Royals
1 Capítulo 1
– Como? — Perguntou Ammy, aumentando seu tom de voz com um dos coordenadores mais jovens da prova que havia feito meses atrás, Bexter Dawner. — Como você pode dizer isso para mim? — Bateu fortemente a mão na mesa. O rapaz alvo dos gritos dela, estava espantado com o tom inconformado da garota.
– Ammy — Disse Bexter tentando um tom calmo, apaziguá-la -, seu nome não foi incluído na área de direito trabalhista. Vimos em você um potencial maior na área criminal.
– Mas... — Sua voz soava inconformada. Ela sabia que a área criminal era algo muito além do que ela queria, algo que ela consideraria bom. Mas Ammy não se sentia uma exímia defensora em casos criminais. Ela sabia que nessa área iria se deparar com os casos mais bizarros e complicados, e em sua mente ela havia formado a ideia de que o seu máximo era defender na área trabalhista. — Tem certeza que esse resultado está exato?
– Srta. Hadams — Bexter respirou fundo e disse calmamente -, pela sexta vez, sim esse resultado está exato. Sua prova foi corrigida por quinze professores. Seria estranho se não fosse exato, não?
– O.k. — Suas mãos suavam por conta do resultado inesperado. Tudo o que podia fazer agora era aproveitar a semana de folga que receberia após os resultados. — Já que esse é o resultado, acho que estarei pronta depois de alguns dias de descanso.
– Também digo o mesmo — Disse Bexter, o coordenador, sorrindo. Ele até poderia ser um dos caras mais bonitos que já vi, mas nem o sorriso dele me acalmava.
Área criminalista. Um futuro inesperado. Um novo universo. As palavras que a deixavam nervosa apareciam como na abertura dos filmes de Star Wars. Ammy não conseguia se imaginar defendendo algum criminoso ou vítima de tentativa de assassinato ou outra coisa bem pior. Não queria acabar gaguejando ou chorando na frente do juiz. Ela não sentia capaz de fazer algo desse nível. Quando colocada sobre pressão, entrava em desespero, como fez em uma praia quando foi puxada pela água para a parte funda. Foi horrível.
Com suas coisas já guardadas em sua bolsa, Ammy pegou os documentos de seu resultado e se encaminhou para a porta de entrada. Caminhando pelo corredor central da Universidade Owstern Bridge sentiu o peso da preocupação se esvair. Ao pisar na entrada mais afastada do belo jardim da instituição, pode sentir uma ponta de felicidade. Uma semana longe de preocupações com estudos e trabalhos, pensou Ammy, sete dias inteiros para ficar em casa, visitar meus pontos preferidos da cidade ou alguma coisa nova. Alguma coisa nova. Essa frase ecoou por sua mente e a entristeceu por um momento. Jayden, seu antigo namorado, sempre dizia isso. Tentar algo novo. A dispensou por conta da distância de onde morava. Mas Ammy sabia que não havia sido isso. Ele simplesmente, em seu jeito orgulhoso, conquistou os olhos de outra garota e ficou com ela. Conseguiu alguma coisa nova. Ammy agora era mais uma entre centenas de garotas em sua lista de namoradas. A raiva esquentou seu corpo por um momento, mas logo o fervor de seu sangue se esvaiu. Não adiantava ficar com raiva dele. Isso não o atingiria nem se ele estivesse a um metro de distância dela. Talvez alguns centímetros fosse o bastante para ela lhe dar um chute entre as pernas, mas essa chance já foi dada a ela, que não aproveitou a oportunidade. Nesses dias de folga tentaria esquecer os homens por um momento. Tentando esquecer o rosto do último homem que viu naquele dia, lembrou de Bexter, com seus lindos olhos verdes, e se permitiu não esquecer de seu rosto. Poderia tentar um relacionamento novo com ele no período que se iniciaria. Ah, agora eu estou parecendo o Jayden, censurou-se Ammy.
Ammy tentou eliminar os pensamentos recentes por um momento admirando as flores que cercavam a escada, terminando em uma estreita estrada cercada por tulipas amarelas e vermelhas. O Sol tentava aquecer o solo frio de inverno, coberto levemente por uma fina neblina fria e refrescante. Caminhei o mais lentamente possível para observar as formigas levando folhas e resto de grãos para dentro de uma fissura em um muro, o formigueiro. Ao longe pessoas desciam e subiam a escada principal como se o tempo que tivessem para cumprir suas tarefas não fosse o bastante.Como se não enxergassem o que tem a volta. É o verdadeiro poder do desespero. Ammy permitiu-se a apenas observar as plantas e os pequenos insetos, não se importando em perder tempo. Pelo menos elas não são apressadas, ponderou ela. Sentou-se em um banco perto do muro, ao lado da fissura onde as formigas formavam filas de entrada e saída. Passou alguns minutos ali, sozinha, aproveitando do calor que o Sol tentava emitir. Com os olhos fechados, apenas ouvindo o farfalhar das folhas de árvores por perto, foi interrompida quando alguém pigarreou ao seu lado. Continuou de olhos fechados, imaginando se não seria mais um dos universitários que jogavam as mesmas cantadas para ela. Talvez se Ammy abrisse os olhos, os dois outros do seu lado seriam obrigados a ficarem fechados por uma semana. Até que ela ouviu o pigarro mas uma vez. Então se permitiu olhar quem era. Quando abriu os olhos, seu rosto esquentou, corando-o, e subitamente ela se viu com raiva de si mesmo por seu rosto ter corado. Estou agindo como uma idiota, pensou ela, tentando não transparecer a raiva. Ao seu lado estava Bexter Dawner, o coordenador com quem gritara à algum tempo atrás. Seu sorriso era sincero e logo percebi que sua mão estava perto da minha. Ele se achegou um pouco e pôs sua mão em cima da minha. Um arrepio subiu por seu braço e se sentiu desajeitada, pois parecia que ele tinha percebido, então disse:
– Eu te assustei? — Sua voz levemente grave reverberou em nos ouvidos de Ammy. Tentou disfarçar um sorriso quando ele disse as seguintes palavras — Estava tão bonita sentada perto das flores, que não pude deixar de notá-la — Apenas com essas palavras, ela sentiu a força da gravidade diminuir em meu corpo. Seus olhos verdes escuros, como o mar, diferenciando-se com as rajadas em verde claro ao redor da pupila, que estranhamente estavam dilatados, refletiam o seu rosto e ela pôde perceber que aquele olhar era magnetizante, como o de Jayden.
Jayden?, pensa ela, indignada. É isso que me vem à mente? Livrando-se dessa comparação, ela vê Bexter retirar uma das flores em um canto e a colocar em seu cabelo. Ele afasta uma mecha de seu cabelo e a põe atrás da orelha dela, roçando o dedo em seu rosto levemente. De repente Ammy volta a realidade. Bexter não estava querendo se achegar a ela. Ele praticamente estava avançando rápido demais! Sua mão crispou-se e a puxou debaixo da mão dele. Seu olhar se direcionuo para onda estava a mão de Ammy antes e franziu a testa.
– O que houve? — Ele indaga, como se não soubesse do que tinha acabado de acontecer.
– Bexter — Ammy começou a explicar, gaguejando algumas vezes, mas não foi nada que tirou a atenção dele -, acho que você está fazendo as coisas de modo muito rápido. Que tal apenas conversarmos sobre alguma coisa.
– É — Ele começou a dizer, ponderando um pouco e desatando o seu sorriso novamente, agora deixando Ammy mais à vontade -, você tem razão. Então, prefere sair nesta semana de folga?
Ammy o fitou vagamente. Deveria aceitar ou não? Jayden ainda a havia deixado confusa com algumas coisas e... Jayden mais uma vez, não é srta. Ammy Hadams?, pensou, irando-se consigo mesma por não ter esquecido aquele idiota. observou o rosto de Bexter esperando uma resposta e viu-se dizendo sim automaticamente.
– Então está bem — Bexter a fitou profundamente, talvez esperando algo contraditório, mas sem a vinda das palavras esperadas pôs as mão em cima da mão de Ammy, que agora não se importava com ato, e completou: — Confirmarei o local durante a semana, mas prefere qual dia da semana, srta. Ammy? — Ele perguntou, segurando a mão dela e beijando-a suavemente.
– Quinta-feira — Conseguiu dizer, desajeitada pelo ato tão doce de Bexter.
– Está marcado — Ele sorriu mais uma vez, Ammy perdendo a conta de quanto sorrisos ele dirigiu a ela, e levantou-se olhando para a copa de uma das árvores. Ammy percebeu que ele também estava desajeitado.
– Bexter — Ele voltou seus olhos para ela, percebendo uma pequena folha nos cabelos castanhos dele. Ela levantou-se e chegou perto dele para retirar a folha dentre o fios meio emaranhados. Ajeitou os finos em sua testa e Ammy percebeu que estava bem perto de seu rosto. Afastou-se um pouco e continuou: — O número do meu telefone.
– Ah, sim, desculpe-me ter esquecido — Ele apalpou os bolsos em busca de algum papel.
– Há problema escrever em sua mão? — Perguntou ela com uma caneta de tinta permanente, a primeira que havia achado em meio as coisas na bolsa.
– Não, não tem problema — Respondeu interrompendo a busca por um pedaço de papel, sorrindo sem jeito. — Mas escreva aqui — Ele estendeu o braço e arregaçou a manga da blusa até o cotovelo, deixando o antebraço à mostra -, o número pode apagar da minha mão.
Ela escreveu o número em seu braço, percebendo a grossas e ressaltadas veias dele. Ao terminar, ele ajeitou a manga e sorriu para Ammy. Pegou sua mão e a beijou levemente, despedindo-se dela. Ele correu e virou em direção ao portão de entrada. Ao ver ele desaparecer na esquina da rua, ela sentou-se no banco novamente e corou a pensar que teria um encontro com um cara gentil e bonito na quinta-feira. Logo na semana em que ficaria sozinha, sem pensar em homens chatos e nem olhar para o rosto deles. Mas, Bexter era uma exceção.
Logo retomou seu caminho para casa, pensando no que faria na noite que logo chegaria. Havia três opções. A primeira era ir até a casa de sua mãe, para ver filmes e comer bolos quentes com sorvete. Mas acho que minha mãe não estará em casa, talvez esteja em uma saída com o meu pai, nessa nova vida de mais uma vez recém-casada. A segunda seria sair com Ravina, sua amiga desde a infância. Saíam sempre que podiam e estudavam juntas todos os dias ímpares da semana. A noite se tornava divertida ao lado dela. A terceira seria ficar em casa olhando pela janela do seu pequeno apartamento os vizinhos do prédio em frente ao seu gritando baixarias uns para os outros. Ao revisar as opções, logo pegou seu celular e ligou rapidamente para a casa de Ravina.
– Alô, Ammy? — Perguntou Ravina, cantarolando distraidamente pelo telefone algo parecido com a música Yellow.
– Ravina! — Ammy chamou seu nome. Um baque foi ouvido do outro lado da linha.
– "I came along, I wrote a song for you. And all the things you do, and it was called Yellow." — O silêncio retornou por alguns segundos e logo a sua voz soou na linha — Ammy! Ah, desculpa, não prestei atenção, estou arrumando algumas coisas aqui em casa. Está a maior bagunça.
– Quer ajuda? — Perguntou Ammy, aproveitando esta ideia para falar com ela pessoalmente.
– Sim, eu adoraria. — Ravina era uma pessoa fantástica. Sempre simpática e alegre, não importa o que aconteça, ela não demonstrava isso. Preferia o bem estar das pessoas ao sua redor do que afetá-las com os sentimentos causados por algum problema. — Você está por perto?
– Estou, acabei parando perto do seu prédio para ligar para você, mas agora que eu pude ver que estava perto do seu apartamento. — As duas riem através da linha. Maioria das vezes Ammy era sequestrada por ela, arrastando-a até a sua casa para alguma novidade. Parece que com o passar dos anos, Ammy acabou se acostumando a ir para lá, e fez isso automaticamente. — Vamos sair hoje?
– Sim — Ravina disse animada -, com muita certeza. Sorte a minha de você estar vindo para cá. Sabe como sou indecisa com roupas.
– Sua solução acaba de chegar! — Ammy disse com uma voz engraçada, como aquelas que anunciam uma propaganda — Mas não vamos usar nada extravagante, apenas sair um pouco, para algum lugar diferente.
– Que tal um bar no centro de Cockeysville? — Ela perguntou indiferente ou não da decisão de Ammy.
– Não sei — Respondeu Ammy. — Não gosto de ficar perto de caras bêbados.
– Prometo que não ficaremos perto deles — Um tom suplicante apareceu subitamente em sua voz. Algo estranho em Ravina. Convencia rapidamente as pessoas sem que quisesse, nunca suplicava.
Ammy ponderou e concordou:
– Está bem — Riu ao ouvir o tom suplicante na voz de sua amiga. — Já estou subindo — Rapidamente respondeu, subindo os degraus. Parou por um momento. — Ravina, ainda tem algumas das minhas roupas por aí?
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