Rotten Flesh
6 Capítulo VI
Notas iniciais
George:
“Eu podia estar tonto e dolorido, mas salvar minha irmã era prioridade, então rapidamente me esqueci de tudo isso.
Meu taco de baseball não estava mais preso ao meu cinto então tive de improvisar. O que eu sabia sobre matar zumbis?
Arrancar a cabeça nem sempre ajuda- e fazer isso com as mãos é impossível.
Detonar ela!!!
–Esmagar uma cabeça com um taco: Easy peasy
–Esmagar uma cabeça podre batendo-a contra alguma coisa: Easy
Mas aquele não parecia podre e se eu não fosse rápido... Shit!! Urrei e preparei o chute, mas o bastardo abaixou a cabeça quando meu pé estava perto dela, ele era rápido, até estranhei, mesmo não sabendo muito sobre os “mortos desse mundo” a maioria que havíamos visto até aquele momento era lenta.
Ouvi um resmungo e depois um gemido de dor, entrei em pânico, achei que ele havia mordido ela. Entretanto o maldito rolou para o lados e deitando ao lado de Amber enquanto agarrava suas partes entre as pernas fazendo uma expressão de dor. Era Castiel.
—Mas que infernos...? —falei surpreso
—Você me beijou! —Amber se sentou e cuspiu no chão fazendo uma careta
—Seu irmão ia me acertar, eu tinha que abaixar a cabeça... —gemeu
—Eu pensei que você fosse um morto.
Amber torceu o nariz.
—Quem dera.
—O que diabos ele fazia em cima de você?! —bradei
—Eu sei que o mundo está acabando e os humanos morrendo... mas se querem salvar a humanidade desse jeito deviam pelo menos arranjar um quarto. —Dan zombou
Amber ficou vermelha, de raiva e vergonha.
Castiel tentou se recompor.
—Se a humanidade dependia de mim, Amber levou todas as nossas esperanças embora com essa joelhada... —gemeu de novo—Meu filhos...
—Isso não teria acontecido se você não tivesse “tropeçado” —fez sinal de aspas com os dedos— e caído em cima de mim.
Ajudei minha irmã a se levantar.
Franzi a testa para Castiel.
—Eu sou grato por ter nos tirado daquela encrenca, mas se tocar na minha irmã vou quebrar todos os seus dentes com uma tacada só.
Ele se levantou com dificuldade e suspirou.
—Não se preocupe, não vou tocar nela, só se ela quiser, não é docinho? —lhe lançou um olhar malicioso
Ela cruzou os braços e bufou.
—Dispenso.
Bianca apareceu e sorriu abertamente para nós.
—Que bom que acordaram, vejo que já viraram amigos do Cas.
—Amigos. —bufei
—Sim, sim, ótimos amigos. —passou o braço em volta da cintura de Amber—Estava mostrando o lugar para docinho aqui e dando boas vindas aos outros que acordaram agora.
Puxei Amber para perto de mim separando-os, minha irmã já tinha um namorado, Adam, um cara muito legal e de confiança do meu pai, muito diferente desse punkzinho pervertido que mal conhecíamos, não ia deixa-lo tocar em Amber. Nós Petersons somos muito apegados a família e numa situação dessas, além da sobrevivência, ela é tudo o que importa.
—Onde estamos? —Dan indagou se levantando e se aproximando de nós
—Estamos em um acampamento improvisado dos militares à 30km de Los Angeles. —Bianca explicou—Todos os sobreviventes do desastre foram trazidos para cá, vivemos aqui nas ultimas duas semanas, ajudamos uns aos outros e procuramos por mais gente para trazer para cá.
—Os militares aguardam as ordens do governo para nos levarem para um lugar mais adequado, mas estamos esperando esta ordem há dias... por enquanto, podem chamar isso se lar. —Castiel contou assumindo um tom sério
Endireitei o corpo e os olhei com a mesma seriedade.
—Sinto muito, mas não vamos ficar por muito tempo.
—O quê? —Bianca estava surpresa
Dan bateu com a mão na testa.
—George, eu não sei se você é muito burro ou se sua mãe te deixou cair do berço quando bebê. —bufou—Vai querer ir para a estrada de novo? Mesmo depois de quase morrermos? Duas vezes?!
—Precisamos encontrar nossas famílias. —falei
—G, Jim disse que os militares fariam acampamentos e ele estava certo, talvez também acertou sobre nossos pais serem levados por eles. —Amber tentou me convencer—Talvez devêssemos ficar e esperar que...
A encarei e ela notou que eu não ia mudar de ideia e suspirou.
—Deviam ficar, pelo menos até se recuperarem um pouco. —Castiel sugeriu
—Pelo menos isso, né? —Dan me olhou inquisitivo
Torci o nariz.
—Dois dias e partiremos.
Eles sorriram.
—Então venham conhecer o lugar, vão adorar. —Bianca sugeriu sorrindo
Marina:
Finalmente chegou minha vez de narrar!
Bem onde G parou?
[Amber: Acho que foi quando ele aceitou ficar no acampamento por um tempo, você ainda estava desacordada]
Ah sim! Bem, eu acordei um bom tempo depois disso pelo que eu sei, minha cabeça latejava muito. Ouvia o barulho da chuva e isso me confortava um pouco, mas logo em seguida vieram as memórias.
Lembrei de quando eu e meus pais fomos para Los Angeles, três semanas antes daquilo, a Gripe Asiática havia chegado a no México e muitos estavam indo procurar refugio e ajuda nos Estados Unidos, nós não estávamos doentes, fomos para lá simplesmente porque nunca tínhamos visitado aquela cidade antes e como eu não tinha aula. Pois as escolas da Cidade do México haviam se fechado por causa da Gripe, decidimos que seria legal ir para lá. Dios... foi a pior ideia que já tivemos.
No dia em que chegamos estávamos animados para conhecer a cidade, quando saímos do hotel um cara nos interceptou na rua, um cara estranho, pálido de mais, com os olhos vazios e a boca roxa, ele olhou para nós a principio confuso, mama ficou com medo achando que fosse um bandido. Papa o confrontou, o homem ficou zangado e mostrou os dentes para meu pai, havia sangue seco neles. Nós recuamos, o homem atacou papa, embora não fosse muito ágil ele era forte e nos pegou de surpresa. Ele agarrou o braço de papa e ameaçou morde-lo, mama se colocou entre eles e foi mordida no ombro. Ele arrancou a carne dela, sangue esguichou daquele ponto e nós gritamos.
Abri os olhos, não precisava me lembrar daquilo naquele momento, não precisava me lembrar daquilo nunca mais.
Eu estava deitada em um colchão macio e coberta por um cobertor quentinho, não tinha esse conforto despreocupado há dias... Me virei para o lado e encontrei um garoto sentado em um colchão ao meu lado. Ele tinha cabelos curtos e pretos, olheiras embaixo dos olhos castanhos e me encarava.
—Quem é você?
—Eu sou Daniel, mas pode me chamar de Dan. —ele disse—Eu estava no carro, não se lembra de mim?
—Sim. —eu não me lembrava, não havia prestado atenção nas pessoas daquele carro, só queria que me tirassem dali
—Está mentindo?
—Sim. —agora eu estava mentindo
Ele sorriu.
—Consegue se levantar? —me sentei como reposta—Está com forme? Está dormindo já faz um bom tempo.
—Talvez. —respondi sem me importar muito
Ele se levantou e esticou a mão para me ajudar a fazer o mesmo. Recusei a ajuda, eu podia me levantar sozinha. Ele pareceu um pouco ofendido no começo, mas depois torceu o nariz e pôs as mãos nos bolsos.
—Onde estamos? —perguntei
—Se é tão independente, pode descobrir isso por si só. —falou e saiu na frente
Ele é estranho e difícil de se lidar....
[Dan: Eu estava tentando ser um maldito cavalheiro e você foi uma vadia comigo!]
[Amber: Daniel!]
[Dan: É a mais pura verdade]
Eu o segui, chegamos a outro “cômodo” cheio de colchões assim como o que estávamos antes, mas este estava cheio diferentemente do outro. Pessoas enfaixadas ou gemendo de dor em seus colchões, o garoto não parou, militares passaram por nós em um corredor, agitados, porém disciplinados. O garoto levantou uma parte da lona que dava em outro cômodo e passou por baixo dela. Várias pessoas estavam ali andando de um lado para o outro conversando e comendo em mesas improvisadas.
Um garoto alto de olhos verdes e cabelos castanho claros brigava com outro de cabelos negros com um lado da cabeça raspada.
—...dois dias e só! É tempo suficiente para nos recuperarmos e vocês nos garantirem suprimentos, nem vamos precisar de muito, somos só três! —bradou
—Mas docinho aqui se machucou muito, deviam ficar mais alguns dias. —o outro falou apontando para uma garota de cabelos mal cortados que parecia com o alto
—Odeio concordar com esse chato, mas devíamos ficar George. —ela disse
O garoto, George, bufou. Olhou para o lado e viu Dan se aproximando comigo em seu encalço.
—Dan, diga a eles que temos que ir o mais rápido possível para a Bay Area.
—Por que eu faria isso? Vai me pagar depois? Sabe minha mãe sempre diz: “Só minta se te pagarem bem depois”. —desdenhou
George bufou novamente, ia falar algo quando ouvimos o grito de uma mulher, corremos em direção ao som, Dan e eu, no caso, voltamos pelo caminho que traçamos até ali. Na área lotada de gente vimos uma mulher se debater no chão, os médicos tentavam se aproximar, mas acabavam levando chutes. Ela estava tendo espasmos terríveis, se contorcia de todos os modos.
—Você não devia ver isso, Amber. —George e o cara com a cabeça raspada de um lado disseram
Eles se encararam sérios.
—O que está acontecendo? —perguntei e só então notaram minha presença
—É o ultimo estagio da Gripe, depois da fome incontrolável o infectado começa a ter esses espasmos malucos. —o punk contou—A febre é altíssima... ela vai morrer logo.
E ela o fez, de repente parou de gritar e se mexer, os médicos checaram seu pulso e logo depois os militares a levaram dali rapidamente com a ajuda dos médicos.
—O que vão fazer com ela? Enterrar? —Dan perguntou
—Não é do nosso interesse.”
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