Notas iniciais
Esse capítulo foi para iniciar com pé direito a trama. As ideias enfim começaram a brotar e os seus progenitores a dividi-las com os demais. É com grande satisfação que escrevo sobre um assunto que tanto me dá prazer e me faz querer continuar e nunca esquecer. Agradeço à todos os membros do PH/TLC que me proporcionaram momentos tão inesquecíveis, e a todos os demais leitores, espero que se deleitem nas mesmas histórias que um dia eu mergulhei de cabeça. Créditos aos personagens: Brian a Jéssica Gonçalves, Sophie a Felipe Leão, Mel a Bruna Melo, Franccesca a Renata Bertolino, Katrina a Ana Vitória Eichenberger e Kenton a Gustavo Silva.

Os corredores antes frequentados, as paredes outrora aquecidas pelas tochas que iluminavam e deixavam o local menos nauseante, os ruídos das constantes conversas entre os alunos... Substituídos por solidão vazia e tristonha, que atingira toda Hogwarts de modo devastador.

O culpado por essas consequências caminhava em passos largos e confiantes por esses corredores agora tão diferentes do que haviam se acostumado um dia. Seu olhar impactante e o modo elegante de se vestir lhe davam um aspecto mais ameno, mas às vezes nos enganamos tragicamente.

Os sapatos perfeitamente engraxados provocavam um som ecoante pela dimensão inabitada a qual o diretor Brian percorria. Seu semblante impassível vigiava e perscrutava cada canto do castelo. Seu destino era o Salão Principal, onde os alunos estariam reunidos em bandos para a refeição matutina. Com toda a certeza já passara do horário correto de início do café da manhã, mas o diretor não era obrigado a seguir regras assim como um mero discente. Ele era a chefia, ele decidia como e quando.

Os chamados tempos sombrios eram definitivamente a sua marca. Isso o fez conhecido, e, por favor, ele agradecia por isso! A morte de Nicolette, uma mulher nem mesmo importante na sociedade mágica, provocou todo esse escarcéu. Hogwarts gerida por novas mãos, alunos insatisfeitos, pais preocupados e um Ministério da Magia desestruturado, também com novo regimento.

Muitos o questionavam acerca do por que da implantação de um sistema tão rígido de governo. Hogwarts já fora tão risonha, tão colorida e agradável, o que fez é considerado uma afronta, uma desgraça para os alunos e docentes.

Não via assim.

Em sua singela hipótese, hipótese essa sempre usada para rebater tais questões, Hogwarts precisava dessa mudança drástica. Hogwarts precisava dessa modificação deveras radical. Salazar Sonserina jamais deveria ter permitido que o seu regime um dia fosse desfeito, mas ele não fora corajoso o suficiente e provou ser um covarde, fugindo do lugar que era seu por direito.

Era e ainda é sabido que Sonserina era o que mantinha a maior hegemonia por ali, ele não precisava se privar daquilo que tanto amava porque não aceitavam seu modo de governar e reger. Sangues-ruins não deveriam ser rejeitados apenas em Hogwarts, mas sim em qualquer lugar em que ousarem colocar seus pés imundos e suas mentes ridiculamente incapacitadas. Não entendia como havia aqueles contrários à ideia. Esses simpatizantes são tão sujos quanto os próprios simpatizados. Deveriam lhe agradecer por não mais permitir a entrada desse tipo de gente num instituto de ensino tão respeitoso quanto Hogwarts, não lhe apedrejarem.

Brian não sente prazer. Brian sente nada.

Ao longe, as grandes portas de mogno do Salão principal já eram vistas. O térreo era mais bem iluminado do que o restante das dependências do castelo. A luz se tornara demasiadamente escassa em Hogwarts, e o que se aparentava era que o nem mesmo o astro Sol possuía a cobiça de irradiar seus raios e entrar pelas vidraças, comprovando em que a antiga Hogwarts havia se tornado, o quanto os discentes haviam mudado de comportamento, tornando-se ariscos, temerosos pelas punições ou pelas tão temidas expulsões. Afinal, tinham de se formar para garantir um futuro sólido no mundo mágico, mesmo que este parecesse estar tão debilitado quanto o castelo.

As dobradiças rangeram. Brian tossiu rapidamente, forçando um irritante pigarro a escapar de sua garganta já rouca pelos gritos que distribuía a torto e a direito. Por todo o recinto, os alunos se reajustavam às grandes mesas. Seus olhos moviam nervosamente pelas órbitas que evitavam se fixar em Brian. Novamente, as solas de seu sapato trouxeram à tona aquele tão conhecido ressoar. Enquanto caminhava por um dos corredores entre os alunos, os mesmos se levantavam em sinal de respeito, como anteriormente havia lhes exigido. Ele era a autoridade mor por ali, merecia a devida consideração. Brian subiu as escadas e se assentou por detrás de sua mesa. Para enfatizar a centralização de poderio em suas mãos, os docentes nem às refeições compareciam nestes tempos atuais seu mando.

Focalizando os alunos, as reações eram diversas.

Na mesa dos ravinos, Mel Lancaster se sentia revoltada com tudo aquilo, sentia um ódio que transbordava por suas veias por aquele maldito homem que havia simplesmente arruinado qualquer tipo de harmonia outrora encontrada em Hogwarts, sentia vontade de estrangulá-lo com as próprias mãos, mas certamente era inteligente em demasia para sequer pensar na possibilidade de fazê-lo de verdade.

Já na mesa dos leões, Sophie Villeneuve se continha. Achava uma grande burrice o que Brian havia feito. Se estivesse em seu lugar, teria feito um governo satisfatório para todas as parcelas de frequentadores de Hogwarts, seria uma belíssima diretora. Julgava o diretor um verdadeiro incompetente, energúmeno e de ideias extremamente desqualificadas, com toda a certeza faria melhor do que aquele acéfalo.

Franccesca Villeneuve, na mesa dos texugos, se sentia extremamente magoada pelo que o mago permitiu e arquitetou a Hogwarts que há anos amou a fio. Não gostava dele, na verdade, sentia ojeriza de suas feições tão maldosas e aborrecia-se com seu modo de tratar os garotos. Era reservada demais para sair por aí falando mal do diretor da escola, mas sentia-se sufocada guardando tudo aquilo para si.

Katrina Bringstrow, na mesa das serpentes, xingava-o internamente todas as vezes que tinha a falta de sorte de topar com aquele estúpido, egocêntrico, com baita cara de ordinário. Assim como Mel, tinha vontade de estapeá-lo até arrancar sua pele dos ossos e se lamentava acerca de impossibilidade de tal fato realmente ocorrer. Como assim? Ele chega agora, faz com que todos fiquem infelizes e ainda quer sair por cima da carne seca?

Ainda na mesa representada pelas cores sonserinas, Rufo Villeneuve sentia-se completamente enojado ao constatar o ar de superioridade exalado pelos poros de Brian. A repugnância, entretanto, continuava presa na garganta, não se expressava sobre seus sentimentos diretos a Brian, os compactava dentro de si, talvez contivesse toda sua ira e usasse para algo benéfico, algo que poderia mudar o destino da escola de magia, que por enquanto era a ruína. Tinha ideias, tinha muitas ideias, mas o que essas ideias sozinhas poderiam fazer para auxiliar?

Isso também acontecia com Brandon Drakhale, que se mantinha disposto a acabar com aquele regime sem liberdade de expressão, sem livre e espontânea vontade para se locomover e aquela mania completamente inaceitável de controlar o pensamento das pessoas. Isso era irremediável até que alguém com os mesmos princípios se propusesse a se unir a ele contra essa verdadeira barbárie. Inaceitável, inaceitável.

Nesse instante, Brian se ergueu de seu “trono” e se retirou do ambiente sem nenhum tipo de aviso-prévio. Os alunos logo se agitaram outra vez. Muitos comentários sobre o diretor eram ouvidos por todo o perímetro.

— Não podemos deixar ele nos persuadir a aceitar esse regime antidemocrático! — Entre os dentes, sussurrou Brandon.

Mesmo que suas palavras fossem quase imperceptíveis, Rufo distinguiu-as e virou-se instantaneamente até o garoto loiro, que arregalou os olhos assustado. Os dois monitores nunca haviam mantido uma bela relação, isso por um motivo realmente idiota. Bran se tornara bastante próximo de Megan nos últimos dois anos de convivência, e Megan, por um acaso, mantém um namoro de algum tempo com Rufo, que se consome pelos ciúmes. Um tanto desnecessário, já que Brandon mantinha um longo caso de paixão não tão correspondida como o garoto deseja por Mel, prima tanto do próprio Rufo quanto de Megan. Incrível como as famílias bruxas são tão interligadas.

— Concordo contigo, Drakhale. — Opinou Rufo, apoiando os cotovelos sobre a mesa. — Pô, cara, não é possível que as pessoas sejam obrigadas a se acostumar com a nossa escola do jeito que ‘tá. A galera tem que se unir, combater o modo como aquele imbecil nos faz de otário. Eu estou farto disso. — Rufo recuou, afinal, não podia mudar de ideia em relação à Brandon de uma hora para outra desse jeito. — Temos que encontrar mais pessoas que pensem como a gente, vamos nos juntar contra esse babaca, camarada!

— É! Quem faz a escola somos nós, nós somos quem tem que tomar a iniciativa de realizar essa mudança para como era antes de esse animal irracional tomar o poder às nossas custas. — Bran relaxou os músculos, estava tenso com a ideia de trocar mais de três palavras com o monitor-chefe. — Vamos mobilizar o pessoal, temos que achar um jeito qualquer de fazê-lo.

Christine havia se levantado, e estava prestes a deixar o Salão Principal, pronta para reunir seu material e se preparar para a próxima aula. Havia se alimentado bem e queria deixar logo aquele lugar, muitas pessoas juntas em um só lugar atrai zonzóbulos em demasia. Argh. Por sorte, ou azar, a lufana passou pela mesa dos sonserinos no instante em que Rufo e Brandon comentavam sobre suas ideias e revoltas, tanto quanto ao governo de Brian, quanto à raiva que compartilhavam do mesmo. Ela também não era nenhuma das fãs mais fervorosas de Brian Bringstrow. Para falar a verdade, desejava do fundo de seu ser que chifres de erumpentes explodissem em todo o redor daquela pessoa desagradável. Por Merlin, ele só pode estar sobre a influência de um vivedouro de zonzóbulos! Queria tanto que Kenton voltasse, e que consequentemente a Hogwarts que conheceu em seus primeiros anos voltasse com força total. Mereciam um recomeço do zero, afinal!

— Eu queria que a mente daquele mamífero deplorável fosse engolida por zonzóbulos carnívoros, por mutação, obviamente, zonzóbulos não comem carne, caraminholas! Eu o odeio do fundo do meu coração de texugo! — Suas últimas palavras soaram demasiadamente altas. A garota levou suas mãos à boca e arregalou os olhos, surpresa. — Desculpe, tenho que ir.

— Não, não, calma! – Gritou Brandon. — Não precisa temer, tenho certeza que todos pensam como você, não há um só ser nesse mundão de Merlin que simpatize com Brian, pelas madeixas de Morgana! — Bran suspirou. — Chris, você não pretende apoiar a nossa causa? Nunca pensei que proporia isso logo a vocês dois, mas seria extremamente empolgante a ideia de acabar com esse mau pela raiz, e como vocês foram as primeiras pessoas que se aproximaram da causa... Acho deveríamos iniciar essa ‘rebelião’. — Fez um gesto com os dedos indicador e médio. — Não pretendo me formar sem um baile digno.

— Chris, nós podemos juntar um grande número de pessoas e encontrar um lugar seguro para nos encontrar semanalmente, pense nisso, huh? – Completou Rufo. Christine coçou a ponta do nariz.

— Isso é perigoso, rapazes, podemos ser pegos. Mas acho que é uma chance única, e nós temos o dever de tentar... – Ela afrouxou sua gravata amarelo-canária. — Eu topo, me sentiria uma grande inútil se não o fizesse. E quanto a espalhar as nossas ideias para o restante, eu tenho uma ideia: Um jornal. Sim, um jornal dos alunos. Obviamente teremos de escondê-lo muito bem da diretoria, mas vou me empenhar para tal. Será legal, assinarmos nomes secretos e tudo mais.

— Isso! — Exclamou Brandon. – Espero que a Mel se junte a nós! E... – Rufo e Chris o olharam com sorrisos sugestivos nos lábios. – Ora, ela também é uma aluna e é inteligente e est-tudiosa. — Ele revirou os olhos. — Sem essa, gente!

Eles riram pro um instante, mas logo as risadas cessaram. Seus olhares se cruzaram e eles tiveram uma pontada de esperança, o que foi o suficiente para se sentirem confiantes o suficiente para decidir seguir em frente.

Notas finais
Espero que o capítulo tenha agradado, não esqueça de expressar sua opinião nos comentários, pois estes são de grande importância para nós. Se há algo que deva ser melhorado, nos diga também, críticas construtivas são sempre bem-vindas. Beijos de luz!