Rudolf, Pronto para o Mundo
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Chegou à portaria e recebeu o embrulho. Nesse dia, Rudolf sentia como se estivesse fazendo tudo como que na velocidade 2x do Whatsapp... ou mesmo numa velocidade maior. O tal do pensamento acelerado, sobre o qual Ayesha lhe advertira em mais de uma vez.
Levou-o para seu quarto no apartamento. Depositou-o sobre a cama. Pensou em tirar uma foto e mandar para Ayesha, mas hesitou. Talvez a surpresa fosse melhor. Ia esperar para quando a amada e ele se reencontrassem... Teria então um impacto maior, melhor.
Ele abriu o embrulho. O instrumento era um tanto longo, mas era relativamente leve. Um pouco curvado, quase dobrado. Fácil de manusear e de carregar, podia ser colocado apoiado nas costas de Rudolf. Ele conseguia segura-lo sem tanta dificuldade. Ele vinha fazendo aulas particulares, mas sempre com o material dos instrutores do curso. Fazer com seu próprio instrumento seria um diferencial interessante dali em diante.
Agora poderia mostrar a Ayesha que podia sim se defender também. Quando viajassem novamente, caso fossem atacados, seja por terroristas seja por outros, Rudolf não estaria de todo desprotegido e não precisaria deixar Ayesha inteiramente responsável pela sua segurança.
Ayesha lhe contara que algumas de suas missões, ela não usava apenas armas de fogo; já usara instrumentos de tortura para lidar com certos inimigos, já usara espadas, lanças, e até mesmo instrumentos de combate para distância, como aquele que agora se encontrava nas mãos de Rudolf.
Ele sabia que precisava ficar craque com o instrumento o quanto antes, para que, quando precisasse usá-lo, tivesse como fazer um ótimo uso da ferramenta.
Lembrou-se de Robin Hood. Lembrou-se de alguns dos super heróis de roupas coloridas dos quadrinhos, que ele tanto admirava.
Como será que Ayesha vai reagir...?, ele se perguntava.
Lembrou-se de seu avô, e da carta que lhe havia deixado quando do recebimento da herança. Seu avô sempre deu sorte com fazendas, até que um dia encontrou sua fortuna de forma inesperada. E passou os conhecimentos de mundo para Rudolf, que, desde cedo, foi incentivado por ele e pelo pai a ter gosto pela leitura e pela busca do conhecimento. Por isso, depois da herança, Rudolf quis tanto viajar: ver "ao vivo" todos os lugares sobre os quais havia estudado com o incentivo do avô e do pai. Virou professor. Sempre um incansável na busca por adquirir e repassar conhecimento.
Seu avô costumava brincar que a vida dele havia sido quase como o jogo de videogame Harvest Moon, no qual um menino volta à terra natal do avô e precisa recuperar a fazenda deste último, reconstruindo a fortuna da família e fazendo a cidade prosperar ao mesmo tempo.
Rudolf achava essa uma comparação bestinha quando era mais novo, mas, hoje, ele via que o avô tinha certa razão ao trazer essa comparação à tona. Por vezes, o próprio Rudolf também sentia como se sua vida tivesse saído de dentro da tela do Harvest Moon de uma hora pra outra.
Os conhecimentos do avô, as histórias que ele contara-lhe na infância... Mas isso era assunto para outro momento. Talvez quando Ayesha voltasse, ele retomasse a ideia de escrever um livro sobre o avô.
Uma ideia interessante. Rudolf queria pensar e pesquisar a respeito, maturar a ideia antes de executa-la. Pode dar certo...
Torcia para que Ayesha voltasse o mais rapidamente possível. Algumas novidades não podia contar para ela em mensagens. Tinha que contar pessoalmente, olho no olho.
Rudolf guardou sua nova aquisição, colocada categoricamente no seu armário de modo que ninguém a veria dando sopa por aí. Deitou-se para tirar um cochilo, enquanto sonharia com sua amada, seu retorno e com o que eles fariam quando estivessem novamente juntos.
Fale com o autor