Rubra
1 Capítulo 1
A noite inebriava-se e envergava-se entre os ventos gélidos que insistiam em perpassar pelas árvores obsoletas em direção ao grande cemitério que ficava ao centro da cidade chamada Amiens, localizada ao norte da França. O silencio mórbido que pairava por aquele lugar fora invadido por passos pesados que se embrenhavam pela floresta ali existente. Ouvia-se sussurros desvairados de algum ser que pretendia ser meticuloso para com seus atos, porém, era evidente que encontrava-se em grande perigo. A lua, agora encoberta por enormes nuvens negras, já não mais guiava aquelas pobres almas noturnas presas a terrível obscuridade da maldição a elas empregada. Seus passos foram se aproximando cada vez mais do grande chão de mármore que fincava uma extremidade a outra do cemitério, que a cada minuto que se passava, tornava-se ainda mais assustador e arrepiante. Pisoteou com força o mármore e prosseguiu com os passos amedrontados em direção a um grande túmulo central que havia por sobre o piso um tanto escorregadio devido ao sereno. Seus olhos ao fitar o céu nebuloso e sombrio, tomaram uma cor viva, um tom escuro de vermelho e ao mesmo tempo brilhante se observar mais atentamente. Algo grotesco e anormal. O que será aquilo? Uma espécie de lobisomem com a transformação para se completar? Uma espécie de animal vivente entre os humanos? Uma aberração? Suas mãos eram ásperas, peludas e seus dedos eram longos, pontudos dando a parecer enormes garras afiadas, feitas para matar qualquer indivíduo que entrasse em seu caminho. Seu corpo era comprido e sinuoso, em suas costas havia buracos granulosos e deveras assustador, seu queixo era triangular, dando uma visão ainda mais assombrosa naquele ser pertencente à escuridão. O homem que mais parecia algum tipo de lobo, se pusera ereto em direção a lua já quase perdida entre as nuvens que pareciam fumaças pretas e cinzas, e com um movimento brusco com as mãos, fizeram suas garras ficarem totalmente expostas, seus corpo se enrijecia cada vez mais enquanto iniciava um andar pesado e quase desequilibrando-se com o que não parecia nada com pés. Ele não era humano. Não dava para enxergar o tom de sua pele devido à excessiva camada de pelos que envolvia sua pele, cada parte de seu corpo, até envolta de seus olhos, ouvidos, nariz.. Era agoniante olhar aquilo. Caminhou até encostar-se no túmulo lacrado fortemente com correntes de ferro enormes e grossas. Deveria haver dentro uma criatura das trevas de se temer sem precisar pensar o nome.
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