Rumo ao Desconhecido
2 Capítulo 2
Notas iniciais
- Vocês se lembram como tudo isto começou? — disse Hikaru.
- Como esquecer não é mesmo? — retornou Keikeru, levando as meninas a algumas gargalhadas. — Realmente inesquecível.
- Passamos por tantas..
- é.. Poucas e...
- Otimas! — disseram todas juntas com tamanha alegria;
*FIRST FLASH BACK ON*
-- Apartamento.
A porta abriu num ritmo tão descompassado quanto os passos que se ouvia avançar ao longo do corredor.
– Keikeru?
Não era realmente uma surpresa. Ela estava agitada demais pra prestar atenção em qualquer coisa, mas percebia inevitavelmente que algo não estava bem.
- Sinto muito Hikaru. Não temos tempo suficiente pra explicações, isso é simplesmente um adeus. Espero que mais tarde entenda, só vim buscar algumas coisas.
Keikeru abriu uma enorme bolsa laranja e jogou em seu interior roupas e itens que havia separado na noite anterior com tamanha cautela, — Sim sim, Hikaru ainda se lembrava da figura pálida que viu sentada sob a cama, altas horas da madrugada, observando com olhos de um brilho vivo aqueles pertences... Como esquecer? Sabia que aquilo iria anteceder um adeus. — Saiu e com isso cerrou a porta atrás de si.
Hikaru simplesmente não entendeu de pronto o que havia se passado, sabia sem dúvidas que Keikeru tinha muitos planos, muitas idéias que gostaria de executar nesses dias... Mas não imaginava que estava realmente disposta a enfrentar tantas dificuldades... Além do mais, quem iria lhe apoiar diante de tais momentos difíceis? Apenas alguns segundos foram precisos pra que se lembrasse de muitos momentos...
*FLASHBACK ON* [2] - lembranças de Hikaru -
- Hikaru? Hikaru?
- Hã? – simplesmente não conseguia ver muitas coisas ao seu redor, mas aquela voz. Sim, aquela voz era conhecida. Era Keikeru.
- Senhorita Matsuoka, peço que se retire, esta é uma situação delicada.
- Como? Não podem levar Keikeru daqui! Como ousam?
- Tudo vai passar...
E novamente a vista lhe falhava, até que realmente não era possível ver o que estava ao seu redor... As luzes foram perdendo o brilho e já não distinguia as vozes, principalmente as da sua imaginação.
*SECOND FLASHBACK OFF*
Não... Não era digno deixar uma amiga tão doce quanto Keikeru ir embora assim, tanto tempo havia passado desde o ultimo encontro – checou isso ao olhar o relógio – e ainda lhe restavam pensamentos constantes sobre o que fazer...
O que havia acontecido? No meio de tantas confusões e histórias, apenas tinha certeza de que uma coisa deveria ser feita... Era preciso encontrar Keikeru.
-- Cidade.
As vitrines eram tão chamativas e aquelas não eram simples vitrines de qualquer loja, eram as vitrines de Harajuku, as mais coloridas do mundo.
As ruas pareciam grandes passarelas, onde se observava o mundo com outros olhos.
Era estranho o fato de passar por ali todos os dias e somente hoje, um dia sem qualquer significado positivo, reparar na vivacidade das cores... No perfume das flores... Na profunda brisa do vento...
Sim, era algo estranho. Estranhamente ligado a aquele simples dia de setembro.
Porém, tantos pensamentos, foram atrapalhados por uma voz no meio da multidão de pessoas na rua...
- Keikeru! Espere...
Era Hikaru... E ela não estava sozinha dessa vez. Asuka e Rinappe vinham avançando a rua também...
A essa altura da história, se perguntava o porquê de tamanha perseguição...
além do mais, já não era a mesma criança de antes... Estava na hora de crescer e de buscar seus sonhos, mesmo que pra isso, tivesse que abandonar aquelas que mais amava.
- Aonde pensa que vai?
- E-Eu...
- Você nos preocupou... Não sabíamos mais onde te encontrar...
- Sinto muito. – falou com uma voz rouca e ao mesmo tempo convincente. – Simplesmente acho que é hora de ouvir aquela voz que vem daqui de dentro do meu coração... Aquela voz que me mostra o quão lindas são as coisas simples da vida. A voz que ecoa em cada parte do meu corpo, que me faz levantar a cada nova manhã apenas pra admirar os raios de sol. Aquilo que me faz seguir em frente apesar dos apesares, mesmo sem saber aonde vou. Apenas com a certeza de que tudo valerá apena, pois será feito de coração.
- Se é assim que deseja, — disse Hikaru lhe abraçando apertado como nos velhos tempos de companheirismo – apenas torço para que se sinta realizada ao final de sua jornada.
- Obrigada meninas.
- Adeus Keikeru!
O pôr do sol banhava o final de mais um dia, porém celebrava com um colorido infindável o início de uma nova vida. E foi banhada por esse conjunto de cores e sensações, que as meninas viram sua criança partir rumo aos seus sonhos.
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