Runaways
5 Capítulo 4 - Promessa não é dívida
– Você lembra de quando a gente se conheceu?
A voz de Jack sempre fora inconfundível. Mesmo depois de anos sem ver o rapaz, Lily ainda lembrava perfeitamente do seu tom de voz. Ele cresceu, agora tinha 19 anos e sua voz até engrossará um pouco, mas ainda assim era um som bem familiar.
– Lembro.
Ela respondeu se virando pra ele. Ambos estavam na sala do apartamento de Emma e Erika. A ruiva tinha ido com os gêmeos e Sebastian buscar os livros de Jaime, enquanto Miller estava no quarto (com a porta fechada) supostamente conversando com Ben.
– Minhas covinhas já te enlouqueciam naquela época?
Lily riu e disse:
– Se você fosse menos estúpido talvez eu conseguisse conversar com você.
A garota foi em direção a porta, mas Jack a interceptou antes, não a deixando sair.
– Desculpa por ontem à noite. Eu tava meio bêbado e...
– Ok. Desculpado. – Lily sorriu. – Agora me deixa sair.
– Você nem me deixou terminar de falar e...
– Eu sei. Só quero sair, será que dá?
Ela arqueou as sobrancelhas e Jack deu risada.
– Você tá fazendo piada, né?
– Parece que eu to fazendo piada?
Ela perguntou firme. Lily prometeu a si mesma que nem mesmo o sorriso perfeito de Jack combinado com as suas covinhas a deixariam desnorteada. Bower estava começando a ficar irritado com o comportamento da suposta amiga.
– Sei lá... Mas você não precisa agir desse jeito. – Jack respondeu sério.
– Eu to normal, Jack. – Ela riu e tocou o braço que impedia sua passagem para ir embora. – Posso ir agora?
Ele a encarou por longos segundos e Lily continuo com a máscara e a atuação que a “protegia”. Na verdade, por dentro, a garota estava nervosa, muito nervosa. Mas da última vez que se sentiu assim, ela receberá um belo par de chifres... E isso não ia acontecer de novo tão facilmente. Lily não queria ficar vulnerável e carente a ponto de beijar Sebastian outra vez.
– Eu te conheço... E acho que você esquece disso. – Ele soltou uma risada. – E você me conhece também, Lily.
Ele tirou o braço e deixou a garota passar. Mas na verdade, ele queria mesmo era prensá-la na parede e matar a vontade que guardou por nove anos. Jack só queria beijá-la. Era pedir demais?
Pelo jeito, sim.
Evans não olhou pra trás e não disse nada. Só se sentiu aliviada de não respirar tão perto da boca de Jack por mais meio segundo. Enquanto ela tentava se acalmar no corredor dos apartamentos, Jack estava no mesmo lugar e sorrindo. Bom saber que mais alguém fica desconfortável em sua presença. Excelente! Mesmo ela não tendo motivos suficientes para isso... Mas se Lily queria motivos para ficar desconfortável perto de Jack, ele a daria motivos. Era uma promessa. E ele prometeu a si mesmo que se ela queria bancar a garota de coração de gelo, então ele se tornaria o próprio gelo.
~*~*~*~*~*~*~
– O Jaime é meio gay, você não acha?
Sebastian perguntou para Erika. Os dois estavam em frente ao antigo prédio dos gêmeos, os esperando trazer as preciosas caixas de Jeremy.
– Não... Nada de gay... Não do que eu provei.
Ela respondeu e Sebastian riu.
– Ele se deu muito bem com a Lily, sabia? – Erika o olhou sem mover a cabeça. – Os dois ficaram falando algo sobre criptogramas e a tal da sinapse...
A ruiva deu de ombros e riu. Sebastian estava mesmo preocupado que ela se “machucasse”? Porque era este pensamento que rondava a mente da Cabeça de fósforo.
– Eu não ligo... A gente só ficou e agora somos amigos... E todos nós concordamos que a Lily precisa expandir seus horizontes sexuais.
– Verdade. – Ele coçou a cabeça. – Eu já me ofereci pra ajudar, mas... Eu sou um bom amigo, e se eu posso ser útil em alguma coisa...
– Você é um tarado, isso sim!
Enquanto Erika e Sebastian discutiam a vida sexual nada conturbada de Lily Evans, os gêmeos estavam descendo pelas escadas com as caixas de livros.
– Eu não acredito que o elevador quebrou! É muita sorte! – John disse. – Você tinha que dar dessas, né? Por que não deixou a porra dos livros irem no caminho? Foi desculpa pra ver a ruivinha?
– Não. – Jaime respondeu firme. Ele realmente não estava mentindo. — Só sou um cara cuidadoso... Você vai ver como as suas revistar pornôs estarão todas destruídas.
John riu e os dois continuaram a descer as escadas. Assim que chegaram ao térreo, Sebastian e Erika correram para ajudá-los. Eles colocaram as caixas dentro do carro e voltaram para seus apartamentos. John e Jaime deixaram os livros no seu novo lar e foram tomar uma cerveja na casa de Sebastian. Erika ia entrar em seu apartamento, quando Lily abriu a porta da frente e disse:
– Eu não entraria ai se fosse você...
Os três meninos e a ruiva olharam para a garota e John logo percebeu que ela não estava vestida para receber visitas.
– Eles ainda estão lá dentro? – Erika perguntou e amiga assentiu. – E o Jack?
Lily revirou os olhos dizendo:
– Nem pergunte.
Todos entraram no apartamento e Evans foi trocar de roupa. Depois da sua “discussão” com Jack, ela tinha colocado o pijama e se entupiu de chocolate enquanto assistia Game OfThrones.
– Hoje tem show dos ‘The Lobsters’ no Johnny’s Bar!
Jaime dizia tudo rápido e gritando. Desde quando o conhecerá, Lily nunca o havia visto tão animado. Ela tinha acabado de voltar para a sala, e foi a primeira vez que viu seu apartamento cheio. Evans teve a sensação de que seria sempre daquele jeito.
Antes que alguém pudesse dizer algo, Ben entrou no apartamento, sem bater, e com uma cara nada boa.
– Achei que tivesse escutado sua voz. – O loiro disse para Jaime. – Cadê o Jack?
Ele encarou Lily e ela revirou os olhos, mais uma vez.
– Eu não sei. Por que vocês ficam me perguntando isso? Que saco.
– Só perguntaram duas vezes. – Sebastian disse, dando de ombros.
– TPM. – Erika sussurrou, mas todos escutaram e esconderam a risada.
– Do que vocês estavam falando? – Ben perguntou.
– Que hoje tem show do The Lobsters!
– The Lobsters? Sério isso? – Emma perguntou debochada e também entrando de repente e sem bater. Cadê a educação dessa gente?
– É a melhor banda da cidade. – Ben respondeu mordendo uma maçã. De onde ele tirou essa maçã? Lily estava ficando nervosa com a falsa intimidade rolando na sala.
– Tem algum membro gatinho que valha a pena a minha atenção? – Ela perguntou, ignorando o comentário de Ben e ele sorriu.
– Bom, eu sou homem, mas as garotas dizem que eles dão pro gasto. – John respondeu, dando de ombros. — O importante são as garotas... Elas sim são gostosas!
– É, por sua culpa eu quase apanhei do Tony uma vez! Sua besta! Até hoje ele acha que é pegadinha você ter um irmão gêmeo.
Lily e Emma encararam os gêmeos esperando uma explicação da história.
– O Jonathan ficou com a baixista da banda. E o Tony ficou puto. – Ben respondeu.
– Quem é Tony? – Emma perguntou.
– O guitarrista fodão da banda! – Jaime respondeu mais animado do que devia e recebeu olhares acusatórios. – Ah, qual é! O sobrenome dele é o nome do computador inteligente do Tony Stark!
– Jarvis? O sobrenome dele é Jarvis? – Lily perguntou e soltou uma risada fraca.
– É! Ele chama Tony Jarvis! Tipo, que foda!
Emma revirou os olhos e fez um gesto como se fosse vomitar, fazendo Ben e John darem risada.
– Então está decidido, né? Nós vamos ao show! – John falou e todos concordaram, menos Ben.
– Cara, não acho que seja uma boa ideia... Se o Tony te ver, ele vai arrebentar sua cara.
– Vai nada. Eu me escondo atrás do Jaime!
– Vai sonhando, cópia mal feita.
~*~*~*~*~*~*~
– SEBASTIAN! SAÍ DO MEU BANHEIRO AGORA! EU PRECISO TERMINAR DE ME ARRUMAR, CACETE!
– Primeiro: Eu não sou surdo. Segundo: A Lily monopolizou o nosso banheiro. E terceiro: Eu não sou surdo.
– Onde ele aprendeu a palavra monopolizou? – Emma passou em frente a porta do banheiro e riu da situação em seu apartamento. – Isso que dá deixar pra se arrumar de última hora!
Erika revirou os olhos e continuou a bater na porta incessantemente.
– SEBASTIAN, ME DEIXA ENTRAR! TO FALANDO SÉRIO!
– Não sei por que você tá tão ansiosa pra ficar no mesmo lugar que eu. – Sebastian respondeu rindo. – Quer um remember, ruiva?
– VAI SE FODER! VOCÊ E SEU MALDITO EGO!
Erika, finalmente, desistiu e foi para o apartamento da frente. Ela rumou direto para o banheiro, e lá estava Lily, terminando de se arrumar.
– Dá licença, preciso terminar minha maquiagem! – Erika entrou de supetão e Lily a olhou, confusa.
– O que acontece? Não tá me vendo aqui, não? A chapinha queimou o resto dos seus neurônios?
– O seu companheiro de apartamento ta no meu banheiro porque você não termina de se arrumar! To cansada de brigar com ele, então, vim descontar um pouco em você!
– Justo. – Lily respondeu rindo. – E eu já estou pronta.
~*~*~*~*~*~*~
– Será que o Jarvis gosta da Taylor? – Jack perguntou enquanto colocava sua camiseta de sua banda favorita. – Isso foi uma pergunta gay, mas me responde mesmo assim.
– Por que a pergunta? – Ben o respondeu.
– Porque ele ficou todo estourado quando o John enfiou aquela língua nojenta dentro da boca da pobre garota... E quem acabou apanhando foi você.
– Eu sei, eu lembro. – Ben respondeu ironicamente. – Mas não. O Jarvis não parece o tipo de cara que se apega a só uma garota. Ainda mais quando tem toda a plateia ovulando para estar em seu colo.
– Eu não ovulo nada, não. – Jack disse e riu da própria piada.
– Você é homem, seu babaca.
– E daí? O Jaime também é homem e ovula na presença do cara... E essa foi a conversa mais feminina que eu já tive em toda a minha vida!
Jack disse rindo e pegou sua jaqueta jeans saindo do apartamento com Ben logo atrás. Os dois ficaram na frente do condomínio esperando a carona que Erika havia prometido. Enquanto eles esperavam, os quatros amigos estavam esquecendo os novos amigos.
– Eu preciso arrumar um emprego! – Lily dizia enquanto ela, Emma, Sebastian e Erika iam para o Johnny’s Bar.
– Cara, sem assunto sério hoje. – O’Brien a respondeu. – Estamos saindo pra curtir, não pra falar das coisas chatas de adulto que nós precisamos fazer.
– Você diz isso porque seus pais te bancam! – Erika falou rindo ironicamente. – Amanhã a gente procura emprego, Lily.
– Se a ressaca não atrapalhar, não é? – Emma falou, fazendo Sebastian rir. – Vamos deixar pra pensar no trabalho depois da ressaca, ok? Hoje a meta é encontrar um cara barbudo que possa te carregar a noite inteira.
– É isso ai! – Erika disse e Lily a repreendeu com o olhar. – Ah, qual é? Eu realmente quero achar alguém para espantar minha carência!
– Erika, meu amor, eu estou bem ao seu lado! – Sebastian disse, sorrindo maliciosamente.
– Cala a boca! – A ruiva respondeu gritando.
– E lá vamos nós de novo... – Lily falou, revirando os olhos. – Ei, você não ia dar carona pro Jack?
– PUTA QUE PARIU! – Erika gritou e fez a volta com o carro, quase batendo.
– VOCÊ TA MALUCA? EU NÃO TO A FIM DE MORRER HOJE NÃO, CARALHO! – Sebastian gritou.
– Eu preferia morrer agora do que ter que ver a cara do Ben. – Emma exclamou e todos a encararam. – Que foi? Ele é um chato!
– Ele salvou sua vida. – Lily a respondeu.
– Detalhes...
Felizmente, eles não estavam tão longe do apartamento dos garotos. Em menos de cinco minutos, Ben e Jack já estavam dentro do carro.
O veículo era pequeno para o tanto de tensão que rolava no ar. Emma ainda estava com o orgulho ferido por culpa de uma certa dívida mal feita, e Ben adorava ver que a sua mera presença a incomodava tanto. Ele estava se sentindo infantil ao se encontrar em uma situação dessas, e mais infantil ainda por estar gostando.
– E ai, Lily. – Jack disse sorrindo sarcasticamente.
– Oi.
– Sentiu minha falta? – Jack continuando cutucando.
E foi nesse momento, que Ben percebeu que nunca seria tão infantil quanto seu primo. E o pensamento o deixou mais tranquilo, porque significava que sua brincadeirinha não precisaria acabar tão cedo.
– Bem que você queria...
– Você ta linda, sabia?
– Obrigada.
– Não sabia que você era uma pessoa tão monossilábica.
– Você não sabe nada sobre mim, Jack.
– Olha só, mais de uma palavra... Progresso!
– Dá pra parar? – Lilyo encarou séria.
– Parar o que? – Jack perguntou, dando de ombros e Ben revirou os olhos.
– Já chega. – O loiro disse e os dois ficaram quietos.
Por que todo mundo “respeitava” Ben? Ele não é pai de ninguém, não manda em ninguém, mas todo mundo o obedece. Ridículos. Eram esses pensamentos que rondavam a mente de Emma enquanto escutava a amiga fingir que não se importava com o que Jack dizia. Isso é patético. Patético.
O resto do caminho até o Johnny’s Bar foi quase silencioso... Quase porque Erika estava no carro.
– Mas então, que tipo de música eles tocam? – A ruiva estava animada, mas ninguém parecia muito no clima de festa. A não ser Sebastian.
– Do tipo boa. – Ben respondeu sério e Erika fez uma careta.
– Você sempre tem que ser rude com todo mundo? – Emma perguntou, tomando as dores da amiga.
– Não, só com você.
Ele sorriu dando de ombros, e Miller pode sentir uma parte de sua raiva se diluindo e transformando-se em lava. Agora era oficial. Emma odiava o fato do oxigênio estar disponível para Ben Dahsner poder respirar. Odiava mais ainda ter que compartilhar esse oxigênio com ele.
– Eu quase posso escutar você planejando minha morte só pelo seu olhar e o rubor das suas bochechas. — Dashner sorriu e tocou a lateral do rosto de Emma. – Chegamos.
Ele desceu do carro e todos o seguiram, menos ela.
– Eu odeio esse cara.
Emma bufou e esfregou a bochecha que Ben tocara com força, como se quisesse desvanecer o choque que sentiu no locar quando ele a tocou.
– Falando sozinha? – Lily surgiu do nada e Miller soltou um gritinho.
– Não. Só estou prometendo a mim mesma que não vou desperdiçar minha noite me deixando estressar pelo babaca do primo do seu namorado.
Lily riu e disse:
– Ele se chama Ben. E só pra esclarecer, o Jack não é meu namorado.
– Ainda.
Lily revirou os olhos, respirou fundo e sorriu:
– Pode apostar que ele não passará de mais um amigo babaca do Sebastian que eu serei obrigada a aturar. É uma promessa.
– Não faça promessas que não possa cumprir. – Emma falou e passou pela amiga, saindo do carro.
– Digo o mesmo pra você.
Fale com o autor