Runaways

2 Capítulo 1 - Maresia de feitos contrários


Quatro anos depois... (2014)

– ATCHIM!

Lily espirrou alto e Emma tapou ao nariz e a boca com a mão, a encarando feio.

– Desculpa, escapou. Desculpa.

– As pessoas não se controlam hoje em dia. É incrível.

– Você é muito fresca.

Emma odiava que espirrassem perto dela. Não se sabe ao certo ainda o porquê, mas para Lily, era frescura.

– Eu ainda não acredito que aceitei morar com alguém que não tem controle dos próprios espirros!

– A Erika é menos pior do que eu, Emma.

Emma, Lily e Erika se conheceram no colegial e viraram melhores amigas. Agora, as três passaram na faculdade Edison, na Califórnia, e Emma e Erika iriam morar juntas.

– Isso é piada? A ruivinha não tem filtro pra falar. Só saí falando o que vem na cabeça dela... Sem contar que ela é louca! LOUCA!

Erika entrou no novo apartamento trazendo mais algumas caixas.

– Você que tem nojo de espirros e eu que sou a louca? Se liga, idiota.

As três tinham acabado de chegar a Huntington Beach, mas todas já conheciam muito bem aquela praia. Erika e Emma nasceram na Califórnia, e Lily, havia passado verões quase inesquecíveis ali...

– Que horas o Sebastian vai chegar? Ele sempre se atrasa! — Erika perguntou enquanto tirava alguns de seus livros da caixa.

– Ele deve estar com uma putinha qualquer. — Emma respondeu e Lily deu risada.

– Ainda bem que eu já estou preparada psicologicamente pra esse tipo de situação.

Evans disse e Erika perguntou:

– Que tipo de situação?

– Você sabe... O Sebastian com milhões de garotas no nosso apartamento...

As garotas e Sebastian O’Brien também se conheceram no colegial. Lily e o garoto rapidamente se tornaram melhores amigos. E agora, eles iriam dividir um apartamento. O plano inicial era ele morar sozinho, e as três amigas morarem juntas. Mas, elas não encontraram nenhum apartamento com três dormitórios, e nenhuma delas estava disposta a dividir um quarto. Então, Lily resolveu morar com Sebastian no apartamento em frente ao de suas amigas.

– Ah, ta... Esse tipo de situação.

Erika falou um pouco emburrada fazendo Emma e Lily darem risada.

– Esqueça o Sebastian, vocês só se beijaram algumas vezes...

Emma disse e Lily completou:

– Todas nós beijamos o Sebastian...

– Verdade, mas só a Erika ainda sonha acordada com os lábios profanos do O’Brien.

Miller deu risada do próprio comentário e Erika jogou uma almofada nela.

– Para, idiota! – Houston disse e deu um tapa na cabeça de Lily.

– Por que eu que apanhei? Foi ela que fez o comentário maldoso! — Evans devolveu o tapa, no braço da amiga. — Mas a Emma tem razão, esqueça o Sebastian... Estamos em uma nova cidade, com novas experiências, e novos caras pra você desvirtuar.

Erika deu uma risada forçada, a respondendo:

– Falou a garota que só quis prestar faculdade em Huntington Beach pra vir atrás de um garoto que ela não conseguiu esquecer!

– Parece que a única bem arrumada aqui, sou eu! – Emma disse sorrindo. – Uma pena ele não ter passado na faculdade...

– Uma pena ele não ter um cérebro, né? – Lily falou e Emma fez uma careta. – E eu não vim até aqui atrás de um “garoto” – Ela fez aspas com os dedos. – Eu tinha 15 anos, eu era estúpida, e ele nem deve lembrar meu nome.

Lily ainda continuava pessimista, mas bem menos pessimista do que era aos 15 anos. E ela havia se encantado por Jack porque ele parecia não ligar por ela ser psicologicamente fodida.

– Sua história me deprime!

Uma voz grave veio da porta. Sebastian.

– Você está três horas atrasado! – Erika disse e lançou uma almofada em sua direção. – Nos ajude com as caixas!

– Você precisa parar de ficar jogando coisas nos outros. Sabe quantos roxos eu tinha pelo corpo por conta das borrachas que você me tacava na escola?! – Sebastian a respondeu rindo.

Erika Houston sempre foi conhecida por ser ‘A ruivinha louca que tacava borracha em todo mundo’. A cada semana, ela tinha que comprar uma borracha nova... Sebastian reduziu esse apelido para: ‘Cabeça de fósforo’, que caiu perfeitamente em Erika.

– Eu não sei por que você ainda tenta argumentar com ela...

Emma disse e foi indo em direção a porta da sala.

– Aonde você vai? – Lily perguntou.

– Conhecer a praia.

– Você já conhece a praia. Você morava aqui... – Erika disse e cruzou os braços.

– Eu vou re–conhecer a praia! Vou até o píer. – Emma disse com um certo ar de superioridade.

– Não vai, não! Você vai me ajudar a terminar de arrumar o nosso apartamento!

– Erika, temos mais de uma semana pra arrumar tudo. Relaxa.

– Ela tem razão. – Sebastian disse e sorriu. – Acho que vou com você...

– Você só concorda porque seu apartamento já está totalmente pronto! – Erika gritou e apontou pra ele.

– Exatamente. – Ele disse para a ruiva. Depois se virou para Emma, dizendo. — Vamos?

Sebastian ofereceu o braço à ela.

– Vamos.

– Eu também vou! – Lily disse pegando seus óculos de sol e seu chapéu. – Você vai ficar aqui sozinha?

Erika encarou os amigos e resmungou algo para si mesma.

– Ta, eu vou.

~*~*~*~*~*~*~

Quando Sebastian, Lily, Emma e Erika saíram para passear na praia, ainda era dia, e a praia estava lotada. Sebastian pegou alguns números de celular, e as garotas ficaram bastante tempo no mar.

Depois da tarde inteira andando descalços na areia, os quatro procuraram um lugar ppara comer. Emma queria ia ao JambaJuice para tomar um sorvete. O problema é que do lado desse estabelecimento, tinha um Pizza Hut... Por democracia, com três votos à um, a pizzaria ganhou.

– Eu poderia comer três pizzas Supremas! To morrendo de fome!

– A gente não vai comer a Suprema, sou vegetariana. – Emma disse fazendo uma careta para o amigo.

– Você tá sempre com fome, Sebastian. Não sei como você ainda é magro. – Erika disse meio mal humorada.

– A sorte nem sempre sorri pra todos.

Ele disse e piscou para a ruiva... E lá vão os dois começar a brigar/flertar.

– Vocês escutaram o que eu disse? Não vamos comer a Suprema! Tem carne!

– Pode ser a de Peperoni? – Erika perguntou e Lily deu risada.

– Peperoni é carne de porco... A Emma também não come isso.

– Ai mano, que saco. Vai comer areia então. Eu preciso de carne pro meu organismo!

A ruiva respondeu e Emma revirou os olhos. Sebastian deu risada e concordou com Erika:

– Também preciso de carne! E caraca, você não sabia que peperoni era porco? Que burrice.

Enquanto Sebastian se esforçava para tirar Erika do sério, Lily rolava os olhos pelo cardápio, e Emma secava um cara loiro que estava sentado em uma das mesas da pizzaria. É, um rosto bonito sempre a distraia.

– Olha só aquele cara. – Emma cutucou Lily e apontou na direção do loiro. – Ele é lindo!

– Verdade. – Lily estreitou os olhos e se esforçou pra se lembrar de onde conhecia aquele rosto. — E você tem namorado. Um namorado burro e sem cérebro, mas ainda assim, tem um namorado.

– Isso é uma tentativa pra eu deixá-lo pra você? Porque se for, esqueça. Eu vi primeiro!

– Você é patética. – Lily riu da amiga. – Vai lá falar com ele.

Quando Emma ia agir, o cara loiro se levantou e foi embora, deixando um celular em cima da mesa. Lily queria que a amiga tomasse uma atitude porque ela não teria coragem, e ela o achava extremamente familiar, mas não conseguia se lembrar completamente. Era como um filme queimado, e Emma, infelizmente, não teve tempo para ajudar a memória fragmentada da amiga.

– Pelo jeito, você só gosta de caras burros. – Lily falou e voltou a olhar o cardápio. – Quem esquece o celular em cima da mesa de uma pizzaria em pleno século vinte e um?

– Cale a boca. Isso é um sinal do destino.

Emma sorriu e foi até a mesa onde o garoto estava, trazendo consigo o celular esquecido.

– Sim, um sinal do destino dizendo que ele é um idiota.

Lily disse, fazendo a amiga revirar os olhos.

– Pare de ser tão pessimista!

– Eu não sou pessimista, sou realista!

– Você é patética, isso sim. – Emma disse irritada. – Só fica ai choramingando e falando como os garotos são problemáticos e idiotas! Não é porque seu ex-namorado foi um babaca que todos vão ser, Lily! Chega disso, você precisa expandir seus horizontes sexuais...

– Eu posso ajudar nessa parte, se você quiser.

Sebastian disse e recebeu um soco no braço de Erika.

– Ela tem razão, Lily. O Peter era um estúpido que só pensava com o pinto! – A ruiva disse. – E ele merece morrer sem pinto! Ninguém trai minha amiga e saí sem se machucar!

– É, você deixou isso claro com o soco que deu nele na frente da escola inteira.

Emma falou, e todos riram ao se lembrar do fato.

– Vamos procurar uma festa pra ir hoje! Vamos beber umas tequilas, beijar desconhecidos! Vai ser legal! – Emma dizia animada. – E eu não quero ouvir sermões sobre o meu suposto namorado. Vocês sabem que é uma relação atual e aberta!

– Eu topo! To louco pra conhecer carne nova!

Sebastian disse esfregando uma mão na outra e sorrindo maliciosamente.

– Você é nojento! – Erika disse jogando um saleiro nele.

– E você é desequilibrada! Para de me tacar as coisas! Você joga tudo que está ao seu alcance, não é? Uma dia vai tacar um tijolo, sem perceber.

– Para de falar merda!

Ela disse e deu um tapa na cabeça dele.

– Para de me bater! — Sebastian disse. – E até agora não pedimos a nossa pizza. Então, vai ser a Suprema, né Emma?

~*~*~*~*~*~*~

– É oficial, Sebastian O’Brien já pegou as três garotas mais bonitas dessa cidade!

Sebastian olhava para as três amigas e sorria. Erika, Emma e Lily estavam arrumadas para ir a um luau perto do Jamba Juice.

– Vou levar o celular do cara loiro, quem sabe...

– Quem sabe o que? Quem sabe ele descobre magicamente que o celular dele está com você? – Erika disse rápido, e soltou sua risada inconfundível no fim da frase.

– Olha só quem decidiu mostrar as garras! – Emma disse sorrindo e enfiou o celular na bolsa. – Vou fazer o que eu sempre faço... Ignorar o que a Erika diz.

– Para de ser idiota! Sua... sua... IDIOTA!

A cabeça de fósforo nunca fora boa em achar outra palavra para ofender as pessoas sem ser “idiota”.

– Incrível como você nunca muda. – Sebastian disse e Erika escondeu um sorriso.

Emma nunca gostou do jeito como a amiga ruiva reagia quando o assunto era o amigo mulherengo e infantil. Não, Emma não estava cuspindo no prato em que comeu, ela não seria hipócrita a esse ponto. Ela sabia que Sebastian tinha certo charme, e uma puta de uma lábia, mas quando ela ficou com ele, Emma ainda não o conhecia. E digamos que conhecê-lo a curou dele...

Lily e Sebastian ficaram quando a garota tinha terminado com o ex-namorado, Peter, e estava frágil e chata! Muito chata! E só Sebastian a suportava... Ou ele já sabia que ia sair ganhando algo nisso... Enfim, eles continuaram a amizade normalmente.

Agora, com Erika foi diferente. Ele e a ruiva já repetiram a dose diversas vezes. Ela, obviamente, gosta dele. Agora ele... Ele é Sebastian... E Sebastian não se apaixona.

Eles foram andando até a praia, que estava toda iluminada e enfeitada. O píer conseguia ficar mais bonito ainda durante a noite.

– Será que a bebida é de graça? – A voz de Emma tirou Lily do transe.

– A bebida é sempre de graça para garotas como você.

Um garoto de olhos azuis apareceu do nada e piscou para Emma. Ele era lindo, mas ela já estava com uma meta na cabeça. E, infelizmente, hoje não era a noite dele.

– Garotas como eu? O que quer dizer com isso?

Miller se fingiu ofendida e todos, menos o garoto de olhos claros, entenderam que ela estava somente brincando.

– Garotas putas como você! – Erika estragou a brincadeira e soltou uma gargalhada.

O garoto de olhos claros arregalou os olhos, assustado, e depois sorriu. Ele nunca tinha visto uma risada tão estranhamente contagiante como aquela.

– Meu nome é John! – Ele disse finalmente e sorriu para eles. – Vocês são novos aqui?

– Sim! Chegamos semana passada! Vamos estudar na Universidade... Qual é mesmo o nome da Universidade?

Erika disse coçando o nariz e começando a agir exasperadamente. Quando a cabeça de fósforo achava alguém atraente, ela agia como um ogro. Até a Fiona seria mais convidativa do que ela, sério. Sorte ela ter um sorriso bonito. SORRISO, não risada.

– Erika, você assustou o rapaz! Você viu a cara que ele fez quando você gargalhou? Desculpa ela, viu? – Emma estava começando a agir teatralmente. — Coitada, ela não tem muita noção de espaço.

John riu do comentário de Emma, e a ruiva encarou a amiga e deu um tapa em sua cabeça.

– Meu Deus, eu nunca vou arranjar amigos andando com vocês! – Sebastian disse e olhou para John. – Aliás, meu nome é Sebastian, Sebastian O’Brien, e eu me desculpo pelo comportamento do meu harém.

– Seu o que? – John o olhou surpreso.

– Foi uma piada. – Lily disse, e o garoto finalmente pareceu a enxergar ali. – Sou Lily, a ruiva é a Erika, e a outra se chama Emma.

– Quê? Eu sou “A outra”? Que blasfêmia! – Emma disse, realmente, ofendida dessa vez.

– Aposto que você nem sabe o que significa a palavra blasfêmia.

Lily disse baixo, mas um garoto exatamente igual a John, que surgiu do nada, a escutou e respondeu:

– Blasfêmia é a difamação de um ou mais deuses. Não creio que sua amiga usou corretamente a palavra, a não ser que ela seja uma semi-deusa... E sinceramente, acho que não, ela não é tão bonita pra isso.

Lily, Erika e Sebastian gargalharam enquanto Emma fuzilava a cópia de John com os olhos.

– E esse é meu irmão, Jeremy. – John disse sorrindo sem graça.

– Jaime! Só Jaime! Jaime e John Collins, o prazer é todo de vocês. – Ele disse sorrindo.

– Cara, vocês são muito iguais. – Erika falou os analisando de perto. Só faltava ela começar a tocar nos garotos pra ver se eles eram realmente reais.

– Normalmente é o que acontece com gêmeos. – John disse e riu da própria piada.

– Que intimidade é essa? – Emma se colocou na frente da amiga, e encarou o gêmeo. – Você acha que pode aparecer do nada, me insultar e agora insultar a Erika?

– Na verdade, quem te insultou foi ele. – John apontou para o irmão. – Mas tudo bem, a confusão é normal no começo. Mas com o tempo você acostuma, Emma.

– Com o tempo? Eu não vou passar mais nenhum “tempo” com vocês! Vou me embebedar, quem quiser que me acompanhe!

Emma disse categórica e saiu desfilando de lá.

– Pelo menos ela tem a atitude de uma deusa. – John disse e todos riram mais uma vez.

– Eu vou atrás dela. – Lily disse. – Antes que ela faça alguma bobagem. Tchau gente, foi um prazer. E Sebastian, você está com a chave do nosso apartamento, então, não suma!

Evans saiu de lá e Erika a seguiu. John, Jaime e Sebastian agora estavam sozinhos.

– Então, vocês já fizeram ménage com alguma garota? – O’Brien perguntou e sorriu malicioso.

Jeremy entendeu o sorriso do novato da maneira errada e fez uma careta, já seu irmão, sorriu e respondeu:

– Só se for eu e mais duas!

– Já vi que vou gostar de você, John! – Sebastian disse e apertou a mão do Collins número 2. – Você é o John, né? Acertei?

– Acertou! — Um cara loiro apareceu e se juntou aos garotos. – Jaime, a Karina ta maluca atrás de você!

– Ah, meu Deus! Chega, cansei dela! Vou terminar assim que possível!

Sebastian riu do comentário do Collins número 1 e disse:

– Pensei que você fosse bichinha...

Jeremy fechou a cara, e John, e o rapaz loiro, deram risada.

– E esse? Quem é?

– Sebastian, Sebastian O’Brien. E você?

– Ben Dashner. – Eles apertaram as mãos sorrindo. – Não consigo encontra o Jack em lugar nenhum.

– Seu primo sempre dá um jeito de sumir com alguma garota. Mesmo ele sendo tapado e contando piadas inconvenientemente estúpidas. – Jaime o respondeu, entediado. – Vou procurar minha futura ex-namorada, até mais.

Jeremy sumiu no meio da multidão de pessoas que dançavam descontroladas uma música remixada da Lana del Rey. John estava começando a ficar incomodado, ele ainda não tinha beijado ninguém naquela noite, e isso estava começando a irritá-lo.

– Cara, preciso pegar alguém. – John soltou de repente.

– Não, eu de novo não, Jonathan! – Ben falou e os três caíram na risada. – Que tal vocês me ajudarem a achar meu primo e depois eu consigo alguém pra vocês dois?

Sebastian riu debochado e bateu no ombro de Ben. Foi então que ele percebeu como o loiro era bem mais alto que ele. Antes de falar, O’Brien tirou a mão do ombro do rapaz.

– Não preciso da sua ajuda pra conseguir mulher, mas te ajudo se você me pagar uma bebida.

– Fechado.

– E como é o nome do seu primo? – Sebastian perguntou.

– Jack Bower.

O’Brien sentiu uma certa familiaridade no nome do garoto, mas não conseguiu se lembrar ao certo. Então, ele simplesmente sorriu e disse:

– Ok, vamos procurá-lo.