Ruas Desertas.
1 Ruas desertas.
Notas iniciais
E eu, tão madura, centrada, não era eu aquela que sempre soube o que fazer? O que dizer? E por trás dessa máscara decrépita, existia alguém que sentia uma falta imensurável de algo que jamais voltaria. Sabendo disso, me vi sem opções além de esperar algo vir e tomar seu lugar. Então você veio, e alguma chama de esperança se acendeu aqui dentro, comecei a ter sonhos, saudade, e até felicidade, acredita? Sim, você tomou aquele lugar do meu coração, aquele que ele roubou e estaqueou tão atrozmente. O que antes eram ruas desertas, trilhas em ruínas, se tornaram campos floridos pela sua presença. Mal sabia eu, que cada pétala de flor era uma ilusão feita pela nostalgia, e agora eu me vejo cercada por cimento, negro, frio, e o chão está se despedaçando, se desprendendo de meus pés. Eu estou caindo, tão debilmente, tão deliberadamente, porque já não sei para onde ir. Eu queria que você me segurasse, me levasse para casa, me ajudasse a enterrar o passado e me jurasse que estaria ali, diferente daquele que deixou-me sozinha. Mas não, o que fez foi mergulhar minha mente em tantas situações voluptuosas, imaginárias, de um futuro que não existirá. Risadas, lágrimas, abraços, conversas, tantas histórias transcorreram em minha cabeça, por noites, semanas, para certa madrugada eu acordar e perceber que nada será realizado, porque somos uma mentira, uma falsa certeza que eu criei para meu bem-estar, você foi apenas mais uma pessoa que passou pelas minhas estradas e destruiu um pedaço. A diferença é que, como toda ferida nova, arde mais e aparenta nunca cicatrizar.
Fale com o autor