Rotten Flesh
14 Capítulo XIV
Notas iniciais
George:
“Acordei com a sensação de estar em movimento.
Meu corpo inteiro estava dolorido, minha cabeça doía como se pregassem pregos na trás do meu crânio. Havia um zumbido em meu ouvido e eu tinha uma fome tão intensa, como se eu não comesse há semanas. Abri meus olhos devagar, a claridade os irritou de uma forma dolorosa, principalmente o esquerdo, então eu os fechei rapidamente por causa da dor.
Mesmo de olhos fechados eu sabia que havia pessoas ao meu redor, e melhor, de alguma forma eu sabia que Amber estava lá.
—Estamos quase chegando. —ela anunciou
Ela parecia animada, quase feliz, eu não tinha lembrança alguma do que aconteceu comigo depois que fui pego, mas aparentemente estávamos bem agora. Fiz um esforço para me sentar direito e abrir os olhos novamente.
—Chegando onde? —indaguei, minha garganta arranhava quando eu falava, estava muito seca
Cocei a cabeça, era tudo bem confuso, eu estava em um carro, a menina Marina estava ao meu lado no banco de trás me encarando surpresa, Daniel estava no banco do passageiro ao lado de Amber que dirigia, estávamos na estrada, uma bem familiar para mim.
—O que foi? —inquiri enquanto eles me encaravam
Amber freou o carro com rapidez o que nos fez ir para frente com brutalidade. Quando o carro parou de vez ela se soltou do cinto de segurança e pulou para o banco de trás me abraçando com força.
—Eu estava com tanto medo de te perder, George. —ela me apertou mais—Graças a Deus, você está bem.
—Eu não diria bem... —Marina comentou—Qual é do olho...?
—Olho? —questionei
Por falar nisso eu não estava enxergando muito bem do meu olho esquerdo, e a luz... ela incomodava muito. Amber me encarou com o cenho franzido, parecia preocupada.
—Parece morto. —ela declarou
—Quê?
—Acha que é por causa do que aplicaram em vocês? —Dan perguntou à Marina
—É provável... —ela respondeu—Talvez seja um efeito colateral, talvez esteja perto de ele se transformar em um deles.
Amber negou com a cabeça muitas vezes.
—Não, isso não pode acontecer!! —ela bradou
—Você pode estar certa, se ele tivesse que se transformar em um deles já o teria feito. —Dan ponderou—Mas não podemos ignorar as possibilidades.
Eu olhava para eles confuso, não fazia ideia do que estavam falando, foi quando Marina apontou com a cabeça para o espelho do carro e eu olhei. Meu olho esquerdo parecia com os olhos dos mortos, esbranquiçado e sem brilho. Arfei assustado, aquilo não podia ser real, não podia!
Eu respirava com dificuldade, estava muito assustado, Amber tocou meu braço e me lançou um sorriso tentando me acalmar.
—Vai ficar tudo bem, George, eu vou cuidar de você, estamos quase em casa. —falou
Eu a abracei apertado.
Eu acreditava que eu ia morrer, e eu merecia isso, eu desejei que esse mortos existissem, eu desejei o fim do mundo, por mais que eu não tivesse realmente envolvimento na criação de tudo isso, ainda sim eu merecia me tornar um deles por ter desejado uma coisa tão horrível.
Mas eu não queria que ela passasse por isso, não queria que ela sofresse mais.
—Me mata. —pedi
Ela se afastou de mim surpresa.
—Me mata antes que seja tarde de mais. —implorei—Por favor.
—Não... —ela falou indignada
—Nós vamos cuidar de você, George, não sabemos se você vai virar um deles ou não, vamos ficar de olho em você, só isso. —Dan tentou me tranquilizar—Não há necessidade de uma medida tão extrema, cara.
—Há sim, é sempre assim, eles são infectados, mas as pessoas não querem machuca-los, então prometem cuidar deles até que eles se transformam e machucam essas pessoas. —passei as mãos pelo cabelo nervoso
Marina revirou os olhos.
—Do que você está falando? —inquiriu—Quer saber, eu lhe asseguro de que se você representar qualquer perigo para mim eu não vou hesitar em te matar você, não se preocupe.
—Marina! —Daniel repreendeu
—É sempre assim, você não vai conseguir e eu vou acabar matando todos vocês...
Amber me deu um tapa no rosto.
—Isso não é mais uma série de tevê, George, nem um filme ou uma HQ. —ela disse séria—Esse é o mundo real, não há nenhum narrador ou flashback para nos contar o que aconteceu ou que pode acontecer.
Arregalei os olhos.
—Ninguém vai matar ninguém aqui. —ela disse mais como uma ordem—Nós estamos indo para casa.
Eles me deram um pouco de comida e água depois disso, Amber parecia totalmente diferente, principalmente porque ela nunca me bateu antes ou levantou a voz para mim, eu sempre fui seu irmãozinho querido e além do mais era eu quem dava as ordens em situações difíceis antes. Marina e Dan me contaram o que aconteceu no campo de refugiados dos militares, me contaram quantas pessoas Amber matou para me proteger, eu vi expressão eles me contavam. Culpa, vergonha...
Pelo o que eu entendi, eu havia julgado Castiel mal, ele cuidou e protegeu minha irmã, não acredito que algum dia irei conseguir agradecê-lo por isso.
Quando finalmente entramos em território conhecido ficamos pasmos, parecia uma cidade abandonada, carros queimados ou abandonados nas ruas, corpos aqui e ali com buracos de bala em seus troncos e cabeças, lixo, muito lixo por todo canto. As lojas tinham os vidros de suas vitrines quebrados e suas portas arrombadas, as paredes das casas e estabelecimentos estavam praticamente todas pichadas, algumas pichações tinham relação, pois sempre mencionavam ‘O grupo da Besta’.
‘O grupo da Besta esteve aqui’.
‘Propriedade do grupo da Besta’.
‘A besta está por perto’.
Mortos andavam aqui e ali, nada de grandes grupos como vimos em Los Angeles, mas notamos pilhas de corpos e barricadas em alguns lugares. Fomos à casa de Dan primeiro, estava abandonada como as outras, mas parecia ter sido deixada as pressas, o menino encontrou sangue no chão de sua cozinha e cartuchos de bala também. Amber o abraçou com força quando ele começou a chorar, eu me aproximei, mas não disse nada, Marina ficou o mais longe possível e de costas para nós.
—Se não há corpos há grande chance de eles estarem bem. —Amber tentou acalma-lo—Eles devem ter ido procurar por ajuda.
Pegamos tudo o que era útil e saímos.
À frente ao hospital havia pilhas de corpos, alguns carbonizados outros apenas cobertos com um pano. Não nos aproximamos de lá, quanto mais perto do centro mais as marcas de vandalismo e destruição eram fortes. O píer estava lotado de mortos, havia barcos longe dali no meio da baía, não tentamos pedir ajuda... Também não havia fazer isso sem chamar atenção dos mortos. A meu pedido, Amber nos levou a vários lugares antes de passarmos em casa, eu estava tentando adiar as más noticias sem nem mesmo saber que haveria alguma.
Chegamos em casa e a porta estava escancarada, havia sangue chão da sala, e marcas de tiro na parede.
—Mãe? Pai? —chamei
Nós entramos com cautela.
Os porta retratos haviam caído, peguei uma foto no chão, nela estávamos todos juntos, mãe, pai, eu, Amber e Adam em uma pizzaria, eu a guardei em meu bolso. Eu me lembrava bem daquele dia, foi para comemorar o fato de Amber ter conseguido comprar o seu apartamento onde ela e Adam moravam. Nós nem conseguimos entrar no prédio quando passamos lá, havia mortos por toda parte e fumaça saindo das janelas de muitos dos andares.
—Acho que não tem ninguém aqui, G. —Marina falou enquanto subia as escadas
Amber e eu íamos em direção à cozinha enquanto Dan ficava vigiando a sala, Marina iria verificar os quartos.
Amber parou, lagrimas encheram seus olhos.
—Tem sim. —ela soluçou
Papai estava no chão da cozinha se arrastando em direção. Sua pele estava pálida, havia sangue seco em seus dentes, seus olhos não eram mais tão verdes como antes e sim esbranquiçados. Ele rosnava para nós e tentava nos alcançar. Meus olhos estavam cheios de lagrimas assim como os de Amber, ela apontou a arma para ele, mas temia de mais para atirar.
Marina e Dan vieram correndo até nós e olharam dele para nós dois.
—É seu pai? —Marina perguntou
Dan olhou para nos tristemente, enquanto eu assenti para Marina.
A menina atirou na cabeça dele.
—Me agradeça depois. —ela saiu
Amber gritou e caiu de joelhos segurando-o e abraçando seu corpo frio.
—Pai! —ela gritou enquanto chorava
Eu caí ao seu lado parando o rosto para não olhar aquilo e para que não me vissem chorar.
Infelizmente na nossa casa havia um corpo.”
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