Ruídos Da Morte

2 O adorável mundo dos "Humans"


Notas iniciais
Por mais incrível que pareça, não demorei tanto assim para escrever esse capítulo, acho que uns 2 dois ou 3 dias, mas não mais que isso. Espero que gostem (se alguém estiver lendo)
Desculpem por qualquer erro ortográfico.

~~~~ Windpown

O vento estava agitado naquele dia, fazendo seus enormes cabelos escuros como a noite dançarem junto às flores de cerejeira, enquanto ela se encontrava sentada. A menina sorria enquanto folheava um pequeno caderno cinza, onde tinha escrito "Dona: Nao".

— Eles começaram a agir…— ela falou, juntando seus longos cabelos e os prendendo com uma pequena liga vermelha. Ela levantou-se suspirando, pegando seu caderno e o escondendo atrás de si.

— O que foi Kyouya?— ela virou-se, olhando para a pequena cerejeira, onde se dava para ver uma pessoa de cabelos pretos e olhos vermelhos, que estava encostado na árvore, com os olhos fechados, só esperando Nao lhe descobrir.

— Oi Nao.— O menino saiu de trás da árvore, indo em direção a Nao, que acenava, com um sorriso horipilante.

— Quer saber sobre a carta?

— Sim.— Ele cruzou os braços, arqueando as sobrancelhas, ansiando uma resposta.

— Estava falando sério!

— Como sabe disso?

— Um amigo meu me disse. O nome dele é Kenta. Ele é um meio-anjo.— Um vento forte lançou-se contra eles nessa hora, fazendo os cabelos dos dois dançarem junto as flores. Kyouya tinha arregalado seus olhos, olhando para ela com as sobrancelhas arqueadas, enquanto Nao riu baixinho. Alguém deve ter morrido em algum lugar do mundo.

— Conhece um meio-anjo?

— Sim.

— Isso está extinto.

— Último da espécie.— E depois disso ninguém falou mais nada por um bom tempo. Os dois se encaravam com um olhar competitivo, cada um deles queria ter razão.

— Quando eles voltarão?— Kyouya falou finalmente.

— Ele não falou.— Nao falou triste, a mesma estava ansiosa para a guerra, e aperreou muito Kenta para que o mesmo contasse a data para ela, mas ele insistiu em manter isso em segredo, dizendo que seria mais seguro assim.

— Quer que eu acredite nisso?

— Não precisa, mas é a verdade, e preciso ir. Ah, ele deixou um recado para nós: "Não mecha em um menino chamado Sumimome Jinka".— Ela falou, imitando a voz de Kenta, rindo em seguida de sua própria idiotice. Kyouya olhava para os olhos de Nao, tentava achar dentro deles a verdade dos fatos. Nao, a Windpown delta mais forte de seu mundo, estava dizendo que conhecia o último sobrevivente dos meio-anjos, sendo que o mesmo desapareceu sem deixar rastros.

— Entendo… ficarei de olho em você Nao, ainda não acredito muito nisso tudo.— Kyouya falou, virando-se em seguida e saindo, desaparecendo vagamente.

— Não estou mentindo.— Nao falou, suspirando, enquanto pegava seu caderno,que até então encontrava-se escondido em suas costas, e o abriu, folheando suas páginas enquanto tentava achar o que queria. Quando a mesma chegou na página 53917, ela parou, com um sorriso horripilante, olhando para uma pequena foto de um menino, de cabelos ruivos e olhos azuis. Nao riu, um riso estridente, enquanto lia o nome do menino pela 5ª vez: "Sumimome Jinka", e continuou sorrindo horripilantemente, andando em direção ao nada e desaparecendo, pois tinha muitas coisas para fazer.

~~~~ Immortales

Kenta estava sentado, bocejando repetidas vezes enquanto batia delicadamente seu lápis na espessa mesa de madeira polida. O mesmo já perdera a conta de quantas noites havia perdido, há quantos dias estava ali sentado, em uma tentativa inútil de interpretar seu sonho mais recente, que teve no último dia que havia dormido, alguns dias atrás.

Kenta se lembrava daquele sonho como se tivesse acabado de acordar do mesmo. Uma ideia absurda, que o próprio achava impossível, mas seus sonhos nunca mentiam, e com certeza eles não iriam mudar agora.

— Poderia ter dito para eles matarem logo aquele menino…— Ele refletia, lembrando de quando mandou Nao ficar longe daquele estranho menino chamado Jinka. A guerra já havia começado, no estranho sonho de meio-anjo, e enquanto todos brigarem sem compaixão, aquele menino, de cabelos ruivos e olhos castanhos, armava um plano que um humano comum jamais iria imaginar.

— "O que aquele menino é…?"— ele pensava.

Quando deram 2 horas da tarde, Kenta se levantou bocejando, vestindo seu casaco de couro por cima de sua camiseta básica azul, cobrindo sua tatuagem que se encontra em seu ombro esquerdo. Ele saiu de sua casa, um enorme e abandonado farol, e desapareceu junto às sombras, rumo ao mundo humano.

Chegando a seu destino, Kenta parou em cima de um edifício de 15 andares, pintado perfeitamente de cinza escuro. O mesmo sentou-se em sua beirada, deixando seus pés do lado de fora do prédio, pondo-se a observar duas pessoas que caminhavam alegremente. Jinka e Mika dirigiam-se ao metrô, conversando sobre assuntos randômicos. Kenta soltou um grande suspiro, fechando seus olhos ao mesmo tempo.

— Hum… deve ser legal viver sem se preocupar com nada… pena que nada é para sempre.— Ele sorriu. Um sorriso divertido, enquanto olhava para aquele enorme céu, já cinza por causa das espessas e carregadas nuvens que se formavam.

E à medida que os dois distraídos humanos caminhavam dentre o mundo, Kenta os seguia de uma distância segura, observando-os, como uma sombra, esgueirando-se pelas ruas e avenidas daquela enorme cidade, tudo para certifica-se de que aquele sonho que teve algumas semanas atrás ocorreria conforme planejado.

~~~~ Windpown

Nao, agora com seus longos cabelos presos em forma de "coque" e não mais com aquele seu básico vestido branco, mas sim uma calça jeans rasgada aos joelhos e uma blusa simples vermelha, caminhava no mundo humano cantando baixinho, andando nas ruas e avenidas de Tokyo cambaleando por sua própria diversão. Nao passava pelas pessoas normais, desviando-se com uma enorme facilidade, pois a mesma não queria criar mais problemas para os Humans, pelo menos não por enquanto.

Nao entrou em uma avenida movimentada, onde as pessoas ainda gritavam por causa dos mortos.

— "Eles não se cansam disso? A mente humana é realmente complicada…"— Nao parou em frente a um pequeno quiosque, onde uma certa inquietação pairava no ar. Ela entrou, olhando para aqueles humanos, que pareciam vidrados de medo, passou pelo garçom sorrindo alegremente, e pegou um pequeno sorvete de chocolate, sem que ninguém percebesse, além do mais, o que humanos pensariam se vissem uma máquina de sorvete agindo por conta própria?! A mesma riu a imaginar a situação.

Saindo do lugar, pôs-se a caminhar de novo, dobrando a esquina e seguindo os rastros de destruição e terror que os Warriors haviam deixado. E como sempre, Nao havia acertado em cheio, pois depois de alguns minutos caminhando, ela pôde avistar ao longe a que tanto procurava. Madoka havia parado o que fazia para comer, e se encontrava sentada lanchando na parte de fora de um restaurante qualquer, devorando um sanduíche como se fosse o primeiro em sua vida.

— Madoka! Há quanto tempo!— Nao gritou, levando seu braço esquerdo ao alto, acenando para Madoka, que por sua vez levou seus olhos em direção a pequena, acenando de volta quando seus olhares se encontraram.

— O que lhe traz ao mundo humano, Nao? Vai juntar-se ao PAK?— Madoka falou, se levantando e observando aquela pequena menina, por um minuto, ela achou que era uma humana normal.

— Hã? Ah, claro, eu matarei os humanos sem esforço, vai ser ótimo, mas agora não, ainda não é a hora. Vim aqui porque queria ver de perto a sua última vítima morrendo.— Nao falou, lembrando-se do dia que roubou o papel do escritório de Kyouya, lendo e decorando os nomes, para devolver depois. Ela abriu um sorriso superior, com seus lábios abertos, como um lobo prestes a devorar uma criança.

— O que tem de tão interessante em "Mika"?

— Hum… pode-se dizer que é o tipo de menina que adora enganar a morte.— Nao falou, agora voltando a sorrir inocentemente. Esse era um dos pontos estranhos em Nao: ela estava sempre sorrindo, e era sempre um sorriso enganador, um sorriso inocente, que esconde, por trás dele, uma excelente psicopata.

As duas conversaram pouco, até porque não eram tão chegadas assim uma da outra, e puseram-se a caminhar dentre os bairros de Tokyo, indo a procura de sua vítima.

Quando a noite tomou conta do mundo, Madoka já estava cansada de andar por aí a procura de sua vítima, enquanto Nao caminhava rapidamente, um pouco mais a frente de Madoka, sem olhar para trás nem para os lados, como se tivesse absoluta certeza de onde a "amiguinha" de Jinka estava. Talvez ela realmente saiba.

— Pra onde estamos indo Nao? Daqui a pouco começará a chover, vamos continuar ama…— Mas Madoka não conseguiu terminar a frase, pois foi interrompida por Nao.

— Não, não podemos! Aquela peste… Achei! Ali, dentro daquela loja!— Nao quase pulou de alegria, gritando e apontando para um pequeno supermercado onde os dois, Jinka e Mika, entravam para se proteger da chuva, pois alguns chuviscos haviam começado a cair.

— Ótimo! Vamos logo então, porque nós podemos nos molhar com a chuva, mesmo sendo o mundo humano.— Madoka ajeitou sua arma, recarregando-a, e pôs-se a correr em direção ao supermercado, seguida de Nao, que não hesitava em dar pequenos pulinhos de felicidade, deixando uma longa e diabólica risada sair de dentro de si, chamando a atenção de todos, ou pelo menos, de um certo meio-anjo que vigiava os dois amigos escondido entre arbustos.

~~~~ Immortales

Kenta olhou para o lado, ainda atrás de um enorme arbusto de mais ou menos sua altura, avistando as duas chegarem perto do supermercado, entrando sorrateiramente logo em seguida. Kenta, que ficou frustado por ver que teria um pouco mais de trabalho do que imaginaria, aproximou-se lentamente da loja, vestindo o capuz de seu casaco e tentando ao máximo não ser reconhecido pelas duas, que agora rondavam pelo supermercado a procura da menina.

— Onde ela está? Mas que droga, aquela pestinha…— Madoka falou, já super furiosa por ser obrigada a passar o dia correndo a procura de uma humana que consegue enganar a morte.

— Falei para você. Acho melhor esperar um pouco, deixe-a se separar de seu amigo.— Nao falou, vestindo um avental verde que tinha achado na sessão de "Utilidades Domésticas". Ela desprendeu seus cabelos, fazendo-os cair até seus pés, fazendo a menina ficar com uma cara mais infantil ainda. Nao caminhou até a caixa, tocando-a no pescoço e ditando algumas palavras em uma língua desconhecida para qualquer um, fez a mulher desmaiar, e Nao assumiu rapidamente o papel de caixa de supermercado.

— Hum? O que está fazendo? — Madoka falou, percebendo que Não já se encontrava sentada na cadeira do caixa, sorrindo alegremente.

— Oras, irei segurá-lo. Vá e espere que eles se separem. Isso vai acontecer alguma hora. Confie em mim! — Não falou, mas Madoka soltou um gemido de contradição. A última pessoa que ela queria confiar era Nao. Aquela menina era estranha demais para ela, mas mesmo que contra sua vontade, Madoka fez o que a baixinha mandou, pois sabia que era a melhor coisa a se fazer nesse momento.

Kenta olhou para Jinka, que ria junto a Mika a algumas prateleiras dali, enquanto colocava chocolates e outras coisas gordurosas dentro de seu carrinho, fazendo o meio-anjo rir baixinho, ao saber que aconteceria exatamente o que seu sonho previu. E assim, dito e feito, Jinka despediu-se de Mika e dirigiu-se ao caixa, fazendo Madoka soltar um enorme sorriso de vitória, a mesma caminhou até a sessão em que Mika se encontrava, estralando seus dedos antes de apontar a arma para a dócil cabeça da menina, que continuava por ficar entretida dentre os diversos objetos do surpermercado.

E Kenta entrou na loja, ainda de capuz e com um olhar temível, dirigiu-se para perto do caixa, onde Jinka olhava para aquela pequena menina como se buscasse em seus olhos, sua idade.

— Olá senhor. É isso que vai levar…?— Nao perguntou, atuando perfeitamente, se não se levasse o fato de que o único que estava vendo-a era Madoka, Kenta e o próprio, Jinka.

— O-olá. Err… eu queria…— e então ele parou, enquanto olhava para os enormes olhos verdes da "vendedora". Ele olhou para o lado direito, como se quisesse fugir dali, mas acabou dando-se de cara com Kenta, que tinha um sorriso horripilante estampado em seu rosto, que tirou o capuz e lhe lançou um olhar vitorioso, tentando-o avisar o quão idiota Jinka estava sendo.

— "Porque as pessoas olham para mim como se eu estivesse falando com um… fantasma?"— e então, Jinka arregalou os olhos, desvendando o enorme perigo em que estava metido no meio. Ele largou suas compras no chão e virou-se rapidamente, olhando para trás tentando achar Mika. Mas era tarde demais. Madoka saiu da sessão sorrindo, enquanto guardava sua Shadown Sport.

Notas finais
Pak = Plano de Aniquilação das Classes Inferiores.
Eu sei que seria "PACI", mas "PAK" ficou mais legal XD
Espero que tenham gostado!