Royals
5 03 - Opa... Parte I
Notas iniciais

– Ele me beijou! –Noelle exclamou entrando no Salão das Mulheres – O príncipe me beijou!
As outras Selecionadas se reuniram ao redor da loira para saber detalhes. Até mesmo Melanie, por mais que tentasse disfarçar, estava curiosa. Valentina continuou deitada numa poltrona enquanto massageavam seus pés fingindo que dormia, ela não era obrigada a ouvir sobre Zachary Schreave beijando outra garota.
Todavia, ainda sim ouviu. Noelle praticamente gritava sobre como os lábios do loiro eram sedosos e como a língua dele acarinhava a sua. Sem contar as mãos dele. Uma passeava pelo seu rosto e a outra pousara em sua cintura.
“Foi como beijar uma flor!”
As meninas suspiraram e Valentina fez esforço para não rir. O que será que Zachary diria ao ouvir seu beijo – uma das coisas das quais mais se orgulhava – comparado a uma flor? Também tentou ignorar a pontada de ciúmes ao ouvir as novidades, quase podia se lembrar do gosto do Príncipe se se concentrasse bem em suas lembranças.
Mas foram suas lembranças que a alertaram que era melhor que parasse de se lembrar, ou poderia fraquejar e ceder à sua carne.
Era uma noite como todas as outras no Damnatorum. Valentina, Zachary, Lorenzo, Aurora e mais alguns amigos estavam num local mais calmo e reservado da boate, bebendo e rindo. O príncipe tentava se aproximar da ruiva, mas esta estava conversando com as amigas e não deu importância, o teria em outra hora – como sempre.
Todavia, Zachary não pensou assim e quando ela voltou sua atenção para o loiro, ele se afastou.
Valentina riu alto. Todos olharam em sua direção.
Lorenzo revirou os olhos e Aurora o segurou, zelando pelo seu próprio irmão.
– Você ficou magoado, foi? – Ela fez vozinha de bebê, seus amigos riram, até mesmo Lorenzo se permitiu curvar os lábios – Ô dó! – Bagunçou o cabelo dele.
Mas ela não se esforçou muito depois disso e engatou numa nova conversa com aqueles que não a ignoravam. Então, após mais algumas garrafas de bebida, ela se calou e, por hábito, foi encostar-se a Zachary, só que este ainda estava com o orgulho ferido (já não por ser ignorado, mas sim por ser zombado) e se afastou novamente.
A ruiva estalou os dedos, chamando pela atenção daqueles ao seu redor.
– Vamos fazer uma aposta? – Todos a olharam confusos, conhecendo-a bem o suficiente para saber que estava com outra coisa em mente – Quando tempo nosso lindo Encantado consegue ficar sem os meus lábios.
Dessa vez, Lorenzo e Zachary reviraram os olhos. Mas vários risos também foram ouvidos. Caleb, o mais novo dos meninos com apenas quinze anos, levantou os braços.
– Cinquenta que até amanhã ele se joga aos pés, clemente por um beijinho.
Dominic, antiga paixão platônica de Valentina, apoiou o mais novo enquanto tragava uma coisa estranha que soltava uma fumaça colorida. Ou talvez fosse apenas a visão de seus amigos que já estivesse afetando as cores.
– Acho que deveríamos apostar algo mais complicado – Aurora sugeriu – Fala sério, daqui a pouco eles já estão se pegando de novo!
– E o que você sugere, princesinha?
– Quem consegue ficar mais tempo sem pegar o outro.
– De acordo com os meus cálculos, isso vai dar merda – Caleb riu.
– Ganhei – Zachary zombou, mas arrumou sua postura ao receber um olhar desafiador de Valentina e estendeu a mão para ela – O perdedor faz o que o outro quiser por...
– Uma semana – A ruiva completou.
Ambos tremeram ao imaginar, perguntando-se se realmente conseguiriam ficar tanto tempo sem aquele a sua frente, mas o orgulho e a possibilidade de ganhar falaram mais alto, então assentiram com um sorriso maroto nos lábios.
– Incluindo humilhação publica, por favor – Pediu Dominic.
Os dois deram os ombros, indiferentes. Não pretendiam perder mesmo.
Acredito que não é necessário dizer que Valentina se arrependeu no momento em que concordou. O brilho no olhar de Zachary deixou bem claro que ele estava disposto a provoca-la de todas as maneiras possíveis para fazê-la perder.
E deitada no Salão das Mulheres, ouvindo Noelle suspirar sobre os lábios dele, ela se arrependeu mais uma vez.
– Senhorita Leger? – Uma criada a chamou, com cuidado.
Valentina se remexeu e fingiu acordar, ajeitando-se na poltrona enquanto aceitava um pequeno bilhete que a mulher oferecia. Um silêncio reinou ao seu redor e, com mesma velocidade com a qual se reuniram ao redor de Noelle, as Selecionadas foram para perto da ruiva.
– É dele? – Uma perguntou, tentando bisbilhotar.
– Não, é do rei – Melanie revirou os olhos – Claro que é dele, eles passaram o dia inteiro juntos ontem!
– Verdade, Vally, ainda não nos contou o que aconteceu no encontro de vocês – Uma das Selecionadas mais simpáticas, Anneliese, perguntou com uma voz doce.
– Não aconteceu nada demais – Valentina fingiu constrangimento, mas estava louca para causar inveja nas outras meninas, era algo de sua natureza: a vontade de se sobressair. E não estava disposta em mudar isto tão cedo – Ele me levou a um jardim afastado, trancado por um lindo portão de ferro. Nós conversamos boa parte do tempo, mas em algumas simplesmente ficamos sentados contemplando o lago ou então nos balançando. Ele até tentou me beijar – A ruiva conseguiu até corar, apesar de não se sentir envergonhada. Percebeu que as outras trocavam olhares entre si, mas fingiu não notar e continuou no mesmo tom – Mas é claro que eu não deixei! – Apressou-se em dizer – Não é porque estamos numa situação dessas que vou abrir mão do que meus pais me ensinaram.
Melanie a lançou um olhar confuso, sabendo que a amiga jamais falaria algo do tipo, mas não comentou nada. Algumas jovens murmuraram concordando, até mesmo Noelle, cujo rubor brilhava levemente em suas bochechas.
– E como foi o seu encontro hoje? – Valentina perguntou com um ar inocente dirigindo-se à Noelle.
– Ele me beijou – A loira empertigou-se, o orgulho e a alegria tomando conta de todo seu ser novamente.
– E vale à pena? Ou devo enrolá-lo por mais um tempo para me preparar psicologicamente? – Sua voz expressava genuína curiosidade, mas também uma pouco de divertimento, o que fez algumas Selecionadas rirem.
– Eu não acho que o Príncipe aceitaria um não e depois a deixaria continuar – Shay, uma baixinha de olhos azuis respondeu – Talvez isso o fizesse entender que você não o quer.
– Espero que ele não esteja se preparando para me chutar – Valentina deus os ombros, sacudindo o papel para a outra ver.
Tentou ignorar a boa sensação que causar inveja a proporcionava e se esforçou para ler o que estava escrito de forma que nenhuma outra lesse.
“Querida srta. Leger,
É com grande ânsia que a convido para almoçar comigo no mesmo lugar de nosso encontro. (Um guarda certificará de leva-la, caso não se lembre do caminho).
Os momentos que passamos juntos no dia anterior ficaram guardados em minha mente até o momento em que fechei os olhos em minha cama. E quando os fiz, lembrei-me novamente de seus olhos.
Espero que não se importe em abandonar suas colegas por hoje, tenho grandes planos para nosso dia.
Buscar-te-ão às onze e meia.
Com carinho,
Do seu Príncipe Encantado”
Valentina teve vontade de gargalhar alto ao terminar de ler o bilhete. Estava óbvio que aquelas palavras eras apenas para o caso do papel cair em mãos erradas, mas ainda assim eram hilárias, especialmente imaginadas na voz de Zachary Schreave.
– Então? O que diz? – Melanie foi a primeira a perguntar.
– O príncipe me chamou para almoçar com ele em particular, acho melhor eu me arrumar.
Ignorando os suspiros, Valentina se despediu das colegas e foi para seu quarto. Quase sentiu pena delas ao imaginar que algumas – como Anneliese – mereciam aquela coroa (A coroa, não o príncipe. Aquela jovem era boa demais para Zachary), e estavam ali com o coração aberto, desejando loucamente pelo amor verdadeiro.
Tentou não se concentrar nisso enquanto deixava suas criadas arrumarem seus cabelos. Cada uma com a mão mais habilidosa que a outra. Elas tagarelavam animadas sobre o encontro. Tanto que a ruiva poderia se deixar levar e fantasiar que de fato teria um encontro com seu futuro marido, e não com seu melhor amigo cujo único objetivo era leva-la para a cama sob seus encantos para ganhar uma maldita aposta.
– Voilá – Anna sorriu ao terminar de prender o cabelo de Valentina num coque bagunçado, mas prático e um tanto sensual.
– O que acha deste vestido? – Mary perguntou, segurando uma peça que batia pouco acima de seu joelho de coloração roseada.
Mais uma vez, deixou que as mulheres trabalhassem em cada detalhe de seu visual, até um guarda bater em sua porta pontualmente às onze e meia.
– Senhorita Leger, é uma honra que tenha aceitado vir – Zachary beijou a mão da ruiva e dispensou o guarda. Quando estavam finalmente sozinhos, ele a convidou para entrar no Jardim – O que achou da minha carta?
– Encantadora. Jurei que fora escrita por seu pai, mas como não me lembrava de ter passado o dia com ele, presumi que fosse sua.
– Engraçadinha – Ele revirou os olhos – Mandei preparar um almoço especial para você, divirta-se.
De fato, ele preparara um lindo piquenique de hambúrguer. Mas como Valentina não se dava ao luxo de comer porcarias há uma semana, sentiu sua boca aguar.
Todavia, quando ela se preparava para comer, Zachary estava deitado na grama, observando o céu com uma aparência cansada.
– Não vai comer? – Ela se sentou o mais próxima possível dele, de modo que ainda alcançasse seu lanche.
– Não estou com fome.
Valentina considerou. Olhou para a comida em sua mão e para o jovem deitado a seu lado. Respirou fundo, ignorando a fome rugindo em seu estomago e se posicionou em cima dele, de modo que pudesse olhá-lo nos olhos.
– O que houve?
– Coma primeiro, depois conversamos – Ele desviou o olhar com uma careta.
Sabendo que não descobriria nada, ela fez o que lhe foi mandado.
Quando a garota bebeu seu ultimo gole de refrigerante, ele se levantou.
– Não sei como dizer isso – Suspirou – Aurora está grávida.
Fale com o autor