Royalt
1 Prólogo
Notas iniciais
REINO DE ETIENNE, DEZESSETE ANOS ATRÁS
O primeiro tiro foi às três da manhã nos fundos do castelo. Não levou menos de um minuto para que o rei fosse avisado e levantasse correndo com sua esposa e filha no colo. O segundo tiro foi mais arrasador e atingiu a janela da sala de estar por onde agora, centenas de soldados inimigos adentravam o castelo. O rei puxou a mulher pelo braço e carregou-a para a primeira carruagem que encontrou nos fundos do castelo. E então eles partiram o mais rápido que puderam enquanto seus soldados travavam uma luta há muito tempo perdida.
A carruagem balançava muito a medida que a estrada de terra surgia e o rei tranquilizava a agoniada mulher que sofria com a filha recém-nascida nos braços. Seria possível que eles nunca fossem ser felizes juntos? O rei não sabia que o destino da carruagem era uma vila não muito distante, tão pouco se importou quando em duas horas adentrou aquela vila pobre com várias casas de madeira decaída esparramadas em filas descomunais.
Foi apenas quando pararam que ele se levantou para ver onde estavam e com um último sorriso tranquilizador desceu da carruagem e viu sua esposa pela última vez. Ao se dar conta do que acontecia, a rainha correu com a filha no colo enquanto o soldado se ocupava com o rei que travava uma luta horrível de espadas. Mas a rainha não passou despercebida por uma das duquesas do reino inimigo que seguiu-a até o fim, naquela vila pobrezinha onde aos poucos as luzes se ascendiam.
A rainha se escondeu por trás de uma fazenda, e chorando desesperada bateu três vezes na porta. Quando uma jovem mulher de cabelos longos e dourados apareceu, entregou logo sua filha com o pingente do reino e sem explicar mais nada, com um olhar suplicante, partiu.
Dois minutos depois, enquanto a mulher dos cabelos dourados balançava a criança no colo, ouviu-se um tiro não muito longe que fez com o que o pequeno bebê chorasse ainda mais.
A rainha estava morta.
REINO DE PALACES, DEZESSETE ANOS DEPOIS, UMA SEMANA ANTES DA VIAGEM
– Está decidido. – o príncipe disse firme na reunião com os seus responsáveis legais – Vocês querem um rei e eu quero uma rainha. Há muito havia pensado sobre renunciar ou não meu trono e decidi que devo honrar meus pais com o grande feito de governar o país, mas para isso é claro, exponho essa condição.
– Mas Vossa Alteza...
– Eu já disse, foi decidido e eu partirei em uma semana para o Reino D’Ross.
Alguns duques se mexeram inquietos.
– Reino D’Ross? Mas por que Vossa Alteza, com tantos outros reinos e princesas, não consigo imaginar o porquê de querer ir para um lugar como aquele. – Kyan insistiu.
– Lembra-se que há um ano recebi uma carta de convite para visitar o Duque? Me lembro também de ter visto fotos e posso lhes garantir que as mulheres de lá são encantadoras. Além do quê, se tivesse que me apaixonar por qualquer mulher dos reinos próximos isso já teria acontecido, mas em dezessete anos continuo o mesmo homem sem conhecimento do amor e isso muda hoje. Partiremos em uma semana. – ele diz por fim.
– Vossa Alteza. – Kyan chama uma última vez – Gostaria de acompanhá-lo na viagem.
– Será bem vindo em minha carruagem Marquês.
Um erro no passado, consequências no futuro.
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