Rotten Flesh
10 Capítulo X
Notas iniciais
Dan:
“Tudo o que eu ouvi foi o som dos tiros.
As balas furaram a lateral da cabeça de cada um deles a minha frente os fazendo cair. Os doentes na enfermaria ficaram agitados, os que conseguiram saíram correndo, eu e os outros ficamos parados assustados. Minhas pernas tremiam, o sangue deles escorria até meus pés e criava poças no chão.
Olhei para o responsável pelo disparo, Amber ainda apontava a arma para onde os militares estavam segundos atrás, seu maxilar estava trincado e suas mãos apertavam o Colt com força. Castiel ao seu lado lhe encarava pasmo, tanto quanto eu. Ela travou a arma e correu até mim me abraçando apertado.
—Você está bem? Está ferido? Eles fizeram alguma coisa com você?! —ela fez muitas perguntas enquanto apalpava meu rosto e meus braços verificando se estava tudo inteiro
—E- eu estou bem... —gaguejei
—Eu fiquei com tanto medo, eu não posso perder você também, pequenino. —ela apertou minhas bochechas
Foi só então que eu voltei a mim.
Puxei o ar com tudo para dentro dos meus pulmões ao meu lembrar do que eu havia visto, agora eu me lembrava mesmo do motivo para estar tremendo.
—Tem algo que você precisa ver! —agarrei a mão dela
Comecei a puxar ela, passamos pelos enfermos tapando o nariz e a boca com uma mão, soltei a mão dela e usei esta para encontrar novamente a abertura na lona. Assim que a encontrei eu puxei Amber por ela e seguimos pelo corredor e no final dele atravessamos outra abertura. Nela havia uma sala cheia de equipamentos médicos, o chão era cheios de fios para lá e para cá se ligando as maquinas que faziam barulhos diversos e mostravam coisas que eu não compreendia em suas telas.
No centro dela havia algumas macas com pessoas amarradas ali, algumas delas não eram mais pessoas. Joe, o amigo de Castiel, e mais duas pessoas haviam se tornado mortos e rosnavam para os outros que lá estavam amarrados. Entre eles estavam George, inconsciente e pálido, Marina que rosnava- mas que não era uma dos mortos, infelizmente- Bianca, prima de Castiel, que acabara de acordar e uma menina ruiva que encarava o teto como se estivesse perdida.
Amber ao ver George, não ligou para o morto amarrado na maca ao lado que rosnava e tentava se libertar, ela simplesmente correu até o irmão e chorou enquanto o abraçava e tentava acorda-lo.
Castiel, que nos seguira, correu até Bianca para solta-la, ele estava muito triste, olhava para seu amigo na outra maca e baixava o olhar com pesar. Enquanto isso Marina tentava se soltar a força, eu sei que não era a hora para isso, mas eu simplesmente parei na frente da maca dela e sorri, da forma mais sádica possível.
—Consegue se soltar sozinha, senhora independente? —zombei
Tirei a mordaça dela.
—Você este me zoando? Não é hora para isso, Daniel!
—Eu não estou te zoando, senhora, acho que apenas estou sendo ingênuo em duvidar da capacidade de alguém como você. —fingi estar ofendido—Pois você não precisa da ajuda de ninguém, não é?
—Dá para me soltar logo? —ela bufou, arqueei uma sobrancelha e ela grunhiu—Por favor!
Eu a encarei ainda sorrindo e fui soltar a garota do lado. Essa era a minha vingança por ela ter sido uma vadia.
[Marina: Você ainda estava bravo por causa daquilo?!]
[Dan: Você achou que eu ia deixar passar?]
[risos]
[Dan: Não me subestime]
—Seu pedaço de merda, me solte logo, eu vou chutar tanto esse seu traseiro que ele vai ficar idêntico a essa sua cara feia, seu... Seu... Ah! —ela esbravejou
A menina ao lado era a ruiva, se me lembro bem ela tinha a idade de George, mas quando a vi pela primeira vez pensei que tivesse a minha idade. Era tão magrinha e franzina, seu rosto cheio de sardas era inocente como o de uma criança, ela não me notou até que eu passei meu braço por debaixo de seu pescoço para tentar ajuda-la a se sentar depois de tê-la soltado.
—Quem é você? —ela perguntou aérea—Onde eu estou? Onde está meu pai?
—Quem é seu pai?
—Viktor... Viktor Wells. —falou
Marina rosnou e se debateu tanto que quase derrubou a maca consigo no chão.
—Esse... hijo de la puta, ele nos prendeu aqui! —bradou—Ele e aqueles médicos estavam nos usando como ratos de laboratório!
A menina arregalou seus olhos verdes.
—Meu pai... ele não faria uma coisa dessas! —negou
—Pois ele fez. —Bianca se sentou na maca esfregando os pulsos machucados pelas amarras—Ele nos trouxe para cá a força, mandou que injetassem coisas na gente, até mesmo disse que não nos via como lada além de ratos... ele transformou meu amigo nisso.
Ela olhou para Joe, o garoto tinha sua pele agora não mais avermelhada, ele estava roxo e fedia como se já estivesse morto há dias, seus olhos estavam esbranquiçados sem vida alguma, mas ele estava mais ‘vivo’ do que nunca tentando abocanhar Marina.
—É bem provável que isso também aconteça com G... ele não acorda nem se mexe a muito tempo... eles até aplicaram mais daquela coisa nele quando ele tentou escapar. —Bianca disse com pesar
A menina ruiva negava com a cabeça, parecia chocada, não acreditava que seu pai pudesse fazer algo assim.
Amber negou chorando, suas mãos tremulas estavam sobre o peito do irmão, ela ainda tentava acorda-lo.
—Ele não vai... não pode! —ela gritou
Castiel pôs dois dedos no pescoço do garoto e esperou um pouco.
Sua expressão não era das melhores.
—Ele ainda está vivo, mas sua pulsação está muito fraca...
Amber secou as lagrimas com o antebraço e respirou fundo.
—Eu vou tirar ele daqui, agora, vou leva-lo para casa, nós vamos cuidar dele lá!
—Mesmo que ele tenha chance de sobreviver... não há como sair daqui. —Bianca disse enquanto soltava Marina—Os militares logo vão chegar e vão nos prender, ou nos matar.
Amber começou a hiperventilar e as lagrimas voltaram a cair, ela não estava nenhum pouco bem, ela olhava para todos os lados procurando algo, um modo de tirar George dali. Castiel lhe deu um tapa no rosto assustando-a.
—Amber! —ele bradou—Eu preciso de você sã, nós vamos dar um jeito, mas não tenha um ataque agora!
Sua respiração se acalmou enquanto ela encarava Castiel, ele a instruía a inspirar e expirar devagar e ela o fazia. Era uma situação estranha, mas parecia estar ajudando.
Na verdade ajudou e muito.
Após se recuperar, Amber olhou para os mortos nas macas, parecia ter tido uma ideia. Ela pegou uma, a com Joe, e começou a empurrar pelo corredor. Eu e Castiel corremos atrás dela.
Ela o empurrou pela enfermaria assustando mais os doentes ali, saiu pelo corredor com a maca, três militares vinham correndo em sua direção, ela atirou na garganta deles sem dar tempo para que eles entendessem o que acontecia. Parou a maca, pegou as armas dos militares e seus coletes com nossa ajuda.
—Vistam! —ordenou
—O que vai fazer? —perguntei enquanto ela jogava uma das armas deles para mim
—Veste o maldito colete e volta para perto de George, agora! —ordenou mais rígida
Engoli em seco e olhei para Castiel, ele a encarava admirado com o rosto todo corado.
Revirei os olhos.
Ele e Amber puseram a maca de pé e soltaram o morto e o empurraram até os militares.
—Precisamos soltar os outros! —ela falou
Corremos de volta para a sala onde eles estavam, Amber levou outra maca junto a Castiel, eu fui atrás mesmo que ela tivesse pedido para eu ficar, no corredor, alguns militares tentavam lidar com Joe, Amber e Castiel aproveitaram a distração para poder soltar os outros, levantando a maca da mesma forma que fizera com a do garoto. Mas eles acabaram vendo e atiraram contra os dois, eu me escondi na enfermaria, Amber e Castiel se esconderam atrás das macas e usaram elas e os mortos como escudo.
Os militares não atiram na cabeça nos mortos, não acho que eles sabiam que era assim que era assim que se lidava com eles, mas isso foi útil para Amber que pôde solta-los ainda vivos em cima dos militares lhe dando uma chance de escapar.
Ela agarrou a mão de Castiel e o puxou de volta.
Na sala Bianca tentava acalmar a menina ruiva que ainda não acreditava que seu pai pudesse ter feito aquilo com ela e com os outros.
—Caitlin, escuta, as coisas não são mais como eram, o mundo agora é de quem é forte e inteligente o suficiente para sobreviver. —ela falou
—É cada um por si lá fora. —Marina murmurou
—Meu pai... ele não faria isso, ele prometeu me proteger. —ela choramingou
—Seu pai é um desgraçado, um cretino de marca maior, e se algo acontecer com meu irmão eu vou joga-lo para os mortos! —Amber rosnou
A menina arregalou os olhos.
Nesse momento ouvimos os militares na enfermaria gritando com os enfermos e entre si. Amber olhou para Bianca e acenou para as macas, elas fizeram uma barricada com elas na porta e se esconderam atrás, nós nos escondemos tentando nos proteger e empurramos George em sua maca para um canto.
Quando o primeiro militar chegou, Amber usou o Colt deixando um buraco na garganta dele, enquanto Bianca, com a arma de um militar que Castiel havia pego, atirou duas vezes no militar seguinte.
Nós as encarávamos pasmos, Castiel na realidade era o único que não estava assustado, ele só estava orgulhoso, muito orgulhoso.
Quando nenhum outro veio as duas se levantaram olhando para nós.
—Precisamos de um plano, para sair daqui, o mais rápido possível. —Bianca falou
—Vamos ter que usar as armas desses caras, o Colt só tem mais uma bala. —Amber comentou—Talvez também devêssemos levar os corpos para longe daqui, não sabemos se eles podem se transformar também...
A ruiva quase desmaiou.
Todos a encararam surpresos.
Amber, por algum motivo, estava confusa.
[Amber: É obvio, até hoje não entendo o porquê aquela maluca desmaiou]
[Dan: VOCÊS MATARAM DOIS MILITARES NA FRENTE DELA!]
[Marina: Depois de gritar com ela e ameaçar o pai dela.]
[Amber: Ah.]
—Eu cuido dela. —suspirei
—Muito bem, vamos sair daqui. —Amber falou decidida
Castiel a encarou orgulhoso.
—Essa é a minha garota.”
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