Royal Passion
3 O Flagrante
Notas iniciais
Eu logo me cansei de andar e paramos para pedir uma cadeira de rodas, à qual Oliver guiou durante a pequena viagem através do castelo. Nós paramos próximos à um canteiro de flores, no topo de uma colina. O lugar teria sido ótimo. Se para um encontro, o que não era! Para quebrar o silêncio constrangedor causado pelo lugar extremamente romântico, eu decidi brincar:
–Quais são suas verdadeiras intenções me trazendo até aqui, Sir Oliver?
Ele soltou uma risada e me respondeu: -Pretendia roubar seu coração, realeza.
–Disse ele com um tom dramático com uma das mãos na testa.
Nós ficamos a tarde inteira conversando e rindo, até o sol se por, dando lugar à lua. Provavelmente teríamos ficado até mais tarde, mas o escuro me deixa sonolento e acabei cochilando.
Acordei à noite no meu quarto, com uma batida na porta, provavelmente Oliver me trouxera para cá. Olhei o relógio, 3:30. Quem estaria querendo entrar à essa hora? Deve ser algo urgente!
Eu levantei da cama devagar, pois minha perna doía muito. Também não posso chamar os médicos pois estão todos na guerra. E se tem uma coisa que eu sei sobre política, é que o povo vem sempre em primeiro lugar, principalmente em guerras destruídoras como essa.
Quando finalmente quando abri a porta, lá estava Oliver, perguntando com um ar de preocupação se podia entrar. Imaginando se algo tinha acontecido com ele, deixei-o entrar já perguntando:
–Ollie, você está bem? -Ele pareceu satisfeito com o apelido. -Melhor impossível, queria só ver você, e tava meio preocupado por causa do toque de recolher.
–Ahn...Comigo tá tudo bem também. Posso voltar a dormir agora? -Falei brincando
–Vou ficar aqui com você. Comigo aqui você não vai MESMO querer, hm, e nem conseguir, dormir. Nós rimos e o convidei para sentar ao meu lado.
Observei-o caminhar até a cama, ele se sentou e puxou assunto:
–Então, nervoso para conhecer a Kate?
–Katherine? Ela é sua irmã certo? Se é que ainda a considera assim de pois de seus pais terem te exilado...
Ele soltou um suspiro e percebi a tristeza e o clima tenso pairando à nossa volta.
–Bem... Eu não estou mais tão nervoso quanto à isso, espero que a simpatia seja coisa de família. — Eu disse sorrindo.
Mesmo no escuro pude o ver corar e se aproximar, deixei minha cabeça cair sobre seu ombro, e a não ser por um botão da minha polo que me incomodava, o momento seria perfeito.
Só então percebi que não havia trocado de roupa, aparentemente Oliver também percebeu, por que começou a me ajudar a tirar a camisa, aproveitei o momento para sentir seus braços e... Não, que? O que eu estou pensando!?
Não sei em que momento adormeci, mas acordei com Oliver sem camisa agarrado à meu braço, eu também estava sem camisa e pensei em como seria difícil explicar isso se alguém entrasse no quarto, eu ri. Nesse momento a porta abriu, e o meu coração parou.
–Vincent, meu querido, Bom Di- ela não pode terminar a frase. Eu não a culparia, deve ser mesmo muito estranho pegar dois garotos de 18 anos sem camisa numa cama de casal, sendo que um desses garotos é seu filho.
–Mãe, Bom Dia, bem... Não é bem isso que você está pensando...
Mas justo quando fui explicar, eu sei lá por que, Oliver levantou da cama e resolveu me abraçar mesmo! Agarrado no meu pescoço ele falou sonolento:
–Vincy, -Eu sorri mesmo em meio à tensão da situação, aquele apelido em meio àquilo tudo foi adorável.- ...Vincy, o que tá acontecendo?
Minha mãe bufou de raiva e gritou:
–Miguel Oliver! Te vejo na minha sala daqui à 30 minutos!
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