles descobrem a verdade sobre Eclésia.

-Vá logo, entendeu? — A voz de Rune só motivava Alli. Ela deveria pegar um pouco de água porque o treino seria puxado aquele dia.

Ao chegar no riacho foi encher o cantil com a cristalina água... Cor-de-rosa. Alli gritou, contemplou a "beleza", mas gritou de novo. Foi para trás tentando fugir daquela loucura, até que viu uma garota dentro do rio, que parecia estar se afogando.

-Ei, menina, segura a minha mão! — Alli disse enquanto puxava a desconhecida pra fora da água -Tem que tomar cuidado quando vai nadar. Você ia morrer se eu não chegasse a tempo.

-Obrigada. Eu ia ver os peixes, e quando vi, estava lá dentro, e a tinta do meu cabelo indo embora pela água. — Alli tentava ligar os pontos, até que conseguiu.

-Por isso a água está rosa. -Alli ofereceu o cantil para a garota beber, mas ela recusou — Não adianta ficar traumatizada, você precisa tomar um gole de água. -A moça aceitou e tomou tudo — Meu nome é Alli, e o seu?

-Eclésia. -Alli achou o nome dela muito interessante, e perguntou onde ela morava — Eu moro num palácio não muito longe daqui. Meu pai é o Conde Spanov.

-Sério? Então você é podre de rica? — Eclésia riu — Não ria, só responda. Eu sempre quis conhecer alguém rico, magos não podem enriquecer, são seres de conhecimento, feitiços e outras coisas, mas nada nos proíbe de ter uma amiga rica.

-Acho que se nada te proíbe, podemos ir procurar minhas amigas. — Eclésia se levantou e tocou em seus cabelos agora castanhos — Você não vem?

-Vou, só que preciso avisar ao meu irmão. -Alli se levantou e foi correndo até o outro lado da floresta. Quando ela achou Ernest e Rune, ela parou e respirou fundo — Oi. Vim avisar, que...

-Alli, cadê o cantil? — Rune perguntou- Você esqueceu lá?

-Não... Eu vim dizer... — Alli respirou ofegantemente — Que eu fiz uma amiguinha rica na floresta e vamos sair juntas, tchau!

-Espera aí, Alli. — Ernest pegou Alli pela gola da camisa — Quem é essa amiguinha? Ela é humana? É solteira?

-Me deixa sair, Ernest! — Alli pulou — O nome dela é Eclésia Spanov, e, sim, ela é humana. Mas eu não perguntei se ela era solteira.

-Tudo bem, vá lá. — Rune ineditamente permitiu algo que não envolvia treino ou magia — Vocês não saem com muitos humanos, então, Alli, pode ir passear com essa tal de Eclésia.

-Isso é sério, Rune? -Alli e Ernest perguntaram ao mesmo tempo, apesar de uma pequena diferença no tom.

Rune aprovou e Alli não pensou duas vezes, foi de volta para a floresta e não mais voltou. Ernest estava ficando preocupado; quando uma carruagem chegou e quase os atropelou.

-Vem, Eclésia, eles ainda estão aqui! — Alli disse, ao descer da carruagem — Esse é meu irmão, Ernest, e meu conselheiro mágico, Rune.

-É um prazer conhecê-los. Ouvi falar muito sobre você, Rune. — Eclésia olhou Ernest de cima a baixo — Oi...

-É... Oi. — Ernest estava corado, e não sentia seu corpo — Seu cabelo é... Engraçado.

-Como é? -Se houve algum encanto nisso, com certeza não há mais — Meu cabelo? De tudo que você tem a falar, você fala que o meu cabelo é "engraçado"? Alli, podemos ir?

-Não sabia que você era tão metida, Eclésia. — Alli mais uma vez, destrói tudo com sua inocência.

-Metida? Como ousa me chamar de metida?- Eclésia estava cada vez mais furiosa.

-Assim, ó, metida, metida, metida, metida, Eclésia é metida e tem cabelo cor de cocô. -A dança acompanhando a letra não aliviou muito.

Um urro violento vindo de Eclésia, antecipou seu crescimento grotesco, até que ela atingisse os 150 metros de altura.

-Sabia que isso ia acontecer. -Rune falou com apatia, como sempre.

-Então porque me deixou ir passear com ela? — Alli quis saber — Se ela nos matar, vai ser culpa sua.

-Não, vai ser culpa do Ernest. Ele que vai derrotá-la.

-O que foi? — Ernest não queria acreditar no que tinha escutado — Como é que eu vou acabar com esse dinossauro de vestido?

-DINOSSAURO?! — A mega-Eclésia pisou com força no chão, provocando um tremor que derrubou várias árvores.

-Apenas lance uma estaca congelante no joelho esquerdo. — Rune disse calmamente, como se nada estivesse acontecendo — É a fraqueza dos Spanov, todos tem um joelho danificado, nas mulheres, é o esquerdo.

-Tá bem! Eu consigo! — Um grito para que a estaca se formasse na palma da sua mão foi o suficiente — Tomara que seu chá tenha deixado espaço pro sorvete!

-Essa foi a coisa mais idiota que você já disse. — Alli olhou pra ele com decepção.

Ernest acertou o joelho de Eclésia, mas nada aconteceu.

-Rune, o que houve?- Ele estava desesperado, porque Eclésia o havia visto e estava atrás dele.

-Você acertou o joelho errado, cupim idiota. -Rune estava tomando chá com Alli enquanto Ernest tentava acertar o joelho de Eclésia.

-Tomara que doa muito! — Desta vez, Ernest acertou em cheio e Eclésia veio ao chão, após voltar a seu tamanho normal -Desculpe, querida, deixe me dar um beijinho.

-Sai pra lá, seu esquisito. — A estaca ainda estava no joelho de Eclésia — Tenho que ir até o hospital pra tirar isso.

-Espera, rica, digo, Eclésia! — Alli foi atrás dela e puxou-a — Ainda somos amigas, não é?

-Não. -Eclésia disse, e foi embora.