Rotten Flesh
12 Capítulo XII
Notas iniciais
Marina:
“Eu tentei deter Caitlin.
Ela não tinha força alguma para atirar com uma arma, ainda mais com uma grande como aquela.
Da primeira vez que eu tentei atirar com uma shotgun acabei deslocando o ombro, foi complicado e muito doloroso para colocar ele no lugar novamente sem a ajuda de ninguém. Mas a ruiva atirou nos militares os matando quase que de primeira, foi impressionante considerando que ela tinha quase dezoito anos com uma aparência de treze e que nunca tocara numa arma antes daquele dia.
—Eu acreditei em você! —ela gritou após se levantar e mirar no próprio pai
O velho tentou argumentar, tentou se explicar para a garota tentando fazê-la baixar a arma, mas ela atirou assim que ele começou o seu pedido de desculpas, ela não queria ouvi-lo, ela só atirou. Ninguém se importou com o corpo do velho caindo no chão com um buraco no peito, nós só encarávamos a ruiva espantados enquanto ela chorava desesperadamente. Eu estava em cima do corpo de um militar que Amber matou, ela pediu para que os tirássemos dali, mas com toda aquela bagunça acontecendo nós acabamos esquecendo-os. Então somente quando esse cadáver começou a se mexer e a rosnar eu sai do meu estado de choque.
Pulei de cima dele, que começou a se mexer com mais rapidez. Amber também saiu de seu estado de choque e ordenou:
—Marina tire a garota daqui, Dan me ajude a levar George para fora, Castiel nos de cobertura.
Assentimos, Daniel e Amber tentara levar a maca com George para fora enquanto Castiel lidava com os mortos que começavam a se levantar. Puxar Caitlin dali foi bem complicado, eu podia entender o porque o pai dela falou tudo aquilo sobre ela, a menina era um saco de batatas podres ambulante, inútil e pesada.
—Caitlin nós precisamos ir!! —bradei enquanto puxava ela dali
—Me deixe, eu... eu só vou atrapalhar vocês mesmo... me deixe morrer. —choramingou
Eu não tinha duvidas que ela iria atrapalhar e estava tentada a obedecer ao seu pedido, mas ao ouvir o rosnado dos mortos lá fora eu não pude deixa-la.
Alguns flashes passaram pela minha mente, eu estava de volta a Los Angeles, no alto de uma escada de incêndio de um dos prédios tentando escapar dos mortos lá embaixo, eu estava encolhida em um canto quando vi um homem entrar no beco correndo, ele tentava escapar de outros mortos, mas ele acabou dando de cara com o que tentavam me pegar. Eu vi ele morrer, vi ele ser devorado quando as balas de sua shotgun acabaram e ele não podia parar para recarregar, ele gritou por ajuda enquanto sua carne era rasgada e mastigada, mas eu não podia ajudar. Os mortos o devoraram por um bom tempo até serem atraídos por uma explosão, foi quando eu desci e roubei os pertences dele que sobraram.
Eu vi aquele homem ser devorado vivo, não quero esse destino para mais ninguém, por isso, e só por isso, eu continuei a puxa-la.
Lá fora estava um caos terrível, mortos para todo o lado, os civis refugiados ali haviam conseguido os carros e embarcavam os doentes primeiro. Bianca os instruía a colocar os enfermos separados dos saudáveis e principalmente das crianças, um ônibus escolar inteiro foi destinado a eles e os responsáveis por dirigi-lo usavam mascaras médicas. Mas embarca-los era complicado, principalmente pela interferência dos militares e dos mortos, os suprimentos foram colocados em dois carros forte e as pessoas saudáveis ficaram nas caminhonetes militares.
No final os militares mais jovens e mais espertos se juntaram aos refugiados e começaram a ajudar na fuga.
—Amber! —Bianca chamou assim que nos viu saindo, um garoto que tentava terminar o curativo em seu ferimento quase caiu quando ela correu em nossa direção, o som dos tiros era tão alto que quase não a escutamos gritar por Amber—Separamos um carro para você, também colocamos suprimento para quatro pessoas, o bastante para dois dias, embora eu não saiba exatamente o porquê já que vamos todos para o mesmo lugar...
—Eu agradeço, Bianca, por nos resgatar e nos ajudar agora. —Amber sorriu gentilmente, eu a achava fraca antes, mas após ver o que ela é capaz de fazer pelo irmão... eu devo dizer que tenho um certo respeito por ela
[Amber: Ownt, Marina, que fofo!]
[Marina: Eu disse respeito, mas se tentar me abraçar eu ainda vou morder seu braço]
—Mas infelizmente... nossos caminhos vão se separar agora, vocês irão guiar essas pessoas para o ponto de encontro com os representantes do campo de refugiados do Arizona, acredito que lá seja seguro.
—Mas... e vocês? Para onde vão? É perigoso, vocês não deviam ir sozinhos. —a loira tentou argumentar
—Nós vamos para a Bay Area procurar nossas famílias. —Dan falou—São seis ou sete horas de viagem daqui, se eles não estiverem por lá...
—Eles vão estar! —Amber falou com convicção
Ela e Dan levaram George até o carro, um lancer preto, e o colocaram no banco de trás, no assoalho do carro colocaram minha mochila e a de George junto a dois tacos de baseball. No painel do carro colocaram a shotgun que Caitlin usou para matar o pai e no porta luvas junto com a munição colocaram a .40 que Dan roubara de um militar morto.
—Amber! —Castiel chamou, ele parecia triste
—Castiel, eu sinto muito, mas é o que tem que ser feito. —ela disse e aproveitou para entregar o Colt para ele quando ia entrar no carro
Mas ele o colocou de volta na mão dela, ele não a olhava nos olhos a principio, parecia tentar arranjar coragem para o que iria dizer.
—Era da minha tia, ela usou até no seu ultimo momento para lutar... eu quero que você fique com ela, para se lembrar de mim. —ela encarou a arma com os olhos marejados e a colocou na cintura cobrindo-a com a blusa, Castiel a abraçou—Eu vou te encontrar novamente, docinho, nem que eu tenha que morrer para isso, eu vou te encontrar.
Enquanto eles se despediam daquela forma melosa, eu tentava, da forma mais gentil possível, acalmar Caitlin.
—Mira aqui, pelirroja, —bradei—você parar de chorar como uma criança e vai criar vergonha nessa sua cara sardenta! Você matou seu pai, sim, mas e dai? Ele ia te matar se você não o tivesse matado antes. A droga do mundo mudou, ou você mata ou você morre, lide com isso!
—Mas... —ela tentou falar
Eu a interrompi gritando com ela.
—Se da próxima vez que eu te ver você estiver viva, mas ainda chorando como a droga de um bebê, eu vou fazer questão de secar essas suas lagrimas com um tijolo e matar você com as minhas próprias mãos.
Ela engoliu em seco e assentiu assustada.
Dan pigarreou e me olhou com aquela cara cínica dele.
[Dan: Você me ama demais]
—Se já terminou de traumatizar a garota, me diga, você vem conosco? —perguntou
Soltei a garota e me virei para ele suspirando cansada, sabe quando você tem que tomar uma decisão muito importante na sua vida, tipo, se você prefere ir para um lugar seguro e ter que aturar um monte de fracotes inclusive a garota que você quer espancar por ser uma completa inútil chorona ou se aventurar por ai com a morte te perseguindo, mas com pessoas menos odiáveis- exceto pelo garoto que você também quer espancar.
Respirei fundo. Era uma decisão difícil, mas eu não podia deixar aquele idiota ir.
—Estou a caminho, perro. —sorri”
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