Runaway
7 Capítulo Seis
Emma estava correndo pelo castelo. Mas não estava sozinha, estava com Baelfire. O seu garoto corria ao seu lado, e portava um sorriso feliz enquanto segurava a sua mão e incentivava-a à ir mais rápido.
— Vamos! Vamos! — gritava ele. — Vamos, minha noiva!
Mas Emma parou, tentou normalizar a respiração e se apoiou no batente da primeira janela que viu.
— O que foi? Cansou? — Baelfire lhe perguntou.
Emma afastou o cabelo do pescoço suado e se inclinou na janela, a fim de receber algumas rajadas de vento. Suspirou de prazer ao senti-lo gelado em seu corpo e afastou-se depois de começar a sentir frio.
— Emma!! Emma!!! — Chris veio correndo na sua direção e a garota revirou os olhos. — Onde esteve? Está atrasada para a aula de caligrafia!
— Eu não quero ir! — exclamou a garota. — Não me obrigue, Sir!
— Mas se o seu pai souber...
— Ele não vai saber, Sir. Tenha certeza. — garantiu a garota.
— Não por mim... — olhou de soslaio para Baelfire e apoiou a mão no cabo da espada.
Emma virou-se para Baelfire por alguns instantes e analisou-o. O outro demorou um pouco para entender e olhou de Emma para Christopher e de Christopher para Emma.
— Calma aí! Eu não vou dizer nada para ninguém! — ergueu as mãos como se estivesse se rendendo.
Uma serva passou por eles com uma cesta de frutas nas mãos e os olhos de Chris a seguiram. Baelfire não percebeu, mas Emma abriu um sorriso esperto nos lábios e depois arqueou as sobrancelhas.
— Querido Baelfire, você pode, por favor, nos dar licença? Creio que devo conversar em particular com o meu amigo e cavaleiro pessoal. — Emma virou-se para Baelfire, e fez o favor de estar na postura certa.
— Claro, princesa. Vejo-a depois. — fez uma reverência e saiu andando pelo corredor.
— Por que o dispensou? — perguntou Chris, após pigarrear.
— Quando vai se casar, Sir Christopher? — a garota andava e sorria.
— Como, princesa? — espantou-se. E, caso estivesse bebendo um vinho, por exemplo, provavelmente cuspiria tudo.
— Casar... Se unir... Ter filhos... — explicou Emma, controlando a vontade de revirar os olhos.
— Ah, sim...
— E...? — Emma olhou-o com aquele verde brilhante e esperançoso, como uma criança que estivesse implorando chocolate aos pais.
— Sim?
— Ah, qual, é! Vai passar o resto da vida sem se casar? — a garota sacudiu a sua mão.
— Se for possível, sim. Eu estou aqui para te servir, princesa. Como vou poder cuidar de você se vou estar ocupada com filhos e esposa? Como irei te salvar?
— Simples: deixe que eu mesma me salve. — dissera, por fim. — Acho que vou ler um pouco...
— Não, Emma. Você irá para a caligrafia. Sabe que seu pai gosta de receber comunicados bem escritos e também gosta de enviar do mesmo jeito. Imagina se, quando você estiver crescida e exercendo o seu papel como princesa ou rainha, tiver que enviar uma carta para algum reino e eles não entenderem por conta da sua letra mal trabalhada? — contou o homem.
Emma fez uma expressão de sofrimento, mas aquilo não adiantou, pois Chris continuou com a sua expressão rígida e determinada. Por fim, soltou um suspiro de derrota e ergueu o queixo.
— Só se me obrigarem. — e foi andando.
Sir Christopher riu escandalosamente e depois seguiu a garota. Emma, cuja estava caminhando com a postura ereta, foi carregada por trás e girada no ar, gritando histericamente e batendo nos ombros de Christopher.
— Eu sou o monstro que pega princesas desobedientes que não querem aprender caligrafia!! — exclamava o cavaleiro.
— Me largaaaa!!!! — gritava a princesa, entre risos e golpes.
Silenciosamente, vindo do fundo do corredor, estava a rainha Branca de Neve com o seu gracioso vestido e o rosto doce e belo com uma expressão curiosa. Observou Christopher levantar, abaixar e girar a sua filha, e ainda lhe fazer cóssegas, como fazia poucos anos atrás.
Aproximou-se de ambos, e nada de ser notada. Tinha uma serva ao seu lado e pigarreou para chamar atenção. Chris virou-se e olhou para Branca. Corado, pôs Emma no chão e inclinou um pouco a cabeça para baixo.
— Vossa Alteza... — lhe fez uma reverência.
— Sir Christopher, suponho que Emma esteja muito grande para esse tipo de brincadeira. — disse ela, com um sorriso no rosto. — Já é uma moça. E tem que se comportar como tal. Imagina de Baelfire a vê brincando como uma criança?
— Desculpa, minha senhora. — continuava com a cabeça inclinada.
— Mãe... Foi apenas uma brincadeira. Não o culpe, eu quis. — explicou a princesa Emma. — Estava indo agora para a minha aula de...
— ... Caligrafia. Eu sei. — completou a mulher — Irei acompanhá-la. Pode ir, Sir. Eu a levo. Obrigada.
Sir Christopher fez uma reverência e saiu andando pelo corredor. Branca tomou a mão de Emma e juntas foram até o Acervo do castelo, onde teria aula com o Grilo. Tudo isso era de muito tédio para Emma.
* * *
— Desculpa atrapalhar, mas eu realmente preciso falar com a minha Emma. Ou melhor, raptá-la. — a porta se abrira e a voz de Pinocchio ecoou por entre todos àqueles livros antigos e empoeirados.
Emma ergueu a cabeça do papel para o seu amigo. Estava fazendo uma boa dramatização de uma pessoa com dor de barriga, para poder se livrar da tarefa. Mas o seu possível príncipe viera lhe salvar daquele inferno. Ou, se ele não tivesse chegado, ela conseguiria convencer o Grilo e teria salvado a si mesma. Um bom tópico para se pensar.
— Pinocchio!! — saltou da cadeira como uma rã e pulou em seus braços.
— Princesa... — lembrou-lhe o Grilo. Emma se afastou de Pinocchio, respirou fundo e fez o favor de seguir o exemplo de cumprimento que a sua mãe lhe explicara na última aula de etiqueta.
— Como vai, Pinocchio? — perguntou, com uma voz mais madura e bem trabalhada.
— Estou bem, princesa — o outro lhe fez uma reverência — E a Vossa Alteza?
— Estou morrendo aqui com essa aula...
— Princesa... — o Grilo outra vez, interrompendo Emma e o seu modo esbaforido e apressado de se falar.
— Minha mãe disse para eu não mentir. — disse ela, dando de ombros.
O Grilo e Pinocchio riram, e Emma sorriu para ambos.
— Eu e Emma prometemos que iríamos praticar um pouco de arco e flecha nesse inverno. E, bem, hoje consegui um pouco de folga. — contou Pinocchio. — Pode liberá-la só hoje?
O Grilo pensou um pouco, depois concordou com a cabeça.
— Obrigado, obrigado, obrigado! — e puxou Emma pelo pulso e saiu correndo com a garota.
Minutos depois, ela estava com um arco na mão e mirava no traseiro de Sir Christopher, enquanto Pinocchio tentava segurar o riso e Baelfire sorria para ela.
— Duvido você soltar essa flecha, Emma Swan. — dissera Pinocchio.
— Nunca duvide de mim — Emma disse, entre suspiros.
— Ah, não irei fazer isso — brincou Pinocchio.
Chris estava tentando amarrar um alvo numa árvore, distraído, e não acompanhando a conversa atrás de si.
— Não creio que é capaz de fazer isso, Emma. Não ouça Pinocchio. Ele nem sempre está certo e pode levá-la à cometer coisas erradas — sussurrara-lhe Baelfire.
O amigo de Emma olhou-o com escárnio e depois riu:
— Eu vi essa garota crescer, e acho que eu sei do que Emma é capaz ou não de fazer. Ela nunca faria isso. Apenas brinquei, Baelfire. Protejo essa menina desde sempre, nunca lhe faria mal ou levaria-a à cometer coisas erradas!
— Eu não quis falar desse jeito. Você me interpretou mal! — dissera Baelfire.
Emma percebeu o início de uma discussão e respirou fundo pacientemente.
— Perdoe-me, protegido do rei Sebastian! — Pinocchio fez uma péssima reverência. — Acho que lhe entendi mal. Aliás, quanto tempo está aqui? Uma semana? Ah, porque eu estou aqui há dezenove anos...
— Não vou discutir com você. — Baelfire cruzou os braços.
Nesse momento, Emma soltou a flecha e deixou-a ir. Incrivelmente, esse foi o mesmo momento em que Chris afastou-se do alvo já posicionado. E com isso, todas as atenções foram chamadas para a flecha no círculo vermelho, o central.
— Parabéns, princesa! Sempre soube do seu talento! — Emma sorriu para Chris.
— Devo dizer que você é fantástica! — exclamara Baelfire.
Emma sorria, e se virou para pegar outra flecha. Inclinou-se para pegá-la, mas ouvira um som estranho vindo da floresta que estava por perto. Olhou para lá, mas estava muito escuro e sua visão não conseguia focar. Sentiu a presença de algo, então colocou a flecha no arco e se aproximou.
Não obstante, conseguira ver um completo nada. Mas de uma hora para outra, um rosto pleno e feminino surgiu e ela se assustou, atirando a flecha para qualquer lugar o qual estivesse apontando.
Olhou para trás, para os garotos que discutiam entre si e ameaçavam flechar um ao outro, e depois avançou para tirar a flecha da árvore, onde a mesma fora parar. Puxou-a com força, e acabou por cair de costas e com a bunda no chão coberto de neve. Escutou uma risada malvada, e olhou ao redor para encontrar a dona.
— Tão jovem... Tão tola... — disse-lhe uma voz, e Emma assustou-se com o seu tom a ponto de soltar um grito.
Os garotos viraram-se na sua direção, e o primeiro que chegara fora Chris, com a sua espada em mão.
— Você está bem, Emma? — ajudou-a a se levantar, e estava tão preocupado que esquecera de usar dos bons modos e o tratamento real.
— Uma mulher falou comigo! — contou, sendo levada por Baelfire e Chris — Não estou brincando! Ela me chamou de tola!
— Emma, você não quer um pouco de água? — perguntou Baelfire.
— Não, ela não quer. — a mesma voz, e dessa vez soou atrás de todos.
Baelfire tirou a sua espada da bainha e virou-se. Sir Christopher se posicionou com a sua espada, também virando-se para trás. Já Pinocchio tinha o arco e flecha em mãos, pronto para atacar.
Mas a mulher diante de todos ali não era uma mísera feiticeira ou qualquer bruxa. Todos reconheceram, era a Rainha Má. Emma, cuja só a vira em gravuras e pinturas, arregalou os olhos de pavor e recuou alguns passos, tropeçando em seus próprio pés e caindo.
A mulher riu, a sua risada a assustou mais ainda. Tinha um ar majestoso, imponente, a princesa teve que notar. Vestia um vestido longo vermelho e preto, e os longos cabelos pretos estavam presos com mechas soltas. Era jovem e bela, o que mais aterrorizava Emma.
Não. Eu nasci para ser forte e encarar todos os perigos, pensou ela.
— O que se esperar de um reino que será governado por uma rainha que mal sabe andar? — zombava a Rainha.
— Emma, você está bem? — perguntou Sir Christopher.
— Sim, estou — a princesa respondeu, com os lábios trêmulos e impulsos bêbados e falhos para se levantar. O trio à sua frente impedia-a de observar melhor a figura majestosa, e talvez assim fosse melhor.
— Que dó! Mal sabe cuidar de si mesma... — continuava.
— Eu sei, sim! — finalmente Emma se levantou e mostrou-se numa postura de respeito e temor.
— Ótimo! — Regina ergueu a mão e, assim, paralisou os seus três amigos usando a sua magia. — Podemos lutar um pouco, sim? — abriu a mão no ar, e surgiu uma espada na mesma, vinda por uma pequena bruma densa. Outra na mão de Emma, sem que a garota percebesse, cuja pesou e a princesa tivera de largá-la. — Ah, que pena! Não consegue segurar nem uma espada! — ria. E depois aproximou-se de Emma com uma expressão séria — Fraca! O amor de seus pais a tornou fraca.
— É mentira! Eu não sou fraca! Meus pais me falaram que você mente. Eu não vou acreditar em você! — gritou Emma.
— Não precisa acreditar, querida. Apenas quero testá-la. Vamos! Pegue esta espada e me desafie!
Emma hesitou por alguns segundos, mas decidiu pegar a espada e, com as duas mãos, ergueu-a na direção da Rainha.
— Ah, não dá! — a mulher disse num tom de desgosto, repulsa, como se desprezasse. — Que covardia minha. Pensei que seus pais a tiveram treinado. Vejo que estou errada. Não consegue nem segurar uma maldita espada! — jogou a sua espada na neve e bufou, irritada.
— Eu sou capaz de te derrotar, sua... Chata Má! — ela pensou sobre aquilo.
— Rainha Má. — a mulher corrigiu-a.
— Mas rainha você não é mais! Por que ainda teria esse título? — dissera Emma, com indiferença.
E aquilo irritou Regina. De um modo que somente Branca superara. Pois bem, vejo que este ser infernal é igual à mãe, pensou Regina. E segurou a vontade de arrancar o coração daquele ser irritante e esmagá-lo com o maior prazer. Mas não ali, não naquele momento. Teria que ser algo bem especial.
A Rainha Má sorriu.
— Não por muito tempo. — suspirou — Aqui — e fez aparecer uma carta num envelope — Entregue à sua mãe, Branca de Neve. Diga a ela que estou visitando o reino, estava com saudades.
Com outro gesto, descongelou Baelfire, Christopher e Pinocchio. No mesmo segundo que foi descongelado, Chris tentou um golpe com a sua espada contra Regina, mas a mesma recuou.
— Melhore da próxima vez, querido. No meu tempo, os cavaleiros era mais competentes. — comentou — Vejo-a algum dia, Emma — sorriu, antes de sumir em sua nuvem de fumaça num roxo intenso e escuro.
Emma finalmente conseguiu respirar direito e normalmente. Nunca ficara tão assustada e ao mesmo tempo se sentia no meio de uma daquelas histórias de aventuras que tanto lia. Deixou a espada cair no chão e foi socorrida por Baelfire.
— Estou bem. Posso cuidar de mim mesma — dizia, e analisou a carta. — O que será que tem aqui?
— Eu não sei, Emma. Mas eu acho melhor voltarmos ao castelo urgentemente e deixá-la segura. Sem argumentos, Emma, sem reclamações ou oposição. Voltaremos ao castelo e só sairemos quando o seu pai autorizar. E duvido que ele fará isso logo. Então não invente de querer fugir para enfrentá-la, Emma Swan, porque você vai obedecer dessa vez. — era o seu primo falando, não o Sir, e sim o Chris, o Christopher que era mais velho e responsável por ela.
— Sim, Chris — abaixou um pouco a cabeça, e Baelfire notou as posições invertidas.
— Por que falou assim com ela? — perguntou ele, quando já estavam caminhando rapidamente.
— Cale-se, Baelfire. Sou o mais velho aqui. Não importa quem eu seja ou que posição estou. Sou responsável por todos vocês, então devem me obedecer. O que aconteceu ali foi muito grave. E eu realmente preciso que se cale agora. — realmente, aquilo surtiu efeito.
Todos estavam em silêncio, seguindo Chris que estava visivelmente abatido com o que aconteceu. Segurava a mão de Emma com força, como se ela fosse escapar ou a Rainha fosse voltar para pegá-la e fazer-lhe mal. E o pior que ele estava começando a pensar na possibilidade de não poder proteger Emma, pois falhara momentos antes. Não tinha magia, e a Rainha poderia matá-lo fácil. Mas esse não era o pior, e sim fazer mal a Emma. E só em pensar naquilo, já sentia medo.
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