Rude

2 Marry Me


Notas iniciais
Olá, como prometido, postei. Um pouco tarde, mas foi o que eu pude. A música desse capítulo é Marry Me do Jason Derulo. Música extremamente linda, na boa. (link: www.youtube.com/watch?v=zRCsZ5a3aCM) Espero que gostem.

Capítulo 02 — Marry Me

Assim que deixei o hospital, aparatei de volta para casa. Foi uma enorme surpresa não vê-la vazia.

“Albus, que surpresa vê-lo em minha casa.” Cumprimentei o meu amigo com um aperto de mão.

Ele tinha um cabelo negro rebelde e os olhos verdes como o do pai. Dentre os três Potter, ele definitivamente era o mais parecido com Harry Potter. Mas só fisicamente, principalmente porque Albus havia caído na Sonserina, esse talvez tenha sido o maior motivo por termos nos tornado amigos. A personalidade dele, porém, não era de uma pessoa má, longe disso. Albus era uma das melhores pessoas que eu conhecia, fora ele quem juntou eu e Rose.

“Eu vim fazer uma visita ao novo apartamento e saber como vão as coisas.” Ele disse voltando a se sentar na cadeira que estava antes de eu chegar. Me sentei em uma ao seu lado. “Mas você não estava, resolvi esperar, mesmo achando que talvez você fosse ter o dia de treinamento.”

“Ah, não, hoje é o dia de folga. Eu fui visitar meus pais e Rose no hospital.” Informei. Levantei-me novamente e o chamei. “Não está afim de dar uma volta? Caldeirão Furado, talvez? Estou precisando pegar dinheiro no Gringotes.”

“Claro! Só vou pegar minha capa.” Ele disse indo até o cabide perto da porta. Nós aparatamos juntos no Beco Diagonal. “Para quê precisa de dinheiro?” Ele perguntou curioso como sempre.

“Ah, meus pais vão impedir que eu acesse ao cofre, dizem que a partir do próximo ano terei que me virar sozinho. Aparentemente, só receberei a herança Malfoy quando meu pai morrer.” Eu falei enquanto andávamos para o fim do Beco. “Vou usar esse dinheiro para investir numa nova vassoura, preciso passar nesse teste de qualquer forma.”

“Ah, sim, claro! Você vai passar, estaremos todos na torcida. Não duvide disso!” Ele falou enquanto eu entrava no banco, me despedi rapidamente, já que teria que ir sozinho.

Não demorou muito para que um dos duendes me atendesse e me levasse a um dos vagonetes. Digamos que a viagem foi bem chata, além de todo aquele balanço ser enjoativo, demorou bastante, aliás a família Malfoy é uma das mais antigas famílias bruxas. Quando chegamos, o carrancudo duende tocou a porta permitindo a passagem.

Digamos que a família Malfoy nunca conheceu a pobreza, mas meus pais haviam tirado muitas relíquias desnecessárias e vendido-as para colecionadores. De um lado do cofre, havia alguns galeões separados, tudo obra de meu pai. Tudo aquilo que ele tinha ganhado, ele separou da herança. E todo o gasto comigo, desde o meu nascimento até aquele momento, apenas dinheiro daquele monte tinha sido usado. Era uma questão de orgulho, além de todo esse trabalho que meu pai tinha para me desvincular da família Malfoy. Digamos que de Malfoy, eu só tinha o sobrenome e o cabelo.

Peguei um pouco dos galeões, mais ou menos a quantia de uma vassoura, já que eu já tinha reservas no meu bolso. Agradeci ao duende, mesmo que ele não fosse me responder e voltei para o saguão do banco. Albus me esperava por lá.

“Eu aproveitei para trocar alguns galeões por dinheiro trouxa, quem sabe eu saio com a Alice amanhã!” Albus comentou com um sorriso idiota no rosto.

Eu só não ri porque ele já teve que me aguentar falando da Rose diversas vezes. “Vai comprar a vassoura hoje?”

“Vou pesquisar, não quero me precipitar. Conheci um cara especialista em vassouras, vou pedir conselhos para ele.” Eu disse enquanto descíamos pela escadaria do banco. “Não estou mais em Hogwarts para comprar uma vassoura só por status.”

“Sabe, Scorpius, eu acho que você está levando quadribol muito a sério! Mas eu acho isso muito bom!” Ele apressou-se em dizer. “Mas eu vejo que tem algo mais sério que “Eu estou me esforçando porque é meu futuro!”. Sinto que tem algo a mais te preocupando.”

“Talvez seja porque você tem razão. Há mais duas coisas. Primeiro, meu pai se esforçou bastante para que o meu futuro fosse bem diferente dos outros Malfoy.” Eu expliquei, meio que se livrando de uma pedra das costas. “Segundo, Rose tem a vida ganha pela frente e eu quero estar ao lado dela, mas para isso eu preciso ter um futuro também, entende?”

“Claro que entendo! Mesmo sendo algo machista, a gente tem essa enorme vontade de garantir um futuro para nossas mulheres.” Albus concordou, enquanto andávamos lentamente pelo Beco. “Amanhã eu vou pedir Alice em namoro.” Ele confessou rapidamente e eu sorri.

“Fico feliz por isso, meu amigo!” Eu bati levemente em suas costas. “Quer ajuda na compra do anel?”

“Com certeza!” Ele me respondeu rápida e desesperadamente, fazendo-me rir. Albus não tinha jeito para relacionamentos.

Descemos, portanto, pelo Beco Diagonal até a Loja de Jóias Bulstrolde. Albus estava com as mãos soando, ele ficava bastante nervoso nesses momentos. Para chamar Alice para sair foram dois anos e quando ele finalmente criou coragem, foi o dia mais engraçado da minha vida. Albus só não morreu de vergonha, porque Ali aceitou. Então, pode se ter uma ideia de que essa garota é muito especial para o Potter.

“Eu não deveria, sei lá, me informar qual é o tamanho do dedo dela ou coisa do tipo?” Ele perguntou antes de entrarmos, onde estávamos analisando a vitrine em busca de algo que chamasse a atenção de Albus.

“Os anéis daqui são magicamente ajustáveis, quando você for colocar no dedo dela, irá se ajustar ao tamanho ideal.” Eu expliquei. “Vamos dar uma olhada!” Empurrei-o para dentro.

“Boa tarde, queridos!” Uma mulher de idade carregada de jóias pelo corpo chegou até nós para nos atender. “O que desejam?”

“Meu amigo aqui vai pedir uma garota em namoro. Tem que ser algo bem marcante para esse dia.” Eu brinquei fazendo Albus revirar os olhos.

“Engraçadinho! Olha, senhora, eu não quero nada muito extravagante, Ali é uma pessoa bem discreta.” Albus falou para a mulher que assentiu e pediu para que nós a seguíssemos.

Ela nos levou até uma bancada cheia de anéis de prata, a maioria simples, mas alguns eram tão grandes e brilhantes que chega doía na minha vista.

“Que tal esse?” Ela mostrou um anel revestido de prata, com um pingente de lua. Albus negou com a cabeça imediatamente.

“Não, ela gosta mais do dia do que da noite.” Ele falou e inclinou-se para ver os anéis mais de perto. “Deixe-me ver esse!” Ele apontou e a mulher abriu um sorriso animado.

“Ah, esse é uma das nossas preciosidades.” Ela retirou o anel da prateleira para mostrar a Albus. Era um anel prateado com uma pedrinha roxa, onde uma pequena luz roxa saia, voava ao redor do anel, para depois entrar na pedra novamente, como um feitiço sai de uma varinha. “É encantado para funcionar até que o anel se parta ao meio. E digamos que um material desse não quebrará à toa.” Ela entregou-o a Albus, o qual parecia estar encantado com o anel.

“Ela vai adorar, Scorpius!” Ele disse olhando rapidamente para mim, que ainda procurava entre os anéis.

“Não quer dar mais uma olhada?” Eu perguntei sério. Não queria que ele se arrependesse depois.

“Senhores, assim, gostaria de informar que este não é uma anel barato.” Ela falou com um sorriso falso no rosto, respondi com um mais falso ainda.

“Dinheiro não é o problema!” Albus respondeu, ainda trocando o olhar entre mim e o anel em suas mãos. “E eu vou levar este mesmo, Scorpius, é perfeito para ela.” Entregou-o novamente a mulher. “Embale para mim, eu vou levar.” Ela assentiu com a cabeça antes de pegar o anel de volta.

“Tudo bem, né?” Eu respondi me rendendo. Caminhei entre as prateleiras até parar em outros tipos de anéis, ainda prateados, mas com toques mais sofisticados.

“Ah, querido, ai são anéis voltados mais para noivados.” A mulher falou para mim, mas disso eu já sabia.

“É... eu sei!” Respondi simplesmente, enquanto procurava um anel que combinasse com a minha Rose. Pude sentir o olhar assustado que Albus dirigiu para mim.

“O...o quê?” Ele perguntou, mas eu o ignorei. Virei-me para a vidraça da loja, encarando a rua lá fora.

“São 300 galeões, querido!” A mulher falou e eu ouvi Albus concordar ainda sem fala e pagar. “Voltem sempre! E querido, quando for comprar o anel de noivado, sinta-se à vontade de vir aqui.” Ela falou para mim e eu sorri concordando antes de sair da loja.

“Scorpius, no que diabos você está pensando?” Albus perguntou quase correndo atrás de mim enquanto colocava a caixinha do anel no bolso da capa. “Você vai pedir Rose em casamento?”

“105!” Eu falei. Ele me encarou com a cara confusa, sem entender. “105 é o número que vem na minha cabeça quando eu penso na quantidade de anos que eu quero ficar com a Rose!” Eu falei sinceramente e ele me encarou de boca aberta.

“Você deve estar brincando!” Ele abanou a cabeça espantando alguma ideia que veio a sua mente. “Scorpius, o tio Rony ainda não aceitou a ideia de ter a filha dele namorando com você. Por acaso, você acha que ele vai suportar a ideia de levar a filha até o altar, altar o qual você vai estar esperando? Eu ainda acho que ele alimenta a esperança que o namoro de vocês não dure até o natal.”

“Só vai durar até próximo ano. Quando eu estiver ganhando meu próprio dinheiro e tiver entrado para o time, ai sim eu vou poder pedi-la em casamento.” Eu disse enquanto caminhávamos até a loja de quadribol.

“Scorpius, Scorpius, eu só posso te desejar boa sorte, meu amigo!” Ele falou batendo em meu ombro.

Mais tarde, naquele dia, enquanto eu desempacotava meus troféus do tempo de Hogwarts, Rose aparatou na minha sala de estar. Ela parecia ter vindo direto do hospital para lá, já que ainda carregava sua mochila, embora já tivesse com suas roupas trouxas normais.

“Enfim sós!” Ela falou deixando a bolsa cair do seu ombro até o chão.

Ela pulou em cima de mim, fazendo eu soltar o pano velho e enganchou suas pernas na minha cintura e eu tive que agarrá-la para que não caísse (e para manter o equilíbrio, senão eu também cairia). Ela me beijou desesperadamente e nem um pouco tímida, como sempre faz quando estamos sozinhos. Ela agarrou meu pescoço e puxou meu cabelo enquanto eu pedia permissão para beijar-lhe com a língua. Ela prontamente permitiu e retribuiu igualmente, com desejo e paixão. A ruiva me deixou sem fôlego.

“Sabe, qualquer dia desses você vai me matar.” Eu disse antes de morder seu queixo.

“Não se preocupe, quando esse dia chegar, eu faço respiração boca a boca.” Ela piscou pulando para o chão e se desvinculando de mim. Ela suspirou encarando as caixas e prováveis trabalhos pela frente.

“Dia cansativo?” Perguntei, abraçando-a por trás para beijar seu pescoço e cheirar seu cabelo, que mesmo suado ainda continha o cheiro de uma fragrância de mel.

“Bastante! Mas sempre sobra um pouquinho de energia para ajudar ao Sr. Malfoy.” Ela falou se virando para mim e me beijando novamente. Dessa vez mais calmo e demorado.

“Espero que não esteja se referindo ao meu pai!” Eu falei sério e preocupado, só para fazê-la rir.

“Claro que não, seu bobo!” Ela riu esfregando seu nariz no meu, porque eu sabia que ela adorava o meu hálito de hortelã e do cheiro do meu creme de barbear. “Aliás, além de ajudar com as caixas aqui, eu vim para dormir, espero que não se importe!”

“Me importar?!” Eu perguntei incrédulo. “É tudo que eu sempre quis!” Falei, voltando a beijá-la, com vários selinhos e beijos pelo seu nariz, suas bochechas e seu queixo. “Mas o tão magnífico Rony Weasley não vai se importar de sua filha dormir com o imprestável do Malfoy?”

“Se importar ele vai, mas ele está em negativo comigo. Depois que você foi embora, ele gritou e brigou comigo, mas eu não me importei muito, minha mãe sim.” Ela explicou e eu fiquei meio arrependido de não ter ficado com ela. “Então como eu mandei uma carta para ela antes de vir, ela vai controlar o leão Weasley.”

“Então teremos que brindar pela Sra. Hermione Weasley mais tarde!” Eu disse com um sorriso satisfeito no rosto, eu teria minha ruiva uma noite todinha pela primeira vez desde que nos formamos em Hogwarts.

“Isso se você tiver dois copos por aqui!” Ela disse soltando uma risada, que me fez acompanhar. Ela desgrudou-se de mim e foi até o som trouxa que Alice havia me dado no meu aniversário de 17 anos. “Uma musiquinha para animar durante o trabalho duro?” Ela perguntou em um biquinho apaixonante e eu não pude discordar.

Rose colocou o cd de uma banda bruxa chamada The Beatles do tempo do meu avô, que fez (e ainda faz) muito sucesso no mundo trouxa também. Ela dançou pela sala, me fazendo ficar louco e começou a espanar os troféus com a varinha e a guarda-los na prateleira. Juntei-me a ela no trabalho.

Quando desempacotamos todas as caixas da sala, resolvemos parar por ali. Ainda faltavam quatro cômodos de caixa, mas eu preferia fazer tudo aquilo sozinho do que perder a minha noite com a minha ruiva. A sala ainda não tinha sofá, então eu pequei um dos colchões da minha cama e levei-o até a sala para a parede em frente à lareira, cobri-o de lençóis e travesseiros, para que ficasse aconchegante e quentinho. Rose preparava chocolate quente na cozinha.

Ela voltou com duas xícaras e chamei-a para sentar-se ao meu lado no colchão. Nos cobri com o lençol e a abracei com o braço direito, enquanto segurava a xícara com a esquerda. Ela se aconchegou em mim, fazendo com que eu apoiasse meu queixo em sua cabeça.

“Estou te queixando!” Eu falei risonho e ela riu, mesmo que baixo e reprimido, talvez julgasse a piada besta demais, não deixaria de estar certa.

“Cala a boca, Scorpius!”

“Por favor, vem calar!” Implorei e ela riu novamente, desgrudando-se de mim só para poder me beijar.

Seu beijo era quente e gostoso, talvez por conta do chocolate, ou por conta da paixão que rolava entre nós. Nunca saberei responder. Só sei que ficamos ali por um bom tempo, só nos beijando calmante, sem língua, só nos amando de forma calma e ingênua.

Quando terminamos o chocolate, ela foi deixar as xícaras na cozinha, mesmo diante dos meus protestos e pedidos para que ela ficasse. Felizmente, ela não demorou. Na verdade, ela veio correndo e jogou-se sobre mim, me atacando com beijos pelos meus braços, meu pescoço, minha testa, meu cabelo, minha boca, minhas bochechas, minhas orelhas, meu nariz e minha boca novamente. E ela ficou ali, totalmente sobre mim, me encarando a todo momento e deixando com que os cabelos longos caíssem pela lateral do meu rosto.

“Eu já te falei que te amo?” Ela perguntou enquanto ainda nos encarávamos. Seus olhos azuis eram tão claros, que eu podia imaginar um dia verão mesmo em pleno inverno. Eu neguei com a cabeça para sua resposta. Ela deixou um grunhido de surpresa escapar. “Não é possível. Scorpius, eu te amo, eu te amo, eu te amo.” A cada declaração ela beijava e mordia minha boca.

“Rose, eu já gritei que te amo alguma vez?” Foi minha vez de perguntar, ela pareceu refletir por um momento. Por fim, ela negou, enquanto reprimia um sorriso. “EU TE AMO, ROSE!” Eu gritei o mais alto que eu pude fazendo-a contorcer o rosto em uma careta pelo barulho. Pouco me lixei para o horário e para os vizinhos. “Isso te incomoda?”

“Não, é como dizem, sabe, a verdade dói!” Ela disse risonha me fazendo rir. Quando foi que Rose Weasley se tornou alguém tão convencida? Sou mesmo uma má influência. Ela rolou para o meu lado, ainda agarrada a mim e apoiou sua cabeça no meu peito.

O som ainda estava ligado, mas não era mais The Beatles, eram músicas aleatórias de um cd de músicas românticas, calmas e propensas para a noite. Rose de vez em quando cantava baixinho uma delas no meu ouvido, me fazendo arrepiar.

“Sabe o que exatamente eu planejo fazer, Rose?” Eu perguntei depois de um tempo de silêncio, ela relaxava no meu peito de olhos fechados, mas eu sabia que ela estava acordada, mesmo que sonolenta. Ela murmurou um não. “Acordar todas as manhãs com você na minha cama.” Eu falei e ela não me respondeu, na verdade, eu percebi que ela ficou meio tensa. “Mas não precisa se apressar, porque um dia eu não saberei pedir alto o suficiente. E sabe o que eu vou pedir? Eu vou pedir para que se case comigo!”

Eu encarei-a só por um momento, para verificar se não estava dormindo, mas eu a vi sorrir, como nunca sorriu antes. E isso bastou. Não precisava de resposta. Não naquele dia. Eu precisaria de sua resposta no dia que eu finalmente a pedisse em casamento.

Notas finais
Música perfeeeeita, não é? Enfim, gostaram do capítulo? Foi bem clichê, mas o que sou eu sem um clichê? Pois é, enfim, até amanhã, galera, se eu não aparecer, apareço quarta, beijinhos!