Rubi - A descarada
7 Capítulo 7
Notas iniciais

Dona Lola narrando
Cristininha estava casada com Marcos a algum tempo. Trabalhava muito, apesar de não precisar e queria alguns objetos que eram de sua falecida mãezinha (Que Deus a tenha. – Pensa dona Lola fazendo o sinal da cruz). Aproveitei que Onésimo estava de bobeira e pedi a ele que me levasse até a vila, assim poderia pegar tudo o que Cristina queria, e ainda daria uma volta no meu carrão e esfregando na cara da Margarida o meu noivinho. Quando cheguei na casa da Cristininha, comecei a gritar, porque a casa estava com as janelas aberta. Quem a teria invadido? Não demorou muito, e todos da vila vieram o que estava acontecendo, até o tal “invasor” da casa. O que me fez ter vontade de gritar mais ainda.
– Rubi? Mas como? O que você faz aqui? Estão todos te procurando feito loucos. – Diz Dona Lola. Gente, gente... Pessoal, podem voltar pra casa. Agora teremos um assunto de família. Podem ir andando. Cada um pro seu cantinho. Vamos lá. Vamos, deixem de ser curiosos porque eu e a Rubizinha teremos que conversar – Diz dona Lola ao povo da vila que estava olhando para as duas sem entender o que estava acontecendo.
– Assunto de Família? – Diz Rubi rindo. Francamente né Dona Lola. Nem tente se comparar a mim, somos muito... diferente. Diz Rubi a encarando da cabeça aos pés.
– é verdade Rubizinha, não somos iguais. Eu tenho caráter e você não; Outra diferença entre nos duas é o fato de você estar de volta nessa vila que tanto criticou e eu morar em uma enorme mansão. Realmente não somos iguais. Cristina pediu para que eu pegasse algumas coisas que pertenciam a sua mãe. Mas estou sabendo, você e o arquiteto não estão mais juntos, então creio que ela não vá se importar de fazer essa caridade e deixar as coisas aqui pra você.
– Não ouse falar assim comigo. Eu não ficarei aqui por muito tempo. Acha mesmo que preciso viver de favor na casa dos outros como a senhora dona Lola? Eu tenho dinheiro suficiente pra comprar até você se eu quiser. Então, é melhor não me subestimar. Não queira complicar as coisas dona Lola... Ah, e não vá dizer a ninguém que me encontrou por aqui. Ouviu?
– Sinto muito. Mas isso eu não posso fazer. Terei que contar imediatamente para a Cristininha que te encontrei aqui na vila. Não faço isso por você. E sim por ela, que não tem descansado desde o dia que você sumiu.
Narrador
“Alessandro ligou para Maribel desmarcando o compromisso que tinham à noite. Com medo da reação dela, o rapaz inventou que havia surgido alguns imprevistos no hospital e isso o deixaria “preso” até mais tarde. Embora continuasse negando, Alessandro sabia que amava Rubi com a mesma intensidade do primeiro dia em que a conheceu e talvez esse sentimento jamais mudasse...
Rubi não era tão má assim. Era humana e cometeu erros. Mas quem nunca errou nessa vida? Alessandro não conseguia esquecer que ele também havia errado quando movido pela dor, acusou a bela injustamente... E agora imaginar que Heitor pudesse tê-la machucado, o deixava cheio de raiva. Quando chegou na casa do casal, a empregada de forma educada disse que havia recebido ordens de que não deixasse ninguém entrar. Alessandro mal a escutara, e foi entrando até se deparar com Heitor na sala. Não o Heitor que conhecera a anos. Esse parecia destruído, e encontrava-se despojado no sofá com uma expressão vazia chegando até a lhe dar pena. Mas ao perceber que o rival entrava na sala sem se anunciar Heitor levantou furioso, indagando a Alessandro o que ele fazia em sua casa.”
– Senhor, eu disse que você não queria receber ninguém, mas ele não me escutou e foi entrando. Não tive como impedir. –Diz Dora, temendo a reação de Heitor
–Tudo bem Dora. Pode ir pro seu quarto. Posso saber o que você quer na minha casa Alessandro? – Diz Heitor nervoso com a situação.
– Exijo me diga onde está a Rubi. Eu não vou permitir que a maltrate Heitor. Não sei como foi capaz de fazer algo com ela. Tente agir como homem ao menos uma vez na vida. Vem aqui e resolve seus problemas comigo. Ou não tem coragem? Se acha que pode fazer mal a ela, e continuar agindo como se nada estivesse acontecendo, se acha que ela está desprotegida, você está muito enganado.
– Não permito que fale assim comigo! – Diz Heitor disferindo um soco em Alessandro. Não tenho que lhe dar nenhuma satisfação sobre a minha esposa. E se alguém tem que exigir alguma coisa, esse alguém sou eu. Eu exijo que você fique longe de nos dois ouviu Alessandro? Longe da Rubi principalmente! Ou sou capaz de...- Grita Heitor, se aproximando de Alessandro.
– Capaz de que Heitor? É assim que você mantem ela ao seu lado? Através de ameaças? Através da violência? Eu tenho vergonha da pessoa que você se tornou. Vergonha. E antes de ir, quero saiba de uma coisa: Se Rubi não aparecer em breve, vou fazer com que Cristina abra uma denúncia formal, já que ela desapareceu após uma discussão entre vocês dois.
– O que te incomoda, é saber que ela é minha não é? É imaginar nós dois fazendo amor. Se você não sabe, eu vou te explicar: Jamais faria algo contra Rubi. Diferente de você, eu a amo de verdade. Mas acho que você é especialista em acusações sem provas não é Alessandro? Vá em frente. Eu estou tranquilo. Diz Heitor irônico vendo Alessandro sair incomodado de sua casa.
Heitor narrando
“A gerência do Hotel havia me comunicado ontem à noite que existiam algumas pendencias. No entanto não estava com vontade de sair de casa. As coisas mudaram quando hoje pela manhã o telefone tocou e Cristina finalmente me dava a notícia que mais desejei no últimos dias. Ela Sabia onde estava Rubi... Na vila! Como Não pensei nisso antes? Nem esperei Cristina desligar o telefone e saí correndo. Precisava encontra-la, precisava pedir desculpas... Queria ela de qualquer modo ao meu lado. Rubi precisava me perdoar.
Mal pude me conter quando entrei pela vila. O minutos entre minha casa e a casa de Dona Rosário pareciam infinitos. E quando ela abriu a porta, minha vontade era agarra-la pela cintura e leva-la imediatamente comigo, mas sabia que as coisas não poderiam ser assim.
– Será que eu posso entrar Rubi?
Rubi narrando
“Quando abri a porta, senti minhas pernas ficarem bambas. Pensei: Qual é Rubi? Está se sentindo nervosa porquê? É só o Heitor, você esperou ansiosa para que ele lhe buscasse, e agora vai se sentir assim? Estava feliz por vê-lo ali. Parado, me pedindo para entrar. Os últimos dias foram os piores que vivi ultimamente. Primeiro fui presa, depois perdi o Alessandro e temi perder Heitor também. Quando percebi que ele não me procurou, imaginei várias coisas, principalmente que Helena o tivesse conquistado. Estava fraca. Fraca emocionalmente e também fisicamente. Tudo o que eu queria era ele perto de mim. Não que eu o amasse. Mas a forma como ele me tratava, como me olhava. Seu sorriso... me fazia lembrar da minha infância. Lembrava de meu pai, que apesar de não ter dinheiro, sempre me deu muito amor, ele me olhava e dizia que eu ia conquistar o mundo... Ele confiava em mim, em meu potencial e Heitor era como ele, e isso criava dentro de mim cada dia mais e mais um sentimento estranho. Eu sei que sou especial, mas perto de Heitor, me sinto mais especial ainda.”
– Claro Heitor, entra. – Diz Rubi indicando que Heitor sentasse no sofá.
– Rubi, olha aquele dia... Eu e a Helena. Não aconteceu nada. Eu nunca, nunca te trocaria por ninguém. Você sabe que eu só amo você, que eu só quero ficar com você... Eu senti tanto a sua falta nos últimos dias. Nós estávamos tão bem; Rubi você tem que me dar uma chance.
– Olha Heitor. Estou cansada, estou farta de tudo. As pessoas estão sempre me acusando. Sua madrinha está sempre desconfiando de mim, você sempre com seu maldito ciúmes e eu realmente estava disposta a tentar levar nosso casamento a diante. Eu queria ser feliz ao seu lado, mas sempre tem algo que nos atrapalha.
– Estava? Como assim estava? Você não pode estar pensando em se divorciar de mim Rubi? Vai correr pros braços do imbecil do Alessandro? É isso que você quer? – Diz Heitor segurando forte um dos braços de Rubi.
– Me solta Heitor está me machucando. Está vendo como você age sempre? E depois de tudo, da forma como tenho me esforçado para ser uma esposa melhor... como você pode pensar isso de mim? Acho que você se esqueceu que eu só saí de casa porque te peguei com aquela vagabunda da Helena na nossa casa ainda por cima Heitor. – Diz Rubi levantando do sofá, indo em direção a janela, ficando de costas para ele.
– Meu amor, me perdoa. Eu sei que errei permitindo que Helena se comportasse daquele modo. Mas combinamos que iriamos tentar. – Heitor segue Rubi e a abraça por trás, beijando seu pescoço.
– Tudo bem Heitor, vamos conversar. Se eu voltar para casa, as coisas não poderão ser como antes. Eu quero uma nova vida. Eu quero sossego e tranquilidade. Eu quero ser feliz ao seu lado Heitor e quero te fazer muito feliz. Quero que confie em mim, e não tente me controlar o tempo todo. E o principal: Quero que entenda que tenho meus defeitos. Temos que... – Rubi ia dizendo quando novamente sentiu um mal-estar. Parou e tentou respirar fundo, sentiu o perfume de Heitor, que parecia mais forte do que o normal e em seguida um forte enjoo. A bela pediu para que o marido se afastasse, e saiu correndo para o banheiro. Heitor, sem entender nada foi atrás, ficando preocupado com a esposa.
– O que foi Rubi? Você está se sentindo mal? Quer que eu te leve ao hospital?
– Não, não foi nada demais. Devo ter comido alguma coisa que não me fez bem, e deu nisso, só estou com um pouco de dor de cabeça e cansada, mas isso passa.
– Eu vou cuidar de você, na nossa casa. Porque você vai embora comigo não é Rubi?
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