Cordas espessas envolvem meu corpo, ouço saltos altos tão finos que penso se vai me tirar o olho e concluo que há uma mulher com chicote na mão me observando estirado no chão, embora comprimido pelas cordas, penso que só pode ser ela. Já não sinto mais minhas pernas e braços, são muito espessas e firmes, mas o chicote me tirava o couro.

A escuridão é o que me domina por haver uma faixa vendando meus olhos. Meus cabelos estão molhados, porque afundaram minha cabeça na privada mais cedo, pegaram-me justamente quando fui tirar água do joelho. Então, sinto frio e percebo que não estou muito diferente de quando estou em casa, masturbando pra se sentir menos só.

Mas o rosto dele aparece na minha mente e eu relembro de suas palavras. Ele tinha razão, deveria ter o escutado e não estaria tão vulnerável. De quatro, com medo de me enfiarem alguma coisa.

Há um homem num canto, consigo sentir o cheiro de seu charuto, o agiota. Escuto também o arrastar de alguma cadeira e pelo eco penso que devia estar num porão com uma lâmpada amarela pendida sobre minha cabeça e sua luz formando um holofote banhando somente a mim. Como nos seriados.

Eu me lembrei dele de novo quando a sádica envolveu suas mãos no meu pescoço e puxou o meu cabelo para trás. Comecei a bufar a ponto de receber um tapa na cara por ter a sujado. Ele me avisou tantas vezes, mas Abraxas me enfeitiçou, colocou algo no meu sangue.

Um chute na barriga por ser teimoso e eu vomitei o podrão que comera mais cedo todo pra fora. Eu ia morrer, Abraxas enviou o pior dos seus agiotas.

Não sei por que tanta exclusividade.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!