Notas iniciais
Olá, gente! Desculpe-me pela demora. A propósito, boa leitura

Capítulo Dois

– Você está bem, Tris? – perguntou-me Christina, analisando meu rosto com total cuidado.

Eu ainda sentia meu rosto pinicar, e eu não tive dúvidas de que ele estava vermelho. Na realidade, eu me sentia meio estúpida. Embora eu já tenha me acostumado com essa sensação incômoda toda a vez lembrava que um de seus melhores amigos tinha uma queda por mim, ainda era meio esquisito... Mas eu já tinha superado.

Ou, talvez, nem tanto assim.

Christina franziu a testa. Seus olhos escuros observaram cada movimento meu. Por fim, ela deu de ombros.

– Você está escondendo alguma coisa. E eu quero saber: o que aconteceu, Prior? – ela brincou.

Eu suspirei, já sabendo que não havia nada que eu pudesse fazer. Christina me conhecia melhor do que eu mesma, e seria quase inevitável que ela não notasse algo de errado em mim.

– Está bem, eu vi o Al. E ele.... Queria saber se eu ia à festa – eu disse, de uma vez só.

– Ah, isso é ótimo, Tris –Christina me abraçou, seus olhos cheios de diversão e malícia, obviamente, retratando o quanto ela estava achando graça naquilo tudo.

– Sim, claro. Maravilhoso.

– Na realidade, acho que agora significa que você vai ter de ir – Christina sorriu, ainda parecendo achar graça do meu constrangimento – Bom, de qualquer jeito, você já procurou uma roupa?

– O quê?

– Teremos um baile às máscaras hoje à noite – ela disse, enfatizando cada palavra.

– Ah, não. Eu não tenho uma roupa que sirva para isso.

Por sorte, eu já sabia o que aconteceria a seguir. Christina riu, jogando a cabeça para trás. Depois, ela olhou para mim, entrelaçando seu braço ao meu enquanto andávamos pelo corredor.

– E você acha que eu já não providenciei isso, Tris? Sou sua melhor amiga, lembra disso? Eu comprei tudo. Você será minha bonequinha especial. Além do mais, eu nunca deixaria que você comprasse algo para uma festa com base no seu gosto.

Eu revirei os meus olhos, dando uma cotovelada nela. Uma das vantagens – ou não — de ser amiga de Christina: ela sempre fora fissurada em comprar roupas. E eu, é claro, como uma boa amiga que era, deixava que ela cuidasse de tudo relacionado à minha maneira de se vestir, mesmo que isso, às vezes, me fizesse sentir desconfortável.

Fomos para a próxima aula. Ela se jogou em uma cadeira e olhou para mim, esperando.

– Sabe, eu acho que seria muito engraçado se Al tivesse o mesmo horário que a gente...

– Meu Deus, Christina, cale a boca.

Ela riu e acabamos ficando um tempo conversando até que o professor chegasse.

Todos os alunos que sabiam da festa pareciam animados com a ideia, e eu me perguntei silenciosamente se eu não deveria estar sentindo o mesmo.

Quando a aula terminou, notei que Christina brincava com o pequeno pedaço de papel em suas mãos. Nele estava marcado, no horário exato, onde e quando aconteceria a festa.

– Lá vem a peste – começou ela, depois de um tempo em silêncio.

Will colocou os braços ao redor de Christina, fazendo-a revirar os olhos. Ele sorria, e eu notei minha melhor amiga ficar mais irritada do que nunca.

– Será que você não tem nada melhor para fazer, Will? –Christian perguntou, olhando distraidamente para as unhas pintadas de preto.

– Talvez, mas eu sempre gosto de te atormentar, você sabe.

Christina deu-lhe o dedo médio.

– Por mais que eu adore brigar com você, eu e Tris temos coisas mais interessantes a fazer. Então, se nos dá licença.

Will continuava sorrindo, seus olhos analisando cada centímetro dela.

Sua pele, bem clara, fazia com que houvesse uma linda combinação com seus olhos verdes. Ele era alto e tinha um ar meio brincalhão. E, bem, ele gostava de irritar Christina como ninguém.

– Eu imagino – e virou-se de costas para nós – Te vejo na festa, Christina.

Ela ignorou e me puxou para uma extensa – e chata – caminhada até sua casa, que era bem próxima da minha. Chegando ao seu quarto, Christina tirou um vestido gracioso do armário. Ele era branco e claramente muito bonito. Era totalmente aberto atrás e um pouco curto, mas, ainda assim, encantador.

– Esse é o seu – ela sorriu – Agora, o meu.... Será uma surpresa.

– Christina, isso deve ter custado muito...

Ela fez um gesto com a mão, dispensando o que eu tinha para dizer.

– Ah, não se preocupe com isso. Irei te dar a máscara quando estiver totalmente pronta. Agora vá, quero ver minha melhor amiga bem bonita. E não faça essa cara para mim, Tris. Isso é uma ordem.

Eu franzi meus olhos para o espelho, após ter me trocado.

O vestido deixava minhas costas à mostra. Meus lábios e meus olhos continham a maquiagem que Christina me obrigou a usar. O tecido branco destacava visivelmente as curvas que eu nem sabia que existiam.

Meu cabelo, recém curto desde a semana passada, estava totalmente impecável e penteado. Meu pescoço, totalmente desprotegido. Com isso, coloquei meu par de brincos e um colar e, respirando fundo, eu saí para ver Christina.

– Tris, você está tão bonita! – ela sorriu.

Ela estava com um vestido extremamente vermelho, muito apertado. O colo dos seios bem visível para todos que, provavelmente, olhariam para ela. Seu cabelo estava solto, e eu não deixei de sentir um pouco de inveja pela confiança que ela exalava.

– Você também – sorri abertamente – Desse jeito, fica meio difícil de o Will não te achar nessa festa.

– Tenho a certeza de que ele vai – ela resmungou — E, tome, aqui está sua máscara.

A máscara era preta com pequenos detalhes em branco, para combinar com o vestido. Eu a coloquei, sentindo-me um pouco mais confortável com ela; Meu sapato de salto alto fazia um som irritante ao tocar o chão.

– Vem, temos de ir – chamou Christina, puxando-me pela mão.

Eu continuava me sentindo apreensiva sobre isso tudo, mas nada disse. Ao contrário, deixei que Christina me guiasse até o seu mais recente carro. Geralmente, ela nunca usava ele, mas, como precisávamos ir até a festa, Christina acabou abrindo uma exceção

Quando entramos, todos os olhares foram direcionados para nós duas. Christina sorriu, caminhando graciosamente pela multidão de pessoas que se aglomerava perto dali.

Ótima amiga.

Eu me sentia meio sufocada. Não conseguia entender como ainda estava de pé.

A decoração da festa dava um ar misterioso ao ambiente à nossa volta. A pouca iluminação fazia com que fosse praticamente impossível adivinhar quem era quem. Eu apertei meus lábios. Àquela altura, não conseguiria encontrar mais Christina.

Eu caminhei para um canto sem muitas pessoas em volta. Suspirando pesadamente, fiquei na ponta dos pés, não perdendo a última pontada de esperança que eu tinha de verificar se Al estava o mais longe possível de mim.

Depois de constatar o óbvio: que eu não o acharia, fui até a pista de dança, pensando que eu fosse, realmente, me divertir nessa festa.

A música era pura persuasão. Meu corpo se movia de maneira automática ao som da batida frenética que chegava aos meus ouvidos. Com isso, por um breve momento, me esqueci que eu tinha um amigo para evitar.

– Você está sozinha? – alguém perguntou, bem próximo de mim.

Suas mãos estavam em minha cintura e seu toque era tão suave, tão suave. Inspirei profundamente, antes de me virar.

Por trás da máscara, reconheci um brilho estranhamente familiar em seus olhos. Sem saber o que fazer, deixei que ele tocasse em minhas costas desnudas. Seu toque era tão delicado. Deixei com que um suspiro escapasse de meus lábios.

– Você é tão bonita – ele sussurrou, e eu sabia que entraria em colapso com sua voz rouca em meu ouvido.

Suas mãos viajaram até minha cintura. Seus lábios, implorando para encontrar com os meus.

Tão perto, tão, tão, tão perto.

Me esqueci de Christina, de Al, das pessoas que dançavam ao nosso redor, da possibilidade de sermos pegos.

Tudo.

Toque-me, por favor.

Ele segurou meu rosto com as duas mãos, e eu deixei que ele acariciasse meu rosto. Era tão bom. Minha cintura, meus braços, meus lábios. Tudo implorava para ser tocado por ele. Um estranho que, aparentemente, provocava sensações estranhas em mim.

Diferentes.

– Eu quero tanto te beijar – ele sussurrou – Tanto.

E eu deixei, tão abertamente, que me surpreendi com a facilidade que suas palavras me deixaram sem quaisquer defesas.

Ele me puxou para perto. E eu coloquei minhas mãos em seus braços, querendo mais contato; mais contato.

Seus lábios roçaram nos meus, e eu quase gemi de forma patética, querendo que ele me beijasse logo. Eu ansiava tanto por tudo isso. Seu corpo, tão próximo ao meu. Nossos batimentos cardíacos, misturando-se ao ritmo da música.

Por favor por favor por favor.

Ele acariciou o lóbulo de minha orelha com seus lábios. Eu respirava com dificuldade, sentindo a ansiedade subindo, subindo, subindo.

Por um breve momento, ele tocou em minhas pernas desnudas, e eu deixei que ele o fizesse; uma, duas, três vezes. Meu coração estava quase pulando para fora de minha garganta.

– Você é tão... Estive te observando dançar. Era tão sexy.

E quando ele estava prestes a saciar todas as minhas expectativas, prestes a me beijar, a me deixar sentir ainda mais ansiosa por ele, tudo nele, alguém, ao fundo, gritou em alto e bom som, para todos da festa:

– Tris, o que você está fazendo?!

Notas finais
O.k, eu sou muito má. Não queria parar o capítulo aí, mas eu estava com muito sono e tive preguiça de transcrever o resto do capítulo que eu escrevi em meu caderno. Então, gostaram do capítulo?