Rude Ballet

4 Cap. 4 - “Eu prometo que uso o teu isqueiro.”


Á medida que a bola se aproximava mais, Ethan apertava com mais força o taco, fazendo com que os músculos e as veias dos seus braços, ficassem bastantes salientes.

Jaded observava o “amigo” jogar basebol com os headphones nos ouvidos. Ela bem havia tentado assistir ao jogo sem música, mas o som estridente da bola a bater no taco, fazia-lhe doer os ouvidos.

Ethan bateu com o taco na bola e Jaded agradeceu por estar com os headphones. Passado cerca de dois segundos, Ethan e os outros colegas da equipa começaram a correr pelo campo, feitos doidos, enquanto os rapazes da equipa oposta passavam a bola entre si. Os rapazes da equipa de Ethan juntaram-se e celebraram por alguma razão de Jaded desconhecia, mas estava muito perto de descobrir ao ver Ethan aproximar-se dela. Jaded tirou os headphones dos ouvidos e levantou-se.

- Ganhámos! – Exclamou Ethan, como uma criança que acabara de receber um doce. O Ethan era uma criança, uma criança crescida.

- Boa. – Disse Jaded, agarrando na sua mochila e desligando o seu iPod.

- Nem um sorriso? – Perguntou Ethan, de ombros encolhidos. Jaded suspirou e sorriu-lhe suavemente. – Muito melhor. – Informou Ethan, com um sorriso. – Tenho fome, vens ao café comigo? – Perguntou Ethan, a Jaded que vasculhava por qualquer coisa na sua mala.

- Vou, já não tenho cigarros. – Afirmou Jaded. Ethan revirou os olhos e começou a andar acompanhado por Jaded.
— Fumar faz mal. – Lembrou Ethan a Jaded.

- Eu sei, tu não paras de me lembrar disso á quatro meses. – Resmungou a rapariga, sorrindo para o moreno.

- Só estou a zelar pela tua saúde. – Informou o rapaz, encolhendo os ombros. – Ah! A propósito, parabéns. – Disse Ethan, vasculhando na sua mala qualquer coisa.

- Não me lembres disso. – Afirmou a rapariga, olhando para a estrada onde passavam carros.

- Toma. – Disse Ethan, esticando um embrulho preto com um laço rosa a Jaded.

- O que é isto? – Perguntou Jaded, agarrando no embrulho.

- Nada de especial, é apenas uma coisa que vi e lembrei-me de ti. – Explicou Ethan, encolhendo os ombros como se não fosse nada de especial.

Jaded desfez o laço com cuidado e começou a tirar a fita-cola com cuidado para não rasgar o papel preto brilhante. Depois de ter conseguido tirar o papel todo sem rasgar, dobrou-o e guardou-o no bolso dos calções. Escondida pelo papel de embrulho, estava uma pequena caixa de cartão branco. Jaded tirou a tampa da caixa e dentro desta estava uma espécie de carteirinha metálica, onde por vezes se guardam rebuçados e um isqueiro, bastante elaborado com a imagem de um lobo. Jaded abriu esta última caixa e depara-se com vários cigarros todos com desenhos ou de flores, ou de corações, até mesmo com padrões de animais e bolinhas de várias cores.

- Uau! – Exclamou a rapariga, com os seus olhos azuis arregalados. – Obrigado. – Agradeceu a rapariga, desta vez, olhando para Ethan.

- Não mereço um abraço ou um beijinho? – Perguntou o rapaz de sobrancelha erguida e de braços esticados, prontos para receberem a rapariga.

Jaded sorriu e enrolou os seus braços á volta do tronco do rapaz que depois envolveu os ombros da rapariga com os seus.

- Obrigado, a sério. – Disse Jaded, já depois de se ter afastado do rapaz e de ambos terem retomado o seu caminho.

- Não tens de quê. – Respondeu Ethan com um sorriso. – Era o mínimo que poderia fazer depois de teres de levar quatro meses inteiros comigo. – Concluiu Ethan, piscando o olho a Jaded.

Depois de caminharem mais um pouco, chegaram a um café chamado “Mystify” e entraram. Enquanto Ethan se dirigiu ao balcão para fazer o pedido, Jaded foi até á papelaria do café onde se vendiam as revistas e jornais para pedir um maço de tabaco de menta. Ela recusara-se a fumar os cigarros que Ethan lhe havia oferecido, não por serem dele (se calhar um bocado por serem dele) mas porque eles eram demasiado bonitos para serem queimados, já para não falar que não eram de menta.

- Que estupidez quereres guardar os cigarros. – Afirmou Ethan, enquanto comia a sua tosta mista. – Eu comprei-tos para tu os fumares. – Concluiu Ethan.

- Tu nem gostas que eu fume. – Insistiu a rapariga, expelindo o fumo para o exterior.

- Pois não, mas não te vou fazer parar, portanto prefiro que fumes cigarros bonitos. – Defendeu-se Ethan, dando um gole na sua coca-cola.

- Os que me destes não são de menta. – Argumentou a rapariga, voltando a puxar o fumo do cigarro.

- Mas são bonitos. – Repetiu Ethan, limpando a boca. Jaded expeliu o fumo para puder suspirar e logo a seguir, revirar os olhos.

- Fazemos assim, eu prometo que uso o teu isqueiro. – Afirmou Jaded, abanando o isqueiro na mão. Ethan ainda ficou a ponderar um pouco, enquanto limpava a boca, mas logo lhe apareceu um sorriso nos lábios.

- Pode ser. – Disse e continuou a comer a sua tosta enquanto Jaded, fumava o seu cigarro e bebia um café.