Runaways

8 Capítulo 7 - Nós


– Boa tarde! Já são 15:30! – Jack gritou no ouvido do primo e ele grunhiu em resposta. – Onde você se meteu noite passada? Fui falar com a Lily e não te encontrei mais. Cheguei em casa, e você também não estava! E não tinha ninguém pra eu contar o que aconteceu ontem!

Ben sabia que Jack estava bem animado, mas ser acordado daquele jeito era um porre.

– É sobre a Lily!

– Você beijou ela? – Ben perguntou sem muito interesse e sem abrir os olhos.

– Não, mas…

– Então não me interessa! – Ele cortou o primo. – Agora me deixa dormir!

Ben virou para o outro lado e Jack pode ver o rosto do primo com um círculo vermelho. Um soco.

– Mas que merda você fez ontem?

– Se você gritar mais uma vez perto da minha cabeça, eu vou te matar! – O loiro disse baixo, mas com um tom amedrontador. – Eu saí na mão com um cara.

– Que cara?

– Tony.

– Puts! Aposto que tem mulher no meio.

– Não quero falar sobre isso.

Jack sorriu. Ele havia acertado. Tinha mulher no meio.

– Vai me dizer que você pegou a vocalista gata? Você pegou a Judy!

– Não.

Ben continuava com a cara enfiada no travesseiro. Ele tinha chegado tão cansado, que dormiu no sofá da sala.

– A Taylor?

– Não.

– O Michael?

Ben, finalmente, levantou o rosto e encarou Jack.

– Não. E nem se incomode em perguntar sobre o William!

– Ah, nunca se sabe.

– Engraçado. – Ben falou ironicamente. — Adoro piadas sobre minha sexualidade.

– Se você se sente desconfortável com isso, é porque tem algo ai.

– Jackson, eu quero que você cale a boca só um pouquinho! Minha cabeça não para de doer por culpa daquele guitarrista filho da puta e daquela loira estúpida sem nenhum neurônio na cabeça!

– VOCÊ BRIGOU PELA EMMA? HAHAHAHAHAHAHA

– Cala essa maldita boca.

– Eu não acredito que você ta caído pela patricinha.

– Eu não to!

– Aham, sei.

– Quer saber? Eu não te devo satisfação, então, vai se foder.

– Deve sim! Você mora comigo e é meu primo de primeiro grau!

– Esse argumento é ridículo.

– Eu sei, mas foi a única coisa que eu consegui pensar!

Incrível como Jack conseguia usar o humor sempre a seu favor. Era um saco.


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– And that I’ll fight my corner, and maybe tonight I’ll call ya after my blood is drowning in alcohol. No, I just wanna hold ya… Give a little time to me or burn this out. We’ll play hide and seek to turn this around…


– Não sabia que você gostava dessa música.

Taylor entrou na garagem de ensaio do The Lobsters e encontrou Judy cantando e tocando violão.

– Eu gosto.

Taylor sorriu e perguntou:

– Onde estão os meninos? Trouxe visitas.

– Saíram pra comprar cerveja… E o Tony ainda não apareceu. – Judy fez uma pausa e acendeu um cigarro. – Com quem ele brigou ontem?

Antes que Taylor pudesse responder, duas garotas adentraram a garagem.

– Com um amigo nosso… Por causa dela.

– Não foi por minha causa! Aliás, eu sou Emma, e essa é a Lily. Adorei sua voz.

– Obrigada. – Judy sorriu. – Então você é a famosa Emma… Amiga de infância da Taylor que sempre a metia nas piores encrencas.

– Calúnia! – Miller disse e Taylor deu risada. – Eu não fazia nada disso… Talvez um pouco.

As quatro sentaram nos puffs da garagem e ficaram conversando sobre coisas variadas. Uma das coisas varias, obviamente, foram os garotos da banda.

– Então, qual é a do Tony? – Emma perguntou sem titubear. – Ele é bonito, tem aquele olhar de assassino e é marrento de uma forma charmosa. – Ela fez uma pausa e Judy sorriu, revirando os olhos. – Isso era o que eu achava até ele começar a agir como um maluco! O que eu quero saber é se ele é o primeiro cara charmoso, ou o segundo cara maluco.

Taylor encarou Judy, que suspirou pesadamente, e respondeu:

– Ele é bem bipolar. E não sabe ouvir “não”.

– Hm. Não é muito diferente dos caras com quem eu já saí, então… – Emma deu de ombros e Lily riu, mas as outras garotas do The Lobsters ficaram quietas. – Quer dizer, tudo bem se eu sair com ele?

Judy olhou para Taylor que sorriu de lado, deu de ombros e por fim disse:

– Tudo bem! Por que não estaria?

A ruiva começou a rir descontroladamente e Lily arqueou as sobrancelhas.

– Não parece tudo bem.

– Mas está! É que eu costumava sentir algo por ele, mas não vale a pena… O Jarvis não nasceu pra ter compromissos. – Taylor falou com um sorriso amigável nos lábios.

– A única coisa com que ele se compromete cem por cento é a banda. – Judy finalizou o assunto Tony. – Pode sair com ele, Emma… Só não crie muitas expectativas positivas em cima disso.

Emma assentiu e a o local ficou quieto por alguns segundos.

– Deixa esse clima ruim pra lá! – Taylor já estava radiante de novo. — Tem outros garotos na banda também! O Will e o Mike! Eles são irmãos! Você namora?

A ruiva perguntou para Lily, que deu risada da empolgação dela.

– Não, não namoro… Mas não estou procurando ninguém no momento.

– Ela é psicologicamente inacessível. – Emma falou e Lily fez uma careta. – Você sabe que é verdade! Não adianta me olhar desse jeito!

– Não te olharia “desse jeito” se fosse realmente verdade. – Evans respondeu firmemente e Judy soltou uma risada. Era difícil encontrar alguém com quem a loira se identificasse, mas pelos poucos minutos que conversara com Lily, Judy se sentiu extremamente confortável.

– O que não é verdade?

Uma voz grave veio da porta e as quatro se viraram para ver quem era. Os garotos haviam chegado, mas a voz em questão, pertencia a Michael.

– Que ela é psicologicamente inacessível. – Emma falou e apontou para a amiga, que a fuzilou com os olhos.

– Emma! – Lily chamou a atenção da loira que continuava sorrindo.

– É papo de mulher, Mike. Nós não entenderíamos. – Will disse e as garotas riram. – Taylor, você devia ter avisado que teríamos visitas.

– Verdade, teríamos trazido mais cervejas. – Michael entrou na garagem e puxou um puff para se sentar perto delas.

– Cadê o Tony? – Will perguntou, e se sentou no mesmo puff que Judy.

– Pensei que ele estava com vocês. – Taylor respondeu.

– É só ligar pra ele e dizer que temos duas garotas aqui que ele vem correndo. – Will falou e elas riram. – Estranho. Normalmente quem trás garotas pra cá é ele, e não você, Taylor.

– Ele trás muitas garotas pra cá? – Emma perguntou normalmente.

– Muitas. – Michael concordou. – Por quê? Interessada?

– Talvez.

– E você? — O baterista encarou Lily. – Também interessada no Tony?

– Não.

– Ela é psicologicamente inacessível. – Emma sussurrou para Mike, mas todos escutaram e riram. Menos Lily, é claro.

– Pensei que isso não fosse verdade. – O baterista disse calmamente e tomou um gole de sua cerveja. – Qual o seu nome?

– Lily.

– Só Lily ou é abreviação de algum nome? – Will perguntou curioso.

– É abreviação de Delilah. – Emma respondeu e a amiga a fuzilou novamente. – Mas ela odeia esse nome, por isso sempre responde que é só Lily.

– Como você pode odiar esse nome? – Taylor disse e pegou o violão da mão de Judy, colocando nos braços de Will. – Tem uma música com o seu nome, e ela é linda! Toca William!

Antes que Lily pudesse tentar impedir, o garoto começou a tocar o violão e Judy já se preparava pra cantar:

– Hey there Delilah, what’s it like in New York City? I’m a thousand miles away, but girl tonight you look so pretty. Yes, you do… Times Square can’t shine as bright as you. I swear it’s true.

A voz de Judy era suave e muito gostosa de se escutar, mas quem cantou o segundo verso, tão lindamente quanto a vocalista, foi Michael.

– Hey there Delilah, don’t you worry about the distance, I’m right there if you get lonely. Give this song another listen, close your eyes. Listen to my voice it’s my disguise… I’m by your side.

Lily ficou tão surpresa ao escutar voz do baterista, que não pode evitar dizer:

– Você também canta. – Interrompendo a música e fazendo todos rirem por ter dito algo óbvio. Menos Mike, que fechou a cara assim que ela o interrompeu. – Quer dizer, você canta bem… É difícil encontrar bateristas que cantam.

– Verdade. – Will disse. – Meu irmão seria uma ameaça tripla se ele soubesse dançar!

Mike, Lily e Judy foram os únicos a rirem da piada, Emma e Taylor não chegaram a entender.

– Não expliquem! – Will disse antes que a ruiva pudesse perguntar sobre o que se tratava a tal piada. – Adoro ver a cara dela quando não entende as minhas piadas.

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Jaime estava no novo apartamento batendo com seu bastão no boneco de borracha de John. Tudo bem que só dois dias se passaram desde a mudança, mas mesmo assim ele conseguiu “organizar” a sala e achou um espaço para seus treinos de luta com bastão. Ele não gostava do nome do esporte, e achava falta de criatividade, mas ele não conseguia pensar em nenhum nome melhor. Jeremy gostava de treinar sozinho porque não era fã de confrontar outras pessoas. Apesar de ser bom em falar em público para apresentar trabalhos, o Collins número 1 detestava ficar em evidência.


– O que você tá fazendo?

Erika entrou no apartamento sem bater. Sim, a ruiva já tinha conseguido intimidade suficiente pra fazer esse tipo de coisa. E mesmo se ela não tivesse, entraria mesmo assim.

– EU VOU TE MATAR! — Jeremy disse e apontou o bastão na direção de Erika.

– Por quê? — Ela levantou as mãos em sinal de rendição. — Se você tentar me bater com isso eu acabo com isso que você chama de cara!

Jeremy revirou os olhos, abaixando o bastão e começou a gritar:

– VOCÊ SUMIU ONTEM E ME DEIXOU PREOCUPADO! VOCÊ TINHA QUE VER COMO O SEU AMIGO FICOU PERTURBADO!

– Meu amigo…?

– O SEBASTIAN!

– Ah, foi ele que me encontrou.

– Ele poderia ter ligado avisando! Ficamos preocupados com você! E ainda tive que aguentar a Emma apontando o dedo na minha cara e dizendo que a culpa de você ter ficado bêbada era minha!

– Ela só te culpou porque não gosta de você. — Erika disse e Jaime tento recuperar o fôlego por ter falado tantas coisas rapidamente. — Agora relaxa, eu to bem e agradeço a preocupação. O que você tava fazendo?

– Estou treinando. — O Collins número 1 disse e voltou a acertar o boneco de luta do irmão.

– Isso é uma espada?

– Não, é um bastão.

– Mas parece uma espada. – A ruiva disse dando de ombros enquanto procurava algo pra comer na geladeira.

Jaime a olhou de canto e sorriu, dizendo:

– Em esportes com espadas, virtualmente, todo o corpo é um alvo. Na luta com bastões, os jogadores marcam distância, travam os pés e atingem só o crânio.

Erika segurou uma risada e olhou para o amigo que estava empenhado em bater na cabeça do boneco.

– Você quer dizer, acertar a testa?

– Não, eu quis dizer, atingir o crânio.

Erika soltou uma risada de como Jeremy conseguia ser tão nerd e agir estranhamente normal falando esse tipo de coisa.

– JACK! – John entrou no apartamento gritando, fazendo a ruiva dar um pulo e o irmão revirar os olhos. – Já disse pra não treinar com o meu boneco de luta! Isso, com essa espada de madeira, nem é um esporte!

– Bastão! É um bastão! Qual a dificuldade de entender isso? – Jaime disse se afastando do boneco.

– Seu boneco chama Jack? – Erika perguntou e só então John pareceu reparar que ela estava em sua cozinha. – Por que seu boneco tem o nome do seu amigo?

– Porque eu gosto de pensar que ele funciona como vodu.

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– Rolou um clima sim!

– Emma, cala a boca.

– Ele cantou pra você!

– Ele cantou pra todo mundo que estava presente.

– Não, ele cantou pra Delillah! Que no caso, é você! — Lily bufou e Emma continuou falando. — Aposto que o Jack nunca cantou pra você!

As duas estavam voltando pra casa, já era quase de noite, então elas acharam melhor voltar antes que escurecesse.

– Ele é bonito, Lily! Por que você não dá uma chance?!

– Porque eu não quero! E se você pensa que vai ficar tudo bem depois de ter contado meu nome para aqueles desconhecidos, você está MUITO enganada!

A garota saiu andando na frente, deixando Emma pra trás.

– Você é muito inacessível! — Emma gritou e Lily mostrou o dedo do meio. — E criança!

Evans continuou andando rápido, e Emma não estava com pressa alguma. Ela acabou deixando a amiga ir sozinha e entrou no Jamba Juice. A loira se sentou perto da janela e lembrou-se da primeira vez que esteve ali. Quer dizer, ela não esteve exatamente ali, mas estava. Foi quando ela viu Ben pela primeira vez… E foi quando ela o achou incrivelmente atraente… Isso antes de conhecer a personalidade detestável do rapaz.

– Vai pedir alguma coisa? — Uma voz do além a tirou do transe. — Moça?

Emma ergueu a cabeça e deu de cara com o rapaz de cabelo azul.

– Ei, você me ajudou a parar a briga no Johnny’s Bar!

– Ajudei?

– Sim! Eu te devo uma!

O rapaz sentou ao lado dela e a encarou com um olhar malicioso.

– Proposta interessante.

Emma arqueou as sobrancelhas e sorriu.

– Eu não fiz nenhuma proposta… E por que você está sentado do meu lado? Você não trabalha aqui?

– Quem diria, uma loira inteligente. Você é uma vergonha pra sua raça. — O rapaz disse, mas Emma não mudou sua expressão. — Meu nome é Leonardo.

– Emma. — Ela deu a mão pra ele cumprimentar. — O prazer é todo seu.

– Inteligente e metida. — Ele pegou a mão dela e a chacoalhou com um aperto de mão. — Não faz meu tipo.

– Azar o seu. — Emma disse, ainda sorrindo, e pegou o cardápio da mesa e começou a olhar. — Vou querer um suco de couve com limão.
Leonardo fez uma careta e perguntou:

– Você é uma daquelas garotas viciadas em dieta, né?

– Não, eu sou vegetariana.

– Ah, ta. — Ele anotou o pedido em sua caderneta. — Já volto com o seu suco, Emma.

Foi o rapaz do cabelo azul sair pra Sebastian chegar do nada e sentar com a amiga.

– Hey!

– Oi.

– Então, quando será seu primeiro encontro com aquele estranho ali? — O’Brien apontou na direção de Leonardo e Emma riu.

– Você tava vendo?

– Ahan. Cheguei faz um tempo, mas não quis te atrapalhar. Odeio gente empata foda.

– Eu só tava pedindo um suco. E pra sua informação, foi ele que ajudou a separar o Tony e o Ben de se matarem no Johnny’s Bar ontem.

– Eles brigaram?! — Sebastian perguntou, curioso.

– Não, eles quase se mataram de tanto se beijar! — O amigo revirou os olhos e Emma riu. — Sua pergunta foi estúpida.

– Ok. Cadê a Lily? Erika disse que vocês tinham ido na garagem do The Lobsters hoje.

– Ela ta puta comigo porque eu contei que seu verdadeiro nome é Delillah.

– Depois eu que faço coisas estúpidas…

– Você faz bem mais do que eu! E onde está a Erika?

– No apartamento dos gêmeos. — Emma fez uma careta. — Eles são legais.

– Não tenho nada contra aquele que deu uma cantada em mim no luau. Só não gosto daquele nerd idiota que pensa que sabe de tudo!

– Ás vezes eu acho que ele deve saber de tudo.

– Ai, para de dar ibope pra esse moleque! O Ben tem cara de ser bem mais inteligente que o Jeremy!

– Eu não acredito que estamos falando sobre pessoas inteligentes.

– Verdade. Já fomos melhores.

– Só se for você, eu ainda sou!

– Ok. Agora, mudando de assunto rapidamente… O que aconteceu entre você e a Erika ontem a noite?

– Eu beijei ela.

– Vocês transaram?

– Não… Infelizmente.

– Sebastian, você gosta dela?

– Não.

– Então pare de brincar com ela!

– Eu não to brincando!

– Tá sim! E quando ela se der conta disso, ela vai arrancar seu pinto fora! — O garoto fez uma careta e colocou a mão em suas partes íntimas. — E você sabe que ela seria muito capaz disso!

– É, eu sei.

– Ótimo.

Assim que Emma terminou de falar, Leonardo chegou com o seu suco.

– Aqui está! — Ele colocou em cima da mesa com uma careta. — Como você pode beber algo que tem essa cor?

– Você já olhou pro seu cabelo? — Emma disse e Sebastian riu.

– Já! É horrível, eu sei, mas está assim por causa de uma aposta!

– Pensei que era porque combinava com a cor dos seus olhos. — Emma segurou uma risada.

– Isso também.

Os três riram e Sebastian se apresentou ao cara de cabelo azul, que disse que não era da California, e sim do Brasil, e que ele a irmã foram obrigados a fazer seis meses de intercâmbio juntos.

– E você não queria vir? — Sebastian perguntou.

Os três estavam sentados na mesa. Leonardo esqueceu do tempo e provavelmente também havia esquecido que era garçom.

– Não com a minha irmã!

– Hmm… E essa sua irmã é gata? — O’Brien perguntou e Emma revirou os olhos.

– Eu não acho, mas existe quem ache. — A resposta dele, fez Sebastian perder todo o interesse. — É aquela coisa ali no canto. — Leonardo apontou para o balcão, onde estava Victória, uma loira baixinha e com o cabelo curto.

– Uow! — O’Brien disse, surpreso. — Sempre gostei de loiras.

– Pensei que você gostasse de ruivas. — Emma falou com um tom provocativo que, obviamente, Sebastian não entendeu.

– Eu gosto de todas. — O comentário fez Leonardo rir e Emma revirar os olhos. — Mas hein, posso chegar na sua irmã de boa?

– Pode! Se quiser sequestra-lá para África do Sul… também ta valendo.

– Homens. — Emma suspirou e levantou-se da mesa. — Eu vou pra casa. To cansada e amanhã a Lily vai me fazer procurar um emprego.

– Beleza, a gente se vê depois.

– Ok, tchau Leonardo, foi legal te conhecer.

– Igualmente.

– E deseje meus pêsames à sua irmã depois… Porque ela está prestes a se meter com a pior escória de homem que existe.

~*~*~*~*~*~*~

Antes de ir para seu apartamento, Emma foi até a praia. Já era noite, mas os postes de luz iluminavam toda a areia. Ela caminhou até a ponta do píer e lá parou. Emma deve ter ficado lá por uns cinco minutos, sentindo a brisa em seu rosto, e o cheiro do mar. Ela sempre gostou de se sentir assim: Livre. Sem ninguém pra dizer o que fazer, nem como fazer…


Há muito tempo atrás, Emma só obedecia as regras impostas por sua irmã mais velha, Rachel. Quando seus pais se separaram, e ela foi morar com a mãe, tudo isso mudou. Emma tinha 12 anos quando aconteceu, e foi a primeira vez que ela se sentiu realmente confortável.

Rachel era uma megera. Sempre aprontava de tudo e colocava a culpa na irmã mais nova. E quando seus pais saíam, ela se aproveitava de Emma para suprir seus caprichos idiotas. Foi bem fácil superar o divórcio dos pais com ela longe da irmã mais velha. Ela finalmente se sentia viva. A mãe a havia dado algo que era essencial pra Miller, mesmo ela não sabendo disso até então: liberdade.

O celular de Emma vibrou em seu bolso, e a tirou de seus desvaneios. Ela pegou o aparelho e viu que era uma mensagem de seu “namorado”. Seu coração acelerou e ela engoliu em seco várias vezes. Emma ficou encarando o nome dele por um tempo, e quando ela finalmente tomou coragem para ver o que estava escrito…

–Pensando em pular de novo?

Emma levou um susto tão grande, que se desequilibrou e quase caiu do píer. Isso não chegou a acontecer porque Ben foi mais rápido e a segurou pelos braços. Eles se encararam por uma fração de segundo, e Emma piscou várias antes de responder:

– Talvez.