Aquele lugar era e sempre fora uma verdadeira prisão, temos horários, para comer,dormir, sonhar, brincar, só falta o banho de sol.

Eu vivi ali por exatamente quinze anos, era um buraco, meus pais me abandonaram ali não sei porque no dia do meu primeiro aniversário, eu fui encontrado pelas responsáveis pelo orfanato, fui encontrado pela Sra. Dulce uma senhora muito boa mas , faz quatro anos que ela se foi, e agora só haviam sobrado as bruxas, do orfanato, eu havia feito muitos amigos ali mas todos foram embora pouco a pouco, uns adotados, outros se tornaram maiores de idade e também se foram, agora os poucos que restavam estavam como eu de saco cheio daquele lugar.

Todos os anos, nós somos avaliados por vários casais, como se fossemos animais a serem abatidos, e embora fossemos tanto avaliados nunca fomos escolhidos pela nossa idade, éramos velhos demais para sermos adotados, considerados problemáticos. Mas um dia algo estava diferente, eu não sei porque, mas um casal estava de olho em mim. Eu sei que eu era bonito e tudo sem me vangloriar, com meus cabelos castanhos e meus olhos azuis mas mesmo assim algo estava diferente com aqueles dois, eles ficaram me notando por um bom tempo, até que a Sra. Dinners mandou me chamar , eu me dirigi até a sua sala, e lá dentro estavam os senhores que me observavam , a Sra. Dinners começou a falar, Luke o Senhor e a Senhora Stokes querem adotá-lo, você estaria interessado no assunto?

Eu olhei para o casal e pensei, aquela era a minha chance de sair daquele buraco, era a minha chance e provavelmente não haveria outra...

- É claro!

O casal se irradiou de alegria, e eu também eu havia achado a saída daquele lugar, a Sra. Dinners pediu que eu fosse ao meu quarto e pegasse as minhas coisas enquanto eles assumiam a papelada, eu arrumei as minhas coisas e fui me despedir dos meus amigos, quando eu contei a eles o ocorrido e nós nos abraçamos, eu tenho certeza que sentirei saudade de todos eles, eu corri com as minhas coisas e cheguei a porta do orfanato, o casal Stokes, se juntaram a mim e a Sra. Stoke disse assim:

- Vamos?

- Por favor- respondi.

Depois de uma viagem de mais ou menos vinte minutos, chegamos a cidade aonde eu iria morar, Belo Mar, uma pequena cidade litorânea, eu não me importava de ser pequena porque na verdade menor que aquele orfanato não poderia existir.

Assim que eu entrei em casa, a primeira coisa que eu notei foi uma foto que estava em cima da mesa, eles tinham filhos, eu olhei para a minha mãe e perguntei :

- Eu tenho irmãos?

Eles se entreolharam e me contaram uma história incrível sobre um incêndio, e como perderam o filho mais novo, e como era difícil viver com o mais velho, eu sabia que o incêndio havia sido irresponsabilidade do mais velho mas não era o suficiente para se ter raiva de um filho, havia sido um acidente. Mas eu não protestei, eu havia acabado de entrar na família e já iria exigir algo?... Jamais.

Eles me levaram até o quarto, aonde eu iria dormir, ele era decorado com as paredes azuis, e estava vazio, apenas com um armário e uma cama, mas para mim era o suficiente. Nós começamos e conversar sobre a minha vida no orfanato e sobre a vida deles, que agora seria a minha, eu aprendi muita coisa da minha nova vida em apenas algumas horas. Eu só queria saber aonde estaria o meu irmão, eu estava um pouco aflito sobre isso mas eu enfim arrumei a coragem suficiente para perguntar:

- O Lucas vai chegar quando?

- Logo,- respondeu minha mãe rispidamente.

Eu senti naquele momento que meu irmão não tinha uma vida excelente, e talvez isso pudesse tê-lo tornado um delinqüente juvenil, e eu sabia como era viver com pessoas assim e não era legal posso afirmar. Eu estava esperando que meu irmão não fosse alguém assim, eu sabia o que era ser abandonado pelos pais diretamente, mas eu acho que indiretamente era bem pior.