Royal Blood
2 "Mom, daddy, don't forget me" - parte 1
Notas iniciais
— Liza vamos, já estamos atrasadas.
— É aula do senhor White, nada de importante vai acontecer em uma aula de matemática dois, além de alunos dormindo.
Eu sou Elizabeth McFells, mas todos me chamam de Liza, mesmo eu amando meu nome de velho, essa que esta comigo é Lara minha melhor amiga de todos os tempos. Nós moramos em uma cidadezinha da Florida, há mais ou menos uma hora de Miami, e essa localização, não que eu saiba o porque, é orgulho para a maior parte da população. Lara fez dezoito anos na semana passada e eu permaneço aqui com meus dezessete anos, 199 dias e contando. Meus pais são Emmeline e Tom McFells, ambos médicos, enquanto meu pai vive a vida de aposentado, minha mãe tem um clinica no centro da cidade.
Acredito que já falei tudo que é preciso saber sobre como era minha vida antes do fatídico dia em que tudo mudou.
—Mas Liza — começou Lara retocando seu gloss — Nós precisamos ir as aulas do sr. White, ele já não gosta da gente, imagina se começarmos a perder aulas.
—Vamos fazer assim, nós já perdemos o horário mesmo e ele não vai nos deixar entrar. — Faço uma pausa como se isso realmente fosse um fato — Podemos passar na lanchonete e eu aproveito para te explicar sobre a era Elisabetana — sugiro com um sorriso amarelo.
— Tudo bem, mas eu dirijo.
Concordei com a cabeça me despedindo de Flora, minha cachorrinha, e pegando minha mochila, descemos as escadas correndo sendo assim repreendidas por meu pai.
— Tchau pai — me despeço mandando um beijo para ele e saindo, deixando claro, Lara para trás.
— Tchau tio Tom.
Assim que entramos no carro ligamos o rádio e saímos cantando pela cidade em direção a melhor lanchonete já aberta.
Fizemos nossos pedidos e assim que eles chegaram Lara me alertou:
— Não olhe agora, mas o Luke está vindo aí.
Luke é o meu peguete por assim dizer, ele é mais velho, moreno de olhos verdes e todas as garotas piram nele. Percebi Lara abrindo um falso sorriso e em seguida Lucas sentando ao meu lado. A Lara não gostava muito dele, ela dizia que ele escondia uma grande mentira, teorias da conspiração criadas pela fértil mente dela.
— Ei princesa. — Cumprimentou ele me abraçando por cima dos ombros — Ei Lara, como vão as duas mosqueteiras? — Pergunta ele, segundo Luke, em outra vida nós éramos guerreiras francesas por isso somos tão unidas nessa. Eu estou rodeada de loucos!
— No momento atrasadas. — Responde Lara terminando seu milk shake.
— E você mocinho? – Indaguei — Não deveria estar no treino?
— Por hoje ser um dia especial eu fui liberado das minhas atividades.
— E o que tem hoje?
— Nada de mais, algo a ver com festas em algum lugar aí — tentou explicar ele o que fez Lara erguer as sobrancelhas. — Eu passei aqui só para te ver, já estou indo. — Da forma como chegou ele foi, como em um passe de mágica.
Lara revirou os olhos, reclamando sobre como deveríamos correr para a escola, caso contrário perderíamos a aula de misticismo. Assim que entrei no carro de Lara senti algo ruim, algo amargo, era como se alguém estivesse me observando.
Logo que chegamos a escola o sinal de aviso tocou, nos obrigando o seguir direto para a sala.
— Bom dia crianças, hoje iremos falar sobre uma sociedade secreta, uma das mais antigas existentes — A professora Walker entrou falando, ela tinha o estranho costume de nos chamar de crianças, como se ela não estivesse acabado de entrar na casa dos trinta. — Segundo a lenda, essa sociedade vive as margens da nossa, nos protegendo e fornecendo tudo que precisamos, como a tecnologia, vocês já ouviram falar de vampiros? — ela perguntou de forma irônica levando a sala a loucura— Esses seres são chamados de Rigors. Tudo começou com uma família que foi presenteada pela natureza — começou ela desenhando uma arvore no quadro.
— Tipo Adão e Eva? — Interrompeu alguém do fundo.
—Não, um tipo diferente de presente — explicou ela. — eram habilidades físicas e mentais alem das nossas.
“Esses vampiros são divididos em quatro grupos:
Os Trov: vampiros imortais sem capacidade de emoção, eles são escravos do sol e da vida. Eles são o tipo de vampiro que conhecemos, com sangue e tal.
Os Phamilie: popularmente conhecido como os herdeiros, são os mais poderosos, visto que eles têm o sangue puro da família original Rigors, sem DNA Trov ou humano, eles tem um poder em especial, conseguem matar Trov em massa, porem estão extintos. Existe uma lenda da princesa Rigors, a herdeira do sangue Real, ela pode estar viva esperando o momento de tomar o trono, mas isso é lenda dentro de lenda não é mesmo turma?
A população: são a mistura entre Rigors e humanos, sua alimentação tem base na nossa, sem a necessidade de sangue, são mortais e a espécie mais populosa.
Os Plene: é a parte da População que se tornou imortal, escravos da vida, mas não do sol, podem ainda sim viver em sociedade. ”
— É para anotar? — Grita uma toupeira qualquer, não me seguro e respondo:
— Não, não, ela vai tirar cópia do quadro em tamanho real e mandar entregar na sua casa, ou a anta prefere a original?
— Srta. McFells! — Repreendeu a Katherine. — Sim, isso deve ser anotado. Na próxima aula falaremos sobre como funciona o processo de monarquia nessa sociedade, sobre sua economia e organização parcial.
— Professora, isso tudo é verdade? — Questiona Bryan, o garoto louco por ET’s.
— É uma opção acreditar, afinal nessa aula trabalhamos com crenças.
Dessa forma Katherine Walker, minha professora preferida deixa a sala, a sigo junto com Lara, infelizmente nossas próximas aulas eram separadas, pegamos nossos livros e nos despedimos, seguindo cada uma seu caminho. Se eu soubesse, ah, se eu soubesse os fatos que se seguiriam eu teria realmente me despedido de Lara, mas eu ainda era só Elizabeth McFells.
Um frio percorreu meu corpo, assim que entrei na sala o professor me chamou avisando que o diretor me esperava na sala dele, concordei e seguindo para a sala do sr. Hall, meu estomago se revirava a cada passo. Foi ai que começou, sabe aquelas cenas de filmes onde há uma falha no roteiro que faz tudo mudar? Pois bem, é quase isso, quando cheguei a sala percebi a presença de dois seguranças que mais pareciam armários na porta.
— Srta. McFells o diretor Hall já vem, pode esperar na sala dele. — pediu a secretaria do diretor, antes do entrar olhei em volta e só o que recebi foi um olhar assustado da professora Walker.
Entrei na sala, ela estava escura e assustadoramente fria, as pesadas cortinas junto ao quadro do diretor da parede tornavam o local levemente tenebroso. Ouvi batidas na janela e fui até lá.
— Elizabeth, Elizabeth, você precisa correr — Era a professora Katherine, ela sussurrava, mais pálida que o normal.
— Professora o que faz aqui? E por que correr?
— Liza me ouça, você precisa vir comigo, sabe a lenda dos Rigors, ela é real e no momento aqueles caras lá fora querem te matar. — Rapidamente seus olhos tomaram um tom cinza e seus dentes viraram presas. — Algo em você diz para me seguir e por favor Liza venha logo.
Meu coração disparou, aquilo era algo que minha razão dizia para não fazer, mas como ela mesmo tinha afirmado algo em mim me fazia querer ir, me dizia que precisava ouvi-la, e eu ouvi. Uma onda de adrenalina percorreu meu corpo quando pulei a janela e comecei a correr junto a minha professora de misticismo até o carro dela.
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