Rubi
1 Prólogo
Eu caminhei pelo grande salão com certa dificuldade, não estava acostumado com aquelas roupas elegante. Elas pensavam e eram estranhas, me deixavam sendo um verdadeiro almofadinhas. Os meus amigos provavelmente iriam rir muito sobre mim e de mim se me vissem vestido naquele fraque idiota. O colete bege me apertava e me sufocava a ponto de influenciar na minha respiração, é verdade, eu mal conseguia respirar. Engoli em seco me sentindo bobo, infantil e um produto engraçado. O casaco cinza combinava com meu colete e com a camisa branca de botões e babados. A calça era clara, eu não consegui identificar a cor, nunca tinha visto uma dessas. Era macia e gostosa, porém me incomodava pelo fato de ser tão justa. Mas a pior das piores coisas eram meus cabelos. Estavam tão arrumados que não pareciam com meus cabelos bagunçados e ressecados de antes. Não me sentia eu.
O lugar estava escuro com algumas luzes psicodélicas girando no teto, aquilo também me irritava. Na verdade poucas coisas não me irritavam profundamente.
Eu parei em frente às cadeiras; Eram cinco ao todo. Eram num nível mais alto do que o chão, e estavam sentados cinco homens em cada uma das grandes cadeiras. Havia quatro deles que tinham idade para ser meu avô. Eles me davam calafrios e me deixavam assustados. Eu cruzei os dedos e respirei fundo. Ao meu lado mais quarenta e nove garotos esperavam em silêncio e assustados. Estávamos todos ali sem futuro certo. E no momento, todos pedindo para ser escolhido pelo mais sensato dos homens? Mas havia algum sensato ali? Então eu o vi. Ele estava ali sentando na cadeira do meio como se fosse mais importante que os outros, ele sorria para mim descaradamente. O sorriso de canto, sacana e maldoso. Eu senti minhas bochechas queimarem. Ele piscou pra mim. Não podia acreditar que ele se lembrava de mim entre os cinquentas presente. Eu acreditei naquele momento que ter sido sincero na entrevista não havia sido o melhor passo para mim. Eu tentei me manter imóvel. Não iria demonstrar que tinha ficado nervoso com sua piscadela. Porém eu estava nervoso, as mãos tremiam forte, e eu sentia repulsa por estar ali. Aqueles homens eram uns asquerosos.
Aqui em Jollon considera-se natural e normal para os homens adultos serem sexualmente atraídos por jovens de ambos os sexos, e a pederastia é tolerada quando os parceiros mais jovens não sou adolescentes livres. Não há censura moral a homens adultos que gostem de atos sexuais com garotos de status inferior, contanto que esses garotos não apresentem deficiências ou excessos. Eu vim parar aqui por um motivo: Meus pais me venderam. Eles precisavam do dinheiro. Eu não me opus, sabia que podia ajudar. E vou ajudar. Eles estão usando adolescentes, os levando para servir de escravos sexuais e escravos do lar para homens abusivos e arrogantes.
Quando eu falo: Eles. Estou me referindo sobre a realeza, à monarquia. O Rei decidiu assim.
Eu estava perdido em pensamentos quando ouvi o apresentador da casa começar a falar.
— Sejam todos bem vindos ao O Clube! — Ele falou sorrindo segurando um microfone dourado em suas mãos. Os cabelos roxos o deixavam com cara de idiota, alguém deveria ter dito isso a ele. — Hoje, esses cinco jovens irão escolher dez desses garotos bonitos aqui em nossa frente para levar para casa.
Os homens que estavam sentados na mesa riram. Alguns fizeram gestos obscenos com as mãos e riram. Eu senti náusea. Minha vontade foi de colocar para fora todo o alimento que tinha aproveitado para ingerir ainda no camarim. Não era sempre que eu tinha a chance de comer.
— Eles escolheram dez garotos ainda nos bastidores. E agora irão revelar para vocês quais eles levarão para casa. E a regra é simples. Já conhecemos de cor e salteado, porém eu vou explicar novamente para os novatos e para nossos garotos. No final esses belos homens ali sentados, bem, eles só poderão ficar com um desses belos jovens a nossa frente. O escolhido será trazido até aqui e apresentado como o garoto de companhia. Os demais serão descartados e talvez até possam ser levados para o distrito dos alimentos, onde poderão trabalhar como lavradores e ter uma vida digna. Mas até lá, nada impede esses homens de se divertir com cada um desses garotos, não é mesmo? — O homem falou rindo e uma salva de palmas ecoou pela casa noturna.
Alguns garotos se contorceram. “Ser levado para o distrito dos alimentos.” Não era isso que eu queria, não era isso que eu teria. Eu tentei ficar calmo. Eu tinha escolhido estar ali. Era parte do plano, não era? Continuei olhando para frente lembrando-me das palavras da minha mãe. “Essa será a nossa chance de mudar de vida. Se você conseguir ganhar irá ter um patrão, ele lhe pagará bem e você poderá nos tirar da miséria! Eu sei que parece que estamos nos livrando de você. Que estamos vendendo você, mas não estamos. Você é a nossa salvação.” Eu tinha sido vendido. Porém não importava. Eu iria ajudar a minha família. E era nisso que eu estava me segurando. Eu iria conseguir ganhar. Eu iria tirar meus irmãos da rota da fome.
— Então vamos começar com o Conde Mijeff do distrito da Eletricidade. Nos diga quais foram seus escolhidos. — Falou o apresentador sorrindo.
O homem velho se levantou e eu senti um calafrio. Não queria ser levado por ele. Ele me assustava. Era rechonchudo e as bochechas vermelhas me lembravam dum camarão perdendo a casca. Ele tinha um sorriso bem escroto nos lábios. Os cabelos brancos eram oleosos e nojentos.
— Eu demorei a escolher! — Falou o Conde Mijeff com sua voz fanha e fina. Ele era ainda mais assustador depois que abria a boca e emitia sons. — Porém irei ficar com os dez melhores. Raful, Abgnel...
Ele continuou a dizer nomes e eu fechei meus olhos me concentrando em minhas preces, não queria ser levado por aquele homem. Quando ele terminou de dizer o décimo nome eu senti um alivio tomar conta do meu corpo. As pernas tremeram tanto que eu achei que fosse cair. Porém me mantive de pé.
— É uma boa escolha Conde. — Falou o homem de cabelos roxos, que agora eu sabia que se chamava Hormun, ouvi o Conde agradecer e se dirigir para fora do palco. Provavelmente ele estava ansioso para começar a abusar das suas mercadorias. Eu o vi sorrir e se afastar. O apresentador voltou a falar. — Então vamos descobrir as escolhas do Príncipe I Geor Marmaleof.
O homem que me olhava com um sorriso sacana se levantou. Então ele era um príncipe? Ele veio do castelo? Eu nunca imaginei que os príncipes também participavam de algo tão nojento como isso. Será que o Rei também aparecia aqui?
— Eu escolhi rápido Hormun, não tive tanta dificuldade. Os garotos são todos muito peculiares, mas alguns me chamaram muito atenção. Acho que vão servir para minhas necessidades. — Falou o príncipe. Ele não olhava pra mim agora. — Gormau, Ordchael, Nathman, Con, Sonphie, Chaelsha Nineth, Redwil, Jagrim e por último, mas não menos importante, Iwo Gormaniel.
Eu o ouvi falar meu nome completo e respirei fundo. Eu estava ferrado.
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