Rudolf segurava levemente, mas com as mãos firmes, o tronco de sua amada enquanto faziam amor no banheiro do terminal. Logo ele passou também a passar os dedos pela pele de Ayesha, percorrendo as costas e outros pontos de seu corpo, explorando o corpo da moça ao máximo, enquanto os dois estavam entregues àquele momento de paixão, calor e intensidade.

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Pareceu para Rudolf que haviam se passado dias, mas Ayesha olhou o relógio e lhe disse que estavam ali há quase uma hora apenas.

Os dois se vestiram rapidamente, e Ayesha destrancou a porta do toalete. Olhou para os lados e fez sinal para que o namorado a seguisse, indicando que ninguém os havia percebido no banheiro masculino.

Saíram para o corredor principal do terminal. Ayesha estava realmente certa: ninguém havia reparado nos dois ao saírem juntos do banheiro

As vezes Rudolf se espantava em o quanto ela realmente não parecia mesmo desligar o botão de espiã e agente secreta internacional em nenhum momento.

Espantoso, mas, ao mesmo tempo, maravilhoso.

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Após saírem andando naturalmente pelo corredor principal do terminal, sentaram-se para tomar um cafezinho na área de alimentação aonde permaneceram por um tempinho.

Chegou a hora do voo de Ayesha. Os dois se encaminharam para a entrada da sala de embarque. Ayesha se despediu novamente, dando-lhe um beijinho enquanto o segurava pelos ombros.

Enquanto estavam abraçados, Rudolf se lembrou de algo em meio ao beijo. Quando se soltaram, ele enfim perguntou:

— E aquela fala sobre bibliotecária?

O sorriso de Ayesha vacilou por um instante, mas logo em seguida ela voltou a olhar para o amado com ternura.

— Um ataquezinho de ciúmes. Me perdoe. Eu estava olhando currículos para a ONG... Se a instituição crescer como estamos planejando, poderemos sim precisar de bibliotecários para catalogação, para ajudar com consultas e armazenamento de informações, até mesmo restauração. Até para aquela sua ideia de fazer bibliotecas e livrarias solidárias espalhadas em diversas cidades... Teríamos que entrevistar até acharmos pessoas que realmente tivessem competência, experiência, seriedade e que estivessem comprometidas com ajudar de verdade e com afinco o seu projeto. Eu só achei que, comigo longe, você poderia acabar de olho em alguma bibliotecária... E isso seria uma ofensa mortal para mim, rsrs...

— Eu nem sequer conheço ou tenho amizade com bibliotecárias — disse Rudolf, sorrindo e olhando admirado para a namorada, sem acreditar na demonstração de ciúme. — Não consigo acreditar que você pensou... E você estava mesmo fazendo seleção de currículos para a ONG... Isso é tão incrív... Espera aí. Por que seria uma ofensa mortal para você?

— Existe uma rivalidade entre museologia e biblioteconomia. E caso você esteja lembrado, eu sou museóloga também, antes de... Bom, dos meus outros empregos como você sabe.

— Claro que eu me lembro e... Espera. Sério?

— Sério o que?

— Que existe uma rivalidade entre as duas áreas?

— Sim.

— Minha nossa. Eu fiz uma matéria com a turma de Museologia e outra matéria com a turma de Biblioteconomia quando estive na faculdade, mas eu nem sequer fazia ideia de que pudesse hav... Por que não me contou?

— Eu não tinha visto necessidade até agora. Não quero deixar você solto por aí e alguma bibliotecária pensar em te agarrar, rsrs. Por isso falei ao sair da sua casa.

— Ayesha, eu não conheço nenhuma bibliotecária, tenha dó, eu só quis saber o porquê de você ter dito aquilo antes e...

— Ceeeeeerto! Seu bobinho.

Ela deu um peteleco na testa do namorado.

— Ai.

— Bobo. Chatinho. E um pouco irritante também. Vou sentir tanto a sua falta, espero que possamos nos ver de novo muito em breve, meu gatinho...

Ela o beijou novamente.

Dessa vez Rudolf não estava esperando. Demorou a notar que suas mãos estavam agarrando o vazio, tentando alcançar os braços, os ombros ou alguma parte do corpo de Ayesha, até perceber que provavelmente estava parecendo um bobo e que Ayesha o havia soltado.

— Ah. Uau.

Foi tudo o que conseguiu dizer.

— Rsrs. Você fica mesmo uma gracinha quando fica sem jeito.

— Eu realmente não esperava saber sobre essa rivalidade... Fiquei até sem jeito quanto a isso, também.

— Rudolf, um homem de vários conhecimentos e que, no entanto, não sabia que Biblioteconomia e Museologia são rivais. Vai entender... Rsrsrs.

O rapaz ficou sem reação novamente.

— É, bom... é.

— Realmente um fofinho quando não sabe o que responder — retrucou Ayesha, indo em direção à sala de embarque e jogando-lhe um beijinho no ar. — A gente se fala, gatinho. Mande mensagem. Sempre pode me chamar para conversar e quando quiser. Estou sempre por aqui e com você em pensamento, sonhando e ansiosa com o nosso reencontro.

Rudolf jogou-lhe um beijo de volta.

— Te adoro.

— Te adoro também — respondeu ela. — Me aguarde. Eu volto! Beijos!!!

E se encaminhou para a sala de embarque, sumindo aos poucos da vista de Rudolf.

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Logo que entrou no avião, e acomodou-se no assento, Ayesha estava prestes a colocar seu celular no modo avião quando recebeu uma mensagem.

Foi olhar o que era com uma certa animação; a princípio achou que se tratava de Rudolf.

Mas não era. Reconheceu imediatamente seu interlocutor pelo teor da mensagem.

Espero que tenha curtido e aproveitado suas férias, agente al-Fadlan. Um bom descanso nos ajuda a recarregar as baterias. Detalhes da sua próxima missão estarão sendo encaminhados para seu e-mail funcional neste exato momento. Por gentileza, se possível, confira-os o mais cedo possível. Um bom voo de volta a Londres. Aguardo ansiosamente por nossa próxima reunião no Cairo.

Ayesha se retesou no assento. Não esperava que já teria o aviso de uma nova missão logo que embarcasse no avião. Por outro lado, ela sabia os riscos de sua profissão. Havia feito sua escolha muito tempo atrás. E se queria manter sua relação com Rudolf em segurança e, mais importante, manter ele próprio em segurança, ela tinha que continuar sendo ótima em seu trabalho. Precisava deixar claro aos seus superiores que podiam continuar contando com ela para tudo o que fosse necessário.

Hesitou. Poderia abrir o novo e-mail com os anexos relativos à missão quando chegasse a Londres, ou poderia abri-lo agora.

A curiosidade falou mais alto. Ayesha abriu o e-mail e passou os últimos minutos antes da decolagem devorando seu conteúdo. Até as leituras rápidas que fazia com Rudolf haviam lhe ensinado muita coisa acerca de leitura dinâmica. Como na sua linha de trabalho, perder tempo era um erro intolerável, Ayesha se viu mais uma vez agradecendo silenciosamente em pensamento ao amado por tê-la inspirado com um de seus pequenos hábitos.

Pouco antes de decolarem, Ayesha já havia finalizado a leitura. Sentou-se tentando transparecer calmaria. Mas o que sabia é que já estava ansiosa para chegar a Londres e, depois, conseguir voltar para o Egito o quanto antes para enfim dar início à nova missão.

Era hora da agente Ayesha voltar à ação.