Rubbergeddon
1 Prólogo
Notas iniciais
Obs: os dois capítulos após este serão publicados no mesmo dia, porque já estavam escritos. Só fui postar agora.
O prisioneiro abriu os olhos marejados de lágrimas.
Embora a sala circular em que ele se encontrava amordaçado e com as mãos e pés amarrados estivesse escura, ele ainda conseguia ver os outros cinco prisioneiros, três homens e duas mulheres, ajoelhados ao seu lado. Alguns choravam, outros permaneciam em silêncio.
À sua frente, encostados na parede, havia duas pessoas: uma mulher baixa e pálida, de cabelos ruivos e ondulados que caíam aos seus ombros, segurando um fuzil preto, e um homem um pouco mais alto do que a mulher, corpulento e igualmente pálido, seus cabelos negros curtos penteados em um topete que brilhava com o gel. Embora não estivesse armado, ainda era intimidador.
...Embora não tão intimidador quanto o homem alto e um pouco corpulento que acabara de entrar na sala. Vestindo uma jaqueta de couro preta, assim como suas luvas do mesmo material e cor, os cabelos longos e lisos de Trevor desciam até o seu peito. A parte de cima da cabeleira negra estava amarrada com um elástico preto atrás da cabeça. Presa à sua cintura, se encontrava uma arma de brinquedo laranja.
— Boa tarde. — A voz grave de Trevor ecoou pela sala escura, e até o homem e a mulher armada estremeceram ao serem encarados por ele. — Jake, Angel, estão com medo de mim? É sério?
— Não senhor — responderam os dois.
Trevor sorriu, seus dentes esbranquiçados se destacando na escuridão.
— Por que essa formalidade toda? — indagou, cruzando os dedos. — Somos amigos, não somos? E você, Angel, até onde eu sei, você é minha irmã e melhor amiga, certo?
— Desculpa, cara, é que você é meio assustador às vezes — disse Angel com voz trêmula.
Trevor riu e acenou com a mão, como se dissesse "não esquenta", e voltou-se aos prisioneiros. Muitos deles estremeceram e desviaram o olhar.
— Olhem para mim enquanto eu discuto a morte de vocês! — vociferou Trevor. Os prisioneiros congelaram e imediatamente encararam o homem à frente deles. — Caramba, não existe o mínimo de respeito neste lugar? Céus!
Ele correu o olhar de um prisioneiro para o outro, um sorriso aterrorizante se formando em seu rosto.
— Acredito que saibam o motivo de estarem aqui — continuou ele, falando numa voz suave. — Eu até pediria para vocês me falarem se não estivessem amordaçados. Bom, neste caso, vamos recapitular.
"Dois de vocês me traíram, três mataram alguns dos meus homens e um invadiu a minha base. — À menção da última pessoa, o primeiro dos seis prisioneiros bufou pelo nariz. — Entretanto, todos vocês terão o mesmo destino e morrerão da mesma forma. Alguém pode me dizer qual é?"
Obviamente, nenhum prisioneiro respondeu.
— Ah, é claro. — Trevor puxou a arma de brinquedo que estava presa ao seu cinto e apontou-a para o ar. — Esta arma está carregada com seis dardos de espuma com ponta de borracha. Como vocês obviamente sabem, é da borracha tóxica que estou falando. — Ele suspirou, correndo os olhos pelos prisioneiros outra vez. — E, como vocês também devem saber — falou com voz melódica, olhando para o teto e balançando o corpo —, o menor contato entre a pele e a borracha mata uma pessoa dentro de cinco segundos. O que eu adoro, é claro, porque é um meio muito limpo de execução.
Os prisioneiros caíram no choro. Trevor olhou para Jake e Angel, sorridente, e eles deram de ombros. Ele pigarreou e anunciou:
— Bem, vamos começar.
Metade dos prisioneiros entrou em desespero, berrando pelo nariz, já que tinham a boca amordaçada. Trevor engatilhou a arma de brinquedo, que funcionava como um revólver, e apontou-a à testa nua do primeiro prisioneiro.
— Últimas palavras? — disse ele, um sorriso malicioso se formando em seu rosto.
O prisioneiro apertou os olhos, dos quais caíram lágrimas, e soluçou. Trevor lançou um último olhar aos seus amigos antes de dizer:
— Ah é — ele levou o dedo ao gatilho —, me esqueci. Memória ruim, sabe.
Trevor puxou o gatilho e o dardo foi disparado. No instante em que a ponta de borracha tocou a testa do homem, ele revirou os olhos e caiu de lado no chão, sem vida. Os outros prisioneiros encararam aterrorizados o cadáver à esquerda deles, e a mulher ao lado do primeiro morto mal teve tempo de reagir quando Trevor engatilhou a arma e disparou uma segunda vez, matando a mulher também.
Quando ele apontou a arma para o terceiro prisioneiro e estava prestes a puxar o gatilho, Trevor hesitou. Encarou bem a vítima, que incrivelmente o encarava de volta com o rosto neutro, sem esboçar reação alguma; Trevor sorriu ironicamente.
— Você não está com medo? — indagou. Então, empurrou o cano da arma contra a testa do homem, encarando-o com os olhos assustadoramente arregalados. — Você não está com medo de morrer? — rosnou, mas o homem se mostrou inflexível. Trevor, com um olhar decepcionado, baixou a arma e entregou-a na mão de Jake, que permanecia ao seu lado com os braços cruzados. — Faça as honras, parceiro.
— Já que não tenho escolha — murmurou Jake, e tomou a arma de Trevor. Sem hesitar, apontou-a à testa do homem e disparou.
O homem caiu morto sobre os outros cadáveres, seus olhos desfocados e esbranquiçados.
— Ainda restam três — disse Trevor, dando um tapa no ombro de Jake. — Vamos igualar, não é? Mate mais um.
Jake obedeceu sem questionar, atirando no rosto do prisioneiro ao lado do que acabara de matar. Assim que o corpo sem vida do homem caiu de costas no chão, Trevor voltou seu olhar para Angel.
— Sua hora de brilhar, princesa.
Angel olhou para o irmão e engatilhou o fuzil carregado com balas de borracha que segurava, mas foi interrompida pelo líder antes mesmo de poder levantar a arma.
— Não, não, não. Eu tenho uma ideia melhor — disse Trevor, lentamente abaixando a arma da irmã, apontando-a para baixo.
— E qual é? — quis saber Angel, indiferente.
Trevor novamente sorriu e, enquanto encarava os dois prisioneiros restantes, disse, alteando a voz para que eles escutassem:
— Eu revesti um par de botas suas com a borracha tóxica. Aqueles dois merecem um tratamento especial. — Angel esboçou um leve sorriso ao compreender.
— Foram os que te traíram? — perguntou ela, encarando as duas pessoas restantes: uma mulher loura e um homem ruivo. A mulher arquejava, os olhos transbordando com lágrimas, enquanto o homem chorava silenciosamente em seu canto.
Trevor confirmou com a cabeça, encarando os olhos castanhos da irmã; Angel logo se agachou para começar a tirar as botas, mas seu irmão a segurou.
— Nã-nã-não, deixa que eu faço isso — ofereceu ele, sorridente como sempre, e se agachou aos pés de Angel. Desceu o zíper de suas botas de couro pretas e tirou-as. — Você pintou as unhas? — exclamou Trevor; as unhas dos pés de Angel estavam pintadas com um branco ofuscante. — Você nunca pinta as unhas!
— Pessoas mudam — respondeu Angel, e Trevor riu antes de agarrar as botas da irmã e se retirar.
Voltou segundos depois segurando um novo par de botas marrons; no peito do pé e na sola das botas havia um revestimento feito de um material preto que todos imediatamente reconheceram ser a borracha tóxica. Trevor se ajoelhou novamente aos pés da irmã e calçou nela o novo par de botas.
— Brilhe — sussurrou ele, dando um tapa no ombro da garota.
Angel sorriu para o irmão e lhe entregou o fuzil que segurava. Andou em passos largos e apressados até os dois prisioneiros restantes, passando pelos cadáveres. Ao chegar em frente à mulher loura, e sem dizer nada, Angel a derrubou no chão com um chute no peito; a mulher não morrera porque havia uma camada de roupa sobre a pele, mas, quando Angel pisou em sua bochecha com a bota, ela revirou os olhos e perdeu a vida imediatamente.
O homem ruivo soltou uma exclamação de agonia que não chegou a durar um segundo: Angel deu-lhe um chute no rosto com o peito do pé, e o homem foi arremessado à parede; já morto, ele escorregou com o rosto no metal frio até cair mole no chão.
— Excelente! — exclamou Trevor, aplaudindo a irmã enquanto ia ao seu encontro. — É por isso que eu amo você. Agora, Jake, onde estão as nossas estrelas?
— No mesmo lugar em que as deixamos, ora — respondeu o amigo displicentemente, encarando os corpos mortos.
Trevor esboçou um sorriso que foi logo deletado de seu rosto. A porta se abrira com um estrondo, e um soldado trajando equipamentos policiais entrou na sala.
Ao ver Trevor, Angel e Jake, ele parou, endireitou a coluna e levou a mão à testa em forma de reverência antes de anunciar:
— Senhor! A cela A foi aberta!
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