Runaways
6 Capítulo 5 - The Lobsters
Notas iniciais
– Mais uma dose de vodka pra mim! – Erika gritava para o barman que a encarava com um certo nojo. – Até parece que nunca viu ninguém querendo ficar bêbado! – O barman colocou o copo em cima do balcão, e ela o bebeu com uma velocidade impressionante. – Hipócrita.
Aquela não era sua primeira bebida. A noite não estava nem na metade, e Erika já podia ver o mundo girar. E por que raios ela estava sozinha numa situação dessas? A ruiva cambaleava de um lado pro outro em busca de alguém que a pudesse fazer companhia. Esbarrando nas pessoas sem pedir desculpas, Erika finalmente, encontrou Jaime. Ou será John? Não, definitivamente, é o Jaime.
– John? – Ela perguntou e o Collins a encarou sorrindo.
– Mas já ruivinha?
– Pera, você é o Jaime ou o John? — Collins deu risada, e logo sua cópia apareceu do seu lado. – Agora fodeu de vez. To vendo dois de você John!
– Pensei que ela já tinha se acostumado com essa coisa de gêmeos idênticos. – Jaime disse e o irmão deu risada, mas Erika só conseguiu esboçar um sorriso. – Devemos chamar o Sebastian?
– NÃO! – Ao ouvir o nome do amigo, um alarme pareceu soar na cabeça de Erika. – NÃO! Não precisa. Eu to bem. Só me ajuda a achar um banheiro pra eu lavar o rosto.
Jaime pegou a mão da amiga e a conduziu ao banheiro mais próximo.
– Cuidado ai hein. Vou te esperar aqui fora. – Jaime sorriu.
– Não precisa. Eu te acho depois.
– Certeza?
– Fica tranquilo. Eu já disse que to bem.
A ruiva entrou no banheiro tão rápido que nem ligou para o casal se agarrando em cima da pia. Ela foi direto para uma das cabines, se sentou no vaso, e apoiou a cabeça entre as mãos.
– Por que minha cabeça não para de rodar? – Ela sussurrava pra si mesma. – E por que eu fui inventar de beber tanto hoje? BURRA!
E foi então que ela se lembrou o motivo. Podia não parecer, ou ela era uma excelente atriz, mas Erika gostava muito de Sebastian. Mais do que era necessário. E ela tinha prometido a si mesma, que essa noite, não seria sobre onde ele estava, ou com quem ele tinha conquistado... E sim sobre onde ela estava, e com quem estava.
Ciúmes.
Essa era a palavra.
Esse era o sentimento que ela queria causar ao amigo.
Erika respirou fundo, levantou a cabeça e saiu da cabine do banheiro determinada a achar alguém que colaborasse com o plano...
Tudo isso foi por água a baixo quando ela viu Sebastian fazendo sexo com uma qualquer em cima da pia do banheiro.
O sentimento de surpresa e a vontade de chorar a atingiram em cheio, mas ela não iria se deixar abalar. Não aqui, não agora.
– Oi, Sebastian. – Erika falou antes mesmo que pudesse processar as palavras que saíram de sua boca.
O amigo parou o que estava fazendo e encarou a amiga, ainda ofegante.
– Erika. – O olhar dele mudou quando percebeu que a ruiva estava segurando o choro. – Ta tudo bem? Você tá com aquela cara horrível de quando tenta segurar o choro. – Ele riu, mas ela continuou séria.
– Eu to ótima! Obrigada por perguntar. — A ruiva saiu do banheiro pisando fundo, e nem se deu conta, de que Sebastian realmente tinha ficado preocupado com ela.
Nada melhor pra curar uma cabeça afetada pelo álcool, do que um coração afetado pela dor.
Erika não queria chorar por tê-lo visto com uma garota. Isso era normal, quase rotineiro. Ela mesma havia se treinado para esse tipo de situação. Mas agora a ficha tinha caído. Ao observar Sebastian e a garota no banheiro, a ruiva lembrou-se de si mesma sentada em cima da pia. E foi então que finalmente percebeu...
Depois de tanto tempo se sentindo diferente, ela não passava de mais uma que Sebastian colecionou. O único motivo dele ainda falar com Erika, era a amizade deles. Porque apesar de tudo, Sebastian ainda a considerava uma boa amiga. Mas era só isso. Amizade. E ás vezes alguns beijos... Pra ele, Erika não passava de mais uma. E o pior, ela era uma que ele podia ter a qualquer momento. Ela era a opção mais confortável. Mais próxima. Mais fácil.
~*~*~*~*~*~*~
– A Erika sumiu! – Jaime gritou na cara do irmão que estava com uma bebida na mão e dançando com uma garota.
– Meu, tem um moleque aqui com o cabelo azul! O cabelo INTEIRO pintado de azul! HAHAHAHAHA.
Jaime revirou os olhos e puxou John pelos ombros, fazendo o irmão o encarar.
– Você escutou o que eu disse? Eu perdi a Erika! E ela não estava em condições de ficar “perdida”. Sabe o que isso significa?
– Que você é uma péssima babá?
Jeremy revirou os olhos novamente e soltou os ombros do irmão. Ele não iria ajudar em nada. Jaime voltou a porta do banheiro onde tinha deixado Erika e encontrou Sebastian saindo de lá.
– O que você tava fazendo no banheiro feminino?
– O que você acha?
Era meio óbvio e depois que Jaime percebeu a resposta ele se sentiu meio estúpido por ter feito aquela pergunta.
– Você viu a Erika?
– Na verdade, sim. To procurando por ela, aliás. A cabeça de fósforo saiu correndo do banheiro e eu fiquei meio preocupado.
– Bom, você viu as meninas? Lily ou Emma? – Sebastian negou com a cabeça. – Então vamos procurá-las porque eu já andei esse bar inteiro e não achei a ruiva.
~*~*~*~*~*~*~
Luzes. Luzes piscando por todos os lados. A visão de Emma estava começando a ficar turva pelo excesso de fumaça e a falta de oxigênio puro para respirar. Ela não estava acostumada a lugares tão fechados assim. Lily, que estava a seu lado um minuto atrás, tinha sumido. Ótimo.
Emma andou pelo Johnny’s Bar e parou um pouco antes de chegar ao balcão. Havia apenas uma cadeira vazia ali. Uma. Ela apertou o passo, e quando estava chegando a sua grande conquista, um cara com uma jaqueta de couro, se sentou na cadeira.
Ela o encarou indignada por dois motivos: 1- Ela havia roubado seu lugar para sentar. 2- Ele estava fumando e contribuindo para a falsa neblina feita de fumaça mal cheirosa.
– Devia ser proibido fumar aqui dentro. – Emma fingiu uma tosse e o rapaz a encarou com um sorriso de lado.
– Não está acostumada com lugares como esse? – Emma não conseguiu responder. A voz do rapaz da jaqueta era extremamente grave e... sexy. – Então não devia vir.
Rude. Babaca. Sexy.
NÃO.
Só rude e babaca.
– Eu não disse que não estava acostumada. Você nem me deu a oportunidade de responder! E você é um grosso.
Emma tirou o cigarro da boca dele e o jogou em seu copo de bebida. Foi uma péssima escolha fazer isso com um cara que ela não conhecia, e que tinha a cara de um maníaco sexual. Ok, pode ser um pouco de exagero, mas o medo deixa as pessoas exageradas.
– Nenhuma garota jamais ousou a tocar no meu cigarro. – Ele disse calmamente e Emma engoliu em seco. – Ainda mais para apagá-lo.
Ele levantou da cadeira e deu um passo ameaçador em direção à ela. Emma recuou e olhou ao redor tentando procurar alguém conhecido, mas não viu ninguém. O que chamou sua atenção, foi um cara de cabelos azuis passando ao seu lado, mas a voz do rapaz da jaqueta a trouxe de volta a tensão do momento:
– Meu nome é Tony.
E foi como um clique. Emma suspirou aliviada e até deixou um sorriso escapar.
– Tony Jarvis, certo? Vocalista do The Lobsters. Conhecido por estar sempre com uma garota diferente do seu lado, mas cá está você... Sozinho.
– Isso não é verdade. – Tony tateou os bolsos da jaqueta e pegou outro cigarro. – Você está aqui comigo.
Ele sorriu e Emma ficou sem resposta novamente. Droga, ela estava indo tão bem.
– Você deve conhecer bem esse lugar, certo?
– Sim.
– Então me mostra a saída, por favor. – Ela disse docemente e Tony arqueou as sobrancelhas. Qual era o jogo dela?
Emma baixou a guarda porque sabia que só conseguiria sair dali daquele jeito. Sendo gentil. Ou quase isso.
– Agora não dá. Vou subir no palco em cinco minutos. – Ele a respondeu normalmente. – Mas sei lá, você já tentou seguir áquela placa imensa onde se lê “saída”?
Emma olhou para onde ele apontava e se sentiu bem estúpida, bem burra, bem Erika.
– Boa ideia. Valeu. – Quando ela ia sair, Tony a segurou delicadamente pelo braço.
– Você me deve um cigarro.
Ele a soltou e Emma saiu andando, olhando só mais uma vez para trás para ver o sorriso malicioso que se formava nos lábios do rapaz. Aliás, qual era o problema com ele? Tony Jarvis devia ter um pôster do John Travolta vestido de Danny Zuco em seu quarto, Emma podia ter quase certeza disso.
Ela andou em direção a saída, e quando estava prestes a passar pela porta que a separava do ar puro, um braço a envolveu pela cintura e a puxou forte contra o próprio corpo.
– Aonde você pensa que vai?
Assim que ela percebeu quem era, Emma bufou.
– Lá pra fora. Não é óbvio? Agora me solta!
– O show já vai começar, depois você vai.
Ben a arrastou de volta para o meio da multidão e Emma tentou fincar seus pés no chão para não deixá-lo a levar de volta para aquela massa de ar poluído. E foi então que ela teve uma ideia brilhante.
– Eu vou desmaiar. – Ela disse e Ben parou de andar. – É sério! Ta muito abafado aqui dentro, preciso de ar fresco.
Se não fosse a mão de Emma na própria testa, talvez sua atuação o tivesse convencido.
– Você é ridícula. – Ben soltou uma risada e continuo a puxando para dentro do lugar.
– Você que é! Me solta senão eu vou gritar!
– Solta ela, cara.
Emma olhou pra trás pra ver quem era o dono daquela voz e se deparou com...
– Tony.
– Você conhece ele? – Ben a soltou e apontou para o vocalista.
– Não. – Emma o encarou e Jarvis sorriu. – Você disse que já ia subir no palco e...
– Acontece que eu me esqueci de perguntar seu nome.
– É Emma. – Quem respondeu foi Ben. – Agora será que dá pra você me acompanhar? O Sebastian ta quem nem louco procurando por você e pela Lily.
É, talvez ela devesse o acompanhar.
– Quem é Sebastian? – Tony perguntou. – Namorado?
– NÃO! Deus me livre. É só um amigo.
– Melhor assim.
Emma sorriu e Ben revirou os olhos.
– Por Deus, vá ajudar seu amigo e depois você volta a flertar com o destruidor de corações, pode ser? – O loiro não esperou Miller responder, apenas a pegou pela mão e saiu andando. – Bom show, Jarvis.
– Você é muito rude!
– Você já disse isso.
– E repito! Rude, rude, rude, rude!
– E você é mimada.
– Você também já disse isso.
– E repito!
– ARGH! Eu te odeio. E solta o meu braço que eu vou com você de boa vontade.
Ben sorriu e Emma bufou, revirando os olhos.
– Ódio é uma palavra bem forte. – Ele disse e Emma o encarou arqueando as sobrancelhas.
– O que?
– Você disse que me odeia... E eu disse que ódio é uma palavra muito forte.
– Pois é, o que eu sinto por você é bem forte!
Ben parou de andar e Emma bateu a cabeça em suas costas.
– Tem certeza de que é ódio mesmo?
Ele se aproximou e Emma deu um passo pra trás. Ben estava se divertindo com a mistura de sensações que causava na garota. E pra ele, tudo não passava de uma mera provocação.
– Atrapalho?
A voz de Lily interrompeu o “clima” e Emma piscou várias vezes até conseguir que seus olhos se focassem no rosto da amiga.
– N-não.
– Ótimo porque a Erika sumiu, o Jaime ta dando um piti e o Sebastian ta realmente preocupado!
Emma seguiu Lily até a saída. Ela ficou abismada por estar indo de volta ao lugar onde Ben tinha feito o favor de tirá-la. Lá fora estavam Jack, Jaime e Sebastian.
– Quem deixou a Erika ficar bêbada? – Emma perguntou cruzando os braços em frente ao peito.
– Acho que fui eu. – Jaime disse baixo.
– Tinha que ser! Olha aqui, se alguma coisa acontecer a minha amiga por sua culpa, eu juro que acabo com a sua raça! – Emma extravazou toda sua raiva em Jeremy e ele até ficou assustado.
Jack prendeu uma risada e Ben só revirou os olhos.
– Ela tava no banheiro? – Lily cortou o clima ruim e encarou Sebastian.
– É, ela me viu lá com uma garota e...
– Pera. Ela te viu com uma garota? – Sebastian assentiu. – E ela estava bêbada? – Jaime assentiu. – Tá explicado.
Lily conclui e olhou pra Emma. E houve aquela conversa silenciosa entre elas que tinha uma única mensagem: Erika ficou deprimida ao ver o garoto que ela gosta com outra. Mal sabiam elas que o buraco era bem mais embaixo dessa vez.
– O que tá explicado? – Jack perguntou.
– A Erika gosta desse traste. – Emma respondeu. – Ela deve ter ficado chateada ao vê-lo com uma vadia qualquer e como ajuda ela teve o álcool, ou seja...
– Não acredito nisso. Ainda essa história? – O’Brien passou a mão pelos cabelos meio impaciente. – Eu adoro a Erika, mas eu queria mesmo que ela me visse só como um amigo pra evitar esse tipo de coisa. – Ele respirou fundo. – Vou atrás dela.
– Mas nem pensar! – Emma o interceptou antes que ele começasse a correr pela rua. – Como você vai poder ajudá-la agora?
– A culpa é minha dela ter sumido! Nada mais justo do que eu ir atrás dela!
– Concordo com ele. – Jack falou e recebeu um olhar mortal de todos. – Eu sei que eu não tenho nada a ver com isso, mas eu to aqui fora com vocês perdendo o show do The Lobsters porque sua amiga com o cabelo ferrugem sumiu. Sem querer ofender, mas eu ainda quero aproveitar minha noite. – Os olhares reprovadores pioraram e Jack suspirou. – Podem me olhar desse jeito o tempo que quiserem, mas eu sei que vocês também estão pensando isso!
Enquanto Jack fazia seu discurso, Sebastian já tinha saído de fininho e começado a perseguir sua amiga ruiva. Depois de andar trinta e sete minutos com passos largos, ele resolveu parar em um posto de gasolina para comprar uma água. Quando ele ia entrar na lojinha de conveniência, ele ficou uma cabeça ruiva indo em direção a uma rua escura e deserta. Só uma pessoa era burra o suficiente para ir em direção ao perigo desse jeito sem hesitar: Erika Houston.
~*~*~*~*~*~*~
– Não acredito que a Lily concordou com você. – Ben tomou um gole de sua bebida.
O loiro se referia ao fato dela não contestar o argumento do primo de voltar para dentro do bar e escutar o The Lobsters. A situação facilitou muito quando eles perceberam que o Sebastian já tinha ido atrás da ruiva.
– Acredite, nem eu. – Jack o respondeu rindo. – Agora que eu reparei que a vocalista do The Lobsters é bem gata.
– É a Judy. Ela foi minha namorada no jardim de infância sabia?
– Eu te odeio.
Ben riu e voltou a observar a banda no palco. Tony tocava sua guitarra de olhos fechados com um ar de superioridade irritante. Judy cantava timidamente uma música da Lana del Rey. Taylor, a baixista ruiva e vítima de Jonathan, sorria pra todos na plateia e ás vezes dava tchauzinho para pessoas aleatórias. Mike, o baterista, estava sem camiseta e tranquilo. Já seu irmão mais novo, Will, era o pânico em pessoa. Ele não errava os acordes, mas dava pra ver que o esforço era grande pra que isso não acontecesse.
– Você acha a Emma bonita? – Ben se surpreendeu com a própria pergunta. Chega de álcool por hoje.
– Acho. Por quê?
– Sei lá. Não é uma beleza muito óbvia?
Jack fez uma careta e soltou uma risada fraca.
– É, você tem razão. As garotas com belezas óbvias são as piores. – A ironia transbordava de suas frases e o primo já estava começando a rir. – Eu gosto daquelas que eu só percebo que são bonitas depois de realmente conhecê-las. Faz eu me sentir merecedor!
– Você é um babaca.
– Você que fez um comentário estúpido.
– Não foi estúpido, foi impulsivo. E não vai acontecer de novo.
– Que bom, porque você quase me assustou.
– É, e falando em impulsividade... Não fez nenhuma besteira perto da Lily hoje?
– Ainda não. Bem lembrado. Vou nessa.
Jack se levantou rapidamente e começou a caçar a ex-amiga pelo bar. Ben riu da atitude do primo e olhou para o palco novamente. A música agora era do Oasis, Stand by me. Tony fazia a segunda voz, e toda vez que ele cantava, só olhava pra um lugar fixo na plateia... Emma.
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– Não acredito que a Lily concordou com você. – Ben tomou um gole de sua bebida.
O loiro se referia ao fato dela não contestar o argumento do primo de voltar para dentro do bar e escutar o The Lobsters. A situação facilitou muito quando eles perceberam que o Sebastian já tinha ido atrás da ruiva.
– Acredite, nem eu. – Jack o respondeu rindo. – Agora que eu reparei que a vocalista do The Lobsters é bem gata.
– É a Judy. Ela foi minha namorada no jardim de infância sabia?
– Eu te odeio.
Ben riu e voltou a observar a banda no palco. Tony tocava sua guitarra de olhos fechados com um ar de superioridade irritante. Judy cantava timidamente uma música da Lana del Rey. Taylor, a baixista ruiva e vítima de Jonathan, sorria pra todos na plateia e ás vezes dava tchauzinho para pessoas aleatórias. Mike, o baterista, estava sem camiseta e tranquilo. Já seu irmão mais novo, Will, era o pânico em pessoa. Ele não errava os acordes, mas dava pra ver que o esforço era grande pra que isso não acontecesse.
– Você acha a Emma bonita? – Ben se surpreendeu com a própria pergunta. Chega de álcool por hoje.
– Acho. Por quê?
– Sei lá. Não é uma beleza muito óbvia?
Jack fez uma careta e soltou uma risada fraca.
– É, você tem razão. As garotas com belezas óbvias são as piores. – A ironia transbordava de suas frases e o primo já estava começando a rir. – Eu gosto daquelas que eu só percebo que são bonitas depois de realmente conhecê-las. Faz eu me sentir merecedor!
– Você é um babaca.
– Você que fez um comentário estúpido.
– Não foi estúpido, foi impulsivo. E não vai acontecer de novo.
– Que bom, porque você quase me assustou.
– É, e falando em impulsividade… Não fez nenhuma besteira perto da Lily hoje?
– Ainda não. Bem lembrado. Vou nessa.
Jack se levantou rapidamente e começou a caçar a ex-amiga pelo bar. Ben riu da atitude do primo e olhou para o palco novamente. A música agora era do Oasis, Stand by me. Tony fazia a segunda voz, e toda vez que ele cantava, só olhava pra um lugar fixo na plateia… Emma.
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– Por que você saiu correndo daquele jeito?
Sebastian seguia Erika pela rua.
– Porque eu quis.
Ela se virou para dizer e continuou andando rápido. Sebastian a alcançou, segurou seu braço e a virou de frente pra ele.
– Eu conheço sua cara de quando quer esconder alguma coisa. E eu sei que você está fazendo isso agora mesmo, Cabeça de fósforo.
– Não me chame assim. — As palavras saíram como um sussurro.
– Por que não? — Ele soltou o braço da ruiva e riu. — Acho que essa foi a minha melhor invenção… Esse seu apelido. Não vou parar de te chamar assim nunca.
Os olhos de Erika insistiam em marejar, mas ela não queria chorar agora. Então ela usou a única coisa que sempre fazia quando se sentia acuada: A melhor defesa, é o ataque.
– Cala a boca e saí daqui!
Ela ia voltar a correr, mas Sebatian a segurou novamente.
– Não vou sair até você me contar o motivo de estar deprimida e de estar me atacando como se eu fosse o culpado.
Você é. Só não sabe disso… Ainda.
– Por que você quer tanto saber? Não te interessa!
Por que ele estava insistindo tanto? Erika estava ficando cansada daquilo. Ela só queria ir pra casa, deitar na cama, e aliviar seu coração chorando litros em seu travesseiro.
– Me interessa porque você é minha amiga e eu me importo com você!
– Não é porque eu sou sua amiga, que você precisa ficar agindo como se eu precisasse de você toda hora!
– Mas você precisa. — Sebastian respondeu calmamente.
– NÃO PRECISO! SAÍ DAQUI, SEBASTIAN!
Por que ele estava fazendo isso? Erika queria desesperadamente deixar de sentir o que sentia pelo o amigo, mas ele não facilitava as coisas. Só piorava.
– Você é surda? Eu não vou sair até você me contar qual é a porra do seu problema! — O’ Brien agarrou a amiga pelos braços e a fez olhar pra ele. — E não adianta vir com esse papo de não precisar de mim porque eu sei que você precisa! E eu preciso de você! Você é minha melhor amiga, e eu não vou te deixar chorando, sozinha numa rua vazia a essa hora da madrugada, entendeu?
A cada palavra que saia de sua boca, Erika sentia uma pontada no coração. E a cada pontada ela se odiava mais ainda e odiava Sebastian por ele estar sendo um amigo tão bom agora… Ela só queria que ele tornasse as coisas mais simples. Ele não poderia ser um grosso estúpido ao invés de querer consolá-la?
– Aposto que você tem coisa melhor pra você do que ficar aqui comigo!
Erika queria deixá-lo nervoso, mas nada parecia surtir efeito.
– Tenho. Mas a minha prioridade agora é você. Então, pelo o amor de todos os santos, me conta qual o problema pra que eu possa te ajudar.
– Você é o problema! Satisfeito?
Ela, finalmente, disse, e mais algumas lágrimas escaparam de seus olhos.
– Não! — Sebastian gritou de volta. Agora sim ele parecia estar ficando nervoso.
– Você é um babaca. — Erika tentou sair, mas Sebastian continuou apertando seus braços. — Me solta. Ta me machucando.
Os olhos dele estavam cravados nos da ruiva. A veia do lado de seu pescoço começará a pulsar, e ele sabia que estava a apertando demais.
– Não vou soltar. E foda-se se ta te machucando ou não. Eu quero uma resposta.
Erika estava exausta e com raiva de Sebastian. Por que raios ele estava agindo desse jeito?
– O que você quer que eu diga? Você já sabe qual é o problema, já sabe de tudo! Por que quer me obrigar a dizer? Pra inflar o seu ego?
Sebastian sempre soube dos sentimentos que a ruiva nutria por ele, mas pensou que fosse algo pequeno, sem importância. Ele não queria pensar muito sobre o assunto, por isso, sempre fingiu que era mentira, que sua melhor amiga não gostava dele, porque isso podia colocar a amizade deles em risco.
– Eu não quero ser uma dor de cabeça pra você… — Sebastian a soltou, e ele desviou o olhar para o chão. — Mas eu não vou abrir mão de ficar com outras garotas porque você gosta de mim!
– Eu não te pedi isso! E eu não gosto de você!
– Tem razão, você não gosta. Você é totalmente apaixonada por mim. E eu não to falando isso pra inflar o meu ego. Eu to falando pra você parar de lutar contra esse sentimento idiota.
– E por que eu deveria fazer isso? — Foi uma pergunta estúpida, mas ela estava nervosa, e não conseguia raciocinar direito.
– Porque quanto mais você luta contra uma coisa, mais ela te persegue. Você precisa me enfrentar! Enfrentar o que sente por mim! Eu não quero deixar de ser seu amigo, entendeu?
Erika assentiu com a cabeça, e deixou suas últimas lágrimas escorrerem. Aquela frase a deixou sem reação, ela também não queria deixar de ser amiga dele.
Sebastian a abraçou e afagou a cabeça da amiga. Seria tão mais fácil, se ela fosse feia. Apesar de querer ser somente amigo da ruiva, ele não podia negar a atração que sentia por ela, e não conseguia esquecer o quanto seu beijo era envolvente e caloroso…
– O que eu faço agora? — Ela perguntou com a voz manhosa e soltou um riso sem humor no fim da frase.
De repente, Sebastian colocou as mãos em volta do rosto da amiga, limpou o caminho que as lágrimas deixaram em seu rosto, e não ligou pra maquiagem borrada.
– Me beija. — Ele sussurrou e Erika arregalou os olhos.
– Mas você disse que era pra eu te esquecer e…
– Eu sei o que eu disse! — Erika tentou se soltar, mas ele a segurava forte. — Que jeito melhor de enfrentar seus sentimentos por mim do que ficando comigo?
– Isso não faz sentido, Sebastian. — Erika riu, mas ele continuou sério. O’Brien estava bem ciente do que queria naquele momento. Seu corpo inteiro já estava ansioso só com a expectativa de beijá-la. — E as suas palavras foram bem egoístas e babacas.
A ruiva soltou outra risada e Sebastian disse:
– Então talvez eu seja um grande babaca egoísta.
E a beijou.
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