Rubro como sangue
3 1st act - Knox-kun, o "preferido" do professor.
Notas iniciais
— Vocês cursam artes não é? Posso levá-los até a sala da sua turma... — questionou o aloirado um tom desinteressado.
A verdade era que Ronald não é uma pessoa “do povo” e sentia apenas a necessidade de oferecer-se para leva-los, já que pareciam dois novatos perdidos. Mas antes que essa linha de pensamentos continuasse ocupando sua mente William prontamente se pronunciou.
— Arigatou Knox-kun, mas nós já sabemos onde é a nossa sala. Agora se nos der licença... — disse o moreno puxando suavemente Grell pelo braço. O ruivo estava confuso, “qual foi o motivo de William querer se afastar do garoto estranho?” pensou consigo mesmo sendo levando pelo braço.
— Tem certeza Spears? Bem... só quero avisar então que quando passei pelo prédio administrativo, de onde venho agora, dei uma olhada nos horários e se me recordo bem, o próximo período da sua turma é de Teoria e prática da dança, com o ilustríssimo professor assistente Faustus... — disse vagamente levando o cigarro novamente aos lábios. Os olhos verdes do moreno mais velho arregalam-se, mas logo em seguida uma expressão curiosa apareceu em sua face.
— Knox... sabia que o sobrenome me era familiar, és tu o queridinho do professor assistente não é? — alfinetou com um sorriso um tanto quanto malicioso nos lábios. O aloirado grunhiu em resposta, girando o corpo para trás, dando as costas para os rapazes. Grell espiou entre os braços de William e viu Ronald jogar o cigarro no chão e pisa-lo com a ponta do sapato para apaga-lo.
— Talvez não sejam os termos apropriados quando se refere a aquele hentai, mas sim, o professor Faustus tem muito “apreço” por mim. — disse deixando evidente o sarcasmo, em seu tom de voz, e o escárnio que sentia, em seu sorriso. “Mas quem é esse tal de “Professor Faustus” que eles tanto falam? E o que de ruim há em ser admirado por alguém?” pensou inocentemente o ruivo que não compreendia toda aquela estranha situação.
— Entendo, talvez aquele íncubo* não venha atormentar-nos se te ver. — murmurou pensativo, já cogitando a ideia proposta pelo mais jovem. “Eu realmente não suporto aquele hentai, sempre tentando coisas para cima de mim e dos outros alunos...” pensou enquanto arrumava suavemente os óculos. Seu olhar então procurou os esmeraldinos do menor, que o observava inconscientemente. Ao notar que estava sendo observado, Grell desviou os olhos corando abruptamente. “Droga, porque eu o estava observando? Porque? Porque?” pensou explodindo de vergonha por dentro e por fora. O moreno mais velho sorriu ao ver aquela cena “Como ele fica kawai corado... mas espera, o que? O que você está pensando William?” indignou-se com a própria linha de pensamentos, ficando levemente ruborizado. Ele pigarreou e em seguida, ainda com as bochechas rosadas, disse. — Está bem então, mas nós precisamos nos trocar primeiro. — O aloirado sorriu de lado e aproximou-se deles.
— Certo, mas vamos logo. Tem um banheiro 3 portas antes da sala de vocês e o período do Visconde está acabando, se não estiverem na sala antes que o Faustus entre, não há Ronnie no mundo que salve suas peles de serem notados por aquele hentai... — disse já dando inicio a caminhada e sendo seguido pelos dois, mas ele parou e virou-se, olhando para os esmeraldinos do ruivo — principalmente você.
O tom usado pelo loiro foi o suficiente para arrepiar até a alma de Grell, que apertou o passo em direção ao edifício cinzento que era conhecido como o prédio principal de Phantomhive’s university ou como era mais comumente chamada, Funtom academy.
Tal prédio que um dia, muitas décadas atrás ou quem sabe até séculos, fora a mansão Phantomhive, lar do “cão de guarda da rainha”. A ultima geração que se tinha conhecimento de ter habitado a mansão fora a dos pais do pai do atual proprietário, o conde Vincent que atualmente se encontrava internado e em coma, graças ao acidente que matara sua esposa.
***
O professor olhava curioso para aqueles três garotos, sendo que dois deles ele já conhecia e o outro lhe chamava a atenção por sua beleza. “Belas curvas... quem diria que uma garota poderia ser tão bela” pensou Faustus examinando Grell de cima a baixo. Porém teve a visão daquela “garota” privada por William, que tentava proteger o menor.
— Olá garoto Spears, poderia me apresentar a sua amiga? — perguntou com um tom sedutor e um sorriso sarcástico no canto dos lábios. William grunhiu e lançou um olhar mortífero para o professor que apenas riu nasalmente do aluno e ameaçou tocá-lo.
— Não ouse encostar em mim ou nele ou em Sebastian novamente! — sussurrou entre dentes. A ira que ele exalava era tão grande que até mesmo o professor Chamber, que estava do outro lado da sala conversando com o dito Sebastian, pôde senti-la.
— Isso eu não posso prometer... aluninho. — disse com o semblante sério, descolando os olhos dourados para a figura pequena atrás dele. — Ei, você ai, ruiva que está se escondendo atrás do Spears, qual o seu nome gracinha? — perguntou com o mesmo tom utilizado anteriormente ao cumprimentar William.
Grell tremia, sentia medo daquele homem que lhe havia sido apresentado como professor, tanto pela forma como ele tratava os alunos quanto por fazer alguém como William, que agira tão gentilmente até agora, silabar de forma tão ameaçador. Seus olhos ameaçavam marejar e era esta uma das características que ele mais odiava em si mesmo, “essa maldita facilidade para chorar” praguejou internamente mordendo o lábio inferior.
Enquanto isso, o homem mais velho aguardava, “Vamos minha pequena, mostre-me seu rosto, deixe-me ver seu olhar... saber seu nome, ouvir sua melódica voz.” Pensou maliciosamente permitindo um leve sorriso se formar em seus lábios, alem de lançar para “ela” um olhar carregado de luxúria e desejo.
Grell ergueu um pouco o rosto deixando-o visível para o professor que, ao contemplar a face com traços delicados e levemente femininos, sentiu-se tentando a possuir aquela “dama”.
— Sutcliff, Grell Sutcliff — disse ele com sua voz de tenor* saindo trêmula e ainda mais fina. Suas bochechas estavam vermelhas e seu coração pulsava rápido. Um sorriso ainda mais pervertido do que os pensamentos do professor surgiu nos lábios do homem mais velho.
— Perdoe-me senhor Sutcliff, mas o confundi com uma dama. Isso é inadmissível da minha parte como professor há como eu possa redimir? — questionou o homem com um tom galante que derreteu cada uma das garotas que estavam sentadas próximas à entrada da sala. Grell ficou estático e agarrou tremulamente o casaco de William como se lhe pedisse socorro, que era o que ele fazia com o olhar, enquanto o moreno trincava os dentes para conter a fúria.
Aquela reação não era por ser Grell a ser “cortejado” pelo adulto e sim por mais uma vez um de seus amigos, pois assim o moreno já considerava o ruivo mesmo com apenas 1 hora ou pouco mais de convivência, ser abusado psicologicamente por aquele professor dissimulado.
William estava farto daquilo, mas mesmo que ele já quisesse ter levando aquela situação à direção algo impedia que as vitimas falassem em frente ao diretor e não prestassem queixa sobre aquele abuso de autoridade do professor.
— Professor Faustus... — chamou timidamente Alois, tocando o braço do docente. Sua expressão poderia ser considerada inocente caso um brilho estranho e uma aura possessiva não exalasse dele. O maior tirou os olhos de sua presa e olhou para seu protegido de uma forma doce, mas sem uma expressão clara no rosto.
— Sim... highness? — perguntou sussurrando a ultima parte. O menino de face angelical fez um sinal com a mão para que o homem se aproximasse e foi o que o mais alto fez, deixando seu ouvido na altura da boca do loiro, como fizera antes.
— Não fique dando atenção a outros que não seja eu... idiota, sabe que é submisso a mim, tem que fazer o que eu mandar... eu sou seu dono, seu mestre, dê completamente sua atenção para mim... é uma ordem! — mandou o menor passando sua língua entre os lábios e em seguida afastando-se levemente do maior, permitindo-lhe ver seu rosto. O mais velho tinha sua expressão séria de sempre e uma leve pitada de raiva nos olhos, perceptível para que observasse com atenção.
— Entendido — respondeu e em seguida girou o corpo para trás e deparando-se com a visão do Visconde conversando com Sebastian sobre uma peça chamada “Hamlet” de William Shakespeare. — Professor Chamber acredito que agora é o meu período de aula com esta turma, portanto faça a gentileza de se retirar ou eu terei que retirá-lo daqui a força. — disse lançando um olhar ameaçador para o professor loiro, que ficou estático e em seguida voltou ao normal.
— Oh isso é terrível meu horário acabou! Como pude cometer tal ultraje de permitir que me estendesse conversando com estes mortais a ponto de nem sentir meu precioso tempo passar! — sua destra pousava contra sua testa de forma dramática e ele tinha seus olhos fechados. Ronald riu baixo da reação do professor enquanto Faustus murmurou um “tsc” revirando os olhos.
— Já que você insiste em continuar com esta palhaçada, não terei outra escolha a não ser tirá-lo a força... — murmurou indo na direção do colega com os lábios torcidos em um sorriso perverso. O visconde deu alguns passos para trás, esbarrando na mesa de professor e começando a juntar seus materiais.
— Não, não é necessário meu caro colega a utilização de força bruta, este nobre aqui se despede de vocês meus súditos. Beijos e não esqueçam de fazer a atividade das páginas 123 e 125, serão cobradas sem falta na próxima aula! — gritou saindo porta a fora antes que fosse defenestrado pelo moreno.
Grell ainda permanecia atrás de William, agora segurando mais suavemente seu agasalho, porem seu semblante parecia mais plácido do que antes, mas sem deixar de ter aquela pontinha de receio visível no seu olhar.
O moreno mais jovem girou levemente o corpo para trás e olhou nos olhos esmeraldinos, seu olhar era carregado de uma energia suave e confortável que transmitiu inúmeras vezes mais confiança ao menor que parou de morder o seu lábio inferior e esboçou um singelo sorriso tímido, corando um pouco.
Ronald pigarreou perto deles e Grell encerrou o contato visual que eles tinham girando o rosto na direção do aloirado. Ele deu dois passos para frente e deu uma batidinha no ombro do ruivo.
— Tenho que ir Grelly tchauzinho, foi um prazer conhecê-lo. — disse sorrindo lindamente para ele que corou ainda mais do que já estava.
— Obrigado Ronald, por tudo. — disse encarando o chão, completamente ruborizado. Algo dentro de William borbulhou e ele rangeu os dentes lançando um olhar nem um pouco amigável para o mais novo que levantou ambas as mãos em sinal de rendição.
— Já vou indo então fique bem amigo... — falou indo até a porta e antes de sair sussurrou — você também, Taylor-kun — ele saiu andando pelo corredor e caminhou calmamente em direção a sua sala, enquanto Grell ficava sem entender “Quem é essa Taylor?” questionou-se antes de virar-se novamente para William. O moreno possuía uma expressão distante e os olhos nublados, mostrando que estava perdido em seus devaneios.
— Agora que já resolvemos nosso pequeno "problema", por favor, façam a gentileza de sentarem-se em suas classes para que possamos começar a revisar a matéria que já conhecem... — disse encarando os rapazes que ainda estavam parados na frente da porta. William lançou um olhar fulminante para o professor enquanto Grell tremeu e corou violentamente o ver que todos os olhares da turma se dirigiam a ele.
— Vem, não se preocupe com eles, tem um amigo que eu gostaria de te apresentar. — sussurrou o moreno puxando o outro pela manga do moletom que ele agora vestia. O coração do ruivo bombeou mais forte e mais rápido e ele abaixou a cabeça, envergonhado.
***
— Então Grell, de onde você veio? — perguntou Ciel limpando o canto dos lábios com um lenço branco, retirando um pouco do chocolate que havia ficado ali enquanto ele saboreava um pedaço da torta que Sebastian havia preparado para ele em segredo, sendo este o motivo de seu atraso, agora perdoado. O ruivo ergueu os olhos do prato a sua frente e mirou o menor exibindo um sorriso tímido.
— Academia de Shinigami. — disse levando o canudo da caixinha de suco de pêssego em direção aos lábios, sorvendo um pequeno gole. O menor o olhou com uma expressão de dúvida e virou o rosto na direção de Sebastian como se lhe perguntasse.
— É uma cidadezinha no interior cuja população é de aproximadamente 2.000 pessoas, em sua maioria com olhos verdes e sérios problemas de visão. É isso não é Grell? — explicou o maior logo questionando ao outro se a informação era correta. O ruivo assentiu e uma expressão surpresa estava na face de William.
— É realmente uma coincidência, por que... eu também vim de lá...
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