Royals
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Ele não estava lá quando acordei, é claro, e eu me senti mais confortável, na medida do possível.
Já era bastante tarde, quase hora do almoço e fiquei contente em ter podido dormir o quanto quis, eu estava mesmo precisando.
Levantei-me da cama apenas após espreguiçar e perder o resto do sono, encontrando um papel jogado por baixo da porta. Tinha uma mensagem grafada sem nada em particular, apenas a ordem da diretoria. “Comparecer ao Suffugium à 13:00”. Será que estávamos encrencados por conta da noite passada? Esperava mesmo que não.
Bem, eu teria que me apressar um pouco para chegar no horário.
Me vesti com calça de moletom, blusa de manga cumprida, suéter e um casaco de moletom por cima, sem esquecer realmente das luvas ou das botas. O frio estava absurdo.
Arrumei o quarto e fiquei uns dez minutos sem fazer nada apenas pensando na vida. Saí do quarto quando faltavam cinco minutos para à uma e cheguei lá com alguns segundos de antecedência, o que era muito legal.
A maioria do pessoal da minha sala já estava lá, todos sentados e encolhidos nos sofás. Não sabia se o problema era o frio ou a bronca que iríamos levar.
Sentei-me junto a Kate e Alex, que pareciam ambos com sono.
–Onde você esteve noite passada? –Kate quase berrou quando me viu.
–No quarto. –Nem pensei para falar.
–Não, você demorou séculos para chegar no quarto. –Ela acusou, séria. –E eu vi que ele te fez esperar.
Suspirei, dando-me por vencida.
–Ele me levou lá embaixo, mas foi inútil, de qualquer jeito.
–Ele fez o que? –Nem percebi Sarah se aproximar.
–Me deixou ver o lugar e depois disse que não ia me deixar voltar lá novamente.
–Oras, mas então você já sabe ir pra lá! –Alex falou, animado.
–Ele não me disse a porcaria da senha. –Contestei.
–Que droga! –Ele resmungou.
–Mas, o que tinha lá pelo menos? –Kate perguntou.
–Aquela passagem dá para um bosque. –Contei.
–E então...? –Kate perguntou.
–Então o que?
–O que aconteceu? Tipo, para que ele te levou lá? –Sarah explicou.
–Não aconteceu nada. Discutimos algumas vezes, ele me disse que só tinha me trazido lá para matar a curiosidade e não ter mais motivos para voltar e me trouxe de volta. Foi mais frustrante para mim do que para vocês, podem acreditar.
–Isso é bem frustrante. –Sarah concordou, suspirado. –Mas a boa notícia é que o grupo de Lena encontrou um estoque de sangue na geladeira ontem e que o grupo de Ryan descobriu que nossos sanguessugas também têm um Suffugium.
–Isso é notícia boa? –Alex tirou as palavras da minha boca.
–Pelo menos é alguma coisa. –Ela se defendeu. Fiz uma careta em resposta.
–Hey, tem uma mulher doida entrando. –Kate nos chamou a atenção para uma ruiva vestida de muitas cores que era acompanhada pela diretora.
–Muito bem crianças, antes que Jennifer possa se apresentar, gostaria de lhes comunicar ações de alto desagrado por minha parte e de outros alunos e professores. –Lá vinha bomba. –Alunos sem permissão ou desacompanhados de um responsável são claramente proibidos de circular pela escola após as 22:00. Quaisquer mais quebra de regra será punida de acordo com minha vontade. –Era só isso? –Mas eu entendo que vocês não estejam satisfeitos e confortáveis com o estilo de nossa escola, portando resolvemos conceder à vocês um baile de inverno na próxima semana. Para que isso ocorra, vocês terão de trabalhar. Esta daqui é Jennifer, mestra em Artes e irá lhes ajudar com os figurinos e decoração. Vocês terão o corpo de professores disposto a ajudar em qualquer coisa, é claro. Espero que tenham em consciência que tanto nós quanto o resto do corpo estudantil está contando com vocês. Agora eu irei me retirar pois vocês têm muito trabalho pela frente. Podem começar.
Era o que?
Eu não sabia se aquilo era bom ou se era muito trágico. De algum modo, a diretora estava tentando nos manter ocupados por bastante tempo, mas, se pensarmos no outro lado da coisa, teríamos diversão.
–Muito bem, meninos, teremos um trabalho duro. Iremos nos encontrar aqui todos os dias após as aulas e amanhã também, o dia inteiro. Nada pode sair errado. Vamos começar com uma lista, um grupo de cinco pessoas vai escrever tudo o que será necessário numa folha. A diretora irá conseguir todo o material que precisarem, tenho certeza. Então vocês do canto podem cuidar da lista e entregá-la diretamente à diretora em um prazo de uma hora. –Ela apontou para Paul, John, Lena, Matt e Julie, que não pareceram ficar muito contentes com a tarefa.
“E vocês da janela vão fazer uma lista da comida necessária, é claro.” –Ela apontou para o grupo mais distante. – “Os que sobraram venham comigo, vamos começar com suas roupas.”
Eu, Mary, Sarah, Kate e Alex seguimos a mulher até o outro lado do canto, onde havia uma imensa bolsa de couro com milhares de tecidos.
–Moda é uma arte, meus caros, porém quem vai vestir cada um aqui será eu. –Avisou. –Seria muito imprudente deixar que fizessem seus próprios figurinos. Não é nada fácil mexer com tecidos, sabe? Uma magia errada, um pensamento torto e o vestido se acaba no meio da festa, nós não queremos que isso ocorra, não é mesmo?
Me senti obrigada a concordar.
–Ótimo. Vamos começar com Alex, em ordem alfabética, é claro. –Ela puxou Alex para frente. –Eu sei o que vai ficar ótimo em você: Um terno branco com botões e bolsos decorados em dourado, digno de um nobre. –Ela tirou um tecido branco estranho da bolsa e fez alguns movimentos com as mãos e o tecido desapareceu. –Ficará pronto em alguns minutos, você o encontrará em seu quarto. Vá prova-lo e volte quando estiver arrumado.
Era só isso?
–Agora você. –Ela me puxou e eu segurei uma careta. –Eu sei o que ficará bom em você, princesa. Encontre meu trabalho em seu quarto em alguns minutos, mas não venha com ele para cá. Roupas femininas só devem ser vistas na hora do show, é claro. Apenas vá experimentá-lo e depois diga-me se gostou.
Saí de lá meio atônita e quase que perdi minha entrada para meu quarto, uma vez que estava ainda confusa.
Eu não gostava de experimentar roupas, mas eu estava meio animada com o que encontraria esperando por mim.
Acredite ou não, a animação acabou bem rápido.
–Você está me seguindo? Só para constar.... –A pessoa estava encostada em minha porta.
–Você está indo a algum lugar sozinha? Só para saber, você sabe, assim eu posso te trancar no banheiro se for necessário. –Ele retrucou.
–Eu só vim para o meu quarto provar uma roupa, não vou sair por aí em plena luz do dia.
–Então você vai sair à noite? –Ele arqueou as sobrancelhas e eu bufei.
–Não é da sua conta, pai.
–Eu fico realmente feliz com a vida por não ter você como filha.
–Obrigada pela parte que me toca. –Ironizei. –Mas eu preciso entrar no meu quarto.
Ele deu de ombros e abriu a porta para mim, me esperando passar.
–Vossa alteza. –Fez uma reverência idiota quando entrei.
–Se eu pudesse teria te matado há muito tempo. –Resmunguei.
–Se eu quisesse eu poderia ter acabado com você há alguns dias, já. –Ele fechou a porta atrás de si mesmo.
–E você não quer por quê...?
–Minhas razões. –Deu de ombros. Bufei e fiquei irritada comigo mesma por ter me sentindo um pouco frustrada.
Por sorte encontrei uma saco preto sobre minha cama preso num cabide grande. Eu não provaria o vestido ali, não com Thomas no quarto. Pendurei o vestido no guarda roupa sem nem abrir o zíper para ver a cor e aproveitei para tirar o casaco. Eu podia sobreviver em meu próprio quarto com uma blusa de manga cumprida, uma vez que usar casacos gigantes era bem desconfortável.
–É para o baile? –Perguntou e eu tive a sensação de que ele já tinha uma resposta.
–Seria.
–Eu não sei se eu vou. Você sabe, me envolver com bruxinhos metidos publicamente pegaria mal.
–Fique tranquilo que ninguém vai sentir sua falta. –Assegurei e me joguei na cama. Eu acho que eu tinha que voltar para o Suffugium e dizer que o vestido serviu, porém era tudo o que eu não queria fazer no momento.
–Eu não diria com tanta certeza. Talvez algumas garotas....
Não, aquilo não me abalou.... O que eu senti foi nojo, certo?
–Que pena. –Murmurei. –O que mesmo você está fazendo aqui?
–Me assegurando de que você não fique sozinha hoje.
–E o motivo seria...? -Quis saber.
–Vampiros de ressaca. Não são muito pacientes.
Okay, isso sim me chamou atenção. Eu tive que encará-lo e ele estava sentado numa poltrona perto da cama, como se aquele fosse seu quarto.
–Primeiro, por que você se importa comigo? E, segundo, vampiros ficam bêbados? –Perguntei, incrédula.
Ele revirou os olhos.
–Meu pai fez um acordo com o seu pai, eu não poderia desonra-lo. Quanto à outra pergunta.... Bem, nós não ficamos bêbados como mortais. Nós bebemos....
–Sangue?
–Claro. Mas uma boa quantidade de sangue nos faz perder um pouco a cabeça e os instintos falam mais forte, então quando um de nós bebe demais, ele fica nesse estado....
–Animalesco? –Sugeri e seus olhos faiscaram para mim.
–Você entendeu. Bem, nós só ficamos desse jeito depois de algum tempo, por isso chamamos de ressaca.
–E aí vocês tendem a matar tudo o que veem pela frente? –Perguntei, arqueando uma sobrancelha.
–Basicamente.
Eu não me senti tão surpresa assim.
–Mas, sério, vocês não têm sentimentos ou não conseguem pensar no que estão fazendo? Vocês tiram vidas! –Eu me sentei na cama para ficar de acordo.
–Mas é o que comemos. –Ele disse como se fosse óbvio. –Vocês precisam de água e nós precisamos de sangue.
–Tudo bem vocês precisarem de sangue, mas torturar uma pessoa até a morte? Não dava para, sei lá, morder e tomar só um pouco?
–É claro que dá.
–Então...
–Nós não queremos. –Seus olhos faiscaram de novo e eu tive que me segurar para não me afastar. Ele conseguia ser bem assustador quando queria. –Não queremos ou podemos deixar mortais vivos se lembrando do que lhes passara. Quanto a sua espécie, por que iríamos poupar alguém como você? É terrivelmente irritante ter um pirralho com poderes mágicos te lançando para cima toda hora. –Sua voz era áspera demais, eu não gostava nada disso.
–Mas vocês brincam com suas presas, são sádicos e cruéis. Eu não acho que possa haver explicação para isso. –Insisti.
Ele balançou a cabeça negativamente, como se eu fosse uma criança falando algo tão idiota que doía.
–É da nossa natureza, princesa. Mas não somos inescrupulosos. Mortais mal sentem a mordida e se sentem, não é dor. Acredite ou não, eles gostam tanto que esquecem que estão para morrer.
Isso parecia meio ridículo. Como alguém que tem presas cravadas no pescoço pode nem perceber que vai morrer?
–O quê? Quer experimentar? –Ele provocou e eu me encolhi.
–Não desejo morrer jovem, mas obrigada. –Retruquei, porém alguma coisa me incomodava.
–Eu não iria te matar, por mais que eu quisesse. –Por que a proposta me atraía?
–Eu não confio em você. Você faria doer, de qualquer jeito. –Neguei, entretanto uma parte bem funda de meu ser estava irritantemente curiosa.
–Quem disse? Eu estou de bom humor hoje, Amy.
Como ele tinha tanta certeza de que eu acabaria consentindo à essa ideia estúpida? Que porcaria que eu tinha na cabeça? Não podia estar tão óbvio assim, afinal a parte racional do meu cérebro negava muito, só que estava em minoria e abafada pela parte sem juízo.
Thomas me estudou por algum tempo e eu via humor estampado em seus olhos. Eu devia correr para o Suffugium, mas tudo o que fiz foi estender meu pulso, meu coração quase saindo do peito.
Ele riu e abaixou meu braço.
–Não é bem aí, garota. –Falou.
Eu não achava mais meus músculos ou qualquer coisa que pudesse me fornecer movimentos, então basicamente me deixei ser movida por ele. O sanguessuga passou a mão pela minha cintura e me empurrou mais para trás, para os travesseiros, e meio que se inclinou diante de mim, segurando minhas mãos ao lado do corpo.
Não sei o que me deixava tão desconfortável, se era o fato de estar deixando que sugassem meu sangue ou se era a aproximação e os toques.
Quando consegui focar em seu rosto tive uma surpresa bem tensa. Sobre seu lábio inferior, dentes finos e brancos sobressaíam, cumpridos o suficiente para não caberem dentro da boca. Aquilo sim era assustador, embora ficasse perigosamente atraente em seu rosto.... Eu devia mesmo estar sob um efeito de ervas.
Ele me analisava curiosamente, como se esperasse por algum grito ou comentário qualquer, porém eu não era nem capaz de achar minha voz.
–Não grite, Amy. –Ele murmurou, a voz rouca, e seu corpo pesou sobre o meu, mas nada que fosse desconfortável.... Acho que errei a palavra?
Thomas soltou uma de minhas mãos e afastou meu cabelo de minha clavícula, deixando a mesma terrivelmente exposta.
Eu estava quase tendo um ataque cardíaco quando seus lábios roçaram a pele exposta, me fazendo arrepiar. Tentei respirar fundo milhares de vezes para me acalmar, porém tudo o que realmente consegui fazer foi agarrar a barra de sua camiseta.
Ele enrolou dolorosamente para finalmente afundar os dentes, mas quando o fez eu senti uma coisa estranha. Não era a dor que eu estava aguardando.
De repente meu corpo ficara relaxado e minha respiração voltara ao normal, se não fosse por meu coração eu estaria melhor do que nunca. Meus olhos se fecharam e eu tentei refletir.
Eu podia sentir seus dentes contra minha pele, porém parecia algum tipo de anestesia indolor. Acho que consegui entender porque mortais esquecem que estão sendo assassinados.
Infelizmente ele parou rápido demais e lambeu a ferida, voltando para me olhar com os dentes de volta ao normal e os olhos parecendo um tanto excitados. Como sangue podia ser tão bom? Tinha gosto e cheiro de ferro!
Ele saiu de cima de mim e se sentou na lateral da cama, ainda próximo, mas me empurrou de volta quando eu tentei me levantar. Me senti um pouco tonta.
–Você acabou de perder sangue, Amy. Melhor ter paciência. –Ele comentou.
–Você não me avisou dessa parte. –Resmunguei.
–Devia?
Aquilo era muito estranho. Se duas pessoas se odiavam ou não poderiam simplesmente conviver em harmonia, por que estariam dentro de um mesmo ambiente discutindo coisas inúteis como se não houvesse mais nada para fazer? Minha mente acendeu como uma lâmpada e eu tive certeza de que havia algo muito estranho ali.
–Por que você está aqui? –Perguntei, séria demais até para mim. Ignorei a vertigem e me sentei, recebendo um olhar um tanto duro.
–Eu já disse...
–Mas não me convenceu. –Assegurei. –Você está aqui para me enrolar, é claro. O que está havendo? –Insisti.
Sua expressão não mudou em nada, ele continuou com a cara mais dura do que uma pedra de mármore e seus olhos me davam mais choques. Não acho que poderia me acostumar com aquilo.
–Se há algo que eu não te contei, garota, então é porque você não deve saber. –Ele retrucou, a voz cortando metal.
–Não devo saber? –Perguntei, sem conseguir acreditar. –Como? É a minha vida, sabia? Esse é o meu quarto e eu devia estar fazendo as coisas que me pediram. Você está aqui por um motivo e eu tenho direito de saber qual é. –Eu praticamente gritei as últimas palavras. –E estão me esperando no Suffugium.
Ele segurou meu pulso para que eu não saísse da cama.
–Você não vai sair desse quarto hoje, princesa. Eu só estou cumprindo uma ordem. –Eu sabia que não teria chance de ganhar aquela discussão, mas eu não queria passar o resto do meu dia em silêncio naquele confinamento.
–Você podia pelo menos me dizer qualquer coisa do motivo pelo qual eu estou presa aqui? Prometo que paro de te irritar. –Sugeri.
–É tentador, mas você não conseguiria cumprir.
–Você não me deixaria cumprir. –Resmunguei.
–Minha presença te perturba tanto? –Ele perguntou sarcástico.
–Você seria incapaz de entender o quanto. –Bufei e cruzei os braços sobre o peito, irritada. -Não é justo! Eu não quero passar o resto do dia inteiro aqui sem fazer nada!
–Não reclame. Eu que vou ter que te aguentar.
–E eu vou fazer da sua vida um inferno se você não me der alguma satisfação!
Um lampejo de irritação atravessou seus olhos que pareceram me mandar um choque.
–Você realmente quer saber? –Ele perguntou, a voz soando como metal. Assenti com a cabeça, mas ficando quieta. –Foram constatadas presenças estranhas na escola, principalmente por aqui. Até que consigam descobrir o que está havendo, vocês devem ficar em seus quartos e sob supervisão.
Presenças estranhas? Aquilo fez meus ânimos se aquietarem.
–Seus colegas foram evacuados do Suffugium assim que você saiu, estão todos bem e em seus devidos quartos. –Ele continuou, aproveitando meu silêncio.
–Que tipo de presença estranha? –Perguntei com certa cautela.
–Espíritos ou fantasmas incomuns. –Ele deu de ombros e eu quase precisei engolir meu coração.
–Mas eles não podem atravessar paredes? –Arregalei os olhos.
Ele concordou com a cabeça.
–Eles podem entrar em qualquer lugar desde que você os deixe.
–Como assim?
Ele revirou os olhos como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
–Esse quarto é seu, então se qualquer criatura dessas quiser entrar precisa ter permissão. Entretanto o que é público ninguém pode controlar. –Soltei a respiração com certo alívio. Não sei por que, mas acho que se desse de cara com um fantasminha passeando por meu quarto eu provavelmente teria um ataque cardíaco. –Você está com medo, princesa? –Ele debochou.
–Sim. Medo de ter que ficar te encarando pelas próximas horas do meu dia. Vou tomar banho. –Falei e levantei sem hesitar da cama, cambaleando constrangedoramente em seguida e indo pegar meu pijama e lingerie.
Fiquei cerca de uma hora imersa na banheira com a água em uma temperatura maior do que a recomendada, porém eu não podia ajudar, precisava de água quente porque aquela desgraça de clima era gelado demais até para um pinguim. Não sei como, mas ficar naquela banheira por tanto tempo me deixou tão relaxada que minhas pálpebras começaram a pesar bastante e foi só assim que eu saí, me vestindo em uma fração de segundo e secando meu cabelo o mais rápido possível.
O pijama de frio novo era bom, bem melhor que os meus anteriores, porém não era suficiente. Escovei os dentes já sabendo o que iria fazer e voltei com pressa para o quarto.
Thomas estava deitado à vontade sobre minha cama e com os olhos fechados. Ele era bonito demais para poder negar, porém eu não poderia ser vista o analisando com qualquer admiração ou ele me encheria o saco durante a vida inteira. Resolvi ignorar sua presença e fui me deitar do outro lado, me enrolando até o pescoço com as cobertas. Meio que ordenei que as luzes se apagassem e fechei os olhos.
–Está mesmo vindo para a cama comigo tão fácil assim, princesa? –Minhas bochechas coraram violentamente e eu sabia que ele era capaz de enxergar, porém eu não queria imaginá-lo podendo ver meu rosto, então fingi que ele era apenas um cara irritante e normal para meu próprio bem mental.
–O melhor jeito de lidar com você é estando dormindo, então que seja assim. –Respondi.
–Então durma bem, Amy. –Senti que ele estava um pouco mais perto de mim e tive que segurar um sorriso de vergonha involuntário.
Pelo menos com ele ali eu me sentia mais segura.
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