Runaways

1 Prólogo - Summertime


Notas iniciais
prólogo pequenininho, mas o primeiro capítulo é maior õ/

Quatro anos antes... (2010)

Jack Bower sempre abominou o amor. Isso porque o casamento de seus pais acabou em divórcio, e desde então, ele não acredita que tal sentimento possa ser verdadeiro e duradouro.

Tudo bem, ele têm apenas 15 anos, é novo, mas convenhamos, vivemos num mundo precoce. E aos 15, Jack já tinha sua coleção razoável de relacionamentos fracassados.

Ele sempre fora muito superficial. Um nariz um pouco grande, um dedão do pé deformado, um corte de cabelo mal feito... Tudo isso era motivo para um término relâmpago.

E foi a “tragédia” que o uniu à Lily... Quer dizer, mais ou menos...

Eles se conheceram quando a família Evans foi passar seu primeiro verão na praia de Huntington Beach, onde Jack morava. O ano era 2005 e ambos tinham 10 anos de idade. A primeira impressão que o garoto teve de Lily não foi nada boa. A menina andava com o cabelo na cara, sempre com um sorriso assustador nos lábios e um violão todo cheio deadesivos que ela levava pra todo lado.

Um dia, Jack a viu sozinha sentada na areia perto do píer, e resolveu ir conversar. O garoto pensou que ela poderia ser psicologicamente traumatizada, assim como ele... Pelo menos ela aparentava ser. Felizmente, Jack estava certo, e Lily Evans era tão melancólica como ele esperava que fosse.

– Tá sozinha? – Ele perguntou mesmo já sabendo a resposta. Jack queria que fosse uma piada, mas a garota não riu.

– Não. Eu nunca estou sozinha. O Jimmy tá sempre comigo.

Jack Bower nunca sentiu tanto medo na vida. Quem caralhos era Jimmy que sempre estava com a menina? Ele logo pensou que fosse um espírito, e que ela era mais louca do que ele pudesse suportar... Mas, ele acabou descobrindo que Jimmy era o nome do violão de Lily, e ai sim a amizade deles começou tranquilamente.

A partir de 2005, em todo final de ano, Lily ia para a Califórnia com os pais, e sempre ficava brincando com Jack. O último verão em que se viram foi o de 2011... E foi nesse ano, que Jack descobriu que era capaz de gostar de alguém que gostava de suas piadas ridículas.

– Talvez você tenha razão... – Lily disse enquanto eles andavam pela praia.

– Sobre...?

– Esse ser um dos melhores verões que já tive. — Jack sorriu mostrando as covinhas. As covinhas que definitivamente eram a ruína de Evans. — Mas não fique se gabando muito! Todo verão aqui em Huntington Beach é legal!

– Hmmmmm... Que estranho, acho que essa é a primeira frase que saí da sua boca que não tem nada de pessimista!

– HÁ HÁHÁ. Engraçado.

– É o meu charme, você já devia saber... Porque você é a única pessoa que me suporta.

Lily desviou os olhos do mar e encarou Jack por uma fração de segundos. Ela nunca foi boa em encarar. E ela nunca conseguia olhar para o garoto sem sorrir, por isso, sempre desviava os olhos, muito rápido.

– Você é muito orgulhosa para dizer em voz alta que ficaria comigo em um piscar de olhos, não é mesmo? – O garoto perguntou sem nenhum tipo de medo na voz.

O comentário inesperado de Jack fez Lily corar e rir. Ela ficou com tanta vergonha que a única saída que encontrou foi disfarçar.

– O que? Você é um idiota!

Ela o empurrou com o ombro e ele fingiu uma cara de dor.

– Uma vez me disseram que quando uma garota te chama de idiota, é porque ela te ama.

Assim que ele disse isso, se arrependeu profundamente. Jack nunca conseguiu entender porque sempre dizia às coisas que, realmente, pensava e não as coisas que, realmente, queria, perto dela. Ele não queria deixá-la desconfortável, mas digamos que ele estava fazendo um péssimo trabalho com estes comentários.

– Quem te disse isso?

– Meu primo. Não sei se você o conheceu. O Ben.

– Hmmm... Lembro vagamente.

– Então, ele é todo nerd e viciado em estudar, mas pega mina pra caralho!

Ela deu risada e disse:

– Ele é bonito mesmo... Deve fazer sucesso.

A garota nem percebeu como o comentário “ofendeu” Jack. Ela já tinha se perdido em seus pensamentos outra vez. Ela estava pensando em como o primeiro colegial é diferente do fundamental. Ninguém mais ousava a fazer piadas com o seu nome, o que era bom. E agora ela realmente estava começando a fazer amigos.

Emma, Erika e Sebastian eram alunos novos, e os quatro logo se tornaram um grupo. A menção de Jack ao primo Ben, a fez lembrar o quanto a amiga Emma gosta de um garoto misterioso e estranho. Era nisso que pensava enquanto Bower a admirava à luz do pôr do sol.

Ele já tinha decorado suas manias. Quando ela sorria pro nada, mordia o lábio inferior e mexia nos cabelos, era porque uma nova viagem em sua cabeça havia começado.

– Parece que perdi mais uma vez na batalha contra o seu subconsciente. – Jack disse rindo e Lily finalmente despertou. – Não sei por que eu perco toda vez!

Ele falou fingindo uma melancolia na voz.

– É porque ele é bem mais interessante que você. – Ela disse e sorriu gentilmente.

– E ele é mais engraçado também?

– Não, isso seria impossível. Ninguém consegue ser mais sarcasticamente engraçado que Jack Bower!

– Isso foi ironia?!

– Talvez. Você nunca irá descobrir! MUAHAHAHAHA!

Lily disse e saiu correndo pela praia. Jack não se importou em ir atrás, ele pensou que a veria no próximo ano para saber se ela estava sendo irônica ou não. Mas, aquela foi a última vez que ele a veria...

A última vez naquele verão.