Runaways
19 Capítulo 18 - The drug in me is you
Notas iniciais
– Você sabe onde a Emma se enfiou?
Erika entrou sem bater no apartamento de Lily. A ruiva ainda vestia seu pijama calorento que consistia em uma blusa larga e um shorts curto e colado.
– Bom dia pra você também.
Evans respondeu sorrindo e Erika perguntou novamente:
– Você sabe onde aquela maluca se enfiou?
– Pensei que ela estava no seu apartamento. Até ontem ela ainda morava com você.
– Lily, se nem eu to fazendo piada você acha que pode fazer? É sério! A Emma sumiu!
– Ligou no celular dela?
– Umas quinhentas vezes e ninguém atende aquela merda.
Lily tomou mais um gole de café e tentou pensar qual foi o último lugar que ela tinha visto sua amiga. Na noite do foundue. Só fazia um dia. Emma sempre sumia ás vezes, não devia ser nada.
– Relaxa, ela ta bem. Se ela não estivesse, nós já saberíamos.
A ruiva continuou com o cenho franzido, mas o argumento de Lily a convenceu. Erika sentou-se a mesa e tomou café da manhã com a amiga. Ela estava tão preocupada quando viu a cama de Emma vazia pela manhã que quase esqueceu do que tinha acontecido noite passada. Sebastian beijando uma garota. Não que seja novidade, mas Sebastian beijando uma garota pensando que era ela... Isso sim é um fato a se considerar.
– Eu sei que você ta pensando no Sebastian. – Lily disse enquanto encarava a amiga. – Não que seja algo surpreendente, mas agora eu entendo que você tenha motivos pra pensar nele. – Erika sorriu sem graça e deu mais uma mordida em seu pão. – Só toma cuidado... Pra variar um pouco... Ele está no quarto, ainda não acordou, mas se quiser fazer as honras...
Erika deu risada e pensou em milhões de jeitos de acordar o amigo. Com um apito; cantando; travisseirada; jogando água na cara dele; gelo... Ela se levantou da mesa sorrindo com as ideias que rondavam sua cabeça e caminhou em direção ao quarto de O’Brien. A ruiva abriu a porta devagar e entrou de mansinho e sem fazer barulho. O que pra ela foi como vencer uma guerra, porque Erika era o ser mais desastrado do planeta Terra. Ela o observou dormir e fez uma careta.
– Quanta baba.
A ruiva sussurrou pra si mesma e Sebastian resmungou, a fazendo tomar um susto, tropeçando no tênis do rapaz, e cair de bunda no chão. O moreno acordou alarmado e encarou a amiga no esparramada no chão.
– O que você ta fazendo? – Ele perguntou e sorriu.
– Eu ia te assustar, mas tropecei e caí.
– Isso não é uma surpresa. — Sebastian deu risada e Erika lançou o tênis em sua direção, mas ele desviou. – Você já me deixou caolho e ainda continua atirando coisas em mim? Injusto.
– Cala a boca e vai escovar os dentes porque a gente precisa conversar, mas com bafo não dá.
O’Brien nem se deu ao trabalho de responder. Ele se levantou devagar e sentiu todos os músculos de seu corpo doerem. O moreno fez uma careta, e com um grande esforço caminhou até o banheiro. Ele lavou o rosto e enquanto escovava os dentes encarava seu reflexo no espelho e sentia a ansiedade crescer em seu peito. Sebastian sabia sobre o que a ruiva queria conversar, mas não sabia como iria agir. Até porque ele estava sóbrio, mas a vontade de beijá-la ainda era persistente em seus pensamentos. Mesmo ela estando descabelada e com a cara ainda amassada de sono. O’Brien balançou a cabeça, passando a mão pelo seus cabelos e tentando tirar aquela ideia da cabeça. Ele voltou a se encarar no espelho e viu seu olho esquerdo ainda vermelho, mas tinha parado de coçar, pelo menos por ora.
Sebastian suspirou e voltou para seu quarto, vendo que Erika já tinha se apossado de sua cama. Ela estava deitada de bruços, balançando as pernas e vendo alguma coisa em seu celular. A ruiva estava tão concentrada que nem percebeu o moreno lhe observar atentamente e com malícia. Sebastian passeou os olhos demoradamente pelo corpo de Erika, que estava bastante exposto e em cima de sua cama, o que tornava toda a ideia que rondava sua cabeça ainda mais extasiante.
– Descobri onde a Emma se enfiou! – A ruiva gritou e O’Brien se assustou, mas Erika não percebeu. – Ela ta no apartamento do Jack dormindo com o Ben! Dá pra acreditar nisso?
– Dá. É a Emma. Ela sempre consegue o que quer. – Sebastian respondeu e sentou-se em sua cama, se aproximando do celular da ruiva. – O Jack te mandou mensagem falando isso? A Lily sabe que você tem o telefone do cara que ela gosta?
Erika se virou para ele e deu risada. Ela voltou a se sentar e pegou o tapa-olho no criado mudo e o entregou ao amigo.
– Para de ser besta, ela não liga e ele nunca vai passar de um amigo pra mim. Não vai colocar seu tapa-olho?
– Agora não.
A ruiva deu de ombros e bloqueou a tela do seu celular, o deixando de lado e encarando Sebastian.
– Então...
– Antes de você falar, eu posso falar? – O’Brien pediu e Erika arqueou uma sobrancelha, mas assentiu. – Eu acho que a gente ta precisando transar.
– Você ficou maluco?! – A ruiva levantou-se rapidamente da cama e Sebastian deu risada. – Qual é a graça?! Você é doente, sabia?
Depois de toda aquela novela como ele tinha coragem de dizer uma coisa dessas? É muita falta de bom senso ou excesso de egocentrismo... Ou talvez um pouco dos dois.
– Erika, é sério. Você não ta entendendo a vontade que eu to de te beijar agora! E eu nem to bêbado! To achando que quando eu matar minha vontade tudo volta ao normal.
A ruiva não pensou duas vezes antes de dar um belo tapa no rosto do moreno. Sebastian a encarou surpreso e ela continuava com a cara fechada.
– Você não vale o prato que come!
– Eu só tava sendo sincero! – Ele elevou seu tom de voz, mas sorriu sarcasticamente, ainda com a mão no rosto. — E tenho certeza de que não merecia esse tapa!
– É, você merecia uma surra de chicote! – Erika quase gritou. – Você já esqueceu de tudo que me prometeu?!
– Não, eu não esqueci! E acredite, eu me sinto culpado por querer te beijar e fazer outras coisas contigo, mas é inevitável! – Ele bufou e Erika sentiu seu coração se espremer. – Eu só tava sendo sincero... Você preferia que eu te agarrasse do nada?
– Esse não era o seu plano ontem?
– Eu tava bêbado! Agora eu to sóbrio e não to te agarrando!
– Você é muito hipócrita. – Erika abaixou a voz. – Eu quero ser sua amiga, ma-
– Mentirosa! – Sebastian a interrompeu. – Você não quer ser minha amiga! Você quer a mesma coisa que eu. – Ele deu um passo na direção da ruiva, se colocando entre ela e a porta. – Você sabe disso. Ás vezes a gente só precisa se deixar levar, Cabeça de Fósforo...
– Eu não vou transar com você com a Lily na sala.
A voz de Erika tremeu mais do que ela queria e ele sorriu maliciosamente, se aproximando mais dela, que não conseguia recuar. Seus pés pareciam grudados ao chão.
– Então se a Lily sair a gente pode...?
– Não! Não pode! Mas que saco, eu to tentando esquecer você!
– Por quê?
– Porque você não me faz bem e porque eu não quero estragar a nossa amizade! – Erika o empurrou pelos ombros, mas Sebastian não se mexeu. – Me deixa sair.
O moreno continuou inabalável. Não iria sair da frente da porta. Não iria deixar a ruiva ir embora assim. A adrenalina corria por suas veias e ele não se lembrava de sentir tanto desejo por uma pessoa como estava sentido por Erika agora. Ela negar e estar irritada o deixava estranhamente mais excitado. Sebastian sorriu de canto e a ruiva soube naquele instante o que se passava na cabeça do rapaz.
– Não! – Erika disse firmemente. – Me deixa sair!
A ruiva tentou passar por ele e alcançar a maçaneta, mas O’Brien agarrou o pulso dela e a puxou para mais perto, vendo a mistura de confusões que transbordavam pelo os olhos dela.
– Só um beijo.
A mão de Sebastian subiu devagar pelo braço de Erika e parou em seu pescoço. O moreno puxou o rosto da ruiva para perto do seu e não houve nenhuma resistência da parte dela, o que o fez sorrir e rapidamente acabar com o espaço entre eles. O’Brien aprofundou o beijo e sentiu-se extremamente satisfeito ao enroscar sua língua na de Erika. Ele a pressionou fortemente contra seu corpo e afundou uma de suas mãos nos cabelos ruivos e outra permanecia em na cintura da garota. Sebastian se sentia um viciado em abstinência e que finalmente tinha encontrado sua droga.
Erika sabia que não teria como impedir esse momento. Alguma hora ela iria quebrar e se submeter ao que estava acontecendo. A ruiva entrelaçou as pernas em volta da cintura de Sebastian e o sentiu sorrir durante o beijo. O corpo dela queimava enquanto seu coração batia cada vez mais rápido contra seu peito. As mãos de Erika puxavam os cabelos de O’Brien fortemente e ele a apertava cada vez mais forte. Sebastian caminhou até a cama e se jogou em cima da ruiva, descendo seus beijos para o pescoço da garota e a escutando arfar.
O moreno sentia suas mãos trêmulas e seus batimentos acelerarem toda vez que Erika arranhava de leve suas costas. Mesmo ainda estando com todas as roupas, o toque dela parecia quente como lava. Ele voltou a beijar a boca da ruiva e desse vez uma de suas mãos desceu até sua bunda, a aproximando mais ainda de seu corpo. Erika mordeu o lábio inferior de Sebastian e ele se afastou por um minuto para tomar fôlego. A ruiva abriu os olhos e encarou o sorriso malicioso estampado na cara do moreno e de repente tudo ficou muito claro em sua mente. Erika o empurrou pelos ombros e com o susto, Sebastian quase caiu da cama. A ruiva pensou nas palavras de Jaime e sentiu uma pontada horrível em sua cabeça, como se o nerd a estivesse alfinetando de longe pelo erro que havia acabado de cometer.
– Pronto. Você matou sua vontade. – Ela disse ainda ofegante e Sebastian a encarava sem palavras. – Tudo voltou ao normal agora.
Erika ajeitou os cabelos e não deu tempo para O’Brien a responder, saindo do quarto imediatamente e atravessando a sala como um furacão até deixar o apartamento e se isolar em seu quarto. Lily observou a saída desesperada da amiga e logo depois viu Sebastian sair do quarto com o cabelo bagunçado e ofegando.
– Vocês dois são idiotas.
O’Brien deu risada e foi até a cozinha, pegando uma xícara de café e dando um gole.
– Não sei como você não escutou. – Sebastian disse maliciosamente e Lily fez uma careta.
– Você é nojento.
O moreno gargalhou e a garota pegou seu criptograma e foi para o quarto. Lily fechou sua porta e nem percebeu quando começou a cantarolar uma música qualquer. Ela estava disposta a arrumar seu quarto, mas acabou o bagunçando mais ainda quando decidiu pintar sua parede. Evans sorriu com sua própria ideia e começou a procurar seus pinceis e tintas. A garota começou a cantarolar a música que Bower tinha cantado no karaokê e não percebeu quando alguém adentrou seu quarto sem ao menos bater na porta.
– Cantei melhor. – Jack disse ao ver que Lily tinha parado de cantar Misery enquanto procurava algo em seu guarda-roupa.
– Ta fazendo o que aqui? – A garota perguntou depois de dar um pulinho de susto.
– Hahaha. Vim te ver. Preciso falar com você.
Lily se sentiu intimidada. Não sabia o quanto queria e quanto não queria ter aquela conversa:
– Sobre…
– Coisas. Coisas minhas. Vem aqui, por favor. – Bower respondeu caminhando até o sofá.
Lily se sentou afastada de Jack, então ele se levantou, pegou seu notebook da mesa de centro e foi se sentar ao lado dela.
– Que isso?
– Meu notebook. – Jack disse sorrindo, fazendo Evans arregalar os olhos como se estivesse perguntando ironicamente: “Ah, é mesmo?”. – Foi você que perguntou, ué…
– Não se faça de tonto. Quero saber o que ta acontecendo aqui… – Lily começou a se mexer e a olhar pra porta, torcendo pra alguém entrar ali e impedir que a aquela situação continue. – O que você…
– É importante, Delilah. – Jack a interrompeu.
Lily ergueu uma sobrancelha. Ficou inconformada com o “Delilah” de Bower. Por que ele a chamou assim? Então houve a explicação:
– Se você vai continuar fingindo que não sabe NA-DA de mim e até agir como se estivesse com medo de mim, então você agora é Delilah. Uma desconhecida. — A expressão de espanto não saía do rosto de Lily. — Gosta de ser chamada assim? – Jack parecia bravo. – Eu também não curto muito ser tratado como um qualquer por você, quando eu sei que não sou. Por isso eu to aqui, por isso meu notebook ta aqui, por isso eu cantei ontem, por isso mesmo com essa ressaca do caralho eu não consegui dormir pensando nesse momento.
– O que tem esse momento, Jackson? – Lily perguntou o encarando. Se ela é Delilah, ele é Jackson.
Vendo a expressão da garota, Bower sorriu. Agora a curiosidade dela era maior que a insegurança.
~*~
Ben abriu os olhos e sentiu seu braço direito um pouco dormente. Ele encarou Emma dormindo sobre seu peito e sentiu uma pontada na cabeça. Por que tinha deixado ela dormir com ele? Não se lembrava muito bem, mas sabia que não estava arrependido. E por que raios ele não estava arrependido? Dashner ainda sentia raiva pela atitude de Emma no dia anterior. Se sentiu trocado e aquilo foi demais para seu orgulho. Tentou esquecer o ocorrido enchendo a cara em um bar qualquer e ficando com duas garotas desconhecidas, mas nada tirava a imagem de sua boca na boca de Emma. E como ele queria aquilo de novo. Mas isso seria passar por cima de seu orgulho, não que ele já não tivesse o trucidado ao não deixar a garota ir embora ontem a noite, mas ainda assim...
– Oi. – Emma disse sorrindo e interrompendo os pensamentos do loiro.
Ben se afastou da garota e imediatamente ficou de pé. Péssima escolha por dois motivos: Primeiro: tontura. Segundo: o sorriso de Emma morreu e ele se sentiu responsável e mal por isso.
– Bom dia. – Ele respondeu e coçou os cabelos. – Ressaca.
– Imaginei. – Ela respondeu e também se levantou. – Bom, acho que agora você não vai me impedir de ir embora, não é? – Emma sorria sem humor e pegou sua bolsa que estava em cima do criado mudo. – Então, até depois.
Miller estava prestes a sair do quarto quando Ben limpou a garganta e disse:
– Você me viu pelado? – O loiro tinha um sorriso de canto estampado no rosto e Emma soube que estava começando a ruborizar.
– Não por muito tempo. – Ela respondeu e ele riu. – Em minha defesa, a culpa foi sua! E você estava bêbado.
– Ok, minha culpa. – Ele disse ainda sorrindo. – Mas acho justo eu te ver nua. – Emma arregalou os olhos e Ben gargalhou. – To brincando... A não ser que você queira, claro.
– Você tem problema, sabia? – Emma disse e Dashner parou de rir. A garota o encarava com um olhar de raiva e suas bochechas estavam muito vermelhas. – Você fala que não me desculpa, diz que ta bravo, não me deixa ir embora, me faz dormir com você. Acorda e me espanta da cama e depois começa a fazer piadinhas como se tudo estivesse bem!
– Eu desculpo você, Emma. – O loiro respondeu serenamente. – Só não entendo o porquê de você ter feito o que fez na praia.
– Eu congelei! Não sabia o que fazer e o Tony é maluco, maluco de verdade! No minuto em que você saiu do meu lado eu quis ir atrás de você, mas precisava “terminar” com o Tony primeiro!
Ben sorriu com a resposta desesperada da garota e soube que ela realmente estava arrependida e se sentiu mal por tê-la tratado relativamente mal noite passada.
– Entendi. – Ele disse e atravessou o quarto, indo de encontro a Emma e pegando uma de suas mãos. – Mas você sabe que a gente vai encontrar com o Tony mais vezes, infelizmente. E se você fizer isso de novo, não vai fazer sentido por que... — As palavras do loiro foram interrompidas por um beijo leve de Emma. Ela o soltou rapidamente e ele sorriu. – Isso, com certeza, completa o que eu ia dizer.
Miller deu risada e Ben a puxou pela cintura para mais perto. Ele colocou uma de suas mãos no queixo da garota e ficou enrolando e flertando até finalmente beijá-la outra vez. O beijo começou rápido e Emma acariciava os cabelos de Dashner, o fazendo arrepiar e como resposta morder seu lábio inferior. Miller sorriu e o empurrou de volta para a cama. Ela caiu por cima dele, mas Ben a pegou pela cintura e inverteu suas posições, fazendo a garota arfar e rir com a situação.
– Você me desculpou de verdade? – Ela perguntou.
– Parece que eu não te desculpei? – Emma deu risada e Ben a beijou novamente.
– É só que parece fácil demais.
– Fácil demais? – Ela assentiu e Ben saiu de cima dela, se deitando ao seu lado e a encarando seriamente. – Você realmente é aquele tipo de pessoa que gosta de manter as coisas por um fio o tempo todo, não é?
– Talvez? – Emma respondeu sorrindo e o abraçando. – Eu só não to acostumada com o “fácil”.
– Bom, você pode ligar para o Tony e pedir pra ele vir aqui pra deixar as coisas mais emocionantes. – Ben respondeu com ironia e a garota revirou os olhos. – Às vezes o fácil é o certo.
– Tá me chamando de fácil? – Emma perguntou, dando risada.
– Você entendeu. – Ben disse. — Só to falando que nem sempre a pessoa certa vai fazer tudo ser complicado.
Emma se afastou do toque do loiro e riu sem humor. Pessoa certa? Ela beija o cara em um dia e no outro eles estão namorando? Não, não é assim. Não pra ela. Miller sempre gostou de sua liberdade e por isso era muito difícil se relacionar com o sexo oposto. Ela gostava de Ben, mas não queria que tudo fosse tão rápido assim. Ela ainda precisaria se acostumar com a situação.
– Como assim a pessoa certa? – Emma finalmente perguntou e Ben viu os olhos da garota se movimentarem rapidamente, demonstrando a confusão e o “medo” que ela estava sentindo.
– Não. – Ele a respondeu sorrindo. – Não é isso que você ta pensando. Não to dizendo que você é a minha pessoa certa e vice-versa, foi só um exemplo. – Emma arqueou as sobrancelhas. – Esquece o que eu disse, pode ser? Isso não significa que eu queria algo com você... Eu não quero nada com você, então pode ficar tranquila.
Romântico. Muito romântico. Emma se assustou, de novo, e pensou o que teria sido aquilo no mar, e o que foi todo aquele ciúmes do Tony se ele não queria nada com ela.
– Eu acho que vou embora.
Miller respondeu e saiu correndo do quarto e do apartamento, deixando Ben sozinho e pensando no que tinha dito de errado. Foi ela quem se assustou quando ele insinuou que talvez eles poderiam ter algo, e depois ela foge quando ele diz que não quer nada? O loiro estava de ressaca, mas sua cabeça só começou a doer quando seus pensamentos o forçaram a pensar em Emma.
~*~
– Daí depois dessa noite nunca mais encontrei com ela. Na verdade desde que vocês chegaram aqui eu não encontrei com nenhumas dessas meninas... Ah! Não! Aquela que namorei duas semanas, eu vejo ás vezes de longe porque ela ta trabalhando num barzinho no final da praia. Sei lá... Faz um tempo que não vou lá.
– Quer ir? – Lily perguntou.
– Não... Foram as 2 semanas mais eternas da minha vida... E no sentido ruim! Eu já te expliquei. Mesmo tendo passado mó tempão, ela ainda fica com uma cara de cu quando me vê.
– Também né, Jack... – Lily disse rindo ao se lembrar da história que Jack contara a ela sobre este “namoro” de duas semanas.
– Bom, foi isso, Lily. – Bower sorriu para a garota, feliz por ter lhe contado toda sua história dos últimos quatro anos. Sim! Ele contou desde como se sentiu quando Lily fora embora, até quando ele quis comprar um cachorro, mas tudo deu errado, ou sobre a morte sua avó materna, e ainda sobre todas as garotas com ele já ficou ou transou. Não que Lily tenha adorado saber sobre a vida sexual do seu “ex-novo-melhor amigo”, mas foi no mínimo engraçada a atitude dele de montar uma linha do tempo para se aproximar de Evans.
– Entendi.
– Agora sabe que me conhece, Delilah Evans?! – Jack perguntou rindo com suas covinhas charmosas, provocando Lily em todos os sentidos.
– É, conheço! Você que parece não me conhecer me chamando assim, Bower! – Evans respondeu provocando o amigo.
– Quer que eu monte slides com tudo que sei de você? Começo por comida favorita, música, ou pelos argumentos que te fazem ser a pessoa mais apaixonantemente chata de todas?
– Sem slides, por favor. — Lily disse, com as bochechas vermelhas pela parte do “apaixonantemente chata”.
Os dois ficaram em silêncio por um tempo, se encarando. E como era de se imaginar, quem quebrou o gelo foi o loiro:
– Você sabe, não sabe? – Lily se manteve calada. Ela não entendeu a pergunta de Bower. – Tipo, às vezes parece que você sabe e só ignora, mas outras vezes parece que você não tem ideia mesmo... – Jack olhava para Lily enquanto falava, tentando desvendar os pensamentos dela.
– O quê? – Evans perguntou com a voz fraca, o coração acelerado e a pela suando frio.
– Que é você que eu quero. – As palavras saíram num ritmo normal, diferente do coração de Jack, que também batia rápido e forte. Saíram num ritmo normal e com um tom de sinceridade que ninguém poderia duvidar daquilo que Jack estava dizendo. – Quem eu sempre esperei. Eu mostrei as garotas com quem eu já fiquei e com todas deu errado e eu nem fiz questão de dar certo com nenhuma, mesmo todas elas querendo. Agora é ao contrário. – Bower riu sem humor. – Mesmo você lutando contra, eu vou insistir até o fim, até não dar mais de jeito nenhum. Porque é você quem eu quero. É com você que eu quero fazer dar certo.
– Jac... – Lily estava trêmula, com suas bochechas vermelhas e queimando, diferente de suas mãos que estavam completamente congeladas.
– Eu só... – O loiro interrompeu. – Preciso falar com você, Lily. Vir aqui, sair com você, conversar até de madrugada... Com era antes. E sei que você ta “namorando” agora... – Jack fez aspas com os dedos e uma careta, fazendo Lily rir. – E eu vou esperar até você perceber que aquele cara é um babaca pra eu poder dizer “eu te avisei”. Não vou esperar muito não, mas vou esperar. – Lily riu mais um pouco. Jack também. – É “clichê”, mas é verdade.
Quando o silêncio estava prestes a reinar novamente e trazer consigo mais um momento um tanto quanto constrangedor...
– Desculpa aí, gente. Só preciso mijar. – Sebastian passou correndo pela sala.
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