Ruivas
8 Ana Rosa - o feitiço cai contra a feiticeira
Notas iniciais
Levei um tempo para digerir o fato que aquela linda flor oriental era uma erva venenosa da pior espécie, ela estava sentada no umbral da janela fumando fiquei em silencio pensando o que fazer para sair dali. Observava Ana quando ela jogou o resto do cigarro e veio sentar ao meu lado na cama ela mantinha aquele sorriso estilo Monalisa malvada. Me deu água e depois de me analisar disse:
– Que bom que acordou está machucando os pulsos?
O tom doce na voz dela era incrivelmente sedutor, talvez eu nem pensasse em mata-la dela se ela não tivesse me drogado e me amarrado na cama.
– Por que estou amarrada? – por que ela é louca
– Pra você não fugir
– Por que eu fugiria de você? – antes vou te matar – esta me sequestrando? Se for eu não tenho grana.
– Isso não é um sequestro, bobinha. Eu só quero que você fique comigo.
– Me solte e juro que não fugirei
Ela me olhou de modo irritantemente analisador por alguns minutos e seus lábios se curvaram em um sorriso que me fez sentir arrepios.
– Mentirosa, vai fugir assim que tiver oportunidade.
Acabo de me decidir vou arrancar os olhos dela e depois a matarei.
– Eu juro se você quiser, mas me solte – interessante ouvir o tom de suplica em minha própria voz.
Ela se aproximou de mim e me beijou sua mão delicada e suave subindo por minhas pernas aquilo era tentador, mas eu ainda estava presa mordi o lábio dela e arranquei um pedaço. Não posso controlar meus instintos.
– VADIA – ela me deu um soco acho que quebrou meu nariz ao menos sei que está sangrando.
Ela saiu do quarto. Eu podia gritar por socorro, mas assim a policia chegaria e a levaria para um buraco qualquer, não ela é minha.
– Acorda garota – a ouvi dizer, não ia abrir os olhos, mas ela me jogou água no rosto – veja só o que fez comigo sua vaca.
A boca dela estava vermelha de inchaço e tinha alguns pontos no lábio superior.
– Posso beber água? – sentia sede e ela me deu água — era mais bonita quando te conheci – provoquei.
Não foi uma ideia muito esperta, ela acendeu um cigarro e foi abrir a janela quando voltou com aquele sorriso cruel apagou o cigarro na minha coxa. Eu não gritei apenas fechei os olhos com força e contrai os músculos da perna. Nova decisão irei queima-la também.
– Esperava ouvir um grito. Pena, espero que faça muito frio esta noite. Tchau.
– Espere – ela se virou para mim – estou com fome.
– Mesmo? Achei que o pedaço de minha boca que você arrancou fosse suficiente para alimentá-la.
Vai se uma longa noite...
...
– Oi querida, trouxe seu café.
Não desviei meus olhos da janela enquanto ela colocou a bandeja na cama.
– Suco de laranja ou leite?
– Qual deles não tem sonífero?
– Hã?
– A ultima vez que você bebi algo que você me deu eu acordei amarrada e não quero acordar dentro de uma banheira cheia de gelo sem os rins.
– Te dei água e você ainda esta viva
– Isso foi ontem, como vou saber se não resolveu me matar?
– Não farei isso você agiu errado em me ferir, mas gosto de você e não vou te ferir.
Olhei para a pequena queimadura em minha coxa ela seguiu meu olhar e disse que foi culpa minha, fui eu quem a feriu primeiro.
– Tenho que ir ao banheiro
– É um truque?
– Não, eu estou presa há 24 horas fora o fato de precisar de um banho eu tenho que fazer xixi.
Depois de pensar ela saiu e voltou com uma faca.
– Tente uma gracinha e eu te rasgo ao meio – disse antes de me soltar.
Fui ao banheiro e sai, quando ela puxou meu braço para as amarras eu a chutei com o joelho e tomei a faca.
– Que vai fazer? Vai me matar? – por que está rindo é obvio que vou mata-la.
– Vou – respondo batendo a cabeça dela na parede. Verificando... Não esta morta, perfeito!
Tirei as roupas dela, á amarrei na cama e coloquei uma mordaça exatamente como ela tinha feito comigo, minhas roupas estavam no banheiro com outras roupas sujas, mas não as vesti vou fazer outra coisa com elas. Sou menor que Ana, entretanto seus vestidos me caem bem. Vou pegar algumas coisas na cozinha e já volto.
...
– Acorda – digo jogando água nela.
– Vai se vingar? – pergunta com calma olhando as amarras dos pés.
– Não, eu vou te torturar e te matar é diferente.
Ela deu uma sonora gargalhada e depois de rir até acumular lagrimas me olhou cética.
– Me matar menina? Com essa cara de sonsa? – mais risos – já matou alguém que não fosse em seus sonhos?
– Acha que tenho cara de sonsa?
– Tem, foi isso que me atraiu em você, tão inocente tão ingênua e vai me matar – mais um ataque de risos.
Que coisa mais irritante, sei que tenho aparência de uma pessoa inofensiva, mas sonsa? Recoloquei a mordaça nela e comecei minha sessão de tortura, acendi um cigarro e apaguei no bico do seio dela. Um grito abafado que me fez sorrir.
– Doeu querida? – Ana tinha os olhos arregalados e assustados.
Deve ter caído a ficha de que não sou boazinha e pior, que eu realmente vou mata-la.
– Não vou tirar a mordaça por que sei que diferente de mim você vai gritar de dor quem provocou isso foi você com essa idiotice de me prender. Vai doer bastante esta sua faca não é muito afiada e as outras são grandes demais para o que vou fazer.
Aproximo com cuidado a faca de seus olhos, merda estou tremendo não queria que fosse assim quando imaginei fazendo isso mais cedo parecia bem mais fácil e menos cruel. Não posso parar agora, a expressão de alivio em Ana ao notar que não sou capaz de tortura-la me irrita.
– Feliz por eu ser covarde demais para arrancar seus olhos?
Ela balança a cabeça negativamente, acho que sorriria se não estivesse com um pano na boca. Dou um golpe e cravo a faca no coração dela, ao menos acho que é o coração. Não sabia que eu era covarde, puxo a faca de Ana e vou para a cozinha lavo o cabo e limpo com um guardanapo os vestígios de minha presença. Limparia o resto do apartamento, mas isso vai demorar muito. Uma fogueira vai servir.
Acendo fogo em minha roupa que encharquei com álcool, uma olhada nas roupas dela e acho vários pares de óculos escuros e uma peruca loira, até que não fico mal de loira coloco-me os óculos maiores que acho. Ligo os botões do fogão e tranco a porta. Não vou usar o elevador 9... 10... 11... Explosão... 12... 13... Pessoas apavoradas gritando palavras desesperadas... 14... 15... Vinte ou trinta minutos para policiais e bombeiros chegarem... 18... 19... Acho que vou para o litoral... 21 degraus e alguns passos para sair deste prédio. Adeus Ana.
Fale com o autor