Rubro como sangue

10 Ato II - Lágrimas


Notas iniciais
Olá meus caros leitores, leitoras, fantasmas, enfim, olá a todos. Antes de prosseguir vou dar uma diminuta explicação pela demora. Bem, acontece que Michaelis-san está precisando recuperar a nota de geografia, que caiu um tanto, e realizar outras coisas relacionadas a vida didática. Além disso, fui acometida por uma bad terrível que 'tava complicado de sair. Espero que entendam e que me perdoem pela demora. Enfim, desejo à vocês uma boa leitura.

— Quem você veio ver? — Questionou Ciel abraçando a si mesmo enquanto se aproximava do namorado. Sebastian engoliu a seco e saiu da frente da lápide, permitindo ao menor ler as poucas letras ainda visíveis do tumulo pobre.

T______ M_ch_elis

1_71 – 1996

Bom homem, querido marido

Eternas saudades

Os olhos bicolores procuraram os do outro. Uma pequena lágrima se equilibrava no canto dos olhos rubros e uma expressão triste dominava o semblante belo.

— T. Michaelis... seu... pai... — murmurou pausadamente enquanto continuava a olhá-lo. Sebastian suspirou e sorriu fracamente ao ver seu amado erguendo a pequena mão para secar-lhe a lágrima que agora escorria pela face.

— Thomas. Seu nome era Thomas. — disse colocando sua mão sobre a de Ciel e trazendo-a para baixo suavemente. — Eu não o conheci, mas desde que posso me lembrar... esse lugar... estar com ele... era a única coisa que me acalmava — contou, olhando suavemente para o lugar, bem entre as grossas raízes do salgueiro, onde passara a maior parte da sua infância. O menor maneou a cabeça, acompanhando o outro em sua fala. — até eu te conhecer. — finalizou com um sorriso de canto, visivelmente feliz em dizer aquelas palavras.

— como assim? — questionou Ciel, um tanto quanto confuso, apesar de confortado. Essa sensação já lhe era comum, seu coração estava amuado por causa da morte do pai e de tantas outras coisas que não tão importantes, mas todas as vezes que via ou apenas pensava em Sebastian e em suas palavras de ditas no hospital, o sentia aquecer e estar, de certa forma, feliz.

— Quando eu te conheci, três anos atrás, você precisava de ajuda. Eu fiquei aflito, preocupado e esqueci-me de tudo o que tinha acontecido naquele dia para conseguir te ajudar. — relatou com os olhos embaçados pelas lembranças daquele dia. — Mas a única coisa que me deu paz, Madame Red sabe bem disso, foi te rever. — admitiu, voltando ao momento atual, podendo ver Ciel enrubescer até as orelhas. O menor sorriu pequeno e, mesmo irritado por ter corado, o abraçou.

Sebastian sentiu seu coração descompassar e o súbito desejo de afastar Ciel, porém se manteve fiel à promessa feita a si mesmo e a feita ao menor. “Por ele” pensou enquanto, aos poucos, contornou o pequeno com seus braços. “Ele estará muito sensível nestas primeiras semanas, creio que o senhor deva ser compreensivo caso Ciel aparente estar muito carente ou “pegajoso”” lembrou-se das palavras do psiquiatra de Ciel, ditas após ele adormecer de cansaço contra seu peito. “Farei tudo o que eu puder para ajudar Ciel, Doutor Craver*” Foi sua resposta. Sebastian tentou acalmar-se, fazer com que o heterocromático não notasse a repentina mudança em seus batimentos, mas ele não foi rápido o suficiente.

— Desculpa — pediu Ciel, prontamente tratando de tentar se afastar, sendo impedido pelos braços relativamente fortes que o pararam puxando-o com força para mais perto de si.

— Amo-te Ciel, não se esqueça disso. — falou afundando seu rosto no ombro pequeno. O de cabelos azulados arregalou os orbes bicolores ao ouvir as palavras do maior, mas em seguida sorriu pequeno, retribuindo o carinho do outro.

— Eu também te amo, Michaelis.

***

Um mês depois

***

Tudo parecia ter se organizado. Sebastian demonstrava certa melhora com o seu pequeno problema, permitindo-se a cuidar de Ciel da forma como ele sempre desejara. O de olhos bicolores continuava com seu jeito estranho, mas parecia menos psicótico, e até mesmo um pouco feliz. Ronald tornara-se mais próximo ao casal e andava sempre acompanhado de Tristan, que aparentava um tanto quanto possessivo desde o ocorrido com o professor Faustus. William e Grell pareciam duas crianças novamente, com o retorno da memória do ruivo, sua amizade não mudara em uma vírgula do que quando eram pequenos. Tão próximos e tão queridos um com o outro, que poderiam facilmente despertar certa desconfiança nos demais.

Porém, a paz não dura para sempre quando fala em Funtom Academy...

Grell estava caminhando até a biblioteca para devolver o livro que havia pegado na semana anterior, “O mistério do Trem Azul” era o nome do livro. Ele estava tão distraído com seus pensamentos enquanto olhava pela enésima vez a capa do livro, que não notou que outra pessoa vinha pelo mesmo caminho que ele, mas esta pessoa não mudou de rumo, mesmo sabendo que iria esbarrar no ruivo.

O espaço se encurtou rapidamente entre eles e, finalmente, Grell e a pessoa deram o “encontrão”. Pela forma como eles se encontraram, o ruivo desequilibrou-se e teria caído caso a outra pessoa não o tivesse segurado.

— Deveria tomar mais cuidado senhor Sutcliff — advertiu a pessoa que após alguns instantes Grell conseguiu identificar.

— Professor Faustus! — exclamou o pequeno, sobressaltando-se, e se apressando de sair dos braços daquele homem. — Me perdoe. Perdão professor, eu não o vi — disse enquanto, já de pé, espalmava suas roupas. Claude sorriu com a inocência do garoto e fez um gesto com a mão, indicando estar tudo bem.

— Não se preocupe meu caro, apenas tome mais cuidado para não ferir sua bela pele — disse o homem mais velho, tomando a mão do garoto e dando-lhe um suave osculo. Grell puxou sua mão para si, assustado com a ação do professor.

— Desculpe professor, e-eu tenho que ir — gaguejou o ruivo, desviando-se do professor e seguindo o corredor até a biblioteca, primeiramente andando um tanto devagar, mas passando a correr ao ter o pensamento de estar sendo seguido.

Ao chegar lá, o jovem entrou esbaforido pela porta e foi surpreendido por outro encontrão, este dado por Tristan, que caminhava junto a Ronald pelo lado oposto ao do ruivo.

— Grell! O que aconteceu? — perguntou Ronald com tom afoito. Grell olhou para ambos e depois correu os olhos pela biblioteca, parando-os ao deparar-se com os orbes verde oliva de William, que ia preocupado, a passos rápidos, até eles.

— Wiru! — exclamou indo aos braços do moreno que o recebeu, abraçando-o de forma protetora. Grell derramou algumas lágrimas tentando acalmar seu coração assustado. Ele estava assustado, muito assustado na realidade, já que não era a primeira vez que aquilo acontecia, porém desta vez o homem passara do limite.

— Gureru-chan, quer me contar? — questionou William afagando a cabeleira ruiva. Grell assentiu e o maior olhou para os outros dois rapazes que apenas observavam àquela cena. — Nós vamos conversar em particular, depois nos falamos — disse encarando os olhos preocupados de ambos os garotos.

— Certo. — murmurou Tristan, puxando Ronald pelo braço, enquanto esse estava estático pela reação do namorado.

***

Chegando ao quarto, William abriu a porta e deu a passagem ao amigo, que andou de cabeça baixa até sua cama, sentando-se na mesma e abraçando seus joelhos. O moreno fechou a porta e sentou-se junto a Grell, sem dizer uma única palavra. Um instante se passou e o ruivo arfou, deixando mais algumas amargas lágrimas escorrerem.

— E-eu preciso... te contar u-uma coisa... — gaguejou Grell enrolado seus indicadores um no outro enquanto mais lágrimas escorriam por sua face.

Então o ruivo contou a ele, contou sobre o dia em que o homem o ajudou a chegar ao dormitório, contou sobre diversas outras vezes na qual o homem havia feito aquele tipo de “elogios” e ações como beijar-lhe a mão, entre outros. Porém aquela foi a gota d’agua, Grell já não aguentava mais outra vez. Assim como antes, quando era criança, ele contou tudo, num único som, sem pausas para respirar ou pensar.

Ao finalizar seu relato, o ruivo pode ver que a ira emanava de William de forma intensa. Arrependeu-se por ter aberto sua boca e o aborrecido, enfurecido e por fim fez algo inesperado, o menor girou rapidamente seu corpo e agarrou ambos os ombros do moreno, puxando e formando pequenas dobras no moletom que ele vestia, apertando seus pulsos com tanta força que suas mãos tremiam. Suas esmeraldas caíram sobre as olivas de William, exibindo o desespero em sua alma.

— Não conte a ninguém Wiru! Não faça nada contra aquele monstro! — pediu e insistiu, finalizando por esconder seu rosto no peito dele. O moreno estava surpreso pelo pedido do amigo, furioso por ele estar defendendo aquela criatura vil, segundo sua própria classificação, mas não queria correr o risco de perdê-lo novamente, não quando seus sentimentos por ele passaram a se confundir.

William rangeu os dentes, amaldiçoando aquele homem pelo resto da infame existência dele e respirou fundo, afagando os cabelos de Grell, como fizera a pouco na biblioteca.

— Por mais que seja contrário ao que desejo, não irei dizer ou fazer nada contra aquele “desinfeliz”, mas apenas porque me pediu Grell. — falou firme ao “pé do ouvido” do ruivo, que arrepiou-se com a fala mansa de William e acabou por erguer seu rosto, novamente pintando aquela cena de dois tons coordenados e em harmonia que era o encontro entre os orbes de cores tão parecidas, mas tão diferentes.

— Obrigado... — sussurrou o ruivo com tom baixo e distante, corando até as orelhas, ao depositar um sutil osculo na bochecha do rapaz, como sempre fizera quando criança. William segurou o fino queixo do amigo e o abaixou formando um ângulo no qual pode estalar um beijo suave em sua testa, como também sempre fizera.

— Quando vão se assumir? — questionou uma voz vinda do outro lado da porta. Um “shh” alto pode ser ouvido também, este produzido por outra pessoa. Grell olhou para sua situação atual e ficou mais vermelho que seus cabelos.

O ruivo estava de joelhos sobre a cama, com as pernas abertas acima do colo de seu amigo e a poucos centímetros de seu rosto. Ele instantaneamente largou o moletom do amigo e com os olhos arregalados desceu de seu colo, por assim dizer.

William, também notou aquilo e teve um tom róseo cobrindo sua face por alguns instantes, antes é claro de voltar a pensar nas coisas feitas por Faustus e na interrupção dos desconhecidos que certamente os estavam observando pelo buraco da fechadura.

— Quem são vocês e o que querem? — perguntou tentando levar a situação “na esportiva”, como diriam os americanos. A porta se abriu com um suave ruído e por ela entraram Eric e Alan. O loiro tinha um sorriso debochado no rosto enquanto o mais novo estava tão ruborizado quanto Grell.

— Yo William, Grell... — Eric cumprimentou a ambos. O ruivo cobriu o rosto e acenou para os dois amigos.

— Alan, Eric, que surpresa, o que querem? — falou William secamente. Alan se encolheu em seus ombros e deu uma olhadela para o loiro antes de se aproximar mais deles.

— Ah...bem... Grell-senpai... William-kun... e-eu e o Eric-senpai vamos organizar um karaokê no final de semana e queriamos... bem... saber se vocês querem ir... — falou com o semblante animado e os olhos brilhando em expectativa. Grell olhou para o kouhai e sorriu minimamente, já procurando alguma desculpa para negar o convite, porém a mão de William pousou sobre seu ombro.

— Seria legal, você não acha Grell? — disse, surpreendendo ao ruivo, que gaguejou palavras desconexas antes de concordar. Eric sorriu e passou seu braço por cima dos ombros de Alan.

— Q-quem mais vocês c-convidaram? — perguntou Grell olhando para aquela cena um tanto quanto suspeita. William puxou sua mão de volta para si e esperou a resposta juntamente com o amigo.

— Tristan, Ronald, Sebastian e Ciel, mas os dois últimos só vão se vocês forem. — respondeu Eric enquanto Alan pontuava nos dedos cada nome que ele falava. O moreno mais velho deu uma olhada em Grell, como se perguntasse a ele sua opinião. O menor suspirou, mesmo contra seu verdadeiro desejo, olhou para os amigos e sorriu.

— Onde vai ser? — Alan, literalmente, pulou de felicidade e abraçou o ruivo pelo pescoço. Eric sorriu da mesma forma desdenhosa de sempre, levando William a chegar à conclusão de que aquele era seu sorriso natural.

__ *__

A semana decorreu de forma calma, porém agitada ao mesmo tempo. William passou a acompanhar Grell onde quer que ele fosse nunca o deixando sozinho, mas, mesmo assim, o professor conseguia arranjar uma maneira de encostar-se a ele e usar de suas palavras descaradas e sem escrúpulos. O moreno estava uma verdadeira “pilha de nervos”, porém com a aproximação do final de semana seus nervos pareciam ter se suavizado, mas sem nunca “abaixar a guarda” realmente.

No sábado (dia combinado) à noite, os rapazes se encontraram em frente ao dormitório 2, mas tiveram que esperar que Alan voltasse com Grell, pois o mais novo o obrigara a ir trocar de roupas. Quando voltaram, tanto Eric quanto William ficaram de “queixo caído” ao verem seus amigos.

Alan vestia um blusão listrado em tons marinho e areia, de mangas justas nos punhos, em sobreposição com calças de um tom azul marinho profundo que lhe caia perfeitamente. Nos pés usava um tênis surrado preto.

Já Grell, vestia uma blusa listrada de cores marrom claro e branco, por cima desta um casaco de tom vermelho-velho. Usava também calças um tanto justas, negras, e All stars vermelhos. Seu cabelo estava penteado, mostrando seu comprimento real, e enfeitado por uma headband da mesma cor das listras da blusa.

Após serem encerradas as analises dos amigos, Eric, que estava com as faces levemente coradas, foi até o mais novo deles e o puxou pelo braço.

— Vamos logo! — disse secamente, na dianteira para guiá-los até a sua casa. Alan riu daquilo em sua inocência e passou a acompanhar o passo de seu senpai. Grell remexeu os bolsos do casaco e notou ter esquecido seu telefone celular, lembrando-se de tê-lo deixado sobre a cama.

— ahm... podem ir indo, eu só vou buscar meu celular e já os encontro — avisou o ruivo virando-se de costas para o pequeno grupo de amigos. William, que estava bem a sua frente o olhou como se lhe questionasse. — Vai Wiru, nada vai me acontecer! — pediu tocando o ombro do maior lhe dando um olhar encorajador.

— Grell... — disse sem muito convencimento. O ruivo fechou os lábios em um bico teimoso.

— Por favor, Wiru! — pediu e corou ao sentir o olhar dos outros garotos em si. — William... por favor — pediu novamente , abaixando o rosto para tentar ocultar sua vergonha. O moreno trincou os dentes e bufou antes de sorrir pequeno para Grell.

— Está bem, apenas tome cuidado. — disse cauteloso. O ruivo sorriu deixando evidentes as covinhas no canto dos lábios. William suspirou e seguiu em frente até se encontrar com os outros, acenando suavemente para Grell, que retribuiu o gesto.

O ruivo andou rapidamente até a entrada de seu dormitório e se dirigiu até o dormitório que compartilhava com William. Ele suspirou cansado e passou pela porta, estranhando o fato de a mesma se encontrar aberta e o abajur estar aceso, mas sem realmente se incomodar com isso.

Grell olhou para sua cama e pegou o aparelho celular, olhando as horas constatando serem exatas 20 horas. Sorriu vendo o plano de fundo, que era uma foto sua com William, mas o fechou ao ouvir um som de ‘clic.

Ele fechou os olhos e em seguida se virou para trás, encontrando um par de orbes dourados que cintilaram em luxuria. Claude ergueu um pequeno revólver para o ruivo e sorriu de forma sádica.

Boa noite, Grell. Espero que se divirta essa noite comigo.

Notas finais
Bem meus queridos... é isso, nos vemos no próximo capitulo (que eu não sei quando vai sair, talvez quando der uma passada na bad...) ^^ então se gostaram, peço para humildemente para que deixem um comentário. (abro um parenteses para agradecer as vocês coisinhas lindas que favoritaram e aos 15 acompanhamentos, fico realmente feliz em saber que estão gostando) Agora bye, bye meus queridos