Ruivas
10 Krystal
Notas iniciais
Cheguei há dois dias na capital do estado, onde fica a sede do jornal para onde Krystal trabalha, ainda não sei bem o que vou fazer com ela talvez ela caia acidentalmente de uma escada e quebre o pescoço ou será encontrada asfixiada em sua cama. Vou deixar isso para depois agora o que importa mais cedo fui até o prédio do jornal e conheci o rosto dela.
Eu nunca tinha visto ela e estava pensando como faria para saber quem era ela então fui ao jornal logo que entrei encontrei um mural que preenchia uma parede inteira com fotos dos funcionários de maior destaque do jornal desde que ele foi lançado á mais de 10 anos, ela estava no mural. Krystal Nelli, não é feia tem olhos grandes e negros, lábios finos rosto delicado e cabelos escuros repicados e curtos.
Fiquei olhando o movimento do jornal por longas horas e francamente observar às vezes é detestável. Ela chegou pouco depois das 10 da manhã e fiquei surpresa ao vê-la pessoalmente. Era um pouco mais baixa que eu, embora se equilibrasse com perfeição sobre um salto modelo peep toe incrivelmente alto e azul que combinava com sua saia preta e sua blusa de cetim azul, seus cabelos de tom castanho estavam mais longo que a pequena foto no mural mostrava. A visão me deixou extasiada, pena que terei que mata-la.
Fiquei ali por mais um tempo e quando conclui que ela ia trabalhar provavelmente durante a hora do almoço e pelo resto da tarde ela sai do prédio e abraça um homem que a esperava encostada em um carro que havia parado cerca de dez minutos antes ali em frente infelizmente só agora resolvo olhar com atenção, acho que já vi aquele homem em algum lugar. Merda eles estão saindo.
Fiz sinal a um taxi que passava.
– Siga aquele carro, por favor!
Essa frase em filmes tem um efeito mágico inexistente na vida real. Eles pararam em um restaurante, tive que me contentar sentada no outro lado da rua já que estava sem grana pra varia estava com uma fome insuportável. Krystal sorria enquanto conversava alegremente com o homem e eu não conseguia ouvir nada além de barulho de trânsito. O homem que está com ela tem cabelos claros que podiam ser penteados de vez em quando, pele bronzeada e usa terno azul escuro. Que tipo de pessoa usa terno nesse calor demoníaco? Voltando a Krystal ela gesticula com a mão sem parar e coloca o cabelo atrás da orelha todo tempo.
Espaguete para ele e salada com alguma coisa que não enxergo para ela, que almoço sem graça eu consigo devorar quilos de comida e ela se sujeita a salada? Mais risos e...
Um garçom derruba algo que espirra nela, Krystal se levantou furiosa e esta dando uma bronca no garçom, as pessoas estão olhando de forma um tanto espantosa como se fosse um crime gritar com alguém. O garçom esta falando alguma coisa pela cara vermelha dele devem ser pedidos de desculpas. Ela gesticula e pega a bolsa saindo furiosa deixando todos olhando para ela indignados e o garçom vermelho limpando a mesa onde o homem permanece observando em silêncio enquanto come.
Me lembrei que é ele, é o psicanalista que acha que sou um serial killer tinha uma foto dele no jornal quando Katherine morreu dando entrevista sobre o caso das ruivas para minha jornalista que agora que vejo desapareceu. Merda como fui me distrair? Agora só me resta procurar algo para fazer meu estomago se silenciar.
...
Tive que andar muito até achar um lugar onde pudesse conseguir comida... Como arrumo comida, teto e dinheiro não é importante só digo que não são por meios legais nem morais, nada que uma garota sensata ou honesta faria, grande coisa eu preciso ficar viva e para isso tenho que ignorar certas coisas.
Voltei para frente do prédio, mas não vou ficar aqui por muito tempo vi Krystal á poucos minutos saindo na rua e voltou para dentro acho que deve ter esquecido algo. Ao menos agora estou preparada para segui-la não importa aonde ela vá. O psicanalista de novo, esse cara vai ser um problema se não desgrudar dela será que são casados ou namorados? Não importo talvez eu mate ele também.
Os segui novamente de taxi, mas desta vez não disse — siga aquele carro! Com tanta empolgação. Eles pararam em uma galeria de artes, achei que fossem jantar — decepcionante. Eu entrei apenas perguntaram meu nome e pediram para que assinasse um livro de registros. Cassandra Aldebaran não faço menor ideia de onde tirei esse nome, mas gostei do som que ouço ao pronuncia-lo ao menos é mais comum que Blood. A galeria formava uma espécie de labirinto circular de paredes e teto inteiramente brancas coloridas por quadros com molduras douradas simples. Era uma bela visão.
Havia mais pessoas que eu pudesse imaginar e aquilo me causou certo desconforto não gosto de muitas pessoas perto de mim. Meus olhos curiosos vagavam entre as telas em exposição e as pessoas, aliás, havia belas mulheres ali que dariam ruivas espetaculares. Procurei por Krystal e não consegui acha-la de imediato então fiquei por alguns minutos parados em frete de um quadro intitulado sonho dourado que na verdade era verde-azulado com uns respingos de tinta branca e vermelha no canto esquerdo inferior. A única coisa dourada que eu via ali era a moldura.
– Lindo não acha? – me virei para olhar a mulher de voz ligeiramente rouca.
Era uma loira de cabelos longos e vestido preto justo ao corpo. Uma beleza de mulher pena que o sorriso simpático dela me cause náusea.
– É interessante. Embora eu não veja nada de sonho dourado nele.
Pela expressão da mulher eu falei besteira.
– A senhorita não entende muito de artes, entende?
– Não – digo retribuindo o sorriso, acho que consigo fingir simpatia suficiente para trabalhar em uma galeria.
– Mina, minha querida seria bom se conversasse com as outras pessoas – eu congelo ao ver quem é a dona da voz sedutora e arrogante – é claro que você achou alguém de sua idade minha flor.
Ela me olha dos pés a cabeça de forma nenhum pouco discreto e arqueia a sobrancelha.
– Quem é sua amiga, Mina?
Eu estava na frente dela por que não perguntou para mim meu nome? E por que o tom dela me fez querer espanca-la?
– Na verdade eu não sei, sou Melina Nelli – se apresenta me estendendo a mão. Nelli...
– A artista – completou Krystal com um sorriso mais nauseante que o sorriso de Melina, ao menos o sorriso desta ultima era simpático sincero e não falso forçando gentileza.
– Cassandra Aldebaran – respondo apertando a mão gelada de Melina, sorri diante do nervosismo dela – é um prazer conhecê-la senhorita Nelli, suas pinturas são interessantes.
– Me chame de Mina.
Não sei por que ela estava tão nervosa, se era pela exposição de seus quadros demasiadamente coloridos ou por Krystal cuja presença parecia incomoda-la.
– Perfeito, agora que foram apresentadas devidamente que tal a grande artista dar atenção aos outros convidados?
Krystal é um poço de simpatia vai ser divertido mata-la, a outra Nelli pediu licença continuou caminhando de forma bastante elegante. Me virei novamente para o quadro, ainda não entendo por que sonho dourado, mas não importa preciso pensar em que fazer com Krystal será que ela é casada com o psicanalista ou são namorados e ela mora sozinha? Ou os dois ou nenhum...
– Percebo que gostou dessa pintura em particular
Céus uma garota não pode mais planejar um assassinato em silêncio? Olhei para a outra mulher, esta parecia mais velha que Krystal talvez tivesse uns 40 anos. Ao seu lado estava o psicanalista, por que ele não esta grudado na mulher quando estou ocupada com outras coisas?
– Na verdade não gostei deste quadro nenhum pouco, estou ainda tentado entender o que tem a ver o nome da tela com a tela em si.
Essas pessoas estão começando a me irritar.
– Mina Nelli é uma pintora em potencial, seus quadros estão espalhados pelas melhores galerias do país. Eu diria que em um futuro próximo suas telas se equivalerão a um Da Vinci ou quem sabe um Salvador Dali.
Melhores galerias, aposto que apenas esta aqui. Quantas pessoas ele tentou convencer de comprar um quadro com essas palavras?
– Discordo de sua opinião, não existe mais visionários perfeccionistas como Leonardo e Salvador Dali via o mundo de uma forma que nenhuma pintora em potencial seria capaz de recriar, mas quem sabe seus quadros não terão um dia o mesmo valor histórico da cidade de Vinci?
Que merda estou falando? Não sei a diferença entre tons diferentes de uma mesma cor como posso falar desse modo de coisas que nunca vi? Saio de perto da mulher andando para qualquer lado, tenho que descobrir o que fazer logo com Krystal e sumir daqui.
– Teresa Kalil – diz um homem atrás de mim.
Que maldição de mania é essa que as pessoas têm de falar com as outras de costas e quando estão distraídas? Viro-me e... É o marido de minha jornalista.
– Não, eu me chamo Cassandra – estou começando a gostar desse nome, mas Blood ainda é mais doce.
Ele sorri ficando vermelho, patético.
– Teresa Kalil é a mulher com quem discordou há pouco, ela é a dona da galeria.
– Parabéns para ela, a exposição está... Animadora.
Minha tentativa de ser simpática foi para o espaço de vez.
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