Ruby - A Dança das Emoções
2 1 - Razão, Riqueza e Poder
Notas iniciais
— Particularmente não faço questão nenhuma de ir ver, mas vou pelo espírito esportivo. — Diz Kyon.
— Não faz questão? é a festa de recepção ao rei Malakias — Rebate Dino.
— Esses nobres são todos uns idiotas. — Bufa Kyon fazendo pose de partida.
Três amigos se encontram em cima de uma pequena casa, fazendo pose de partida. Eles pretendem apostar corrida até uma festa de recepção ao rei do país do vento, Malakias Omega.
— Quer saber.. já está decido. — Dwayne toma a atenção de Kyon e Dino. — Quem chegar por último é mulher do padre. — O garoto inicia a corrida, fazendo com que seus amigos o acompanhem.
A uma boa velocidade os garotos corriam em direção a cerimônia. Dino ia correndo pelo chão, conhecia bem os atalhos das ruas e se locomovia de forma bem ágil no chão, era vantagem para ele. Kyon e Dino eram mais traquinas e sem medo de arriscar, preferiam ir pulando de casa em casa, se impulsionando pelos postes e pelas cordas da cidade. Faziam aquilo com frequência, logo não era tão arriscado para eles.
O primeiro a chegar é Dino, as ruas não estavam tão cheias, já que a maioria do povo estava na cerimônia de recepção do rei. Kyon e Dino estavam logo atrás, numa disputa bem acirrada pela liderança, porém o garoto de cabelos negros e reluzentes acelera o ritmo e ganha vantagem, deixando Dwayne para trás.
Logo Kyon chega na festa de cerimônia, e fica no topo da cobertura onde se localiza o rei Saulo Watson do país do sol e o recepcionado rei Malakias Omega do país do vento, além de suas rainhas, membros de suas famílias e alguns guardas reais. Dwayne custa a chegar, e ao alcançar a festa de cerimônia fica no topo de uma arvore, buscando visualizar o paradeiro de Kyon, que até então tinha saído de sua vista. Seus olhos logo visualizam seu amigo, encima da cobertura dos reis.
Na tentativa de assustar Kyon, o jovem se impulsiona e dá um forte salto em direção a cobertura, Dwayne porém é infeliz. Sem saber que abaixo se localiza as famílias reais, faz um grande estrondo que acaba causando rachaduras na cobertura de telhas, especificamente na parte em que Kyon se encontrava, fazendo com que elas se partam e o jovem caia sobre o cômodo real.
Os nobres se assustam e parte da plateia da cerimônia levam suas atenções a Kyon, que está zonzo e estirado no chão, porém logo se alerta ao sentir as firmes mãos dos guardas reais te agarrarem e te levarem a força.
Um dos guardas firma uma espada em seu pescoço, fazendo com que Kyon fique com a cabeça encurralada.
— O que pensa que está fazendo garoto? — Questiona o guarda.
Kyon segue zonzo e meio desorientado com a situação, porém ao olhar para cima com a espada em seu pescoço, visualiza Dwayne, aparentemente preocupado com a situação e esboçando uma vontade de reagir. Kyon porém sinaliza para que o seu amigo se retire do local, ele sabe que uma reação só será pior para os dois.
— Sugiro que mate-o. — Malakias opina tomando a atenção de todos na cobertura. — Isso foi um desrespeito as famílias reais, uma invasão.
— Concordo plenamente. — Concorda Stevan, que segue com a espada no pescoço de Kyon.
— Não! — Um dos guardas se pronuncia se redirecionando a Stevan, que retribui com atenção. — Majestade, creio que mata-lo não é necessário. — Diz o guarda redirecionado ao rei Saulo.
— Majestade, não ouça esse verme in.. — Stevan é interrompido pelo rei Saulo.
— Basta! — Se pronuncia o rei. — Clóvis tem razão, não é assim que fazemos as coisas por aqui.
— E o que vai fazer, deixa-lo ir? — Questiona Malakias.
O rei Saulo passa então a ficar pensativo, sente-se pressionado a tomar uma decisão drástica.
— Creio que temos que puni-lo senhor. — Diz Stevan, que recebe um olhar de intriga vindo de Clóvis logo em seguida.
— O que é, quer proteger um trombadinha só porque é de seu clã?.. Não é assim que fazemos meu amigo, e você sabe. — Diz Stevan, devolvendo o olhar ameaçador com palavras. — Deve ser por isso que foi afastado da guarda real.
Após as últimas palavras de Stevan, Clóvis puxa sua espada e redireciona no pescoço de Stevan, que rapidamente retiras a sua espada do pescoço de Kyon e devolve a ação para o guarda.
— Vocês dois, já chega. Não somos amadores. — O rei Saulo se levanta de sua poltrona. — Stevan prenda esse garoto, deixarei que Gregório providencie um castigo para ele, mas sem mortes.
Stevan obedece e logo retira o garoto do local, levando-o para uma pequena prisão da capital até que seu castigo seja decretado.
A cerimônia segue, e logo todos se acalmam diante do pequeno incidente.
— Sinceramente nunca entenderei as políticas do país do sol, um intruso que nem sequer tem um castigo decretado. Se fosse no país do vento, ele já estaria com sua cabeça em uma estaca ao meu lado, para servir de exemplo. — Diz Malakias servindo-se de um copo de vinho e de alguns tira gostos.
— Vocês são muito radicais, a um nível que se torna ridículo. — Rebate o rei. — Acho que por isso que não somos amigos.
— O que é isso, somos grandes amigos. Estamos aqui hoje prestigiando essa bela festa de recepção que a realeza do país do sol fez para a família real do país do vento, com o coração aberto.
— A pior parte é que eu não faço questão nenhuma de que isso se tornasse verdade. — Exclama o rei Saulo olhando seriamente para Malakias.
— Rum, o que importa é o que povo faz questão de acreditar. — Diz Malakias acompanhado de um leve sorriso.
Ao ouvir as palavras de Malakias, Saulo vira um copo de vinho e passa sua atenção para a cerimônia, que conta com os melhores guerreiros se confrontando numa disputa justa, sem mortes.
— Você não ver as coisas com clareza meu amigo, é por isso que perde. — Diz Malakias tentando tomar a atenção do rei, que segue fixado na cerimônia, negando-se a olhar para seu visitante.
— Sabe, somos governantes das duas maiores nações do continente, e somos.. aliados, por assim dizer. — Uma insegurança se mostra nas ultimas palavras de Malakias. — E é simples, nos ajudamos, lutamos juntos em guerras, nossos filhos se casam e tudo..
— Ah, então finalmente chegou no ponto. — Interrompe Saulo.
— Bom, creio que..
— Não sei o que passa na sua cabeça, mas meus filhos não serão obrigados a casar com quem não queiram, esse tempo já passou. — Diz Saulo ameaçando beber um copo de vinho, mas antes completa sua frase. — Principalmente aqui em Kirin.
A última batalha acontece na cerimônia durante a conversa dos reis e logo o ultimo guerreiro é abatido, fazendo com que Malakias levante imediatamente e comece a saldar o campeão, com um falso sorrido no rosto, fazendo com que os gritos da plateia aumentem cada vez mais.
O homem então se caminha em direção ao rei Saulo, pegando no ombro do mesmo que segue fixamente com um semblante fechado em seu rosto, seguindo também com leves saudações para a plateia.
— Está vendo Saulo, é disso que eles gostam. Meu pai me ensinou que uma boa imagem te leva a tudo, e esse tudo envolve riquezas e poder. Felizmente o clã Omega e Watson interpretaram isso muito bem, e hoje somos o que somos graças a isso. — Diz Malakias. — Você é um homem sábio e sabe disso, mas já está na hora de começar a levar isso ao pé da letra. Esse povo ama o legado de seu clã, não deixe isso morrer.
Diante das palavras de seu visitante Saulo fica pensativo, ele sabe que as ideias do falador são coerentes, mas ao mesmo tempo se nega a concordar. Logo ele sai da cobertura, dando uma falso cumprimento de afeto ao rei Malakias e deixando o mesmo seguir com as saudações para o povo.
Enquanto isso Kyon segue com um saco preto na cabeça sendo levado para uma pequena prisão por Stevan. Ao ter o saco removido já se depara com uma pequena sala, com apenas uma cama e uma pequena janela na parte de cima da parede.
A porta atrás dele é trancada, e o garoto nem se quer tem a certeza de foi Stevan quem lhe deixou naquele lugar. Pensamentos negativos passam a tomar conta de sua mente, Kyon segue inquieto, porém sem fazer nenhum escândalo, só se pergunta como que sairá daquela situação.
Alguns minutos após estar preso naquele local, ouve uma voz lhe chamando, uma voz familiar, vinda da pequena e única janela do quarto. Logo o garoto dar sua atenção e percebe que é o seu amigo Dwayne. Abaixo de Dwayne está Dino, ajudando o amigo a ficar na altura da janela.
— Dwayne. — Diz Kyon ainda com incerteza de que é realmente o seu amigo.
— Fala baixo, quer que alguém nos ouça. — Diz Dwayne, falando em voz baixa.
— O que? Como chegou até aqui?
— Eu te seguir, mas isso não importa, vou tirar você daqui.
— Não, se te pegarem vão dar a mesma sentença que darão para mim.
— Não importa, eu te coloquei nessa situação, e eu vou te tirar dela. — Dwayne mostra firmeza em suas palavras.
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