Royals
20 Capítulo 20
Notas iniciais
–Meu nome na verdade é Arthur Winter, só uso o Lanisck porque ninguém sabe que Jane tinha dois na barriga.
–Papai sabia? –Perguntei.
–É, ele sabia sim. Procurou por mim por anos e agora acha que eu morri por conta da maldição e você foi a única sobrevivente.... Ele criou uma teoria doida que só ele tem. –Fez uma careta.
–Com quem você ficou durante todo esse tempo?
–Fiquei sozinho numa cabana afastada até os doze anos. –Contou. Quando arregalei os olhos ele se apressou em continuar. –Vovó cuidou de mim, não se preocupe. Ela vinha uma vez por dia me deixar comida e me dar conselhos. Quando eu completei doze anos já sabia demais, então precisei começar a me mover. Ouvi sobre você, soube que nossa espécie estava sendo caçada por aí e fui ajudar a salvar algumas crianças conforme pude. Depois tive noção completa sobre o bastardinho que está em nosso reino e precisei começar a mover peças, coletar informações do tipo. Quando descobri certas coisas percebi que precisaria te encontrar de qualquer jeito e aqui estou eu.
Eu não consegui não me sentir mal por ele e terrível por mim. Enquanto eu era mimada por Margareth e tratada como uma princesa chata onde quer que eu fosse, eu tinha um irmão se matando por aí.
–O que descobriu?
–Você está em sério perigo, mana.
–Por causa de Gordon?
Ele negou, tua expressão tornando-se um tanto sombria.
–Por causa de híbridos. Sabe aquela lei que diz que os híbridos devem necessariamente serem registrados? –Perguntou. –Parece que alguns seres estão deixando de cumpri-la. Eu creio que há híbridos infiltrados aqui, irmã, e híbridos ilegais nunca poderão significar boa coisa.
–O que eles iriam querer comigo?
Arthur franziu o cenho.
–Usar seu poder, matá-la, sequestrá-la talvez, não posso dizer. O que eu receio é que alguns deles saibam seu segredo.
–Que segredo? –Eu estava em uma grande confusão.
–Nosso segredo, na verdade. Mas é muita informação para você, mana, e também é inútil agora.
Respirei fundo. Eu nunca podia ter qualquer informação por completa, parecia que as pessoas combinavam.
–Ninguém tentou me atacar diretamente nesses dias. –Murmurei.
–Seu noivo está dando conta disso, suponho. –Eu concordei com a cabeça.
–O que nós fazemos agora? –Perguntei.
–Nós voltamos e você pode me apresentar como seu irmão. –Falou.
–Mas aí todos vão saber sobre você.
–A ideia é essa.
–Podem tentar te atacar e pode ter gente que nem vai acreditar.
–Eles não precisam acreditar, Amy, mas nós somos família, o que deve significar algo. Eu não posso ficar parado enquanto tudo cai sobre você.
Respirei fundo.
–Eles viriam para cima de nós dois então. –Afirmei. Arthur deu de ombros.
–Estaremos juntos nessa, como deveria ser. –Ficamos em silêncio por um tempo.
–Sabe.... Eles deviam ao menos terem me dito sobre você. Não é justo. –Reclamei e recebi um sorriso de canto.
–Você só descobriu esse mundo recentemente, irmã. Seria muita informação para lidar.
–De algum jeito ou de outro, me sinto feliz por ter um irmão aqui. –Falei tentando sorrir. Ele me puxou para um abraço acolhedor e me beijou na testa.
–E um outro que vamos precisar expulsar. –Adicionou. –Mas antes de discutirmos a questão do Gordon, precisamos voltar ao baile, suponho.
Concordei. Thomas iria me matar.
–Meu quarto é na frente do seu. –Ele disse quando saímos, apontando para a porta que eu nunca vira aberta.
–Não deve ser coincidência.
–Coincidência é uma coisa que não existe, mana. Não se esqueça de me apresentar seu noivo. –Fiz uma careta.
–Eu acharia melhor pular essa parte. –Murmurei.
–Por que? –Ele franziu o cenho.
–Ele deve estar bem estressado comigo. –Contei.
–O motivo seria...?
–Ele me disse para não sair de perto dele.... Bem, aqui estou eu. –Arthur riu.
–Você gosta dele? –Perguntou.
Era uma pergunta que eu já tinha me feito mil vezes já, sempre sabendo que gostar era pouco perto do que eu sentia, embora não soubesse o que exatamente eu sentia.
–Sim, só não deixei-o saber disso, por favor. –Pedi.
–A diretora me disse que ele fica no seu quarto quase toda noite. –Ele me olhou não muito contente. Só podia ser meu irmão mesmo.
–Ele fica sim, mas você não precisa fazer essa cara, nunca fizemos nada.
–Nunca? –Ele arqueou as sobrancelhas, parecendo aliviado e confuso ao mesmo tempo. –Como ele conseguiu?
–O que você quer dizer?
–Honestamente, irmã? Não há nenhuma garota tão bonita quanto você em qualquer espécie que exista.
–Fale sério, Arthur! –Revirei os olhos. Ele me parou e parecia bem sério. Estranhei.
–Não estou brincando, Amy e tampouco mentiria. Eu preferiria que você não chamasse tanta atenção. –Resmungou.
Revirei os olhos outra vez e voltamos a andar.
–Eu tenho um noivo, sabia?
–Eu primeiro teria certeza quanto a opção sexual dele. –Oh, ele pensava que Thomas era gay? Eu não consegui não rir. –É sério, querida irmã. Aponte-me um homem que nunca tentaria nada com você.
–Alex. –Falei de prontidão.
–Outro que precisa ser indagado. –Revirou os olhos.
Eu me diverti sozinha enquanto imaginava a cara de Thomas quando eu o perguntasse sobre sua opção sexual.
–Chegamos. Agora é melhor você falar baixo sobre opções sexuais antes que todos nos ouçam. –O adverti, mas ele deu de ombros.
–Por onde começamos? –Ele me perguntou enquanto olhávamos para todas aquelas pessoas.
–Meus amigos. –Respondi assim que encontrei Thomas me encarando visivelmente irritado enquanto ignorava alguns vampiros que tentavam conversar.
–Vamos lá, então. –Ele concordou, me oferecendo o braço.
As pessoas olharam para nós antes mesmo de chegarmos. Arthur falara de mim mas acho que nunca o deram um espelho.
–Amy! Quem é esse? –Matt perguntou assim que nos juntamos ao grupo.
–Meu irmão, Arthur.
Bom, deu um trabalho ferrado para explicar a situação, ou o que eu podia explicar, e não me importei se alguém não fosse acreditar ou coisa do tipo, embora todos haviam ficado convencidos.
Para quem não sabia o rolo que era a minha família, entender era fácil. Apenas Kate que ficou meio estranha, quieta demais e encarando Arthur. Bem, todas as garotas encaravam meu irmão, mas este também só gastava mais tempo analisando Kate discretamente, e eu era a única que percebia.
–O nome dela é Kate. –Eu sussurrei em seu ouvido quando conseguimos nos afastar. Arthur me olhou confuso, mas não tentou contrariar.
–É sua amiga?
–Minha melhor amiga e minha Primeira Conselheira. Confiável o suficiente para você? –Ele me deu um sorriso maroto, concordando. –Mas faça gracinhas e eu juro que se enfio no calabouço de cabeça para baixo. –Ameacei.
Arthur revirou os olhos, mas pareceu entender a ameaça.
–Não vou brincar contigo, mana. Agora que tal me apresentar seu noivo? –Pediu.
Eu respirei fundo e fui procurar por Thomas no meio da multidão. Quem disse que eu o encontrei? Já ia começar a ficar nervosa quando vi uma Olívia cúmplice e divertida vindo em minha direção.
–Amy, preciso falar com você. –Ela cantarolou. Fiquei com medo. –E é um prazer conhecê-lo, Arthur. Por que não vem comigo para que eu possa te explicar algumas coisas que eu acho que você vai precisar? Você também pode me contar sua história sabe? Eu sou Olívia Hunter, aliás. –Olívia o pegou de surpresa com um abraço enquanto piscava um olho para mim. Eu sabia que ela sabia de algo que eu não sabia. –Meu irmão está te esperando no quarto dele. –Ela sorriu e eu precisei respirar fundo, me sentindo um pouco nervosa nem sei porque.
–Cuide de meu irmão. –Pedi. Era óbvio que eu precisava ir até o quarto de Thomas, porque se eu não fosse ele iria ao meu e as coisas iriam piorar numa escala de muito ruim ao infinitamente péssimo.
–E você cuide do meu. –Tinha alguma coisa também por trás do sorriso inocente que ela me dera e eu fiquei com mais medo.
Olhei para Arthur que me liberou com uma cara amarrada e eu saí do baile tentando não chamar muita atenção. Ele não iria brigar comigo por sair dez minutos com o meu próprio irmão, iria?
Céus, por que eu estava tão nervosa? Era apenas Thomas....
Não, Thomas nunca poderia ser apenas Thomas. Eu sabia que estava ferrada assim que abri sua porta.
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