Runaway

1 P r ó l o g o


Notas iniciais
Amanhã posto o capítulo um, pexoas. Esse é só o prólogo e conto com os comentários de vocês. Boa leitura!!

A princesa corria pela floresta adentro. Não sabia para aonde ia, apenas queria fugir. Ela gostava de correr, mas não de fugir. Fugir já era diferente, podia significar sobrevivência. E para uma pessoa que sempre tivera tudo em suas mãos, ela não era uma forte concorrente para, talvez, um jogo de sobrevivência sozinha.

A princesa não estava prestando atenção por onde pisava, estava tentando decidir-se se escalaria uma árvore ou não. Olhou para os lados, com um súbito medo corroendo a sua mente. Nunca escalara antes, seria a sua primeira vez. Tropeçou em uma das raízes de uma árvore qualquer, e cambaleou até que braços muito mais firmes que os seus a segurasse, antes que caísse e sujasse seu lindo vestido rosa creme; escolhido com toda delicadeza pela sua mãe, Branca de Neve.

— Cuidado, garota. Nunca sabemos o que se pode encontrar em florestas como essa. — o jovem que lhe segurou disse.

Emma tomou controle de seu equilíbrio e se soltou dos braços do rapaz. Virou-se para fitar seu rosto e fez uma careta.

— Como encontrou-me? — quis saber a garota, cruzando os braços.

Pinocchio sorriu e se inclinou para sussurrar em seu ouvido:

— Eu tenho magia.

Emma revirou os olhos quando o mesmo se afastou. Depois de um longo suspiro, aceitou o fato de não ser discreta. Uma simples brincadeira entre amigos se tornara uma decepção para Emma. Acreditava não ser boa em nada, por isso se sentia incapaz de fazer algo.

Nunca vou ser uma heroína que nem meus pais, pensava ela.

— Vamos, Pinocchio. Já é quase a ceia. — ela pôs-se a caminhar de onde viera.

Pinocchio ajeitou o chapéu na cabeça e a seguiu em silêncio. Encontraram rapidamente a estrada para o castelo e tentaram ser os mais rápidos possíveis.

— Emma, você já parou pra pensar em como seria nossas vidas caso a Rainha tivesse lançado a maldição? — Pinocchio perguntara, com o objetivo de quebrar o silêncio.

O rapaz, já com dezenove anos de idade, tinha algumas mechas do cabelo castanho caindo-lhe no rosto, olhos azuis e uma covinha encantadora quando sorria. Por diversas vezes, Emma viu-se admirando a beleza do melhor amigo. Eles não tinham a mesma idade, é claro, e ele ainda era carpinteiro, trabalhava com o pai, mas era como se fossem uma pessoa só e ambos sentiam essa conexão deslumbrante.

— Minha mãe diz que não devo pensar muito sobre isso. Mas acredito que ela teria ido comigo para esse mundo, e eu teria sido a Salvadora. — a garota respondeu enquanto tirava o cabelo do rosto do amigo.

— Não consigo me imaginar com sete anos de idade por vinte e oito anos. Ainda bem que seus pais a derrotaram.

Emma olhou para frente e vislumbrou-se com a vista de longe do castelo. O pôr-do-sol era encantador na Floresta Encantada. E Emma nunca se cansava de vê-lo todos os dias.

A princesa suspirou e acelerou os passos. Não gostava de pensar sobre a maldição. Sua mãe já lhe explicara quinhentas vezes sobre o fardo de ser salvadora e Emma simplesmente preferiu viver na Floresta Encantada, no castelo de sua mãe, com seus pais e amigos.

Tudo bem, ela seria famosa. E, talvez, um século depois de sua morte ainda falassem sobre como Emma Swan salvara seu povo e fora a maior e melhor Salvadora dos tempos. Talvez ela ficasse na lista dos melhores heróis da história e contos de fadas. Imagina só! Emma Swan com Merlin, Hércules, Branca de Neve, Príncipe Encantado; entre outros heróis...!

Mas não era aquilo que queria. Queria estar com sua família. Se quisesse fama, teria que se contentar com o título de "Princesa Emma" e seu nome constatado em um livro da linhagem real. Aprendera com sua mãe que a fama não é nada se não faz o certo para ajudar os outros.

— Eu estive pensando... Por que não caçamos no inverno? Seria divertido apanhar uns coelhos por aí... — propôs Pinocchio enquanto esticava os braços para frente. Era uma mania dele que fazia Emma perguntar-lhe por que ele se espreguiçava sempre. E Pinocchio apenas sorria e dizia que era um ritual para afastar os males. Emma apenas dava de ombros pois não entendia a necessidade daquilo.

— Eu não gosto de caçar coelhos. — respondera Emma.

— Então praticamos arco e flecha. — disse Pinocchio.

— Boa ideia. Mas teremos que nos livrar de Sir Christopher.

Sir Christopher era o guarda e cavaleiro pessoal responsável pela proteção da princesa. Um dos cavaleiros mais confiáveis julgado pelo Príncipe, e por isso, foi designado à tal posto.

Mas, na visão de Emma, ele parecia mais uma babá que a perseguia em todos os lugares. Não a deixava se aventurar para a sua segurança. Por isso que muitas vezes ela armava armadilhas para o mesmo não a seguir, nem à Pinocchio. Naquele momento, talvez ele estaria atrás de um anel imaginário em um rio próximo dali. Mas Emma sabia que ele apareceria a qualquer momento.

— Levamos ele. Caso ele fique chato, damos uma flechada bem no meio do traseiro dele. — respondeu Pinocchio tentando parecer sombrio.

Emma gargalhou com a idéia maravilhosa imposta pelo amigo. Emma não queria ser má, mas o mala do Sir Christopher merecia mesmo ter uma flecha no traseiro. E por isso, ela concordou e socou de leve o companheiro. Sua mãe já mencionara que este ato não é apropriado para uma princesa, mas ela já vira tanto os cavaleiros fazerem que acaba socando naturalmente.

— Princesa Emma... — resmungou alguém atrás dos dois. Pelo seu tom, pareceu que estava aliviado e ao mesmo tempo furioso.

— Ah... Chris... — Emma reconheceu a voz e virou-se para encarar o famoso Sir Christopher, o qual, provocantemente, apelidou de Chris. — Onde esteve, Sir?

— Procurando o anel que perdeu, minha princesa. — respondeu o rapaz.

Não tinha mais que vinte e três anos, Sir Christopher era um leal cavaleiro. Dono de uma beleza tentadora, Chris gostava mais de Emma do que podia demonstrar. Atuava como Sir, mas era como um irmão. Ás vezes acompanhava Branca e Encantado quando colocavam a garota para dormir. Era o protetor dela, e morreria para salvá-la. Em breve, faria um juramento de sangue pela garota. Branca e Encantado queriam realmente proteger Emma.

Ainda mais naqueles tempos de guerra. Floresta Encantada, DunBroch, Andalasia, Corona e Camelot. Esses eram os reinos em guerra, todos entre si.

Emma se sentia triste por ver tão pouco o pai. Ele sempre estava viajando e lutando. Não sabia nem quantas despedidas já tiveram. Mas era uma Grande Guerra, e Emma desconhecia os motivos. Nem a Fada Azul podia fazer algo a não ser tentar proteger seu pai no campo de batalha.

Branca implorava por paz, mas não parecia que a teria tão cedo. Um dos filhos trigêmeos de Fergus — de DunBroch — foi morto, assassinado enquanto dormia, por homens do rei de Corona. Ambos os reinos entraram em guerra.

Depois disso, cavaleiros da Floresta Encantada foram mortos em um acampamento, confundidos por cavaleiros de Corona. O vento fora tão forte que derrubara os estandartes e os homens de DunBroch não tinham iluminação suficiente ou simplesmente ignoraram os estandartes no chão. E foi assim que Corona, Floresta Encantada e DunBroch entraram em guerra.

Camelot esteve emprestando dinheiro para DunBroch durante a guerra. Mas o mesmo não pagara, o que invocou a ira de Uther, o rei de Camelot, pois o reino enfrentava uma vasta crise econômica. Andalasia vira uma oportunidade de lucrar, então se aliou à DunBroch. Fora seu maior erro, pois o reino lhe passou a perna e usurpou-lhe recursos, dinheiro, homens e mulheres.

Mas Emma não entedia muito isso. E não queria entender. Ela queria brincar de correr — e não fugir — com Pinocchio pela floresta. Seu pai lhe proibira, mas Emma conseguiu convencê-lo de que era seguro. Mas, ela teria que levar o mala do Chris.

O Chris que estava olhando para ela, com o rosto cansado, com as vestes encharcadas — provavelmente caíra no rio sem querer — e segurando em uma mão a capa azul de sua princesa e na outra rédea do pônei da mesma. O mesmo Chris que queria estar deitado em sua cama naquele momento, mas tinha de estar com ela. A garotinha que o desprezava por fazer seu trabalho.

Um dia isso vai mudar, pensava ele, ela um dia vai me reconhecer e perceber que tudo que fiz foi para o seu bem e proteção. Ela ainda vai me chamar de irmão.

— E o achou? — perguntara a garota.

Pinocchio pigarreou e Emma tentou conter o riso. Chris abaixou a cabeça e olhou para o chão.

— Não, minha princesa. Acho que tentara me enganar. — respondeu o jovem cavaleiro.

— Por que eu faria isso, Chris? — Emma fingiu estar surpresa. Ele ergueu a cabeça para olhá-la direito.

— Senhora...

— Está tudo bem, Chris. — a princesa o interrompeu. — Deixa isso para lá. Aquele anel imaginário estava velho mesmo. — ela sorriu e deu de ombros.

Sir Christopher sorriu de volta. Entregou-lhe a capa para a garota e colocou na sela do animal. August e Chris foram caminhando, enquanto Emma esteve em seu pônei.


Voltaram para o castelo antes do pôr-do-sol. Pinocchio ficou com seu pai e Emma se dirigiu para os teus aposentos. Tomou um banho bem fresco e se vestiu com um vestido simples de lã que seu pai lhe dera no ano anterior.

Pegou o livro que Belle lhe indicou — "Her Handsome Hero" — e continuou da página onde estava. Minutos depois, sua mãe entrou no quarto sorrindo tristemente para a garota.

— Ah, Emma... — sussurrou, acariciando o rosto da filha. Sentou-se na cama, ao lado de Emma e tomou-lhe suas mãos pequenas. — Eu nem sei o que fazer...

— O que houve, mãe? — preocupou-se Emma.

— Faz um mês que não vemos seu pai... Eu nem sei o que está acontecendo. Eu queria estar com ele, lutar com ele como sempre fizemos. Juntos. — lamentou-se chorando silenciosamente.

A garota enxugou as lágrimas da mãe e olhou em seus olhos.

— Ei, onde está a Branca de Neve?

— Eu não sei. Talvez precisemos de ajuda. Precisamos de alguém que possa ajudar. — a mulher olhou a filha de outra forma, como se tivesse se lembrado de algo muito importante. — Talvez precisamos de Rumple...

— Não fale! — a garota interrompeu, pondo as mãos nos lábios da mãe.

Branca chegara naquele ponto: querer invocar o ser mais sombrio de todos os reinos, o recipiente físico das trevas, o senhor da magia negra... O Senhor das Trevas.

Não, ela não poderia fazer aquilo. E caso fizesse, e o Senhor das Trevas resolvesse ajudar, pelo o que estaria pedindo, o preço seria alto demais. Tão alto que ela não poderia pagar.

— Por favor, mãe. Seja a heroína outra vez. Seja forte. Papai vai voltar, ele sempre volta. Amor verdadeiro, esqueceu? — sussurrou a menina, ainda com as mãos nos lábios da mãe.

Branca balançou a cabeça negativamente.

— Então prometa — continuou — que não irá invocá-lo. Não irá chamar por seu nome ou fazer qualquer acordo com o mesmo.

Emma afastou as mãos, mas Branca permaneceu em silêncio.

— Prometa. — repetiu a menina.

— Eu prometo. — Branca sorriu e deslizou os dedos entre os fios loiros da garota.

A porta do aposento foi aberta. Emma iria protestar, mas se deparou com Sir Christopher ofegante.

— Minha senhora — dirigiu-se para Branca. —, o rei está de volta.

Branca sentiu seu coração dar um pulo e a primeira coisa que fez foi sair correndo pelos corredores, atrás do amado. Quando Emma estava prestes à sair, Sir Christopher a impediu:

— Posso falar com a Vossa Senhoria?

Emma interrompeu sua ação e o fitou com atenção.

— Sinto muito, Sir. Mas devo ver meu pai. — respondera.

— Um minuto, princesa. É o que te peço.

Emma o esperou continuar. Chris a agradeceu mentalmente e suspirou.

— Eu vou para a guerra. — contou. — Só volto no inverno. Isso se eu sobreviver.

— Você vai? — Emma ficou claramente surpresa.

— Sim. Como eu não sei se vou sobreviver, quero que fique com isso. — tirou um papel do colete que usava e entregou-o para Emma.

A garota fitou aquela carta, sem saber o que responder. Será que é uma declaração de amor?, pensara ela. Não podia ser. Sir Christopher era treze anos mais velho que ela. Emma respirou fundo antes de tentar abrir, mas Chris a pediu que não.

— Por favor. Não abra agora.

Emma guardou a carta debaixo de seu travesseiro, para que ninguém a pegasse. Seja o que fosse, se Chris entregou pessoalmente para ela, queria dizer que só ela podia saber.

— E se perdermos? E talvez você sobreviva? O que acontece?

— Ah, Pequena Emma... Ás vezes você ganha e ás vezes você aprende. E se eu sobreviver e perdermos, terei aprendido muito.

Ele acariciou o rosto da menina.

— Sentirei a sua falta. Aqui não será a mesma coisa. — disse Emma.

Por mais que ela não goste do seu grude desnecessário, Emma gostava de Chris. Ela sentiria falta de aprontar com ele. Sentiria falta de vê-lo correr pelo castelo atrás de algo que a princesa pedira. Porque, com o tempo, Sir Christopher se tornara não só cavaleiro pessoal, mas servo também. Os outros cavaleiros judiavam ele. "Que cavaleiro vira servinho de princesa?", um deles gritara quando o vira carregar vestidos da princesa. Chris ignorou, porque ele gostava do seu trabalho. Gostava de agradar Emma.

— Não se preocupe. Seu pai está de volta, não é? Muitas vezes, o que está chegando é melhor do o que está indo. E nesse caso é isso.

Emma pensou no que ele lhe falara. Será que Sir Christopher gostava realmente dela? Não só como princesa, mas como um ser humano?

Ela não sabia, por isso fez apenas uma reverência e disse:

— Tchau, Chris. Boa sorte. — a garota sorriu e saiu do aposento.

Correndo pelo o castelo, Emma encontrou seu pai no pátio, sorrindo e abraçando a mulher. Pegou a menina nos braços e segurou a mão de Branca. Emma percebeu que a temperatura estava mais baixa que o normal, então abraçou forte o pai. O inverno logo estaria chegando.

E foi no inverno que tudo começou...

Notas finais
Espero que tenham gostado. Conto com os comentários de vocês! Próximo capítulo sai: 22/06/2017. Bjs e até amanhã!!!