Ruas do Silêncio
11 Luke.
Eu acordei com o sol em meus olhos, a persiana estava entreaberta permitindo que os raios solares entrassem, fui acordado pela minha mãe, era o primeiro dia de escola, fui até o quarto de Lucas mas ele não estava lá, descia as escadas mas não o encontrei ele já havia saído, eu entendi que era comum na rotina dos Stokes.
Eu fui de carro com meu pai até a escola, ele estacionou o carro e me entregou um mochila , não era nada especial mas para mim era ótima.
Nós entramos pela porta principal, e como todo aluno novo eu era o centro das atenções, eu e meu pai nos dirigimos a sala do diretor, e lá meu pai conversava com o diretor quando ele falou que eu poderia ir para a sala de aula. Ele me deu um papel, com o número da sala, o nome do professor e a matéria.
Eu saí da sala, e fui procurar a minha sala, andei por mais ou menos dois minutos nos corredores até encontrar a sala vinte e dois, eu entrei na sala, pedi licença ao professor e entreguei o papel, que o diretor me dera, ele mandou que eu me sentasse em uma cadeira vaga, no meio da sala. Eu não havia percebido mas Lucas estava sentado na mesa da fileira da frente, eu o cumprimentei com um olhar e ele retribuiu.
Eu me sentei ao lado de duas garotas uma dos cabelos negros e outra loira, que não parava de olhar para o Lucas, eu percebi que não era o único a gostar do meu irmão. A garota morena olhou para mim e perguntou:
- Qual seu nome ?
- Luke Stokes.- respondi.
- Você é irmão do Lucas?- perguntou a garota loira.
- Adotivo.Fui adotado ontem. – respondi.
- Bem vindo então novato, meu nome é Mia Linccon. E essa aí do seu lado é Andrea Amaro.
- Obrigado.
Durante a aula toda eu fui observado pela Andrea Amaro, a sala parecia comum, tinha os garotos bagunceiros, e o garoto inteligente que por sinal era o meu irmão.
Na hora do recreio, Lucas saiu antes, era como se ele tentasse fugir de mim, eu o segui, e então ele virou uma esquina, eu acelerei o passo e encontrei meu irmão parado olhando para dois garotos que o insultavam, de assassino, incendiário, e meu irmão apenas ficou quieto, eu fiquei escondido ouvindo tudo que estava acontecendo, quando eu dei uma espiada pelo canto da parede o garoto deu dois tapinhas na cara de Lucas e ele agiu normalmente, como se nada estivesse acontecendo. Eu passei quinze anos em um orfanato tendo que suportar garotos como aqueles mas nos últimos anos eu havia aprendido a me defender e para má sorte daqueles garotos ninguém mexia com meus entes queridos. Eu saí do lugar aonde eu havia me escondido, fechei meu punho e flexionei todos os músculos do meu braço, Lucas olhou para mim com um olhar assustado:
- Luke? O que você está fazendo aqui?
Eu o ignorei e olhei para os garotos, eles não tinham nem metade da minha força, e muito menos a minha experiência.
- Vocês acham engraçado dar tapinhas na cara do meu irmão?
O garoto arregalou os olhos e gaguejou, alguma coisa mas eu nem dei ouvidos.
- Eu enfrentei garotos muito maiores que vocês no orfanato!
Quando enfim eu cheguei a uma distância que meu braço alcançava, eu mirei bem e acertei a cara do garoto maior, ele cambaleou e tentou me acertar de volta, eu me desviei e agarrei os cabelos, ele começou a choramingar e eu gritei:
- Cale a boca! O dia que eu souber que você mexeu com ele, eu vou fazer pior. E se você contar isso a alguém eu vou te bater tanto que nem sua mãe vai te reconhecer.
Eu soltei os cabelos e o garoto correu tão rápido que eu nem vi quando ele sumiu.
Eu olhei para Lucas, e disse:
- Primeiro: Você não pode, ficar assistindo as pessoas te baterem e te humilharem. Segundo: O dia que isso acontecer você me avisa. Terceiro: Eu sou seu irmão e você é meu! Somos parceiros.
- Entendi. – ele respondeu.
- Vamos, o recreio já começou.
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