Notas iniciais
Bem chegamos a um ponto bem complicado da história... e se no capitulo anterior vocês leram ouvindo calm envy, recomendaria que depois que lessem esse, lessem também a letra da musica. Nada obrigatório, não vai interferir na historia, é só que essa musica mexeu muito comigo enquanto eu escrevia, e queria saber se mais alguém sentia o mesmo... ok, vou parar de ser chato. Boa leitura. Ps: perdendo levemente o animo para escrever. Não sei se tem alguém lendo isso, mas uma review não mata... Bem, Kanda, pode ficar sossegada, por que vou até o final da historia por você.

Kouyou POV. ~

Os dias estão se tornando cada vez mais longos e tristes.

Vendo você sempre aqui ao meu lado era muito difícil pensar que um dia você se afastaria,

E ainda mais difícil era imaginar o quanto eu ia sentir sua falta,

Eu que nunca imaginei que isso pudesse acontecer... agora sofro,

O estranho é que isso não é normal para mim.

O quanto alguém pode mudar uma pessoa?

-É amanhã que o Taka sai né? – perguntou Akira com a voz ressoante, acho que querendo criar alguma conversa já que o clima estava um tanto pesado.

-Uhum... – acenei com a cabeça e sem muita vontade “respondi”.

Yutaka continuou em silêncio, ele não falara muito nos últimos dias, ou melhor, nas poucas vezes em que nos vimos. Eu não sei se ele estava assim por causa do Taka, ou se é por que percebera que eu – mesmo sem querer – estava sendo frio... mas... bem... ele tem que entender...

-Teríamos que ficar felizes por isso né? – disse Akira moderadamente, quase se arrependendo de tentar começar outra conversa.

-E estamos. – Respondeu Yutaka com uma indiferença jamais vista antes.

-Não, não estão – Disse Akira sério – Olha, se for pra vocês ficarem assim quando o Taka chegar, então acho melhor ele continuar lá no hospital, por que o clima lá deve estar melhor. – Continuou Akira com a voz ainda séria e o olhar penetrante.

Alguns segundos se passaram, ninguém disse nada, ficamos “estudando” as palavras de Suzuki na mente e de modo inevitável e silencioso Yutaka soltou:

-Me desculpe... – olhei para Yutaka com a cabeça baixa, falando quase sem movimentar os lábios, fitei-o com ar distraído e mais uma vez inevitavelmente ele disse com outro tom de voz, um pouco mais baixo. – Mas depois de tudo que aconteceu... eu to mais confuso e triste que nunca...

Repentinamente eu me lembrei de um dia o Taka ter comentado do Yutaka ter depressão, uma forte depressão. Tomava remédios tarja-preta todos os dias para dormir... então imaginei agora, o quanto deveria estar sendo difícil pra ele. Ter ficado cego, perder aquele que –supostamente – gosta e ainda ser recebido friamente por mim. Não sei se estava sendo certo, se estava sendo justo... mas apesar de mesmo que o meu jeito “normal” seja assim, eu deveria ser um pouco mais prestativo.

-Me desculpe também... – abaixei a cabeça como o menor. Coloquei minha mão na testa e tentei expressar o melhor que pude nas minhas palavras (apesar, de como eu já disse, não ter muito jeito com elas) já que ele não via o arrependimento dos meus olhos – o choque de ter quase perdido o Taka que é quase como – suspirei profundamente pra ganhar tempo e continuei com a voz fraca – quase como um irmão pra mim, fez com que eu ficasse frio com o decorrer da semana, mas acho que tudo vai ficar bem daqui pra frente... não se preocupe Uke...

Yutaka POV. ~

Tudo o que já aconteceu até hoje realmente me fez sofrer, e muito.

Não posso falar muito do que o Taka fez, eu quase pensei em fazer o mesmo.

Mas se ambos chegamos até aqui, é por que o futuro deve prometer algo.

E somos nós que o construímos.

Se podemos construir ruínas, sei que também poderemos criar bons momentos.

A noite mais longa da semana chegara. Acho que não só eu, mas todos não dormiram. Há muitos fatores que me impossibilitaram de dormir, um deles foi, é claro, a chegada de Taka, fiquei imaginando como seria, eu que há poucos dias atrás tinha duvidas se voltaria a falar com ele, agora sentia uma imensa vontade de abraçá-lo.

Outra coisa que me atormentou o sono foi o Yuu, que depois de tanto tempo não havia dado sinal de vida.

Com todos os acontecimentos, eu acabei perdendo qualquer raiva que sentia de qualquer pessoa. Principalmente dele, que apesar de seus defeitos me fazia um pouco de falta.

E ainda para ajudar, meus remédios haviam acabado.

O único ponto positivo é que agora Kou se desculpou, não que eu quisesse, mas pelo menos agora entendo suas razões e me sinto de certo modo culpado por não ter compreendido-as antes.

Mas apesar de qualquer sensação que eu esteja agora, a saudade do Taka é a maior delas.

O dia chegou sorrateiramente, mas todos já estavam preparados para sua chegada. Fomos tomar café, e Kou já parecia diferente, um pouco mais feliz, um pouco mais “legal”.

Eu estava tão ansioso, finalmente aquela sensação que estourava em meu peito seria acalmada. Tão ansioso...

-Yutaka? Você tá se sentindo bem? – disse uma voz embaçada, a qual pela tontura não consegui distinguir.

-Quer que eu pegue um copo de água pra ele? – disse uma outra voz, que pousava em cima de mim.

-Eu não sei, pode ser...

-Yutaka?! – repetiu a primeira voz, eu acordei e pude ouvir com clareza sua voz, Akira.

-Calma... eu est-estou bem.

-Você desmaiou de repente. Deixou agente preocupado...

-Não foi nada, só a minha pressão que caiu...

-Bem, já ta na hora de ir lá buscar o Taka, vai lá Kou, eu fico aqui com o Uke.

-Não! Eu quero ir!

-Acho melhor você esperar... não vai demorar muito, daqui a pouco eu volto.

-Ok. – respondi decepcionado, minha vontade de ir buscar o Taka tinha sido tão grande que me impossibilitara de ir até lá.

Kouyou saiu de casa, entrou no carro, sua expressão estava séria, por que por mais que quisesse demonstrar uma imensa felicidade em ver seu pequeno junto à Yutaka (mesmo que não fosse imediato, seria uma coisa que obviamente aconteceria) não conseguia deixar de lado que agora seu coração pulsava forte. E ele sabia muito bem o porque.

Nervosismo o tomava, estava feliz de ir até o hospital e ser o primeiro a vê-lo, que alias foi a única coisa que o tranqüilizara. Abraçar Taka sem ter que vê-lo abraçando Yutaka.

-Takanori. – Disse Kou à mulher que estava na recepção.

-Ah sim, hoje é o dia de alta dele, não é mesmo? Veio buscá-lo? –Kouyou acenou com a cabeça, a mulher lhe entregou um cartãozinho e ele subiu de elevador ao encontro do menor.

Ao chegar ao quarto Kouyou encontrou um Takanori completamente diferente do Takanori que vira da última vez, em que estava fraco, e mal podendo poder falar. Desta vez Matsumoto estava com a pele palidamente saudável de sempre, ao invés de uma cor amarelada e doentia.

Takanori levantou-se da maca, calçando os sapatos, olhou distraído para a porta e quando vira Kouyou se aproximando dela, deu um salto e foi em sua direção, o abraçou e os dois seguiram até o carro falando em como estavam com saudades.

Um estranho silêncio se formou no carro. Um silêncio que nunca pensariam que se formasse quando duas pessoas altamente próximas ficassem distantes um longo tempo e depois se encontrassem. Kouyou se sentia de certo modo receoso, por perceber recentemente que gostava do menor, e Takanori se sentia culpado por ter feito o que fez, apesar de estar altamente feliz de não ter obtido sucesso.

-Yutaka está te esperando junto com o Akira na casa dele... – comentou Kouyou ainda com a voz receosa, “tentando” parecer natural, mas ser receoso era algo totalmente contrario à Kouyou.

-Ah... – o estomago do menor revirou, não sabia qual seria a reação de Yutaka quando o visse, logo pensou que seria totalmente negativa. “O deixara cego e ainda por cima, tentara se matar para escapar da culpa”. Takanori se sentiu profundamente abatido e sem pensar disse em palavras finas ao maior. Quase se arrependendo ao final de cada.

-Kou... sabe, independente do que aconteça aqui essa noite... quero que saiba que te considero muito, muito mesmo.

Kouyou parecia não ter ouvido aquilo, era o que ele imaginava sair da boca do menor quando o encontrasse, imaginava isso nas poucas horas de sono que conseguia obter a noite. Kouyou continuou em silêncio, faltava menos de metros pare chegarem em casa. Takanori continuou.

-É verdade, esse tempo no hospital me fez ter tempo pra pensar, tempo pra ser sensato. É você que eu amo Kou, e nunca percebi.

Kouyou desabara de incredulidade, não sabia como Takanori chegara à essa conclusão, então disse para ter certeza de que não estava na verdade presenciando uma ilusão.

-Não Taka, você deve estar sob efeito de algum remédio... quem você ama é o Yutaka. – Disse Kouyou com a voz fria, tentando se manter o mais distante possível daquela tentação, visando o lado de Takanori que já havia feito loucuras pelo seu amor por Yutaka, e visando o lado de Yutaka que sofria afliciosamente pelo menor que agora se entregava em seus braços.

-Não, não estou Kou! Eu posso ter estado todos esses anos por não perceber isso, mas agora eu sei. – continuou Takanori, com a voz mais elevada e sonhadora.

Takanori finalizou a frase se aproximando do maior, segurando-o pela nuca, e puxando-o para perto de si. Encostou seus lábios suavemente nos do maior e o beijou.

Por mais que sua consciência dissesse para se manter distante, Kouyou não podia negar que aquele beijo era algo que ele almejava há tempos. Mesmo antes de perceber que realmente gostava do menor, sua vontade em se aproximar dele e beijá-lo nunca fora algo inexistente.

Kouyou puncionou a mão direita contra o menor, o aproximando, mas aos poucos foram se soltando e em palavras quase dolorosas o maior disse:

-Isso não ta certo! A gente não devia estar fazendo isso... e o Yutaka?!

-Eu não tenho nada com o Yutaka. – respondeu friamente o menor.

-Mas... mas e tudo que já aconteceu com vocês dois?! Tudo o que você já fez por ele?!

-Kouyou foi tudo um acidente! – suplicou Takanori – ninguém diria que eu fiz uma loucura se o que eu realmente quisesse que acontecesse, acontecesse. Se aquele aparelho de luz só tivesse batido na cabeça do Yuu e criado um galo!

-Mesmo assim Taka... se você fez isso foi por que você amava ele. Você não pode dizer assim com tanta naturalidade que isso não é nada. Como você pode dizer que não se importa se você tentou se matar por isso?

-É, é verdade... eu tentei... mas não consegui por que você sempre esteve comigo. Por você me protegeu. Por que você quem gosta de mim de verdade... – finalizou tristemente o menor.

Kouyou não disse nada instantaneamente, pousou a mão na testa, pensativo. Realmente ele queria que o menor correspondesse aos seus sentimentos, e isso estava acontecendo, mas ao mesmo tempo estava tornando tudo ainda mais difícil. Sabia também que por mais que amasse Taka, aquilo nunca daria certo. Preferia vê-lo com Yutaka, e poder “dormir sossegado”. Depois de tudo o que aconteceu, depois do final milagroso de Yutaka ainda corresponder aos seus sentimentos, e ainda mais que isso o fato de Taka estar vivo, ele não podia se meter no meio de algo que o próprio “destino” ousou traçar. E se os dois ainda estavam vivos até hoje, é por que tinham realmente que ficar juntos.

-Taka, você deve estar atordoado... – disse o maior, enquanto Takanori o olhava apreensivo – você deve pensar um pouco... e vai ver que quem você gosta não sou eu.

-Você não gosta de mim, não é mesmo? – disse o menor com a voz fria e receosa.

-Não, não é isso! Eu gosto de você, mas não posso retribuir do jeito que você ta falando... olha, vamos parar com essa conversa e entrar, né? Estão esperando você lá dentro... Você acabou de sair do hospital... e eles querem muito te ver.

Takanori não disse mais nada, saiu do carro e foi a caminho de casa, onde foi recebido calorosamente por Akira e principalmente Yutaka. Kouyou permaneceu em silêncio como se o assunto no carro nunca houvesse se desenvolvido.

Kouyou POV. ~

A frase “tome cuidado com o que você deseja” nunca me pareceu mais convincente.

Eu queria poder estar ao seu lado, poder te abraçar e retribuir o que supostamente você diz que sente por mim.

Mas tudo se tornou tão difícil.

Eu te amo, mas isso não é tudo.

Notas finais
Tanta coisa esta acontecendo... "I want to see all of you. I want to love all of you"

Quem leu entendeu o propósito da frase… x]

Mandem uma review! *O* [kissu]
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.