Runaways

16 Capítulo 15 - Causa e consequência


Notas iniciais
Vocês vão querer me matar, mas é compreensível asiudhauihdasih bom capítulo õ/

– O que aconteceu, exatamente? — O médico perguntou.

Erika respondeu antes que Sebastian contasse a verdade:

– Ele foi pegar gelo no congelador e um pedaço atingiu seu olho.

O moreno encarou a ruiva que continuava sorrindo para o médico.

– E por que você esperou piorar para vir ao hospital? – O oftalmologista perguntou, arqueando as sobrancelhas.

– Porque ele é teimoso e burro! Nunca me escuta em nada! – Erika respondeu.

Sebastian fez uma careta respondendo:

– Isso não é verdade! Meu olho está machucado porque essa maluca tacou uma uva nele!

A ruiva deu um tapa na cabeça de Sebastian e o médico suspirou.

– Tire a mão do olho para eu poder examiná-lo. — O velho se aproximou de O’Brien e observou de perto o estrago que Erika havia feito. – É só um arranhão na córnea.

– Só? – O’Brien disse indignado. – Se é só isso por que ta coçando e doendo pra caralho?

– Sebastian! – Erika o repreendeu e o doutor deu risada. – Cala essa boca…

– Vou te receitar um colírio e você precisará fazer compressa morna por uma semana. – O médico falou e sentou em sua cadeira, pegando um papel e anotando a receita para eles. – Evite sair na claridade e use óculos de sol se precisar mesmo sair, ok?

– O quê? Eu não posso sair de dia? – Sebastian disse, indignado mais uma vez.

– Pode deixar que ele vai fazer tudo isso ai certinho, viu doutor? – Erika o interrompeu e lhe lançou um olhar de reprovação.

– Espero que sim. – O médico disse e entregou a receita à ruiva. – Você é uma boa namorada… Tirando a parte da uva.

Sebastian sorriu e Erika gargalhou.

– Não, eu não sou… Quer dizer, a gente não é…

– Tá, ok! – O’Brien se levantou e colocou uma de suas mãos em volta dos ombros de Erika, a fazendo levantar. – Obrigado, doutor. Pode deixar que seguirei as recomendações e a minha namorada vai cuidar de perto para que isso realmente aconteça. Até mais.

O garoto puxou Erika para fora do consultório. Enquanto ele ria, ainda com a mão sobre o olho danificado, a menina o encarava de braços cruzados e com as sobrancelhas arqueadas.

– Por que você disse aquilo?

Sabe karma? Sebastian definitivamente é um. Quanto mais você chuta pra longe e tenta se afastar, ele volta fazendo algo que te deixa balançada… Como, por exemplo, fingir que é seu namorado.

– Aquilo o que? – O moreno perguntou debochado e deu de ombros.

– Você sabe o que. E não faz essa cara de deboche pra mim, não!

Erika não sabia o que se passava na cabeça de O’Brien, mas ele com certeza sabia o que se passava na dela. Ele sabia que ela ainda gostava dele, sabia da situação e ainda assim fazia essas coisas. Não é possível uma pessoa fazer algo assim só para inflar o próprio ego…

O motivo da atitude do garoto a tinha deixado encabulada. Será que ele sentia algo além de amizade por ela e estava com dificuldades de assumir? Não, é o Sebastian… A ruiva balançou a cabeça negativamente e resolveu que não iria deixar sua mente inventar milhões de possibilidades que a iludiriam.

– Eu não disse nada, eu só não discordei. – Sebastian disse por fim e sorriu. – Agora vamos embora? Preciso ficar uma semana de repouso e você será minha enfermeira pessoal.

– Vai sonhando. – Eles entraram no carro.

Erika deu a partida, mas o carro morreu.

– Não sei como te deixaram tirar carteira de motorista se nem o carro você sabe ligar.

– Cala essa boca e agradeça por ter uma amiga que dirige e que tenha um carro, senão você viria a pé para o hospital!

– Ainda bem que o destino era um hospital… — Sebastian disse rindo fazendo Erika revirar os olhos, dando um tapa no braço do amigo.

Ela deu a partida novamente e dessa vez deu certo.

– Vou passar no mercado pra te comprar um negócio. – A ruiva disse e o moreno logo se animou.

– É comida? Vai cozinhar pra mim?

– Não. É um tapa-olho.

– Ta brincando, né? Eu não vou usar um tapa-olho, Cabeça de Fósforo.

– Vai sim, senhor!

– Não, eu não vou.

– Não adianta discutir, eu já decidi e pronto.

Sebastian sorriu encarando a amiga enquanto ela prestava atenção na rua.

– Às vezes você age como a minha namorada. – O moreno falou e Erika bufou.

– Se você falar isso de novo você vai ver como às vezes eu ajo como um lutador de MMA.

– Você sempre age como um lutador de MMA, Erika. – Sebastian gargalhou e a ruiva acabou rindo também.

– Para, idiota! – Ela soltou sua frase de efeito que fez seu amigo rir mais ainda.

– Cabeça de Fósforo é um ótimo nome para uma lutadora.

– Às vezes cansa pedir pra você CALAR A BOCA.

Jack acordou tarde naquela sexta-feira. Demorou mais ainda para se levantar. E mais ainda pra fazer sua higiene pessoal. Já passava da uma hora da tarde.

Foi até a cozinha procurar algo para comer, mas não encontrou nada. Seu primo não estava no apartamento e ele não iria tentar cozinhar. Da última vez acabou botando fogo em seu próprio cabelo. Jack suspirou e foi trocar de roupa. Pizza Hut parecia uma boa ideia de almoço.

Jack sentou em uma das mesas e pediu uma suprema só pra ele. Enquanto esperava sua pizza, o rapaz observava a praia pelas portas de vidro do estabelecimento. Ele estava tão entretido fazendo nada que quase não sentiu quando alguém cutucou seu ombro direito:

– Você viu a Lily?

Ah, Michael! Existe alguém que seria menos esperado nesse momento? Existe uma pergunta menos esperada do que essa?

– Não, pensei que ela estava com você. — Bower respondeu rápido. Tão rápido quanto o sorriso sujo do baterista do The Lobsters.

– Ah, é mesmo…

O tom de deboche fez Jack encarar Mike, arqueando as sobrancelhas. Mike, por sua vez, alargou ainda mais seu sorriso.

– Eu devo me sentir ofendido? – Bower perguntou ironicamente, colocando sua mão direita sobre seu peito esquerdo.

– Não é uma ofensa você se declarar pra alguém e esse alguém te virar as costas? O que eu não sei é o por que da insistência, Bower… Você se acha melhor do que eu, não é mesmo?

É, ele é maluco. Não parecia, mas talvez a convivência com o Tony o tenha afetado.

Jack sorriu sem mostrar os dentes. Lily não teria contado sobre a conversa dos dois para o baterista. Como chegou até ele? Foda-se.

O loiro das covinhas apaixonantes estava prestes a falar quando Mike continuou:

– Na verdade, não importa. Porque a Lily já me acha melhor do que você.

Michael novamente estampou aquele sorriso de deboche no rosto e Bower continuou sem entender aquela “conversa”. Mas já que ele tinha começado, por que não continuar, não é mesmo?

– Vou perguntar de novo… Devo me sentir ofendido? – Jack fez uma pausa dramática para sustentar sua indiferença em relação ao indivíduo a sua frente. — Porque se sim, primeiro, antes de falar e principalmente de sorrir… Escove os dentes. Vejo algumas sujeiras e com elas aí eu não posso te levar a sério. Desculpe. – Jack apontou em direção à boca do rapaz. – Ah! Lily odeia gente porca…

Enquanto Mike fechava seu belo rosto e suas têmporas saltavam, o loiro continuou:

– Segundo, a sua pergunta é muito burra… É claro que eu sou melhor do que você.

– Lily não acha isso. – Mike retrucou.

– Ainda não, meu caro. – Jack sorriu com suas covinhas a mostra. – Mas, relaxa. Sei que ela ta curtindo esse momento aí… – As palavras saíram cortando a boca de Bower. – Não aceitei isso muito bem ainda, mas to respeitando. Por ela. Só que meu respeito vai acabar se por algum motivo ela se decepcionar e/ou se chatear por alguma merda que você fizer. Apesar de saber que esse dia vai chegar, eu espero que você seja homem e termine isso tudo antes… Bem antes… E de uma maneira justa pra ela. Eu não vou ser muito justo com você se o término acontecer de outra forma.

Mike esboçou um sorriso de deboche, mas o apagou assim que Jack se levantou bruscamente e saiu de forma a bater seu ombro no de seu “rival”.

Emma e Ben estavam sentados na prancha. Eles foram obrigados pela Física a se afastar um pouco para manter o equilíbrio. Por causa da distância causada, Miller estava se arrependendo de ter tido a ideia dos dois se sentarem ali.

– Quanto tempo você acha que já passou? – Emma perguntou enquanto encarava o loiro.

– Não faço a mínima ideia. – Bem sorriu e esticou sua mão até o pescoço da garota, brincando com os cabelos embaraçados que estavam ali. – Quer sair do mar?

Emma deitou sua cabeça na mão de Ben e fechou os olhos. Ainda era difícil acreditar que aquilo tinha acabado de acontecer. Quando ela o beijou, sentiu seu coração palpitar tão forte que pensou que iria ficar sem ar com apenas aquele selinho rápido. Mas então, ele a puxou para o verdadeiro beijo e todo o seu cérebro pareceu pifar.

– Acho que sim.

– Você acha?

– É que aqui ta tão bom.

Miller arregalou os olhos e se afastou do carinho de Ben, o fazendo rir. Ela não queria ter admitido que estava gostando apesar de ser bem óbvio. O jogo de orgulho entre eles ainda continuava e ela tinha acabado de começar a perder.

– Essa é a primeira coisa não arrogante que você me diz. – Emma fez uma careta e Ben se aproximou dela, roubando um selinho demorado. – Eu gostei.

Ela sorriu, mas estranhou o tom de voz suave do loiro. Era esquisito eles não estarem se engalfinhando ou gritando um com outro. Mas era tão difícil discutir com alguém que beijava tão bem. Emma pensou que a partir de agora brigar com Ben seria mil vezes mais complicado pelo simples fato dele poder calá-la com um simples beijo.

– Vamos pra areia. – Ela disse e ia descer da prancha, mas o loiro foi mais rápido.

– Eu te puxo. Deita ai.

Ele já ia começar a puxá-la, quando Emma o chamou:

– Ei! – Ben se virou para ela e Miller enlaçou o pescoço do loiro e lhe deu um beijo rápido, mas ainda assim caloroso. Ela quebrou o beijo e Ben mordeu seu lábio inferior, a fazendo sorrir. – Pronto, agora podemos sair do mar.

Dashner estava nas nuvens. Ele queria disfarçar, mas toda vez que Emma o beijava, era mais complicado ainda tentar não ficar com uma cara de bobo. Ben começou a puxar a prancha pelo o streap* e as ondas ajudaram a impulsioná-los rapidamente para o raso. Quando a água estava na cintura do loiro, Emma desceu da prancha sorrindo e deu mais um selinho nele. Ben sorriu e entrelaçou seus dedos nos dela, a encarando enquanto fazia isso para ter certeza de que tal ato era condescendente com a situação. Miller se surpreendeu, mas sorriu ao sentir a mão de Ben procurando pela sua.

A primeira coisa que os dois escutaram quando pisaram na areia seca foi uma música. Emma reconheceu os acordes de Live Foreverdo Oasis e procurou de onde aquele som vinha. Ela olhou em direção ao píer e encontrou quatro pessoas sentadas em uma rodinha. Dois garotos e duas garotas. Uma das garotas ruiva e a outra loira. Foi então que ela focou seu olhar no garoto de óculos escuros que segurava o violão. Tony. Ela soltou sua mão da de Ben e viu quando o outro garoto, o guitarrista base do The Lobsters, apontou para ela e sorriu.

Jarvis entregou o violão para Will e levantou os óculos escuros, forçando a vista para ter certeza de que aquela era mesmo Emma. Ele encarou o rapaz que estava ao lado dela e imediatamente ficou de pé. Miller engoliu em seco ao perceber o guitarrista caminhar a passos largos em sua direção.

– O que foi? – Ben perguntou e ela não respondeu. Então o loiro seguiu o olhar da garota e encontrou Tony vindo ao seu encontro e logo sua expressão fechou.

– Eu só vou lá dar um oi, fica aqui.

Emma disse meio hesitante e quando ia dar o primeiro passo para ir na direção de Jarvis, sentiu uma mão se firmar fortemente em volta de seu pulso. Ela encarou Dashner, mas os olhos deles estavam fixos no guitarrista que se aproximava rapidamente. Miller sentiu sua garganta secar ao saber que aquele encontro não tinha como acabar de uma forma pacífica.

– Você ainda ta com ele? – Ben sussurrou no ouvido de Emma.

– Eu nunca tive nada com ele. – Ela respondeu baixinho e não soube dizer se o loiro realmente tinha escutado sua resposta.

– Oi, Emma. – Tony sorriu e Ben controlou sua vontade de revirar os olhos. – Dashner. – Ele disse debochadamente. – O que fazem aqui?

– O Ben tava me ensinando a surfar. – Miller respondeu rapidamente e puxou seu braço do aperto do loiro sutilmente. – Só isso.

– Só isso? – Ben indagou cinicamente. – Tem certeza de que foi só isso?

O guitarrista encarou Dashner e o seu sorriso de deboche morreu ao perceber que Emma estava tensa.

– Tenho. – A garota respondeu e Ben sorriu sarcasticamente.

– É claro que você tem. – O loiro disse e Emma sentiu um nó se formar em sua garganta e seu estômago revirar. – Então eu já vou indo.

Dashner pegou sua prancha e saiu de perto deles. Ele não queria olhar pra trás porque sabia que veria coisas que não queria, mas a curiosidade falou mais alto e ele ainda queria ter a esperança de que ela não iria ferir seu orgulho desse jeito. Quando Ben olhou para trás, pôde ver Tony com os braços ao redor da cintura de Emma enquanto ela sorria. Ele desviou o olhar e riu da própria desgraça. Como tinha sido burro. O que ele podia esperar de alguém como ela? Ben passou as mãos pelo cabelo violentamente e voltou a caminhar para longe daquela cena.

*streap = cordinha ou leash da prancha.