Rua 35

23 O novo morador e os Observadores


Notas iniciais
MAIS UM CAPITULO, ME AMEM! -não
Demorei? Sim, demorei. ;-;

– Mais um dia normal. Os pássaros cantam, os carros passam, as pessoas fazem suas caminhadas, Micki enterra suas presas no meu jardim... Está tudo muito normal, não é? – Falei.

– Por quanto tempo você ainda vai reclamar? – Micki perguntou.

– Até quando você me explicar o porquê de estar enterrando um cadáver no meu jardim sem a minha permissão.

– Eu já disse que no meu não tem mais espaço!

– E eu já tinha dito que só deixaria que você fizesse isso se estivesse enterrando o Sam... É ELE QUE ESTÁ AI? – Perguntei.

– Não. Se fosse, a essa altura Annabell já estaria correndo atrás de mim segurando uma foice. – Respondeu, dando de ombros.

– O que não seria um grande problema. Você teria jogado uma faca nela e estaria tudo resolvido.

Micki continuou cavando como se o que eu tinha acabado de falar não tivesse nenhuma importância. O que provavelmente era verdade, já que para ela nada tinha tanta importância quando se está enterrando alguém.

– Micki, querida. Se me permite, posso perguntar o porquê de suas roupas estarem diferentes do estilo habitual?

– Está falando sobre o que?

– Ah, nada demais. Só sobre esses seus tênis, sua calça jeans e sobre ESSA BLUSA DE MANGA COM GOLA ALTA!

– Um bicho me picou ontem à noite, e provavelmente eu tenho alergia. Nada de muita importância. – Respondeu.

– Ah, um bicho? Sei. – Falei.

– O que? Esta duvidando da minha palavra? Foi apenas um bicho!

– O nome do bicho era James, se você estiver muito curiosa. – disse Lanna. Ela estava encostada no pequeno muro que dividia o jardim da Micki e o meu, comendo uma maça.

– LANNA MORGAN! Eu vou te envenenar, sua prostituta barata! – gritou Micki.

– Eu apenas falei a verdade. – disse, rindo – Eu peguei os dois numa situação bem constrangedora na noite passada, se você quer saber, Giu. Garanto que essa calça e essa blusa ai são para esconder as marcas. Estavam por todos os lugares e OLHE SÓ QUEM TAMBÉM APARECEU VESTIDO A CARATER!

James vinha saindo da sua casa, que ficava do outro lado da rua, de frente para a casa da Micki, o que era bem oportuno. Quase como a Micki, vinha usando uma camiseta, — mostrando todos aqueles músculos – com gola alta.

– Então é verdade! – falei – Pelo visto a coisa ontem foi meio “brutal”, hein James?

– Giuliana, vai se... –

– Com licença – falou um homem, interrompendo James. Era um homem alto, de óculos, com um cabelo de um preto meio azulado. – Desculpe atrapalhar a conversa de vocês, mas... Vocês podem me dizer onde fica casa 4B*? – perguntou.

– Ahn, é essa aqui do lado, moço. – falei, apontando para a casa ao lado da Micki.

– Muito obrigada, você me ajudou muito. A proposito, eu me chamo Apolo.

– Não é o nome do deus grego do sol e essas coisas? – Lanna perguntou.

– Sim. – respondeu Apolo — Você entende sobre a mitologia grega?

– Não muito. Quem sabe tudo sobre o assunto é a Giuliana, aquela ali de cabelo roxo.

– Ah, sim. Bom, então eu já vou. Tenho que começar a arrumar as minhas coisas.

– Ah, espere! – disse Lanna – Antes disso deixe-me fazer as apresentações: A de cabelo roxo como eu já tinha dito se chama Giuliana, a loira cavando um buraco para enterrar uma pobre pessoa é a Micki, o garoto de cabelo preto com cara de poucos amigos se chama James e eu me chamo Lanna.

– É um prazer conhecer todos vocês. Agora, se me dão licença eu tenho mesmo que ir.


Dois pequenos fatos sobre o nosso novo morador: Ele tem dupla personalidade, e uma delas é um assassino frio que matou a ex-namorada porque ela tinha terminado com ele.



– Que cara estranho. – James disse, cruzando os braços.



– O que tem de tão estranho nele? – perguntou Lanna – Aposto que você é mais estranho que ele. Isso sozinho, se acrescentarmos a Micki...


– Você sabe que ela não está dando a mínima para as suas indiretas, não é Lanna? – perguntei.

– HÁ! Você acha que ela não está dando a mínima, mais no fundo ela deve estar planejando a minha morte.

– E você fica feliz por isso? – perguntou James.

– Pra mim tanto faz. – respondeu, indo em direção a porta e entrando na casa da Micki.

– Fico feliz que ela esteja dividindo a casa com a Micki e não comigo.

– Mas você tem de dividir a sua casa com a albina estranha. – falou Micki, que tinha acabado de tapar o buraco. “Agora eu tenho um morto vivendo no meu jardim. Que coisa linda!”

– Ela não é estranha. – falei.

– Ela fez os olhos de uma garota de guizos. – disse Micki.

– Você já deve ter feito coisa pior e eu nunca reclamei.

– Reclamou quando eu falei que ia enterrar esse pobre coitado no seu jardim. Eu fiquei realmente magoada com isso. – falou, fazendo bico.

– AH, TENHA DÓ MICKI! Quando que você ficou magoada com alguma coisa? – falou James – Agora vamos, temos muito que fazer ainda.

– James, vocês já descobriram mais alguma coisa sobre Eles? – perguntei.

– É... Nada que tenha muita importância. Estou trabalhando, tentando invadir o sistema, mais parece que eles reforçaram.

– Mas você sabe nos temos o melhor hacker trabalhando conosco, então ele vai conseguir logo. – Micki disse, dando uma piscadinha.



~



– Você não vai me contar mesmo como aprendeu a fazer isso? – Perguntei.



– Pra que? Você já me tem, então não precisa aprender. – Respondeu James.



– Ah, sei lá. – falei – Vai que eu precise usar alguma técnica dessas algum dia.

– Você fica com suas espadas e eu com a parte das invasões. Cada um com suas habilidades. – falou – Vai que você aprende e me joga fora, já que não vai mais precisar de mim.

– Aish, tenha dó. – Falei, e empurrei sua cabeça contra o teclado.


“James é apenas uma criança num corpo de algum jovem de 19 anos. Uma criança com algum super talento para invadir sistemas, burlar regras e quebrar códigos”. Era o que eu pensava no começo. Quando ele chegou era apenas um jovem que não se comportava condizendo com a sua idade real. Mas em algum momento — não sei exatamente nem o dia, nem hora -, essa criança acabou crescendo e se mostrando útil para o que eu precisava. “Ele vai apenas invadir o sistema, me dar às informações e depois eu deixarei que ele siga com a sua vida”.



No que eu errei? Errei quando achei que não me apaixonaria por aquela criança com habilidades que nenhum outro havia mostrado. E não, não foram as habilidades como hacker, e sim as outras.



– PRONTO! – Ele gritou.



– Conseguiu? – Perguntei. Um pouco surpresa, mas logo me recompus – Achei que tinha perdido o jeito. Vamos, me diga o que temos de novo.


– Sabemos que o Kai vai estar na Rua 33 no dia 5, às seis da tarde. Ele vai fazer uma entrega. Você precisa estar lá pontualmente.

– Eu fiquei sabendo que as preferências do Kai são um pouco “peculiares”. – Disse Bracken. Uma velhinha de 63 anos que estava ocupando uma das 7 cadeiras dos Observadores. O grupo dos Observadores é composto por sete pessoas, desde pessoas idosas até pessoas mais jovens. Eu sou uma delas.


Nós temos permissão para sair e entrar na Rua 35 a hora que bem entendermos, porque somos os moradores mais antigos que estão vivos.



– O que quer dizer com “preferências peculiares”, Sra. Bracken? – Perguntou James.



– O que ela quer dizer, meu filho, é que o Kai é gay. – Respondeu o Sr. Roderick. Ele e a Sra. Bracken são casados a mais de 20 anos e o motivo de terem vindo parar na Rua 35 juntos é um mistério para todo mundo.


– Kai gay, gay Kai. Entendeu? – Disse James, rindo. “Que ótima piada James, continue assim. Só que não.”

– Já que o senhor James está achando tanta graça nisso tudo, porque não o mandamos nessa pequena missão? – Perguntou Bracken.

– MANDAR QUEM? – Perguntamos James e eu em uníssono.

– Sim. Ele atende a todos os critérios do Kai. Seria ótimo se mandássemos ele. A Micki não serviria para atrair um homem gay.

– Viu? Quem manda você ter muito peito? Agora sobra pra mim! – falou James. – AI! VOCÊ QUER ME MATAR?

– Eu não queria matar. Apenas te dar de presente um leve traumatismo craniano. É diferente. – Eu respondi.

– Você acertou a minha cabeça com um pedaço de madeira!

– Nada que você não aguente. Agora, continuando.

– James, você vai sair nessa missão acompanhado da senhorita Micki. Ela vai observar todo o movimento, e vai nos comunicar para que nada de errado. Você está encarregado de trazer o Kai até a Rua 35. – disse o Sr. Octavius, o mais velho ali. O homem tem 87 anos! Ele é o responsável pelo grupo dos Observadores.

– Agora ferrou de vez. – Sussurrou James. Eu apenas me contive para não cair na gargalhada quando imaginei James fingindo-se de gay para atrair Kai até a Rua 35.


*B4 — Os lados da Rua 35 são divididos entre A e B. As pessoas que vivem no lado A da rua são as menos perigosas. — Ladrões, hackers, etc. — As que moram do lado B são as mais perigosas. — Assassinos, estupradores, etc. —



Isso serve para que eles possam ser identificados mais facilmente.


Notas finais
No próximo capitulo vai ter surpresa, yey!