Royal Oak
7 -Especial- Memorial
Notas iniciais
Capítulo especiaaal~ Com mais que o dobro do tamanho, e cem vezes mais flashbacks! xD
-AVISO-AVISO-AVISO-AVISO-AVISO-AVISO-
Pra não ficar colocando "oi, aqui começa o flashback", vou simplesmente deixar o que for FB ou sonho em itálico, então por favor tomem cuidado para não se confundirem~ ♥
Espero que gostei desse capítulo que fiz com muito amor! ♥
Boa leitura! ♥
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Pra não ficar colocando "oi, aqui começa o flashback", vou simplesmente deixar o que for FB ou sonho em itálico, então por favor tomem cuidado para não se confundirem~ ♥
Espero que gostei desse capítulo que fiz com muito amor! ♥
Boa leitura! ♥
- Coisas?- É, coisas.- Que tipo de coisas? – Shizuo não precisava olhar – àquela altura, sabia que Izaya estava sério e com as mãos na cintura, e que não sairia sem uma resposta concreta. — ...coisas coisadas.Não que ESTA fosse uma resposta concreta.O Orihara suspirou e bagunçou o próprio cabelo com uma das mãos. – Você tem que levar essas coisas mais a sério, Shizu-chan; você ainda pode se machucar feio com essas-- Eu já disse, não foi culpa minha! Eles... – Shizuo cerrou os lábios; seus olhos finos como uma agulha. – ...eles ficaram te chamando de esquisito.O Heiwajima quase soltava vapor pelos ouvidos quando ouviu Izaya gargalhando. – Ei, isso não é engraçado! –, rugia. Após alguns segundos, o menor conseguiu parar de rir e olhou, com um enorme sorriso, o jovem à sua frente. – Mas, Shizu-chan, eu não sou esquisito mesmo?- Não diga isso! Você não é esquisito, eles é que são! – Shizuo estava bravo, irritado, irado. Não podia permitir que alguém difamasse Izaya daquela forma, e daria a própria vida se fosse o custo necessário para que eles parassem.Porém, qualquer raiva que sentia naquele momento se dissipou completamente quando o pequeno Orihara laçou seus braços por trás de seu pescoço, num abraço. – Não precisa me defender, Shizu-chan. Eu não ligo pra eles, só pra você.- N- Não diga essas coisas...! — , murmurou Shizuo enquanto o abraçava de volta.- Nee, Shizu-chan, vamos ter um encontro hoje?O maior corou e saiu atropelando as palavras, tremendo um pouco. – C- c- claro, ah... a- a gente p- pode ir aonde você... quiser. – Engoliu a seco no final de sua frase, praguejando mentalmente por não ter ensaiado para esse momento....não que ele imaginasse que um dia iria sair com o Orihara.Sair com o Orihara?Shizuo separou-se do abraço, olhando com olhos redondos o jovem à sua frente. Ele tinha um pequeno sorriso nos lábios e corava rosa-bebê. – V- você disse... encontro?- Sim.- Você e eu? Nós dois? Shizuo e Izaya? – Izaya riu um pouco e afagou os cabelos loiros do maior. – Claro, seu bobo. Mas eu entendo se você não quiser. — , disse agora com um sorriso um pouco falso. – NÃO! Eu quero, eu quero!O Orihara riu novamente. – Você é muito engraçado, Shizu-chan! Mas agora vá tratar dos seus ferimentos. E se você brigar de novo, o encontro está cancelado. — , disse sério, com apenas um dos olhos aberto, encarando o maior com ele e seus braços cruzados. – T- ta, entendi.Quando viu que Shizuo olhava para os lados, corado, Izaya abriu um pequeno sorriso redondo. – Shizu-chan, eu tenho algumas coisas pra fazer agora. Te vejo depois! — , disse enquanto se aproximava sorrateiramente do Heiwajima.- A- ah, claro, eu- Ngh...!E de repente, Izaya não estava mais lá. Havia corrido para uma sala de aula vazia que havia ali perto e encostou-se na parede, ofegante. – Eu beijei Shizu-chan.-, murmurava, tocando seus lábios. – Eu realmente... – Nem terminou sua frase. Abriu um enorme sorriso; não conseguia se conter.Depois de tanto esperar por uma oportunidade, ele finalmente, finalmente...- ...ya-san? Izaya-san... – O Orihara estalou os olhos abertos e sentou-se no sofá bruscamente, chocando sua testa com a de Tsugaru, que agora sentava no chão com a mão sobre o novo ferimento. – Ah... me desculpe.Izaya não disse mais nada. Olhava suas mãos, que tremiam um pouco, e se perguntava se aquilo havia sido mesmo um sonho. Tão real, tão nostálgico... foi quase como se ele tivesse entrado numa máquina do tempo e voltado para sua época de escola com Shizuo.Bagunçou os cabelos, grunhindo, e finalmente voltou-se para Tsugaru, que lhe olhava com traços de curiosidade. – Aconteceu alguma coisa? — , perguntou finalmente. O loiro balançou em afirmativo com a cabeça, agora sério novamente. – A água para o chá acabou de ferver.O Orihara estava realmente surpreso – num cochilo de meros quinze minutos havia sonhado com tantas coisas... e justamente aquelas coisas.Suspirando, levantou-se e foi até a cozinha terminar de preparar o chá; Tsugaru observando-o de longe. Quando voltaram para a sala e se sentaram para tomar chá, Izaya puxou conversa – afinal, haviam acabado de chegar da rua após o encontro explosivo com Shizuo e Psyche. O moreno tinha que ter certeza de que estava tudo bem.
- Tsugaru, você está se sentindo bem? — , perguntou suavemente enquanto soprava o líquido levemente colorido na xícara. — ...eu fiquei... com muita raiva daquele homem, naquela hora.- De Shizu-ch... – Izaya mordeu a própria língua. “Acabou a era de Shizu-chan, acorde , Izaya!”, pensava. – De Shizuo? – Tsugaru acenou positivo com a cabeça. – Simplesmente andando com Psyche daquela forma... é inaceitável!Izaya observava a cena curioso – quase parecia um amante enciumado. – Ah... Tsugaru, me desculpe a pergunta indiscreta, mas... você tem algum tipo de relacionamento com aquele cara?O loiro corou alguns tons claros de cor-de-rosa antes de começar a falar; agora não mais encarando o Orihara. – Na verdade... ele é meu noivo. — , disse baixinho enquanto levantava a mão direita, mostrando uma bela aliança prateada e reluzente. Naquela hora, Izaya quase teve inveja dele. – E por que ele fica fugindo de você desse jeito?Tsugaru soltou um pequeno suspiro e tomou um gole de seu chá. – Nós dois somos de famílias muito tradicionais... na verdade, nossas famílias sempre foram inimigas e, há algum tempo, resolveram fazer um acordo.- Um acordo?- Isso mesmo. O filho primogênito do meu pai, no caso eu, teria que se casar com a filha da família deles, mas o único filho era Psyche e a senhora da raiz principal acabou ficando estéril depois de dar a luz a ele.- Ah, entendo... então resolveram casar vocês dois mesmo assim?- Sim. Eu sempre me dei bem com ele, mesmo quando éramos pequenos, mas... de um tempo pra cá ele ficou violento, começou a se auto-entitular “Psyche” e saiu de casa com aquelas roupas estranhas.- Como assim, se auto-entitular...? Psyche não é o nome dele? – Tsugaru chacoalhou a cabeça. – Ele se chama Sakuraya.- Ah... bem que eu achei estranho alguém de uma família tradicional ter um nome desses.O loiro tomou mais um pouco de seu chá; estava levemente trêmulo. – Eu... eu não sei o que aconteceu! Não consigo ver um motivo pra ele fugir de mim dessa forma! — , disse com a voz chorosa. – Nós sempre fomos tão carinhosos um com o outro... eu não sei o que mudou.Tsugaru agora mordia seu lábio inferior, tentando não chorar mais. – Me desculpe, Izaya-san... eu só tenho sido um incômodo.- Incômodo? Eu finalmente tenho companhia pro chá! — , disse Izaya com um pequeno sorriso.Ele podia simpatizar com a dor de Tsugaru... definitivamente, ele podia.-Shizuo estava nervoso, vermelho, e tremia como os pudins que tanto amava. As aulas estavam quase no fim; só mais um pouco e ele iria finalmente sair com Izaya. A vontade do jovem era rasgar seu caderno no meio e pular pela janela; talvez simplesmente adiantar o horário do relógio para poder ir logo.Como se alguém tivesse ouvido suas orações, o sinal para o fim do dia letivo tocou. O jovem enfiou seus materiais em sua bolsa do jeito que pôde e saiu correndo, atropelando alguns alunos no processo.Quando finalmente alcançou a sala de aula de Izaya, respirou bem fundo e colocou a cabeça para dentro, procurando pelo Orihara. Viu o jovem quieto, guardando seus materiais em sua bolsa, com um olhar pensativo no rosto.Corou ainda mais quando Izaya o viu e sorriu para ele, levantando-se e colocando sua bolsa nos ombros. Shizuo tentou sorrir de volta, mas estava tremendo demais e duvidava que aquilo parecia, de longe, um sorriso.- Vamos então, Shizu-chan?- Vamos! – “Parabéns pra mim, minha primeira palavra sem gaguejar!”, pensava. Enquanto andavam, Izaya percebeu que Shizuo andava todo tenso e esquisito, e deu-lhe a mão. – Não precisa ficar tão nervoso, Shizu-chan. — , disse suavemente.Era incrível a capacidade do menor de acalmar a fera que era Shizuo. Num instante, ele estava todo amolecido e quase derretia na mão calorosa de Izaya.Em pouco tempo estavam numa sorveteria bem famosa da região, e faziam seus pedidos. Sentaram-se numa mesa ao lado da janela e Shizuo, que havia permanecido o trajeto todo calado, decidiu tentar conversar. – Er... por que alguém como você resolveu sair comigo?Izaya olhou-o enquanto colocava uma colher cheia de sorvete na boca. – Alguém como eu? — , perguntou, curioso. Shizuo encarou seu sorvete enquanto pensava nas palavras apropriadas.- É que... você sempre se dá bem nos estudos, e as meninas gostam de você, e você tem boa aparência, e... – “E eu to falando tudo enrolado de novo, merda!” — , pensou. Izaya riu baixinho. – Você acha mesmo?- Acho... por isso eu não consigo entender.- Ora, Shizu-chan, não é um pouco óbvio? Eu gosto de você.Shizuo engasgou com o sorvete que havia acabado de colocar na boca, e tossia violentamente. Quando conseguiu se recuperar, olhou Izaya, que observava a cena um tanto curioso. – P- pode repetir isso por favor?- Eu gosto de você. – Izaya estava sério – sério demais para estar brincando. As bochechas de Shizuo ficaram cor de carmim; ele sentia seu corpo todo queimar e seu coração reverberar forte dentro de suas costelas.Passaram o resto do tempo na sorveteria em silêncio. Izaya estava começando a se arrepender de ter dito aquilo quando, ao saírem da sorveteria, Shizuo sugeriu que fossem ao parque.O Heiwajima tinha as mãos fundo dentro dos bolsos e não sabia o que fazer. Quer dizer, era óbvio que ele precisava fazer algo – eles estavam no meio de um encontro, e Izaya havia dito que gosta dele. Se não fizesse nada, Shizuo seria um covarde.Depois de andarem um pouco pelo parque, o Heiwajima parou de andar. Encarava o chão e, Izaya, que estava ao seu lado, lhe olhava curioso. – Aconteceu alguma coisa? – Tinha até medo de chamá-lo de Shizu-chan novamente.- N- não... é que... – Estava ficando até com dor de cabeça por ter tanto sangue nas bochechas. Abriu a boca para falar novamente, queria dizer algo; precisava dizer algo, mas naquele momento todas as palavras lhe escaparam.Por um segundo, os olhos dele se encontraram com os de Izaya e o ar que ele respirava ficou preso em seus pulmões. Não sabia o que estava fazendo; era como se ele tivesse perdido o controle do próprio corpo.Segurou Izaya pela cintura e puxou-o para junto de si, dando-lhe um beijo nos lábios. O Orihara laçou suas mãos na nuca do maior e retribuiu o selinho dando, inconscientemente, impulso para que Shizuo aprofundasse o contato.Seus lábios se partiram e, sem saber o que exatamente estava fazendo, inseriu sua língua rosada na boca do moreno, que suspirou. Shizuo o segurava apertado; não queria deixar que aquele momento acabasse – queria virar uma estátua para poder ficar para sempre daquele jeito com Izaya.Logo o beijo havia se tornado intenso, e os dois suspiravam sempre que havia alguma abertura. Seus corpos estavam colados e transmitiam o calor um do outro pelo tecido fino de seus uniformes.Quando finalmente se separaram, Izaya lhe deu um pequeno selinho e encostou sua testa no ombro de Shizuo, levemente ofegante. – Shizu-chan... você também... gosta de mim?-, perguntou o Orihara, sem erguer sua cabeça.A resposta de Shizuo veio com um abraço bem apertado; o maior afundou seu rosto na curva do pescoço de Izaya e deu-lhe um beijo ali, sussurrando bem baixinho.- Sempre gostei.Shizuo deu um pulo de sua cama, ofegante. Encolheu-se enquanto tentava recuperar seu fôlego e, olhando o relógio, lia três e meia da manhã. O loiro grunhiu e deitou-se novamente, de rosto virado para o teto.De todas as coisas que ele podia sonhar, tinha que ter sido justamente aquilo – o primeiro encontro que ele teve com Izaya. Se tivesse sido em qualquer outro dia, o loiro poderia simplesmente esquecer daquilo com um cigarro, mas depois de tudo o que estava acontecendo, ele duvidava que um maço ajudasse.Ele sabia que havia machucado o Orihara – não tinha como não saber. Mas ele não sabia que a dor havia sido tão profunda até que aquele garoto, Kida, foi visitá-lo.Sentou-se à mesa enquanto esperava um pouco de água ferver para seu chá; talvez ele ajudasse a esquentá-lo um pouco. Em pouco tempo, porém, escutou a campainha de seu apartamento tocando. O relógio lia mais de meia noite, e, apesar de confuso, Shizuo resolveu atender à porta.
Abriu-a cuidadosamente; uma expressão cansada em seu rosto enquanto observava o jovem visitante. – Shizuo Heiwajima?– Eu mesmo. Quem é você?– Kida... Kida Masaomi.O Heiwajima levantou uma das sobrancelhas enquanto olhava o garoto à sua porta. – Não devia estar em casa a essa hora, garoto? – Recebeu, como resposta, um olhar um tanto violento do menor, que não cedia.Com um suspiro, Shizuo deu passagem para que Kida entrasse em seu apartamento. – Então, garoto, qual o problema? – Ignorando a palavra “garoto”, que lhe enfurecia, Kida logo colocou as cartas na mesa. – Você é o problema.- Como é?- Eu quero que você fique longe de Izaya. – Shizuo franziu as sobrancelhas. – Quem você pensa que é pra me dizer uma coisa dessas?- O namorado dele. — , foi sua curta resposta. Shizuo havia ficado congelado no lugar. Izaya estava namorando um garotinho? – E você espera que eu acredite nisso? — , perguntou.- Ah, claro, acha que ele ainda prefere tipinhos como você, não é?- Ora, seu-!- Izaya não precisa mais de você atrapalhando a vida dele. Se aquilo tudo acontecer de novo, eu juro que...- “Aquilo tudo”?- Não se faça de idiota! Ah, mas eu não deveria estar surpreso... você nunca se importou com ele, não deve mesmo saber pelo que ele passou depois que você o usou daquele jeito!Shizuo estava com raiva mas não sabia o que dizer, e não tinha forças para retrucar o que quer que fosse. Apenas perguntou, com uma voz fraca, — ...o que aconteceu com ele?Kida cerrou os punhos e passou a fitar o chão. – Quando eu encontrei ele pela primeira vez, ele estava muito magro, provavelmente não estava comendo direito... ele tinha aquele... olhar vazio nos olhos, era agonizante.O Masaomi fechou os olhos; era ruim demais ter que lembrar daquilo. – Ele estava bebendo muito, e se envolveu com as pessoas erradas... por sorte, o pessoal da minha gangue deu um jeito nisso, mas quando nós conseguimos chegar até ele, já estava quase morto.- Quase morto?- Ele foi estuprado e espancado. — , disse Kida secamente. – Tudo o que aconteceu com ele foi por sua culpa! -, rugiu o menor, que agora encarava Shizuo com um olhar cortante. – Eu não fiz nada!- Usá-lo como um brinquedinho e depois jogar fora é “nada”? você é pior do que eu pensava! Eu juro, Heiwajima, se você se aproximar dele de novo eu vou te matar! – Sem dizer mais nada, Kida saiu do apartamento, batendo a porta atrás de si.Shizuo estava petrificado e a água para seu chá, que agora fervia, jazia esquecida no fogão.Shizuo fechou os olhos bem forte e deixou seu braço pender por sobre eles. Não esperava que suas ações fossem causar tantas desgraças para o Orihara – só queria afastar-se dele; precisava afastar-se.Claro, não estava se ausentando da culpa... talvez quisesse apenas amenizar a dor que ele mesmo estava sentindo naquela hora. Seria melhor se nunca tivessem se conhecido.Era um fato que, se não fosse por Izaya, hoje em dia Shizuo seria um encrenqueiro e muito provavelmente estaria na cadeia, se não morto... mas se ele pudesse fazer com que Izaya não tivesse que passar por tudo aquilo, ele morreria feliz.Quem sabe o que aquele Kida lhe havia dito fosse melhor – se ele simplesmente sumisse dali e não se aproximasse mais do Orihara – mas só de pensar em se distanciar dele de novo, seu peito doía.Queria poder abraçá-lo, sussurrar coisas bonitas para ele bem baixinho em seu ouvido; fazer tudo da forma como faziam antes, como dois bobos apaixonados.Suspirou, se remexendo em sua cama até encarar a parede. Havia chegado a uma decisão.-Kida olhava seu almoço com extremo desinteresse. Estava nervoso, estava ansioso para que chegasse logo amanhã – o dia em que sua dúvida mortal seria esclarecida; ele finalmente conheceria seu perseguidor.Porém, ainda estava com um pouco de medo. Seria muito ruim se fosse algum tipo de pegadinha de uma gangue inimiga que resolveu passar o final de ano espancando alguém.Empurrou seu prato de comida para longe e encostou sua testa na madeira gelada da mesa. Ainda tinha que avisar Izaya que não poderia ficar com ele como combinado.Tirou seu celular do bolso, cabeça ainda encostada na mesa, e discou o número do Orihara, que logo atendeu. – Kida-kun, aconteceu alguma coisa?- Mais ou menos... sobre passar o final de ano juntos... não vai dar.- Ah... entendo. Se meteu em encrenca?- Não, pra variar um pouco. – Izaya suspirou aliviado do outro lado da linha. – Por favor, tenha juízo, Kida-kun.“...tenha juízo...”As palavras ficavam se repetindo na cabeça de Kida, e ele desligou o celular sem nem perceber. Aquilo era familiar para ele, aquele conjunto de palavras...- Meu filho, por que você não vai lá brincar com as outras crianças? – O pequeno Kida abaixou a cabeça e fitou o chão, corando um pouco. – Não quero. -, respondeu baixinho. – Vai ficar sozinho de novo?O menino não lhe respondeu.Não queria ficar perto daquelas crianças – eram as mesmas da última vez e, quando sua mãe virou as costas por um segundo para ir tomar água, elas haviam lhe empurrado no chão e disseram que ele era estranho.Kida queria ir embora. Só de olhar para aqueles rostos novamente, ele sentia um arrepio na espinha.Sua mãe saiu dali dizendo que precisava resolver algo e que voltaria logo, deixando o Masaomi sozinho novamente. Ele se encolheu no banco e apenas observou, receoso, enquanto as crianças brincavam.Foi quando ele avistou, num banco do outro lado do parquinho, um jovem de cabelos negros e uniforme de escola jogando um vídeo game portátil. Ele observou o jovem por alguns momentos, e percebeu que as crianças começaram a olhar para ele com cara de quem aprontaria.Kida sentiu sua respiração ficar presa e saiu correndo dali, indo de encontro àquele jovem de cabelos negros. Quando parou em frente a ele, o jovem lhe olhou curioso. – A- ah... moço... o meu nome é Kida! — , disse ele, enrubescido e tentando parecer sério.O jovem continuou lhe olhando por alguns segundos e deu um pequeno sorriso. – Muito prazer, Kida-kun. Meu nome é Izaya. – O garoto abriu um sorriso enorme – Izaya era muito bonito.Kida sentou-se no banco, ao lado do maior, e olhou o portátil em suas mãos. – Que jogo é esse?- Ataque dos Ninjas Assassinos! — , respondeu-lhe todo animado. O sorriso de Kida ficou ainda mais largo. – Eu adoro esse jogo! Meu personagem preferido é o ninja macaco!Izaya riu simpático para ele. Kida estava mais do que encantado pelo jovem de cabelos negros. – Izanyan... quantos anos você tem? – Corando um pouco com o apelido, o jovem afagou-lhe os cabelos. – Tenho quinze. E você, Kida-kun?- Un, eu tenho nove! – disse-lhe todo orgulhoso. – Logo vai ficar do meu tamanho! – Kida não conseguia parar de olhar o jovem Izaya. Tinha um sorriso muito bonito, apesar de parecer esconder uma dor imensa em seus olhos.- Kida-chan, vamos indo? – Quando ouviu a voz de sua mãe lhe chamando mais à frente, o pequeno Masaomi fez bico. Ouviu Izaya rindo baixinho ao seu lado, e o maior lhe afagou os cabelos novamente. – Não devia desobedecer sua mãe.- Eu sei... — , disse, um pouco triste. Deu um enorme sorriso para Izaya, mas percebeu que as crianças lhe olhavam mais estranho ainda.Izaya não demorou a notar a forma que as crianças olhavam Kida. Tirou um pedaço de papel e uma caneta de seus materiais escolares e começou a escrever. Logo dobrou o papel e entregou-o ao pequeno garoto. – Aqui tem o número do meu celular. Se acontecer alguma coisa com você, me ligue, ok?Kida corou, seu sorriso agora ficando bobo. – Obrigado, Izanyan! – O garoto saiu correndo para voltar para sua mãe, e ouviu Izaya dizendo, — Tenha juízo, Kida-kun!Tenha juízo.Por muito tempo, aquele pedaço de papel havia sido o trevo de quatro folhas de Kida. Sempre que estava com algum problema, ainda que não ligasse para Izaya, segurava bem forte aquela folha até que tudo passasse.Quando Kida ganhou um celular, aos doze anos, ele realmente começou a ter contato com Izaya. O que antes era uma conversa de dois, três minutos por mês havia se tornado conversas longas e quase diárias.Foi mais ou menos nessa época que o Masaomi descobriu o que havia acontecido com o Orihara. Quando se conheceram, havia passado apenas uma semana desde que Shizuo fez o que fez, o que explicava o olhar triste do moreno.Também foi nessa época que Kida resolveu criar os Lenços Amarelos. Ele queria poder acabar com qualquer um que tentasse machucar Izaya; seu Izaya. Não esperava que a gangue fosse se expandir da forma que aconteceu, mas talvez fosse melhor assim.De qualquer forma, a única pessoa que Kida realmente considerava amigo era o Orihara. Kida não conseguia se relacionar bem com mais ninguém; tinha receio de que fosse acontecer o mesmo de quando ele era pequeno. Encontrar Izaya aquele dia havia sido um milagre.Mas agora Kida estava sozinho de novo.-- Eu não posso acreditar nisso! Não posso acreditar! – Psyche estava irritado; estava irado. Deu alguns socos na parede e se sentou no sofá do hotel, afundando seu rosto na palma de suas mãos. – Tsugaru idiota! Tsugaru idiota! — , murmurava.Não podia acreditar que Tsugaru havia vindo até Ikebukuro só para levá-lo de volta para aquele inferno. Psyche... não, Sakuraya queria fugir daquilo desesperadamente. Só de pensar em voltar para as mãos de seus familiares Sakuraya ficava arrepiado.Não que o loiro soubesse o que acontecia lá, apesar de estar sempre preocupado com o bem-estar do noivo.Noivo... a palavra soava estranha na língua de Sakuraya. Ele não queria ter noivado Tsugaru; não daquela maneira... não sendo obrigado e tratado como um objeto por seus familiares insensíveis.Ele queria poder contar tudo a Tsugaru, mas não tinha as forças necessárias. Sempre que se lembrava do dia em que haviam se conhecido, ele perdia a coragem. Não podia dizer algo tão repugnante para alguém que o tratava tão bem.Não depois do que Tsugaru lhe havia dito.Era final de tarde e Sakuraya brincava com um coelho sob uma cerejeira. Por sorte, seus pais haviam deixado ele sair de casa naquele dia – o pequeno não agüentava mais ficar com a cara enfiada em livros e lições variadas.O coelho ficou estático por um segundo e então saiu correndo, claramente assustado com algo. Sakuraya também se assustou, porém com o animal, e olhou para trás para saber o que havia de errado.Escondido atrás de uma cerejeira estava um pequeno menino de cabelos dourados, que lhe olhava curioso e com as bochechas coradas. Sakuraya levantou-se e o menino escondeu o rosto, porém o tronco da árvore era fino e era impossível que se escondesse.Quando ouviu alguns passos atrás de si, o loirinho saiu correndo. – Espere! – Sakuraya segurou seu kimono e saiu correndo atrás do outro garoto. Conseguiu persegui-lo por algum tempo em meio às cerejeiras, porém havia uma raiz no meio do caminho e o jovem moreno tropeçou, caindo desastradamente no chão.Grunhiu baixinho; devia ter ralado o joelho. Sentou-se no chão e levantou um pouco seu kimono; seu joelho estava ralado, de fato. Ele sentiu lágrimas no canto de deus olhos e começou a chorar baixinho. Enquanto isso, o menino de cabelos dourados lhe observava por trás de uma cerejeira.Sentiu pena do pequeno garoto. Andou até ele e agachou-se em sua frente, afagando seus cabelos. – Pronto, pronto, não precisa chorar.- Meu joelho dói! — , disse-lhe. O loiro olhou o arranhão no joelho do jovem e sorriu pequenininho. – Vou fazer uma mágica pra dor sumir! – Sakuraya observou, curioso, enquanto o loirinho lhe deu um pequeno beijo sobre o machucado e o tampou com ambas as mãos.Depois de alguns segundos, ele retirou as mãos do arranhão e olhou Sakuraya. – Viu só? Agora não vai doer mais. – De fato, havia parado de doer. O moreno olhava o garoto ainda com lágrimas nos olhos, e bochecha corada.O loirinho riu um pouco e levantou suas pequenas mãos para secar as lágrimas do outro. – Não fique chorando, seus olhos vão ficar inchados. — , disse-lhe com uma voz doce. – Quem é você?- Meu nome é Tsugaru. E você?- Sakuraya. — , respondeu envergonhado. – Que nome bonito! – O garoto de cabelos dourados tinha um sorriso muito doce nos lábios, e possuía olhos muito gentis. – Não precisa mais ter vergonha, a partir de agora nós somos amigos, certo?
Sakuraya estava surpreso – nunca teve nenhum amigo; passava tempo demais em casa para conhecer pessoas da sua idade. – Amigos? De verdade? — , perguntou; seus olhos brilhando. – Un, com certeza!O moreno finalmente sorriu para ele. Tsugaru sentou-se ao lado de Sakuraya e deitou suas costas no chão, olhando as pétalas de cerejeira que caíam bem de cima; logo o moreno lhe acompanhou.Permaneceram em silêncio por algum tempo, até que finalmente Tsugaru começou a falar novamente. – Sakuraya-chan, eu vou te proteger. – O moreno se assustou com a frase repentina. Olhou o loiro ao seu lado; ele parecia bastante sério.Sakuraya corou escarlate. – Promete? – Tsugaru olhou-o nos olhos e sorriu. – Sim, é uma promessa. – Levantou a pequena mão, mostrando-lhe o dedinho. O moreno, receoso, levantou sua mão bem devagar até que finalmente juntaram seus dedos mindinhos.- Não se esqueça, Tsugaru-chan, você prometeu.- , disse Sakuraya suavemente enquanto encostava sua cabeça no ombro do novo amigo, fechando seus olhos.– Eu vou te proteger... definitivamente.Sakuraya queria que as coisas tivessem continuado daquela forma, apenas uma amizade boba de duas crianças mais bobas ainda.Deitou-se no sofá do hotel e se encolheu tanto quanto pôde; algumas lágrimas correndo por seu rosto.- Tsugaru idiota...
Notas finais
Waaa, que trabalhão deu fazer isso tudo! Espero que não tenham se perdido com a quantidade de flashbacks xD
Mas finalmente estou deixando escapar algumas coisas do passado desses lindões, espero que estejam gostando *u*
*capotando de cansada*
Obrigada por terem lido até aqui! Nos vemos no próximo capítulo de Royal Oak! ♥
Mas finalmente estou deixando escapar algumas coisas do passado desses lindões, espero que estejam gostando *u*
*capotando de cansada*
Obrigada por terem lido até aqui! Nos vemos no próximo capítulo de Royal Oak! ♥
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