Estava chovendo pequenos pingos d’água em New York esta noite. Eu acabara de voltar do meu trabalho, e parei em uma mercearia em frente ao meu apartamento. Comprei somente o necessário: quatro cervejas.

Agradeci ao vendedor – Archie, se não me engano – e saí da loja com uma sacola média. Na porta do prédio, uma imagem que me chamou a atenção: um homem, com uma jaqueta de couro, um cabelo preto escorrendo pelo rosto e extremamente molhado. Era uma cena realmente interessante.

Antes de atravessar a rua, abri minha sacola e retirei uma cerveja, e fiquei ali, observando aquele homem. Sua face estava escondida pela sombra de um poste, mas parecia que estava chorando – no mesmo ritmo daquela chuva -.

Esperei um carro passar e atravessei, me juntando a aquele homem.

- Se você ficar aqui mais um pouco, capaz de pegar um resfriado. – eu disse, dando um gole na cerveja.

E ele continuou naquela posição, sem mexer um músculo sequer.

- Então você não é de muito papo. Entendi. –sentei ao seu lado, abrindo minha sacola – cerveja?

Ele olhou pra mim –e sim, ele estava chorando- disse um baixo “quero” e pegou a garrafa da minha mão.

Ficamos em silêncio durante uns cinco minutos, quando, de repente, ele disse algo.

- Meu nome é Gerard. – ele me olhou, e depois voltou seu olhar para a rua.

- Elizabeth, mas pode me chamar de Liz. – eu disse.

- Belo nome, Liz. — ele disse, me encarando.

- Obrigada. O seu nome também é bem bonito, Gerard. — ele deu um sorriso, mostrando seus pequenos dentes e seus lábios finos. – Então. . . Desculpa a curiosidade, mas posso saber o que você está fazendo em Utopia Pkwy, ás 9 PM ?

Seu sorriso se desfez, dando lugar a um olhar sério, e aparentemente tenso.

- Ahn, é uma longa história. – ele disse, dando um gole. — quer mesmo saber?

- Sim.

- Briguei com minha mulher, e ela me expulsou de casa.

- Pra mim isso não é uma longa história.

- Você é bem curiosa.

-Quero saber somente o necessário, se não se importa.

-Não,não me importo.É que...eu não estava dando a devida atenção pra ela,nem pra minha filha.Cresci praticamente sozinho,e durante a minha adolescência até o momento que conheci Lindsey,minha esposa,eu não tinha que me preocupar com os outros.Geralmente as pessoas que cuidavam de mim.Sabe,drogas e tudo mais.

- Ual, você é um filho da puta mesmo. Oh meu Deus, me desculpe, falei sem pensar. – ele riu da minha cara de assustada, e disse:

- Eu sou mesmo.

-Então Gerard, vai dormir aonde hoje?- eu disse, e pela sua cara, nem ele sabia onde iria ficar.

- Han, acho que aqui, sentado. – ele disse, coçando o topo da cabeça.

- Bem, vai parecer que eu sou oferecida, mas eu sei como é ser expulsa de casa. Se quiser, eu tenho um sofá livre, não é o sofá mais macio do mundo, mas dá pro gasto.

-Obrigado Liz, mas eu mal conheço você, e não quero te dar trabalho.

-Você não vai dar trabalho Gerard. Estamos aqui á 10 minutos conversando, e se você não entrar agora, vai adoecer.

Ele deu uma risada e concordou.

Abri a porta do prédio, e esperei ele colocar as garrafas vazias de cerveja no lixo.Subimos até meu apartamento, que ficava no 2º andar.

Chegando no andar certo, arrumei o sofá para Gerard,que estava brincando com meu gato Meemow.Como Gerard estava todo molhado, resolvi pegar uma calça de moletom e uma toalha e mandei ele ir tomar banho.

Ele saiu, somente de calça, e com o cabelo ainda escorrendo. Me entregou suas roupas molhadas e as coloquei para lavar.

- Quer uma blusa ? Aqui venta um pouco e de noite esfria.

- Não obrigado. – ele disse, enquanto eu observava uma gota de água escorrer pelo seu peito.

-Aceita comer alguma coisa?A cozinha fecha ás 10PM.-ele deu uma risada,e disse que estava bem.

-Liz,me responde uma coisa?

-Claro,pode perguntar.

-Você disse que sabe como é ser expulsa de casa,ou algo do tipo.Posso saber o motivo disso?

-Bem,quando eu tinha uns 10 anos,meu pai faleceu e algum tempo depois minha mãe conheceu um cara chamado Phillip.Um cretino que só estava interessado na herança dela. Quando eu percebi e fui falar com a minha mãe, o cretino me expulsou de casa.

-Nossa,quantos anos você tinha?-ele disse, meio espantado.

-Uns 17.Ou quase isso.- ele soltou um murmúrio espantado, como ja era de se esperar. — Ei, vou dormir. Espero que fique confortável, pode me chamar se precisar de algo. Boa noite.

- Obrigado Liz, boa noite pra você também. — e deu seu meio sorriso; apaguei a luz e fui desmontar-me na cama.

Notas finais
Primeira postagem, espero que, se alguém ler, goste
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.