Rubi - A descarada
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Cancun
– Alessandro?! Estou te procurando a horas. – Diz Marcos. – A Cristina foi para capital ver a Rubi. O que houve?
– Me deixa Marcos, quero ficar sozinho.
– Você está bêbado?
– Sim, eu bebi. E daí? Bebi para esquece-la. Eu não queria fazer mal a ela. Eu a amo. Você sabe o quando eu a amo... Aquele idiota do Heitor... hahaha – Diz Alessandro debochando. – Aquele imbecil acha que ela é dele. Mas na verdade ela é minha. A Rubi sempre vai me amar!
– Me vê um café bem forte pra ele aqui. – Diz Marcos ao barman empurrando o café ao amigo. – Alessandro, você tem que esquecer isso, a Rubi faz parte do passado, ela tem uma família agora. Eu sou seu amigo e sei que ela havia se casado com Heitor por interesse, mas agora eu realmente acho que ela está apaixonada pelo marido.
– Você pode até achar Marcos. Mas a Rubi é minha e sempre vai ser. – Grita Alessandro alterado socando a mesa. – Me diz como ela está? Você tem alguma notícia?
– Bom, felizmente ela já não corre mais risco de morte. Cristina me ligou e avisou que os bebês nasceram. Eles devem permanecer alguns dias na incubadora, mas está tudo bem com eles.
– Era pra eu estar lá com ela agora. Era pra ser meus filhos... Maldito seja o dia em que eu considerei aquele canalha como irmão, odeio o Heitor!
– Vamos embora Alessandro. E como eu já te disse: Esquece a Rubi.
Cidade do México
Todos se encontravam apreensivos na sala de espera. Elisa apesar de suas desavenças com Rubi, havia ido com Genaro para juntos darem apoio ao filho. Cristina e Toledo também estavam presentes ansiosos por notícia. As horas passavam e a cada instante, a tensão aumentava. Ninguém tinha notícias sobre Rubi, até que Heitor surge pelo corredor.
– Heitor, como está minha irmã? O que houve com ela?
– Felizmente Rubi está bem. – Diz Heitor sorrindo. – Ela teve uma pré-eclâmpsia mas tudo deu certo. Meus filhos nasceram. São a coisa mais linda do mundo.
– Ai meu filho, que felicidade! – Diz Eliza abraçando Heitor.
– Eu posso ver meus netos? – Pergunta Genaro.
– Eles estão na sala de incubadora neonatal. Até ganharem peso o suficiente, devem ficar lá. O médico disse que em uma ou duas semanas, eles já poderão ir para casa. Mas podemos ver eles através do vidro padrinho.
– E a Rubi? Onde está? – Questionou Toledo. – Será que eu posso vê-la?
– A Rubi está no quarto, mas acho melhor você esperar mais um pouco. Ela ainda está meio confusa por causa da anestesia. Prefiro deixar que ela descanse Toledo.
– Vamos ver meus filhos? – Respondeu Heitor, encaminhando os presentes a sala da incubadora.
Rubi narrando
Quando acordei, ainda me sentia um pouco fraca. Heitor estava ao meu lado, como tem feito nos últimos anos. Seu cabelo loiro realçava com a luz do sol que entrava pelas gretas da janela do quarto, e seus olhos possuíam um brilho especial.
– Meu amor, que bom você acordou. – Disse Heitor dando-lhe um beijo.
– E meus filhos? Cadê meus filhos Heitor?
– Eles estão bem Rubi, são tão lindos, tão pequenos. Eu sou o homem mais feliz do mundo por ter tê-los. – Sussurrava Heitor. – Você tem visitas... Meus padrinhos estão lá fora. Além da Cristina e do Toledo.
– Eu quero ver meus filhos, quero conhece-los Heitor, por favor.
– Se você quiser, eu posso te levar meu amor. Mas você tem que ter cuidado. Acabou de passar por uma cirurgia. Nada de muito esforço.
– Obrigada por todo cuidado e atenção Heitor. Vamos?
– É claro!
– Rubi! – Diz Toledo exaltado ao ver a amiga saindo do quarto. – Que bom que você está bem fofinha. Temi que você não se salvasse.
– Ai Toledo, vira essa boca pra lá... Como você pode perceber eu estou bem. Você já viu meus filhos? Heitor está me levando para conhece-los.
– Vi sim, são lindos. Mal posso esperar eles saírem daqui do hospital usando a coleção Toledo’s Baby feitas exclusivamente para eles.
– Só você para me fazer rir Toledo. Me espera que eu já volto.
Rubi e Heitor foram até a uti neonatal. Ao chegarem lá uma das enfermeiras explicou ao casal quais seriam os procedimentos, durante a internação dos bebês. Ambos teriam acesso livre a UTI porém, os avós, os tios e parentes em geral teriam horários restritos. Além disso a enfermeira também explicou que era obrigatório o uso de avental, e que os cabelos deveriam ser preso e para pegarem os bebes era necessário lavar a mão e higieniza-la com álcool em gel.
– Olha Heitor. Eles são tão pequenos. – Dizia Rubi ao fita-los pela primeira vez.
– Já decidiu os nomes meu amor?
– Sim. O nosso menino vai se chamar Henrique, e a minha princesinha, quero que se chame Elisa, como sua mãe. O que acha?
– Hã, Elisa? Mal posso acreditar. Que surpresa maravilhosa Rubi. Minha madrinha vai ficar louca quando souber da novidade.
– Eu espero que ela goste da surpresa, e que isso prove o quanto eu quero que as coisas mudem em nossa família... Meu amor, acha que um dia sua madrinha vai gostar de mim?
– Acho que sim, se houver um esforço de ambas as partes. Porque você também não facilitou as coisa né Rubi. – Dizia Heitor a Rubi, que não conseguia parar de olhar para seus filhos.
– Eu sei, mas tenho medo. Tenho medo que ela não aceite nossos filhos, já que ela nunca achou que eu fosse a esposa ideal.
– Meu amor, ela está apaixonada por nossos filhos. Não faz outra coisa a não ser falar deles. Ela se ofereceu para te ajudar a cuidar dele quando vocês tiverem alta.
– Eu quero nossa família unida Heitor. Quero que você e eu estejamos sempre com eles. Quando vamos poder ir embora? Não aguento hospital. Você sabe o quanto eu detesto esses ambientes.
– Vamos sempre estar com eles Rubi. Segundo o Dr. Vasconcellos, no máximo em três semanas já estaremos de volta.
– Três semanas ainda? – Murmurou Rubi.
– Sim meu amor, só três semanas.
Rubi e Heitor voltaram para o quarto. Ela descansou por algumas horas até que uma enfermeira veio lhe ajudar a tomar banho. A bela ainda se sentia fraca, e rapidamente voltou para cama. Ao se acomodar, pediu a Heitor que chamasse sua madrinha para que juntos contassem a novidade.
– Eu estou muito feliz com a presença da senhora e do Sr. Genaro, eu sei que você não gosta de mim, mas quero que as coisas mudem a partir de agora.
– Não poderia abandonar meu filho nessa situação Rubi.
– São meus netos Rubi. – Interrompe Genaro. – Não perderia nunca a oportunidade de estar aqui. Vocês fizeram um bom trabalho. São lindos.
– Realmente são lindos padrinhos. – Respondeu Heitor. – A Rubi tem uma surpresa pra você madrinha.
– Surpresa pra mim? – Questionou Elisa com cara de espanto. – O que é?
– Heitor e eu decidimos os nomes dos garotos. Nosso filho, vai se chamar Henrique, e a minha menininha vai se chamar Elisa como a senhora.
– Eu não sei nem o que dizer. – Respondeu Elisa atônita. – Muito obrigada pela homenagem meu filho. – Disse abraçando Heitor.
– Que bom que gostou madrinha, mas quem escolheu foi a Rubi.
– Obrigada Rubi. – Respondeu Elisa sem jeito.
– Não precisa me agradecer. Heitor me disse que a senhora se ofereceu para ficar uns dias lá em casa me ajudando com os bebês.
– Sim, eu ofereci, mas se não quiser, vou entender.
– É claro que aceito Dona Elisa. Não tenho experiência com crianças e ainda estou muito assustada com toda essa novidade. Ia adorar ter alguém para me ajudar, a senhora fez um bom trabalho cuidando do Heitor, sua opinião vai ser muito importante. Você também Sr. Genaro, pode aparecer lá em casa sempre que quiser para mimar meus filhos.
– Você nem imagina o quanto vou fazer isso. – Respondeu Genaro rindo. – Vou estragar esses garotos, isso se o Heitor não fizer isso antes de mim.
Um mês depois
– Rubi, hoje chegou o dia que você mais esperou. Finalmente, seus filhos vão poder ir para casa. – Disse uma das enfermeiras
– O quê? Como assim? – A notícia soava como música nos ouvidos de Rubi que parecia não acreditar na novidade. Em poucos segundos, a bela imaginou seus filhos em casa, com as roupinhas que ela havia comprado, os sorrisos deles para família. – Ouviu Heitor? Vamos leva-los para casa. – Dizia Repleta de Felicidade.
– Ouvi sim meu amor. Finalmente vai acabar toda esse angustia.
– Senhora, se você quiser, já pode colocar a roupa em seus filhos.
– Eu? Colocar uma roupa neles? Acho melhor não. Resmungou Rubi. – Por mais que quisesse ter seus filhos nos braços, o medo arrebatava todo seu corpo. Tinha receio de quebrar as pernas fininhas dos pequenos, de não saber sustentar o pescoço ou de ficar atrapalhada na hora de trocar a roupa.
– Você precisa estar segura Senhora Ferreira. É preciso ter calma e principalmente amor. Mas se você não está pronta, tudo bem. Eu mesma posso fazer isso. – Respondeu-lhe a enfermeira que se dirigia em direção aos bebês.
– Não! Pode deixar que eu faço. – Disse Rubi, que estava trêmula ao segurar Elisa pela primeira vez. A garota correspondia, parecia saber que aquela era sua mãe, e isso deixava Rubi cada vez mais emocionada. – Vamos lá minha filha, ajuda a mamãe. – Sussurrava Rubi, que suava de tão nervosa. A garota fitava o tempo todo os olhos de Rubi e naquele instante, um laço inseparável se formava entre as duas.
– A senhora está se saindo bem. – Congratulava a enfermeira.
– Obrigada. Quer me ajudar a vestir o Henrique meu amor?
– É claro. – Respondeu Heitor aproximando da esposa. – Ele é tão pequeno. – Dizia Heitor ao esticar as meias até o joelho de Henrique porque o pé do garoto era pequeno demais.
– é sim, mas em breve será um grande homem como você meu amor.
Mansão dos Cárdenas
Alessandro narrando
“Rubi havia voltado com sua família, queria vê-la, queria abraça-la, mas sabia que não era o correto. Eu deveria respeitar a relação dela com o Heitor, e só de saber que tudo estava bem com ela e com seus filhos, eu me sentia aliviado e menos culpado pelo que havia acontecido. O que me incomodava era saber que ela finalmente havia me esquecido, e que eu nunca ia esquecer ela. Precisava vê-la pela última vez.”
Mansão dos Ferreira
– Rubi querida. Você está cada dia mais... linda. – Dizia Toledo que acabara de entrar na sala. – Vai brincar vai Jorge. – Disse o estilista colocando o cachorro no chão. – Está quase recuperando sua boa forma.
– Toledo, você não precisa se preocupar. Sabe que vou ficar mais linda do que antes. Eu ainda estou um pouco inchada por causa da cirurgia, o médico disse que é norma. E mesmo que eu tivesse que ficar assim o resto de minha vida, não me arrependeria. Agora eu tenho as duas coisas mais importantes do mundo.
– Quem te viu quem te vê hein. Pra quem não achava a maternidade o máximo.
– Eu sei Toledo que sempre vivi falando que não me importava. Mas quando eu olhei pela primeira vez nos olhos deles, minha vida mudou. Eu senti amor, um amor que eu nunca tinha sentido por ninguém. Eu sou capaz de fazer qualquer coisa por eles.
– Rubi, tão bela quanto confusa... Já pensou se alguém um dia descobrir que o verdadeiro pai dos seus filhos é o Alessandro?
– Ai Toledo, vira essa boca pra lá. Ninguém vai descobrir, porque a única pessoa que sabia meu segredo era a maldita da Helena, e ela está morta, e como você sabe, os mortos não falam. Alessandro jamais vai saber a verdade.
– Falando em Alessandro, eu o encontrei aqui na porta na hora que eu cheguei. – Disse Toledo sem perceber que Heitor acabara de chegar.
– O Alessandro? Aqui na porta da minha casa? – Questionava Rubi surpresa.
– Sim, eu achei que você soubesse. Não o deixaram entrar, daí ele foi embora muito contrariado.
– Melhor assim. Não sei porque Alessandro insiste em me procurar. Ainda ia causar um enorme problema se o Heitor o encontrasse aqui.
– Olá meu amor. – Interrompeu Heitor, indo em direção a sua esposa e lhe dando um beijo. – Estavam falando sobre o quê? – Questionou, fingindo não saber do assunto.
– Nada importante. Era sobre a falta de noção de algumas pessoas.
– Acho melhor eu ir embora. Amanhã nos vemos Rubi. Tchauzinho Heitor. – Disse Toledo que percebera a expressão séria do rapaz.
– O que foi meu amor? Você está tão sério. – Disse Rubi. – Eu fiz alguma coisa errada?
– Não. Não é nada com você Rubi. São coisas que eu já deveria ter resolvido.
– E eu posso te ajudar a resolver?
– Infelizmente não, mas tudo vai dar certo, você vai ver; Vou ter que viajar por dois dias mais ou menos. E quando voltar tudo isso vai acabar...
Continua {...}
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