Runes Of Destiny

1 CAPITULO 1 - CLARICE: O LIVRO DOS PORTAIS


Notas iniciais
Olá, leitores! Antes de começarmos, gostaria de compartilhar algumas considerações: Esta é uma short-fic composta por apenas 10 capítulos. A história pode parecer um pouco confusa no início, mas prometo que é intencional (e faz parte da diversão!). Não incluí uma descrição detalhada da personagem Clarice, mas vocês podem imaginá-la com base na foto de capa. Esta é a minha primeira fanfic com mais de um capítulo, então ficarei muito feliz com o feedback de vocês. Comentem suas impressões, sugestões e teorias! Espero que aproveitem a leitura! 🌟

Clarice estava imersa no mundo dos livros e das antigas lendas. A biblioteca da universidade estava silenciosa, o cheiro de papel envelhecido preenchendo o ambiente. Ela adorava esse espaço, como se ele fosse um refúgio onde o tempo parecia desacelerar. Cada prateleira repleta de histórias antigas era como um mapa para outros mundos, um convite para mergulhar no desconhecido.

Ela caminhou pelas longas estantes de madeira, conhecendo cada canto da biblioteca melhor que sua própria casa. Suas mãos percorriam suavemente os lombos dos livros, sentindo a textura e a história que cada um carregava. O ritmo de seus passos era calmo, como se o lugar tivesse o poder de desacelerar até os pensamentos. Ela se deteve em um canto mais afastado da sala, um local que poucas pessoas conheciam, e foi lá que algo chamou sua atenção. Um livro, solitário e distinto entre os outros, estava empoleirado na prateleira mais alta.

Com a curiosidade natural de quem sempre buscou algo além do que os olhos podiam ver, Clarice pegou o volume nas mãos. O livro parecia ter sido ali colocado por pura sorte, ou destino. A capa de couro, desgastada pelo tempo, estava coberta por símbolos intrincados, que pareciam pulsar com uma energia própria. Ela folheou as páginas delicadamente, se atentando às descrições misteriosas e detalhadas sobre mitologia nórdica, algo que, em sua mente, estava mais próximo da fantasia do que da realidade.

Foi quando ela virou mais uma página que algo diferente aconteceu. A tinta dos símbolos, que até então parecia simples e estática, começou a brilhar com uma intensidade que ela jamais imaginara ser possível. Uma runa desconhecida apareceu diante de seus olhos, pulsando em um tom dourado vívido. Clarice franziu a testa, o olhar fixo no livro, e uma sensação estranha percorreu sua pele, um formigamento, como se uma energia invisível estivesse se conectando com a dela. Ela se aproximou ainda mais, fascinada, e, sem pensar, tocou o símbolo com a ponta dos dedos.

No instante seguinte, o livro tremeu violentamente em suas mãos. A sensação foi instantânea e arrebatadora: o ar ao seu redor pareceu mudar, tornando-se espesso e carregado de uma energia densa. A sala que antes parecia acolhedora, agora parecia se distorcer, como se a realidade estivesse se desfazendo diante dela. Clarice sentiu uma pressão insuportável em seu peito, como se o ar tivesse se tornado pesado, tornando cada respiração uma luta. A luz ao seu redor se intensificou, e, antes que pudesse processar o que estava acontecendo, uma explosão de luz dourada tomou conta de tudo.

Ela gritou e tentou recuar, mas era tarde demais. O brilho se espalhou rapidamente pela sala, iluminando o ambiente com uma intensidade cegante. O livro se contorceu em suas mãos como se estivesse vivo, e, quando ela tentou soltá-lo, os papéis começaram a se rasgar, ondulando no ar como se estivessem sendo puxados por uma força invisível. O chão sob seus pés parecia se desfazer, e as prateleiras das estantes se torciam em formas irreconhecíveis.

Clarice tentou gritar, mas as palavras não saíam, e sua garganta parecia seca. O pânico tomou conta dela como um manto sufocante. Ela se sentia aprisionada entre as linhas da realidade e do impossível. A sensação de desorientação a invadiu, como se tudo o que conhecia estivesse se fragmentando. Seu corpo tremia, e ela não conseguia controlar as emoções que a inundavam. Medo, confusão, e uma curiosidade perturbadora.

De repente, o ar ficou gelado. A distorção que tomava conta do ambiente cessou abruptamente. A luz dourada foi se dissipando lentamente, e Clarice caiu de joelhos, seus olhos lacrimejando pela intensidade da experiência. Sua cabeça girava enquanto ela tentava entender o que acabara de acontecer. Quando ela abriu os olhos, percebeu que o cenário ao seu redor estava completamente diferente.

Ela estava em um lugar estranho. A sala, agora completamente sombria, não tinha janelas ou portas visíveis. O ar estava denso, e uma sensação de desamparo a envolvia. Clarice engoliu em seco, tentando processar o que sua mente se recusava a aceitar. O som dos seus passos era abafado, e o silêncio que preenchia o ambiente era quase opressor. Ela olhou ao redor, seu coração batendo forte no peito. Algo estava errado. Algo muito errado.

Foi quando ela o viu.

Uma figura alta, envolta em sombras. Seus cabelos escuros caíam suavemente sobre os ombros, e o olhar penetrante da figura parecia atravessar sua alma. Ele estava vestido com um traje verde e dourado que parecia ser de outro tempo, e sua postura imponente exalava uma confiança assustadora. O sorriso no rosto dele era ao mesmo tempo enigmático e ameaçador, e sua presença parecia deslocar o próprio espaço ao redor.

“Parece que você decidiu brincar com forças que não entende, não é?” A voz dele era suave, mas carregada de uma autoridade que Clarice sentiu imediatamente, como um comando imutável da qual não poderia escapar.

Clarice, embora atônita, tentou dar um passo para trás, mas seus pés não pareciam mais obedecer aos seus comandos. A voz dele ecoava em sua mente, mas algo em seu interior sussurrava que ele não era apenas uma fragmentação de sua imaginação. Ele não parecia humano. Não parecia real, mas ali estava, observando-a atentamente.

— Quem… quem é você? — A pergunta escapou de seus lábios, sua voz trêmula, mas ela se esforçou para manter o controle.

A figura à sua frente a observava com um olhar tão penetrante que parecia despojar cada camada de sua alma.

— Eu sou Loki. O Deus da Trapaça. — Ele pronunciou, como se as palavras tivessem peso e fossem carregadas de um poder que ela mal compreendia.

Clarice riu nervosamente, tentando afastar a sensação de que algo muito além de sua compreensão estava prestes a acontecer. Sua mente estava em um turbilhão de incertezas e perguntas. Não podia ser real, poderia? Ela havia lido sobre deuses em livros de mitologia, mas nada do que ela soubera se preparara para o que estava vivendo agora.

- Deus? Sério? Você está brincando, não é? — Sua voz soou estranhamente pequena, como uma tentativa de negar o que estava diante dela.

O sorriso de Loki se alargou, mas, ao mesmo tempo, sua expressão se tornou mais séria. Ele deu um passo à frente, e o ar ao redor dele parecia se condensar, como se o próprio espaço estivesse se dobrando sob sua vontade.

-Você se atreve a duvidar de mim, mortal? — Sua voz soou como um trovão suave. Ele fez um gesto amplo com as mãos, e o ambiente ao redor de Clarice parecia encolher, tornando-se ainda mais claustrofóbico. — Eu sou a razão de muitas verdades não ditas. Tudo o que você conhece, tudo o que você acredita ser real, está prestes a ser virado de cabeça para baixo.

O arrepio que percorreu a espinha de Clarice foi profundo. Ela mal conseguia respirar. Sua mente se recusava a aceitar aquilo, mas seu corpo a alertava de que nada mais seria como antes. Algo havia mudado, algo irreversível.

- Isso não pode ser real… não pode! — Ela tentou se afastar, mas seus pés não pareciam mais obedecer ao seu comando. Não podia ser. Ela precisava entender, precisava encontrar uma explicação lógica, mas o que estava diante dela era impossível de negar.

Loki deu um passo à frente, e a energia ao redor dele parecia pulsar como se ele fosse a própria fonte de toda a realidade.

-Ah, mas é. Você ativou algo que não compreende, minha querida. E agora, não há mais como voltar atrás.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.